sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Pente-fino 2

Continuação da apostila de História do COC. Meus comentários em azul.
A História ao Longo do Tempo
    "Na Antigüidade Clássica, os historiadores não pesquisavam os fatos, preocupando-se apenas em narrar os acontecimentos sem levar em conta as possíveis relações entre eles. Na Idade Média, com a predominância do pensamento teológico-filosófico de Santo Agostinho, a história passou a ter uma visão teocêntrica dos fatos.
    (...)A formação das monarquias nacionais européias e o Renascimento produziram uma visão histórica em que os heróis - reis, príncipes e cavaleiros - resolviam tudo sozinhos. Era uma concepção romântica da história.
    A partir do século XIX, alguns historiadores e pensadores mudaram a maneira de analisar os fatos históricos. Entre eles destacaram-se Karl Marx e Friedrich Engels, que passaram a dar ênfase sobre  os aspectos socio-econômicos que envolviam os fatos históricos, como também incorporaram as camadas populares no processo histórico. Por outro lado, ocorreu nesta época a sistematização e organização do estudo da história, a partir da elaboração de métodos de investigação da pesquisa por meio de critérios de análise e exposição dos trabalhos.
    (...)Com todas estas transformações e contribuições de outras ciências, atualmente a história busca mostrar a evolução das sociedades humanas na sua totalidade, desde as formas de organização política, economica e social, até o dia-a-dia das pessoas: como viviam, como as mulheres eram vistas pela sociedade, o casamento, a cultura popular, como é o cotidiano, onde despontam as virtudes e fraquezas das pessoas. Esta é a chamada história total.
    A partir disso podemos concluir que o conhecimento histórico - daquilo que foi e do que está sendo - pode-nos facilitar a compreensão - e até entender - do porquê das coisas. Se elas estão ruins, será que nós temos uma parcela de culpa? Como mudar a situação para melhor? Certamente buscando o porquê dela. E o caminho é a história.
 A Divisão da História
A divisão da história em períodos atende apenas a uma finalidade didática, desde que  o processo histórico é ininterrupto.(...).A divisão mais utilizada baseia-se nos fatos políticos
1) Idade Antiga = tem início com o aparecimento da escrita - concomitante ao início da história - por volta do ano 4 000 aC, até a queda do Império Romano do Ocidente, em 476. Neste período desenvolveram-se os modos de produção asiático e escravista.
  A Pré-História
 
"Quando Cabral desembarcou no Brasil, os indígenas estavam num estágio social semelhante ao da Idade da Pedra. Por sua vez, quando a Inglaterra iniciava a sua Revolução Industrial, no século XVIII, os bosquímanos australianos encontravam-se, como os indígenas brasileiros do século XVI, também na Idade da Pedra. Ainda hoje, existem povos vivendo em plena era Paleolítica, e isto não implica em considerarmos que eles sejam povos atrasados.
    A partir disto, temos de entender duas coisas: primeiros que os povos desenvolvem-se a partir de suas necessidades em consonância com o seu meio ambiente; segundo, não podemos utilizar como ponto de referência a Europa - o homem  branco- pois cairíamos no eurocentrismo".
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 No tópico A História ao Longo do Tempo ( Módulo 1), lê-se:
"Na Idade Média, com a predominância do pensamento teológico-filosófico de Santo Agostinho, a história passou a ter uma visão teocêntrica dos fatos...." A informação está incompleta: além de Santo Agostinho, predominou na Idade Média o pensamento aristotélico-tomista, que teve em Santo Tomás de Aquino seu nome de maior grandeza. Agostinho, que viveu no período denominado Antigüidade, morreu em Hipona em 430 e foi o grande representante da Patrística (escritos dos Pais da Igreja). Santo Tomás de Aquino representa a Escolástica, que ampliou os estudos de Agostinho, incorporando à sua teologia as concepções de outro grande filósofo grego, Aristóteles.
(...)"A formação das monarquias nacionais européias e o Renascimento produziram uma visão histórica em que os heróis - reis, príncipes e cavaleiros - resolviam tudo sozinhos. Era uma concepção romântica da história". Do que estamos falando?! Afinal, a apostila está se referindo a três séculos de história  (da Queda de Constantinopla, que encerrou a Idade Média, à Revolução Francesa, que origem à Idade Moderna). Este foi um período marcado pelo Renascimento, pelas grandes navegações, pelas descobertas, pela Revolução Científica, pelo Século das Luzes e pela Revolução Francesa. Reduzir tudo isto a um tempo em que "os heróis - reis princípes e cavaleiros - resolviam tudo sozinhos" é simplificação ridícula.
"A partir do século XIX, alguns historiadores e pensadores(Que historiadores e pensadores?) mudaram a maneira de analisar os fatos históricos. (Qual foi a mudança? Como a história era analisada antes?) Entre eles destacaram-se Karl Marx e Friedrich Engels (de novo Marx? Por que só ele e Engels? E Comte, Durkheim,  Spencer, Mill etc ), que passaram a dar ênfase sobre (sic) os aspectos socio-econômicos que envolviam os fatos históricos, como também incorporaram as camadas populares no processo histórico. (Marx e Engels incorporaram as camadas populares? De que forma? E antes deles, as camadas populares não faziam parte do processo histórico? Este tipo de frase, na verdade, visa  antes criar uma empatia com os autores, apresentando-os como pessoas preocupadas com o povo)  Por outro lado, ocorreu nesta época a sistematização e organização (sistematização e organização é troppo! Sistematizar  já é organizar em sistema, ora) do estudo da história, a partir da elaboração de métodos de investigação da pesquisa (o objeto de investigação é a pesquisa?)por meio de critérios de análise e exposição dos trabalhos. (este palavrório  é só embromation. Não quer dizer nada, só  abstração: é uma tal de sistematização, organização, elaboração, método, investigação, pesquisa, critério, análise, exposição, blá,blá,blá...
 (...) "Esta é a chamada história total." (O que é agora a história total? É história holística, a história da Nova Era?)   A partir disso (vírgula) podemos concluir que o conhecimento histórico - daquilo que foi e do que está sendo (!) - pode-nos (posso-me espantar com a insólita ênclise?) facilitar a compreensão - e até entender (e  também perceber e apreender!) - do (sic) porquê das coisas, Se elas estão ruins, (o que é uma coisa ruim no processo histórico?) será que nós (nós quem, os opressores?) temos uma parcela de culpa? (o aluno estuda História e já faz terapia) Como mudar a situação para melhor? Certamente buscando o porquê dela. E o caminho é a história. (Voltamos ao chavão esquerdista: o estudo da História visa a transformação do mundo)
A Divisão da História
1) Idade Antiga = tem início com o aparecimento da escrita - concomitante ao início da história ( a invenção da escrita e o início da história são uma coincidência? Ora, a escrita marca o início da história).   - por volta do ano 4 000 aC, até a queda do Império Romano do Ocidente, em 476. Neste período desenvolveram-se os modos de produção asiático e escravista.
 No tópico  A Divisão da História, dois pequenos detalhes denunciam o viés marxista da apostila de História: ao se referir à divisão da História em idades Antiga, Média, Moderna e Contemporânea, o autor indica o modo de produção dominante em cada uma delas: "asiático e escravista; feudal ou servil; capitalista e capitalista e socialista ".
     Primeiro: modo do produção não é só um conceito da economia marxista, ele é o próprio fundamento do materialismo diáletico. Para Marx, o que define uma época da história é o modo de produção dominante. Este modo de produção da vida material determina o caráter geral do processo da vida social, política e espiritual. Logo, todo historiador que utiliza este conceito indica a sua preferência pela abordagem marxista. 
    Segundo:o autor da apostila do COC cita o modo de produção asiático, quando fala da Idade Antiga. Este modo de produção asiático começou a ser estudado apenas ao fim da primeira metade do Século XX, quando, entre 1939 e 1941, o Instituto Marx-Lênin de Moscou trouxe à luz manuscritos inéditos de Karl Marx. Tais manuscritos, parte dos rascunhos originais de O Capital, haviam sido redigidos entre 1855 e 1859 - trinta anos antes, portanto, do surgimento de A Origem da família, da propriedade privada e do estado, de Friederich Engels, em 1884.
     Nos artigos que escreveu sobre a Índia e a China, Marx cunhou a expressão modo de produção asiático, cuja característica era a resistência a qualquer tipo de transformação e a ausência de contradições internas que o enfraquecessem. A argumentação de Marx  em favor do modo de produção asiático foi muito criticada, inclusive por marxistas, como o americano Perry Anderson (1974),  e poucos a aceitam hoje em dia.
    Entre os estudiosos de antropologia da civilização, como  Darcy Ribeiro (1968), Julian Steward (1955), Gordon Childe (1937) e Lewis Morgan (1877), nenhum  classificou a "formação asiática" como etapa evolutiva da sociedade humana.  Nem mesmo Engels (1884) o fez. O único a usar esta termo foi Karl Marx, em 1857.  O autor da apostila do COC também. Alguma dúvida?
    
A Pré-História
 
"Quando Cabral desembarcou no Brasil, os indígenas estavam num estágio social semelhante ao da Idade da Pedra. Por sua vez, quando a Inglaterra iniciava a sua Revolução Industrial, no século XVIII, os bosquímanos australianos  encontravam-se, como os indígenas brasileiros do século XVI, também na Idade da Pedra. Ainda hoje, existem povos vivendo em plena era Paleolítica, e isto não implica em considerarmos que eles sejam povos atrasados.
    A partir disto, temos de entender duas coisas: primeiros que os povos desenvolvem-se a partir de suas necessidades em consonância com o seu meio ambiente; segundo, não podemos utilizar como ponto de referência a Europa - o homem  branco- pois cairíamos no eurocentrismo".
      Esta explicação  de que "os povos desenvolvem-se a partir de suas necessidades em consonância com o seu meio-ambiente"  está totalmente de acordo com o conceito de natureza humanizada de Marx: "A natureza é, para a humanidade, uma questão de utilidade, e não uma força em si mesma. A finalidade de procurar conhecer as leis autonômas da natureza é sujeitá-la às necessidades humanas, como objeto de consumo ou meio de produção".
     Pois bem: se fosse verdade esta bobagem que Marx diz, ele  precisaria  explicar a utilidade prática  do conhecimento impressionante do sistema solar que os sumérios já possuíam  há seis mil anos(!). Afinal, para quê agricultores, artesãos, comerciantes, sacerdotes  e reis da Suméria precisavam saber, com todos os seus detalhes técnicos, o que ainda hoje a moderna astronomia considera o conceito básico de uma astronomia esférica?
     Existem outras charadas. Entre as milhares de tábuas matemáticas encontradas na Mesopotâmia, muitas tinham tabelas para cálculos rápidos. O surpreendente, contudo, era que elas não partiam de números baixos, (como 1, 10 ou 60), mas começavam com um número que só pode ser considerado como astronômico: 12 960 000. E, de fato: este número estava ligado ao fenômemo da precessão. Como sabemos atualmente, há uma ilusão de retardamento na órbita da Terra quando um observador marca a posição do Sol numa data fixada (o primeiro dia da primavera, por exemplo) contra as constelações do zodíaco que funcionam como um pano de fundo no espaço.
    Desta forma, se um observador colocado na Terra esteve olhando para o céu no dia de primavera em que o Sol começou a subir contra a constelação ou casa de Peixes, seus descendentes, 2 160 anos depois, no mesmo dia de primavera, verão o Sol subir contra o pano de fundo da constelaçao ou casa adjacente, ou seja, Áquario.  Assim, para percorrer o circulo completo das doze casas, o sol leva 24 920 anos. O número 12 960 000 representa 500 desses círculos precessionais.
     Mais: o número 12 960 000 é o quadrado de 3 600, que dividido por 10 é igual a 360, que é o número de graus do círculo. Também 3 600 é o quadrado de 60 e foi esta relação que forneceu o número de minutos numa hora  e o de segundos num minuto, e também o número base do sistema sexagesimal. Para finalizar, 60 é o resultado de 6 X 10. Ou seja, apesar de ser chamado sexagesimal, o sistema sumério de numeração e matemática não era simplesmente baseado no número 60, mas numa combinação de 6 e 10.  O sistema também era decimal. O número 3 600, que é o quadrado de 6 X 10, também  é igual a 6X10X6X10.
    Será que os sumérios precisavam saber tudo isto para fazer uma lavoura de trigo ou mostarda?
 Se fosse um cientista honesto e procurasse conhecer a história da Mesopotâmia, sobre a qual fez considerações e análises, além de propor teorias explicativas,  Marx não teria escrito impropriedades como esta: "A humanidade só se propõe as tarefas que pode resolver, pois, se se considera mais atentamente, se chegará a conclusão de que a própria tarefa só aparece onde as condições materiais de sua solução já existem, ou, pelo menos, são captadas no processo de seu devir."
    Sobre não chamar de atrasados povos que ainda hoje estão vivendo na Idade da Pedra, melhor ler o que o antropólogo Darcy Ribeito, que se qualifica como um herdeiro do marxismo, fala de uma tribo indígena do Maranhã. "Os índios mais atrasados do mundo, que são os Guajá do Maranhão - não sabem fazer nem roça - têm uma matematicazinha do tamanho deles. Na sua língua só existe a palavra para o número um , para muitos ou vários e para muitíssimos." Vai ver, é etnocentrismo de Darcy Ribeiro, não é?
   

Um comentário:

  1. Nossa, Mirian, que presentão surpresa. Muito obrigada por compartilhar

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