terça-feira, 8 de março de 2011

Fernando Gabeira entende de aborto. Fez vários. Monstruoso o modo de contar.

"Ulla vivia uma outra época, e resolvi voltar para meu esconderijo. Acontece que ficou grávida e tivemos de nos reencontrar várias vezes para discutir o assunto. Já havia acontecido isto comigo no Brasil mas as circunstâncias eram outras. Na Suécia, a gravidez não é assim um problema muito especial, mas não deixa de ser um problema. Acreditei que Ulla queria voltar para mim através da gravidez e não encontrava o tom exato para ser solidário com ela e, ao mesmo tempo, mostrar que a relação tal como existia não ia prosseguir mais.
      Foi mediante a gravidez de Ulla que compreendi também as limitações suecas no que diz respeito ao aborto. Já havia sentido isto ligeiramente num filme de Bergman, No Limiar da Vida, mas, na época, meu nível de consciência era baixo.
     Ulla, como qualquer sueca em suas condições, teria direito ao aborto gratuito nos hospitais oficiais. Acontece que ela era atendida na mesma clínica em que eram atendidas as gestantes e, muitas vezes, forçada a esperar horas numa ante-sala cheia de mulheres grávidas, imensas fotos de crianças, recém-nascidos que eram mostrados aos pais orgulhosos - enfim, uma atmosfera completamente conflitante com sua opção de aborto.
     É a maneira através da qual a sociedade sabota uma lei considerada muito avançada para seu tempo. Ulla saía cada vez mais deprimida das consultas e sua crise após o aborto levou várias semanas para ser superada. Tudo foi feito com muita habilidade técnica, mas haja força para resistir à sensação de culpa que te transmitem só porque você está abortando.
     É difícil ser pai, de um ponto de vista de divisão das tarefas no parto. Foi muito mais difícil ser o parceiro naquele aborto, dadas as condições delicadas de nossa relação. Ulla sentia-se culpada pelo aborto, eu sentia-me culpado por estar no fundo tão distante daquilo: o feto se gestava na sua barriga e era de lá que seria arrancado, todo o desgaste físico seria dela; a mim caberia apenas expressar minha solidariedade, e com todo cuidado para que não pensasse que era o amor voltando".


(trecho do livro "O crepúsculo do macho" - Editora Codecri/1980)"



Gabeira, nas praias do Rio, de sunga de crochê
(na verdade, o biquini de sua prima Leda Nagle),
na sua volta ao Brasil, em 79.

segunda-feira, 7 de março de 2011

A CRISE DA FÉ NA CIÊNCIA

Joseph Ratzinger

"Na última década, a resistência da criação em ser manipulada pelo homem manifestou-se como um elemento novo no panorama cultural global. A questão sobre os limites da ciência e os critérios a que deve se ater tornou-se inevitável. Para mim, particularmente significativo desta mudança de ambiente intelectual é a maneira diferente como se julga o caso Galileu.
Esse fato, embora tenha recebido pouca atenção no século XVII, foi elevado, já século seguinte, a mito iluminista. Galileu aparece como uma vítima daquele obscurantismo medieval que perdura na Igreja. Bem e mal foram separados por um corte nítido. De um lado, encontramos a Inquisição: o poder que encarna a superstição, o inimigo da liberdade e do conhecimento. De outro, as ciências naturais representadas por Galileu. Eis aí a força do progresso e da libertação do homem das cadeias da ignorância que o mantêm impotente diante da natureza. A estrela da Modernidade brilha na noite escura de trevas da Idade Média (1).
De acordo com (Ernst) Bloch, o sistema heliocêntrico, bem como o geocêntrico, é baseado em pressupostos indemonstráveis. Entre eles, desempenha um papel preponderante a afirmação da existência do espaço absoluto, mas essa alternativa foi, porém, anulada pela teoria da relatividade. Ele escreve, textualmente:
“Dado que, com a abolição do pressuposto de um espaço vazio e imóvel, não é mais produzido qualquer movimento nesse sentido, mas apenas um movimento relativo de corpos entre si, e visto que a medida desse movimento depende da escolha do corpo tomado como um ponto de referência (...),então hoje, como outrora, se poderia supor a terra fixa e o sol em movimento”. (2).
Curiosamente, foi Ernst Bloch, com seu marxismo romântico, um dos primeiros a se opor abertamente a tal mito (iluminista), oferecendo uma nova interpretação do que aconteceu.
    A vantagem do sistema heliocêntrico sobre o geocêntrico não consiste em uma maior correspondência à verdade objetiva, mas ao fato de que nos dá uma maior facilidade de cálculo. Até aqui, Bloch expõe apenas uma concepção moderna das ciências naturais. Surpreendente, porém, é a conclusão que ele tira:
“Uma vez dada como certa a relatividade do movimento, um antigo sistema de referência humano e cristão não tem o direito de interferir nos cálculos astronômicos e na sua simplificação heliocêntrica;  mas tem o direito de permanecer fiel ao seu método de preservar a terra em relação à dignidade humana e de orientar o mundo quanto ao que vai acontecer e ao que aconteceu no mundo (3).
Se aqui ambas as esferas de conhecimento continuam claramente diferenciadas entre si quanto ao seu perfil metodológico, reconhecendo tanto seus limites quanto seus direitos, parece muito mais drástica, porém, a apreciação  do filósofo agnóstico-céptico P. Feyerabend. Ele escreve:
      “A Igreja da época de Galileu foi muito mais fiel à razão do que o próprio Galileu, e levou, antes, em consideração as conseqüências éticas e sociais da doutrina galileana. Sua sentença contra Galileu foi racional e justa, e só razões de oportunidade política se pode justificar a sua revisão. (4).
Do ponto de vista das conseqüências concretas da reviravolta provocada por Galileu, CF von Weizsäcker dá, enfim, mais um passo à frente quando ele vê uma ligação diretíssima que conduz de Galileu à bomba atômica. 
Para minha surpresa, em uma recente entrevista sobre o caso Galileu, nao me fizeram uma pergunta do tipo “Por que a Igreja quis impedir o desenvolvimento das ciências naturais?”, mas exatamente a pergunta oposta, ou seja: “Por Igreja não adotou uma posição mais firme contra os desastres que iriam acontecer necessariamente, uma vez que Galileu tinha aberto a caixa de Pandora?”
Seria um absurdo construir com base nestas declarações uma apologética apressada. A fé não cresce a partir do ressentimento e da recusa da racionalidade, mas a partir de sua afirmação fundamental e sua inscrição em uma razão maior. [...] Aqui eu quis recordar um caso sintomático que evidencia até que ponto a dúvida da própria modernidade sobre si mesma tenha alcançado  hoje a ciência e técnica."

* Texto original: http://www.ratzinger.us/modules.php?name=News&file=article&sid=210

(1)Cfr. W. Brandmüller, Galilei und die Kirche oder das Recht auf Irrtum, Regensburg 1982.
(2) E. Bloch, Das Prinzip Hoffnung, Frankfurt/Main 1959, p. 920; Cfr F. Hartl, Der Begriff des Schopferischen.
Deutungsversuche der Dialektik durch E. Bloch und F. v. Baader, Frankfurt/Main 1979, p. 110.
(3) E. Bloch, Das Prinzip Hoffnung, Frankfurt/Main 1959, p. 920s.; F. Hartl, Der Begriff des Schopferischen. Deutungsversuche der Dialektik durch E. Bloch und F. v. Baader, Frankfurt/Main 1979, p. 111.
(4) P. Feyerabend, Wider den Methodenzwang, FrankfurtM/Main 1976, 1983, p. 206.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

1970: o ano em que o sonho acabou


     Mil novecentos e setenta foi o ano em que a banda dos Beatles acabou. No auge, no pico do mundo e da fama. Quem mais teria coragem de acabar com tudo àquela altura? Inimaginável pensar que eles nunca mais seriam The Beatles. Dos quatro juntos, restaria a despedida no telhado da gravadora Apple, em Londres, em janeiro de 69, durante a gravação do último disco Let it be. Nós os vimos tocar e cantar 'Don't let me down' e, então, menos de um depois, em 1970, foi o fim. Eu também era feliz e não sabia.
    Gosto do psicanalista Jorge Forbes quando ele diz que não somos nós que interpretamos o artista, o artista é que nos interpreta. Pessoas como John Lennon não cabem nestes esqueminhas reducionistas com que somos tentados a classificar o mundo dos normais. Claro, ele não é Deus, podemos tentar analisá-lo, mas ele sempre será maior que ele próprio. A opinião de Lennon sobre Lennon será apenas uma opinião a mais.
    Além da magia musical, John Lennon tinha honestidade intelectual. Defendeu algumas causas erradas (ele era contra a guerra do Vietnã, por exemplo), mas naqueles tempos inaugurais o sentimento/movimento de Paz e Amor era bonito. Não há mal absoluto. As conseqüencias morais nefastas daquela ânsia prática de liberdade, liberalidade/libertação não apagam a beleza e a honestidade com que vivemos aqueles anos.
    Os tempos que antecederam os Beatles não eram de rosas e arco-íris. Aqueles anos foram imortalizados numa cena antólogica do filme de Nicholas Ray, Rebel Without a Cause (1955), em que Jim Stark (James Dean) pergunta a Judy (Natalie Wood) “You live here, don’t you!”. Ela se volta e responde, ácida: “Who lives?”.
    Às vezes, nos esquecemos que John Lennon morreu com apenas 40 anos! Aos 30, ele fez o inacreditável: propôs a dissolução do maior fenômeno popular jamais visto até então. Sim, eles eram mais populares que Jesus Cristo.

  Parodiando o que Carpeauz disse sobre Beethoven, se os Beatles fossem apagados da história, nós seríamos outra raça de humanos. Nós éramos belos por causa deles. Nós fomos capazes de reconhecer e amar a beleza de sua música eterna. God bless The Beatles.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

God bless Michael Jackson

           Na arte, é preciso conhecer a tradição para superar, transgredir e criar o novo. Michael Jackson aos 18 anos dançava (quase) como Fred Astaire no auge, aos 40. Astaire disse que ia morrer tranqüilo, pois já tinha um sucessor. Ele considerava Michael superior a ele próprio.
    Se quisesse, MJ teria sido o maior bailarino clássico do mundo, junto com Nureyev e Baryshnikov. Este dizia não saber quem podia ser colocado ao lado de MJ.
    "Imitar alguém como Michael Jackson é impossível. Por que se incomodar? Apenas relaxe e admire". 
     MJ foi além: em vez de inventar uma dança que, depois seria imitada nas ruas, transformou a street dance e os movimentos que via nas ruas dos bairros negros pobres dos Estados Unidos em arte em estado puro. Michael Jackson reiventou a dança do Século XX. Não há dançarino que não tenha sido contaminado.
     God bless him.
http://www.youtube.com/watch?v=LJUWDtrHiTE&feature=player_embedded

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Horror comunista: extermínio ucraniano

    Enquanto milhões de ucranianos (há quem fale em dez milhões) morriam de fome, nos anos 32/33, a URSS batia todos recordes de exportação de grãos. Defender o socialismo diante desta pilha de cadáveres é confessar um crime moral. Apontar o dedo para a injustiça do capitalismo é vigarice. O horror comunista supera de longe toda a capacidade humana de cometer injustiça. Só o nazismo o iguala.

http://bit.ly/evPiiT

Holodomor: holocausto ucraniano

    Se tu és defensor e amante do socialismo, saiba o que é Holodomor: quase sete milhões de ucranianos mortos de fome por decisão de Stálin, nos primeiros anos da década de 30. Contrários à coletização de suas fazendas, os ucranianos tiveram seus grãos confiscados e impedidos de sair de suas terras. Os nazistas aprenderam com Stálin a técnica dos campos de concentração.

http://www.youtube.com/watch?v=4DH9Qntlq2U

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Os herdeiros de Sayyid Qutb (João Pereira Coutinho)



O teórico egípcio mostra que a Irmandade Muçulmana está longe de ser uma força "moderada"


OS ESTADOS UNIDOS tiveram dois visitantes ilustres que voltaram para contar. O primeiro foi Alexis de Tocqueville (1805-1859). O seu "A Democracia na América" é, ainda hoje, o livro definitivo sobre a República, a "era da igualdade" e os seus intrínsecos perigos.
Mas existe um segundo visitante, nascido cem anos depois de Tocqueville, que não pode ser esquecido. Seu nome é Sayyid Qutb (1906-1966). Seu livro, com o título "A América que Eu Vi", é um belo complemento à obra de Tocqueville. Com uma diferença: o francês expressa a sua admiração pela América; o egípcio deixou-nos um documento pleno de ódio e horror.
Quem é Sayyid Qutb? Simplificando: é um dos teóricos fundamentais do islamismo sunita e o ideólogo "par excellence" da Irmandade Muçulmana, o grupo fundado por Hassan Al-Banna no Egito, em 1929.
Mas enquanto Al-Banna foi uma figura essencialmente "religiosa", ainda que advogando a jihad como forma de reverter a contaminação ocidental no Oriente Médio, Sayyid Qutb conferiu à guerra santa uma urgência empírica que arrepia qualquer cristão.
Ou, melhor dizendo, qualquer cristã: as suas descrições das mulheres americanas, que ele via dançando e rindo com uma liberdade e sensualidade ofensivas, convenceram-no da corrupção ocidental e da necessidade de combatê-la pelo terrorismo e pelo sangue.
Lembrar Sayyid Qutb é importante no momento presente. Porque o momento presente persiste na ilusão de que a Irmandade Muçulmana é uma força "moderada" para o futuro do Egito, na fase que se abre pós-Mubarak.
A ilusão não resiste à realidade.
Não resiste aos textos teóricos da Irmandade Muçulmana, que repudiam a democracia (uma importação sacrílega) e defendem a submissão ao Islã como caminho único para a complexidade e fragmentação das sociedades modernas.
Mas também não resiste às suas práticas: um dos excelsos subprodutos da Irmandade Muçulmana encontra-se hoje a governar Gaza. Falo do Hamas, é claro, um grupo terrorista que se recusa a aceitar a "entidade sionista" e que justifica a sua luta contra Israel com os "Protocolos dos Sábios do Sião", o documento forjado pelas autoridades czaristas no século 19 para instigar os "pogroms" do Império Russo.
Isso significa que Hosni Mubarak é a resposta para o impasse egípcio?
Obviamente que não. Mubarak foi uma resposta em 1981, após o assassinato de Anwar Sadat pelo radicalismo islâmico, ao impedir a desagregação do país; ao controlar o fanatismo da Irmandade; e ao honrar os compromissos de paz assumidos com Israel em Camp David.
Acontece que Mubarak deixou de ser uma resposta há muito tempo. E seria importante que o Ocidente, e em especial os Estados Unidos, aprendesse uma lição fundamental com a revolta corrente: não basta que os nossos aliados sejam inimigos dos nossos inimigos. É importante, também, que eles sejam amigos dos nossos valores.
E se esses valores não existem, devem ser criadas as condições institucionais e materiais para que eles possam florescer. Só existem democracias dignas desse nome quando o povo escolhe sem fome, sem medo e com a dignidade intacta.
Quando essas condições estão ausentes, a democracia transforma-se apenas num mecanismo formal que normalmente premia quem a deseja liquidar. Isso foi visível em Gaza, nas eleições legislativas de 2006; já tinha sido visível na Alemanha de Weimar. Com os resultados conhecidos.
É por isso que concordo com Charles Krauthammer, colunista do "Washington Post" e uma das vozes mais racionais da imprensa atual: o melhor que poderia acontecer ao Egito era experimentar um período de transição, tutelado pelas suas Forças Armadas, que permitisse responder às necessidades básicas de uma população enraivecida e faminta; e, por outro lado, que levasse à formação de partidos seculares e democráticos que se assumissem como alternativa à Irmandade Muçulmana.
O pior que poderia acontecer era montar as urnas da noite para o dia, estendendo um tapete vermelho para que os herdeiros de Sayyid Qutb pudessem aplicar o projeto totalitário do patrono.

jpcoutinho@folha.com.br

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Vão para Cuba!

             Jornalista é quem sabe a pergunta, não a resposta. Exigir diploma para jornalista é o mesmo que obrigar escola a formar poeta ou filósofo. Isto não existe. A universidade pode formar professores de Jornalismo, de Letras e de Filosofia, mas não pode ensinar a ser jornalista. Este tem de saber escrever e perguntar. Só. Quem quiser fazer Faculdade de Comunicação faz.     
     Eu, por exemplo, entrei em 1972 na Faculdade de Comunicação/UnB. Um ano depois, pedi transferência para o curso de Ciências Sociais (Antropologia) e fazia matérias em diversos cursos, inclusive Comunicação. Em 1975, abandonei a universidade e comecei a trabalhar em jornal. Só voltei, em 1980, para me formar.
    Viver, em geral, não é fácil, mas a vida para jornalistas nunca foi tão fácil quanto agora. A informatização facilitou a nossa vida incomparavelmente, em relação à situação tecnológica anterior. Jornalista ganha bem, em comparação a profissões que exigem longa preparação acadêmica e especialização técnica, como medicina e engenharia. Quanto a querer trabalhar cinco horas, um médico sai do hospital ou do consultório e vai para casa estudar para a cirurgia do dia seguinte. Toda profissão é assim. Por que jornalista acha que o trabalho dele é mais estressante?
    O que há são milhares de jornalistas com diploma, despejados no mercado a cada ano e que acabam rebaixando salários e precarizando as condições de trabalho. A esmagadora maioria é de analfabetos funcionais, gente que não liga o sujeito ao verbo e não distingue uma opinião da descrição de um fato. Pois é. É agenda da esquerda a tal 'democratização do ensino superior', como se isto não fosse uma contradição em termos.
    Quem disse que todo mundo tem que entrar numa faculdade? Ensino superior é para quem quer estudar e para quem pode (no sentido intelectual da possibilidade). Ensino superior tem que ser para poucos (eu disse para poucos, não para ricos). Efeito irradiante. O mundo está cheio de moças e rapazes endinheirados e de moças e rapazes pobres que não dão a menor importância ao saber. Qualquer um dos dois que entrar numa universidade pública é dinheiro de quem paga imposto rasgado e jogado no lixo.
    O Estado tem que garimpar na escola pública os alunos pobres que querem estudar e dar-lhes condições, bolsas e sustento para isto. Com a escola vagabunda que há no Brasil, pública e privada, este demagogismo da 'universidade para todos' só leva ao rebaixamento da já degradada universidade brasileira. Prouni é dinheiro público enchendo os bolsos de donos de 'lojinhas de ensino'. Por causa desta picaretagem, um analfabeto bestalhão imoral como Lula é santificado pela maioria dos jornalistas, que vê na condenação da ignorância um preconceito contra o o povo.
     Uns dizem que, com a oferta abundante de mão-de-obra jovem e barata no mercado, 'os sobreviventes do jornalismo refugiaram-se no magistério ou no serviço público'. Isto é 'menas' verdade. Já na época da ditadura, muitos 'coleguinhas' em Brasília tinham suas prebendas nos escritórios dos governos estaduais, (da Arena, o partido dos generais ditadores), nos ministérios e órgãos públicos. Só iam buscar o dinheiro no fim do mês.

     Eu posso contar. No início de 1977, uma amiga jornalista deu-me a notícia: um amigo comum (alto assessor do Ministério da Justiça e professor influente da Universidade de Brasília) tinha arrumado - sem eu pedir - um emprego para mim no Departamento de Direito da UnB. Cargo de 'supervisor B 1'. Eu não tinha idéia do que fosse. 
     Bastava levar os documentos, a carteira profissional, a contratação era imediata. O salário era igual ao que eu recebia como repórter do jornal O Globo, que pagava muito bem. De um dia para o outro, eu tinha dobrado o meu salário, isto é que era boa notícia.
     Mas a coisa era ainda melhor do que parecia. Não tinha ninguém para controlar a minha freqüencia. Eu deveria aparecer lá no departamento pela manhã, sentar numa escrivaninha, e sei lá, organizar um armário ou separar papéis em pastas. Eu não sabia distinguir entre redação técnica de um ofício e de um requerimento. Eu não sabia nem mesmo datilografar, repórter, em geral, é 'catilógrafo'. Eu sou.
    A verdade é que aquilo era emprego, não era trabalho. No primeiro mês, eu ainda fiz jogo de cena. Depois, comecei a aparecer por lá cada vez menos. Quando eu aparecia não tinha o que fazer. E eu ainda tinha que acordar cedo. Ora, toda noite, depois do jornal, eu ia para festas, gostava de dançar, adorava a noite. 
   O pior foi ouvir o 'direitista' Paes Landim, que dirigia o Departamento de Direito e era amigo do reitor da UnB, o capitão de mar-e-guerra, José Carlos de Almeida Azevedo, dizer num grupo, referindo-se a mim: "Esta é gente nossa". Eu, uma comunista, de esquerda, que era contra a ditadura?! Era demais.
   Não durou dois meses, larguei o emprego. Nem o terceiro salário eu fui buscar. Até hoje, tenho a anotação na carteira de trabalho, sem baixa. Quando contei a amigos que tinha largado a 'boca', ninguém acreditou. Mas o que a maioria não entendia é que eu abri mão daquela grana. Ora, era só ir buscar o dinheiro no fim do mês, eu não era a única que fazia isto. Eu, hem? Caí fora.
   (Dá outro post contar a farra de jornalistas com viagens e hospedagem em hotéis de luxo, às custas da cota de passagens de parlamentares (da Arena, de preferência) e mordomias de órgãos e governos estaduais. Eu mesma passei um feriado de rainha em Olinda e Recife, nos 'anos de chumbo' (sic))    
     Se era assim na época da ditadura, imaginem o que aconteceu depois: todos os cargos nos serviços de comunicação social, assessoria de imprensa e relações públicas do Executivo, Legislativo, Judiciário, ministérios e autarquias foram ocupados 'pelas vítimas dos anos de chumbo'. Isto é o que Millor quis dizer com a frase "Eles não estavam fazendo revolução, estavam fazendo investimento". Isto não é sobrevivência, é vidão. Todos nós sabemos quanto ganham os coleguinhas na Câmara e Senado e adjacências. Tudo gente de esquerda. Comunista gosta é de emprego público.
    Este papo de exigir diploma para jornalista é para a manutenção das madrassas em que se transformaram as faculdades de Comunicação. É para a formação de militantes, de gentinha de esquerda que entope as redações vomitando os clichês anticapitalistas e anti-cristãos de quem nunca leu três livros na vida(livro de frei Boff e frei Betto e de Chico Buarque não vale).

   Hoje, os 'resistentes e os que sofreram nos porões da ditaduras' na luta pelas liberdades democráticas aplaudem os arreganhos petistas contra a própria imprensa. Só para ficar em dois exemplos: um ex-presidente do Sindicato de Jornalistas do DF quer um Conselho de Comunicação, o outro nome da censura! E um doublè de professor da UnB e âncora da TV Câmara escreveu um artigo  mostrando como Franklin Martins é mal-compreendido e tão bonzinho. Quase chorei.   
     O dono das Organizações Globo, Roberto Marinho, foi trouxa. Protegeu, empregou no jornal e na televisão e pagou regiamente todos os comunistas do Brasil (including me), na época da ditadura. Agora, a cambada esquerdopata quer acabar com a Globo.
Ora, vão para Cuba!

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Meu moleque ideal (Luiz Mott)*

     
              "Gosto não se discute, diz a sabedoria popular, e se assim não fosse, seríamos iguais a carneiros, todo mundo igual, sem nenhuma originalidade, gostando todos da mesma coisa. E a realidade comprova o contrário, que em matéria de gosto ou preferência sexual, nossa imaginação e desejos não têm limites. 
     
       Basta entrar numa destas lojas de produtos eróticos ou folhear as páginas desta nossa querida revista, e veremos que tem gosto para tudo: os que curtem gente gorda, aqueles que preferem peludos, outras que querem sem pelo, muitos que adoram suruba, outros que sentem o maior tesão em se exibir, etc, etc.  
     
       Em sexo, tudo é lindo e maravilhoso, e desde que as pessoas estejam de acordo e maiores de 18 anos segundo a lei em vigor, ninguém tem nada a ver com as preferências alheias. Cada qual no seu cada qual e fim de papo. Ou melhor, começo de papo!
     

       Considero-me um gay felizardo pois amo e sou amado por um homem maravilhoso que preenche plenamente minhas fantasias e desejos sexuais, afetivos e de companheirismo. 
     
       Nos gostamos tanto um do outro que várias vezes manifestamos o desejo de morrer juntos, pois só de imaginar a tristeza e solidão do desaparecimento da outra metade, isto nos provoca enorme tristeza e medo.
     
       Ainda existem casais gays românticos em plena época do divórcio, do amor livre e do sexo descartável. Caretice para alguns, felicidade para outros. Afinal, também em questão de afeto, gosto não se discute.
     

       Analisando friamente as razões que levariam dois homens (ou duas mulheres, ou um homem e uma mulher) a viver com exclusividade uma paixão afetiva e erótica, creio que esta fidelidade poderia ser explicada quando menos por uma motivação bastante prática e mesmo oportunista: a dificuldade de encontrar um substituto melhor.
     
        Essa regra, constrangedora de ser constatada e verbalizada, parece ser universal: no dia em que a gente encontrar alguém que ofereça mais tesão, amizade e companheirismo do que a transa atual, ninguém é besta de continuar na mesmice em vez de optar pelo que promete ser muito melhor.
     
        Os que continuam fiéis a uma velha paixão só não mudam porque ainda não encontraram alguém que valha mais a pena. Ou porque não investem em novas procuras, ou porque não existe outro alguém que represente tão perfeitamente o que idealizamos como sendo nossa alma gêmea ou cara metade.
    

        No fundo, todos nós, gays (e não gays) alimentamos em nossa imaginação um tipo ideal do homem que gostaríamos de amar e ter do lado. E que nem sempre é igual à nossa paixão atual. O ideal pode ser alto e branco, o real, baixo e preto.
     
        No meu caso, para dizer a verdade, se pudesse escolher livremente, o que eu queria mesmo não era um "homem" e sim um meninão. Um "efebo" do tipo daqueles que os nobres da Grécia antiga diziam que era a coisa mais fofa e gostosa para se amar e foder.
    

       Se nossas leis permitissem, e se os santos e santas me ajudassem, adoraria encontrar um moleque maior de idade mas aparentando 15-16 anos, já com os pentelhos do saco aparecendo, a pica taludinha, não me importava a cor: adoraria se fosse negro como aquele moleque da boca carnuda da novela Terra Nostra; amaria se fosse moreninho miniatura do Xandi; gostaria também se fosse loirinho do tipo Leonardo di Caprio.
    
       Queria mesmo um moleque no frescor da juventude, malhadinho, com a voz esganiçada de adolescente em formação. De preferência inexperiente de sexo, melhor ainda se fosse completamente virgem e que descobrisse nos meus braços o gosto inebriante do erotismo. Sonho é sonho, e qual é o problema de querer demais?!
  

       Queria que esse meu príncipezinho encantado fosse apaixonado pela vida, interessado em aprender comigo tudo o que de melhor eu mesmo aprendi nestes 50 e poucos anos de caminhada. Que gostasse de me ouvir, que se encantasse com tudo que sei fazer (desde pudim de leite e construir uma estante de madeira, a cuidar do jardim e navegar na internet), querendo tudo aprender para me superar em todas minhas limitações.
    
       Que acordasse de manhã com um sorriso lindo, me chamando de painho, que me fizesse massagem quando a dor na perna atacar. Honesto, carinhoso, alegre e amigo. Que me respondesse sempre ao primeiro chamado, contente de ser minha cara metade.
   

       Quero um moleque fogoso, que fique logo com a pica dura e latejando ao menor toque de minha mão. Que se contorça todo de prazer, de olho fechado, quando lambo seu caralho, devagarinho, da cabeça até o talo.
    
       Que fique com o cuzinho piscando, fisgando, se abrindo e fechando, quando massageio delicadamente seu furico. Cuzinho bem limpo, piscando na ponta do dedo molhado com um pouquinho de cuspe é das sensações mais sacanas que um homem pode sentir: o moleque querendo meu cacete, se abrindo, excitado para engolir a manjuba toda. Gostosura assim, só dois homens podem sentir!
    

       Assim é como imagino meu moleque ideal: pode ser machudinho, parrudo, metido a bofe. Pode ser levemente efeminado, manhoso, delicado. Traço os dois! Tendo pica é o que basta: grossa ou fina, grande ou pequena, torta ou reta, tanto faz. Se tiver catinguinha no sovaco, uma delícia! Se for descarado na cama e no começo da transa quiser chupar meu furico, melhor ainda. Sem pudor, sem tabu.
   

      Ah, meu menino lindo! Se você existir, se você algum dia me aparecer, que seja logo, pois quero estar ainda com tudo em cima e dar conta do recado, pois do jeito que quero te amar e que vamos foder, vou precisar de muito mocotó ou viagra para dar conta do rojão...."

Fonte: http://br.oocities.com/luizmottbr/cronica6.html

             *O autor, Luiz Mott, tem 65 anos, fundou o Grupo Gay da Bahia e é o decano do movimento homossexual no Brasil. É professor de Antropologia aposentado da Universidade Federal da Bahia.         
    
    Em dezembro de 2007, o Presidente Lula concedeu a Luiz Mott a mais elevada condecoração do Ministério da Cultura, a Medalha de Comendador da Ordem do Mérito Cultural.
    
    O Presidente Fernando Henrique Cardoso condecorou Luiz Mott com a medalha de Comendador da Ordem do Rio Branco.
    

    Luiz Mott recebeu duas vezes o Prêmio Direitos Humanos, da Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência da República.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Luta sem classe

Publicado no site Escola Sem Partido, em março de 2007 - (http://bit.ly/h5Dfux)
   
           "Acabei de tirar minha filha, de 14 anos, do Colégio Pentágono/COC (unidade Morumbi - São Paulo) em protesto contra o método pedagógico "porno-marxista" adotado pela escola no ensino médio este ano. O sistema COC, que começou como cursinho pré-vestibular há cerca de 40 anos em Ribeirão Preto-SP, está implantado hoje em mais de 150 escolas em todo o Brasil, atingindo cerca de 200 mil alunos. O Pentágono - que, além do Morumbi, tem colégios em Alphaville e Perdizes - é é uma das escolas-parceiras.
    

         As provas de desvio moral-ideológico são incontáveis. Numa apostila de redação, a escola ensina "como se conjuga um empresário" e, para tanto, fornece uma seqüência de verbos retratando a rotina diária deste profissional:
   
        "acordou, barbeou-se...beijou, saiu, entrou... despachou...vendeu, ganhou,lucrou, lesou,         explorou, burlou... convocou, elogiou, bolinou, estimulou, beijou, convidou...despiu-            se...deitou-se, mexeu, gemeu, fungou, babou, antecipou, frustrou...saiu... chegou, beijou, negou etc etc".
     
         A página 4 da apostila de Gramática ostenta a letra de uma música de Charlie Brown Jr, intitulada Papo Reto (Prazer É Sexo O Resto É Negócio) - assim mesmo, tudo em maiúscula, sem vírgula. Está escrito: 
    
        "Otário, eu vou te avisar:
    o teu intelecto é de mosca de bar
    (...) Então já era,  
    Eu vou fazer de um jeito que ela não vai esquecer".

       Noutro exemplo, uma letra de Vitor Martins, da música Vitoriosa:
    
      "Quero sua alegria escandalosa
    vitoriosa por não ter vergonha
    de aprender como se goza"

       As apostilas de História e Geografia, pontilhadas de frases-epígrafes de Karl Marx e escritas  em 'português ruim', contêm gravíssimos erros de informação e falsificação de dados históricos. Não passam, na verdade, de escancarados panfletos 'esquerdejosos' que as frases abaixo, copiadas literalmente, exemplificam bem:
    

      "Sabemos que a história é escrita pelo vencedor; daí o derrotado sempre ser apresentado como culpado ou condições de inferioridade (sic). Podemos tomar como exemplo a escravidão no Brasil, justificada pela condição de inferioridade do negro, colocado (sic) como animal, pois era " desprovido de alma". Como catequizar um animal? Além da Igreja, que legitimou tal sandice, a quem mais interessava tamanha besteira? Aos comerciantes  do tráfico de escravos e aos proprietários rurais. Assim, o negro dava lucro ao comerciante, como mercadoria, e ao latifundiário, como trabalhador. A história pode, dessa forma, ser manipulada para justificar e legitimar os interesses das camadas dominantes em uma determinada época".

      (Sandice é dizer que a Igreja legitimou a escravidão. Em l537, o Papa Paulo III publicou a Bula Veritas Ipsa (também chamada Sublimis Deus), condenando a escravidão dos 'índios e  as mais gentes'. Dizia o documento, aqui transcrito em português da época, que "com authoridade Apostolica, pello teor das presentes, determinamos, & declaramos, que os ditos Indios, & todas as mais gentes que daqui em diante vierem á noticia dos Christãos, ainda que estejão fóra da Fé de Christo, não estão privados, nem devem sello, de sua liberdade, nem do dominio de seus bens, & que não devem ser reduzidos a servidão").  
   

      Outra pérola do samba do crioulo doido, extraída da apostila de História:
    

      "O progresso técnico aplicado à agricultura (...) levou o homem a estabelecer seu domínio sobre a produção agrícola em detrimento da mulher".

      (OK, feministas. Agora, tratem de explicar a importância e o poder das inúmeras deusas na mitologia dos povos mesopotâmicos, especialmente Inana/Ishtar, chamada de Rainha do Céu e da Terra, Alta Sacerdotisa dos Céus, Estrela Matutina e Vespertina e que integrava, com igual poder,  a Assembléia dos Deuses, ao lado de Anu, Enlil, Enki, Ninhursag, Nana e Shamash. Na Suméria,"tanto deuses quanto deusas eram patronos da cultura; forças tanto femininas quanto masculinas estavam envolvidas com a criação da civilização. A realidade dos papéis das mulheres dentro de casa estava em perfeito acordo com a projeção destes papéis no mundo divino". (Tikva Frymer-Kensky em seu livro de 1992, In the Wake of Goddesses: Women, Culture and Transformation of Pagan Myth. Fawcet-Columbine, New York). 

       Mais delírio marxista de viés esquerdológico: "Estas transformações provocaram a dissolução das comunidades neolíticas, como também da propriedade coletiva, dando lugar à propriedade privada e à formação das classes sociais, isto é, a propriedade privada deu origem às desigualdades sociais - daí as classes sociais - e a um poder teoricamente colocado acima delas, como árbitro dos antagonismos e contradições, mas que, no final de tudo, é o legitimador e sustentáculo disso: o Estado". 
       
       (Definição de propriedade privada, classes sociais e de Estado, em sentido marxista, no neolítico, nem Marx!).   

       Calma, não acabou:
        

       No capítulo sobre a Mesopotâmia, a apostila informa que o deus Marduk (grafado Manduque) ordenou a 'Gilgamés' que construísse uma arca para escapar do dilúvio. 

      (Gilgamesh é, na verdade, descendente do Noé caldeu/sumério, chamado Utnapishtin/Ziusudra. É Utnapishtin que conta a Gilgamesh a história da arca e do dilúvio. Há versões em que Ubaretut, filho de Enki, é que é o verdadeiro Noé, Utnapishtin apenas revela a história do dilúvio a Gilgamesh).

       Outro trecho informa que o "dilúvio  seria enviado por Deus, como castigo às cidades de Sodoma e Gomorra". (Em Genesis (19,24), lê-se: "O Senhor fez então chover do céu enxofre e fogo sobre Sodoma e Gomorra". Além disto, a destruição de Sodoma e Gomorra nada tem a ver com Noé, e sim, com o patriarca Abraão e seu sobrinho Ló).
    
      Outros achados:
    

      "Diz a tradição que Sargão era filho de um jardineiro, o que nos faz pensar que, nesta época, como era possível alguém das chamadas camadas baixas da sociedade, ter acesso ao poder?".(Que reflexão revolucionária! E que estilo!) 
    
      No  capítulo " Geografia das contradições" lê-se:
 

      "Uma das graves contradições relaciona-se à economia: na sociedade capitalista quase todos trabalham para gerar riquezas, mas apenas uma minoria burguesa se apropria dela(sic)" (...)Por outro lado, é necessário compreender que a sociedade foi e é organizada por meio das relacões sociais de produção. Entre nós, e na maioria dos países, temos o modo de produção capitalista em que a relação básica é representada pelo trabalho. Nele encontram-se os proprietários dos meios de produção e os trabalhadores que, não possuindo os meios de produção, vendem sua força de trabalho". (Marxismo  puro, simples assim)
 
      O mais grave é que estas apostilas, de viés ideológico explícito, vêm sendo adotadas por um número cada vez maior de escolas no País. Além das escolas próprias, o COC faz parcerias com quem queira adotar o sistema, como aconteceu este ano com o Colégio Pentágono, onde minha filha estuda desde o primário. Estas apostilas têm de ser proibidas e as escolas-parceiras e o COC têm de ser responsabilizados.
  
    É a escuridão reinante".

    Mírian Macedo é jornalista e mãe.

PS: Dias depois de exercer o direito de resposta, o Sistema COC de Ensino ajuizou ação judicial, objetivando a condenação do coordenador do EscolasemPartido.org, Miguel Nagib, e da jornalista Mírian Macedo, ao pagamento de indenização por danos morais alegadamente causados pelo artigo.

Pente-fino 1

Esta é a introdução da apostila de História do COC. Meus comentários estão em azul.

O capítulo 1 - A História.
Módulo 1 - Nós e a História.
   
"Os homens fazem a sua própria História, mas não a fazem como querem, não a fazem sob circunstâncias a sua escolha..."  (Karl Marx)
                                                                                                  
    "Não é somente o grande homem, o herói, o general que faz a História. O papel primordial, hoje, da História é conscientizar a cada um através do conhecimento crítico do passado e do presente e da sua função como agente transformador do mundo." (Ferreira Gullar)
                                                                                                                                                                 
    "Dessa matéria humilde e humilhada, dessa vida obscura e injustiçada, porque o canto não pode ser uma traição à vida, e só é justo cantar se o nosso canto arrasta consigo as pessoas e coisas que não têm voz".(Ferreira Gullar)
                                                                                               
   
    A História é uma ciência social que estuda e analisa as sociedades ao longo do tempo, no que tange às formas de produzir, agir e sentir, a fim de entender a realidade que nos cerca.
    De todas as ciências humanas, a História é a mais antiga. Desde a Grécia Antiga existe a preocupação de narrar os acontecimentos. Entretanto, não basta narrar os fatos e os acontecimentos. É preciso interpretá-los. O trabalho historiográfico sofreu várias transformações na maneira de interpretá-los. Por ser uma atividade humana e sofrer influência do modo de pensar e agir da sociedade em que o historiador está inserido, a maneira de interpretar os fatos, muitas vezes, se distorce pelos juízos de valor do historiador. Sabemos que a história  é escrita pelo vencedor; daí o derrotado ser sempre apresentado como culpado ou condições de inferioridade. Podemos tomar como exemplo a escravidao no Brasil, justificada pela condição de inferioridade do negro, colocado como animal, pois era "desprovido de alma". Como catequizar um animal?
    Além da Igreja, que legitimou tal sandice, a quem mais interessava tamanha besteira? Aos comerciantes do tráfico de escravos e aos proprietários rurais. Assim, o negro dava lucro ao comerciante, como mercadoria, e ao latifundiário, como trabalhador.
    A história pode,dessa forma, ser manipulada para justificar e legitimar os interesses das camadas dominantes em uma determinada época.
    Atualmente, a história integra-se com outras ciências, não só da área de humanidades mas também com as áreas das exatas e biológicas, com o objetivo de que seu estudo tenha uma relação mais profunda com a realidade e seja, ao máximo democrático. Por outro lado, é bom lembrar que a educação atualmente - apesar dos pesares - é mais democrática que no passado recente. Isto é, as camadas populares conseguem chegar até as faculdades e produzir professores com uma visão progressista da realidade histórica e, assim, contestar as ideologias produzidas anteriormente, e ainda, hoje, pelas classes dominantes.
    Isto nos leva a concluir que a história está, sempre, num contínuo processo de questionamentos e transformações.
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       Na  apresentação do Capítulo 1 - A História , Módulo 1 - Nós e a História , há três epígrafes. Epígrafe, segundo Houaiss, é a "frase que, colocada no início de um livro, um capítulo, um poema  serve (...) para resumir o sentido (...) da obra". Que sentido pode ter um texto encabeçado por uma frase de Karl Marx e duas de um poeta comunista, no caso, Ferreira Gullar?  Marx dispensa apresentações. Quanto a Gullar, ele chegou  a integrar a direção do Partido Comunista Brasileiro, onde ingressou em abril de 64. Viveu durante muitos anos em Moscou, dedicando-se a estudar no Instituto Marxista-Leninista, a escola de formação de quadros internacionais do partido. A apostila não ilustra a página com um verso, mas com um comentário ideológico de Ferreira Gullar sobre a História e os homens. Vamos às epígrafes:
1- "Os homens fazem a sua própria História, mas não a fazem como querem, não a fazem sob circunstâncias a sua escolha..." (Karl Marx)
   
    Para entender a visão da História que a frase propõe, é preciso lê-la inteira, em seu contexto, no livro O  Dezoito Brumário de Louis Bonaparte, em que Marx analisa a Revolução de 1848, na Europa: "Os homens fazem a sua própria história, mas não a fazem como querem; não a fazem sob circustâncias de sua escolha,  mas sob aquelas circunstâncias com que se defrontam diretamente, legadas e transmitidas pelo passado".
    Marx afirma claramente:"As revoluções anteriores tiveram de lançar mão de reminiscências  da história universaL para se iludirem quanto ao próprio conteúdo , mas a revolução social do século XIX  não pode iniciar a sua tarefa enquanto não se despojar de toda veneração supersticiosa perante o passado. A revolução(...) não pode tirar sua poesia do passado, e sim do futuro".                         
    Para o pai do materialismo histórico, o passado (ou melhor, a  tradição de todas as gerações mortas) "oprime o cérebro dos vivos como um pesadelo". Em  Marx, a transformação do mundo implica a destruição de toda a ordem passada e a criação de "algo que jamais existiu". A implantação do mundo novo - ou seja, da sociedade comunista, sem classes - impõe, inevitavelmente, uma ruptura total com o passado. No nosso caso, com toda a tradição que fundamenta a civilização ocidental cristã. Mas, que mundo é este em que teremos de negar e destruir tudo o que somos? Por que destruir a herança cultural da filosofia grega, do direito romano e da moral cristã? Nós, ocidentais, somos isto! Outra coisa: imaginando que Marx (ainda) não é Deus, ele não pode - nem ninguém pode mudar a constituição íntima da matéria nem provocar uma mutação radical do genoma humano, transformando o mundo e o homem em "algo que jamais existiu" . Logo, se a transformação não é a do mundo físico, terá de ser a da alma humana (chamada por Marx consciência e determinada pela esfera econômica da vida). Quando o homem transformar a sua alma (ou consciência), depois da aniquilação da sociedade de classes,  então Marx será Deus. A visão da História do colégio é esta?  
  
2 - "Não é somente o grande homem, o general, que faz a História. O papel primordial, hoje, da História é conscientizar a cada um através do conhecimento crítico do passado e do presente e da sua função como agente transformador do mundo". (Ferreira Gullar).
3) -  "Dessa matéria humilde e humilhada, dessa vida obscura e injustiçada, porque o canto não pode ser traição à vida, e só é justo cantar se o nosso canto arrasta consigo as pessoas e coisas que não têm voz". (Ferreira Gullar).
   
    Primeiro, Ferreira Gullar não é historiador, é poeta. Segundo, é comunista. Coincidência?  Na epígrafe da apostila, como bom comunista, Ferreira Gullar defende a conhecida tese marxista de que o papel da História é conscientizar para  transformar. O marxismo quer transformar o quê em quê? Na epígrafe n. 3, a ênfase, obviamente, é sobre os despossuídos, os injustiçados e os integrantes do MSV ( Movimento dos Sem-Voz). Curiosamente, o site oficial do poeta é patrocinado pela Petrobras e pelo Ministério da Cultura. Ou seja, dinheiro público, aquele meu, seu, nosso dinheiro que pagamos de imposto.
    "A História é uma ciência social que estuda e analisa as sociedades ao longo do tempo, no que tange às formas de produzir, agir e sentir, a fim de entender a realidade que nos cerca".
   
    Este enunciado, em seguida às epígrafes acima referidas, ratifica a escolha da escola por uma concepção materialista da História, fundamentada na teoria criada por Karl Marx. O historiador Luis Koshiba, cujas obras " corroboram o conteúdo apresentado nos livros de História do Sistema COC de Ensino", afirma, textualmente, em seu livro "História - Origens, Estruturas e Processos, referindo-se às relações que a pessoa estabelece como pai, marido, empregado, cidadão, fiel etc:
    "O homem é o conjunto de suas relações sociais. Podemos estudar uma sociedade tomando como base qualquer uma destas relações. A maioria dos historiadores (de orientação marxista, o que Koshiba não escreve), costuma dar muita importância às relações que os homens estabelecem para produzir bens e serviços (o itálico é do autor) necessários à sobrevivência da sociedade, o que os faz colocar o trabalho e o trabalhador (de novo,o autor usa o itálico para destacar as palavras) no centro da História. Este livro segue a concepção desses historiadores". 
    Ou seja, Koshiba avisa que faz uma analise marxista da História, mas tem a precaução de não citar Karl Marx, que definiu assim o ser humano: "O homem é um animal que trabalha"! 
   
 (...)"Desde a Grécia Antiga (falta a vírgula) existe a preocupação de narrar os acontecimentos".
    Localizar o interesse pela História na Grécia é falta de conhecimento. Samuel Kramer, um dos maiores sumeriologistas de todos os tempos, outorgou a Entemena, rei de Lagash, o título de Primeiro Historiador. Entemena, que reinou na Suméria no período 2404-2375 AC,  registrou em  cilindros de argila a guerra contra a cidade-estado Umma. Os sumérios, que floresceram por volta de 4000 AC,  nos legaram numerosas obras literárias ou poemas épicos, cujos temas eram acontecimentos históricos. A particularidade das inscricões de Entemena é que elas eram de uma prosa direta, escritas unicamente como um registro factual da história. O grego Heródoto (484? - Atenas, 420 a. C.) é considerado o pai da História, porque é o primeiro  escritor que dá categoria literária à história.
   
"Entretanto, não basta apenas narrar os fatos e os acontecimentos". É preciso narrar também os eventos e as ações!
    (...)"Sabemos que a história é escrita pelo vencedor".
   
     Sabemos?! Eu não sabia. Pensei que os historiadores fossem estudiosos honestos, comprometidos com a busca da verdade. Quer dizer, então, que a História que é ensinada hoje na escolas foi escrita pelos vencedores? Quem são eles? Ora, o vencedor hoje no Brasil é a esquerda. Logo... é ela que está escrevendo a nova História do Brasil, contando a versão que lhe interessa? É assim? 
"daí (além do horroroso daí, falta vírgula) o derrotado (derrotado?! A História é uma luta ...de classes?) ser sempre apresentado como o culpado (de quê?) ou condições de inferioridade (faltou a preposição em). Podemos tomar como exemplo a escravidão, justificada (por quem?) pela condição de inferioridade do negro, (Bobagem. O negro era, sim, superior. Forte, resistente, saudável, esperto, inteligente, e alegre. Por isto, era boa mercadoria. Além disto, eram os próprios negros africanos que vendiam outros negros escravizados aos comerciantes europeus.)  colocado (sic) como animal, pois era desprovido de alma. Como catequizar um animal?
   
    O emprego das palavras alma e catequizar levam imediatamente à associação com a Igreja, que tem a missão de catequizar todas as gentes para a salvação da alma. Assim, parece que foi a Igreja que teria qualificado o negro como um animal desprovido de alma, o que é mentira. Para  a Igreja, todo ser humano tem alma, "soprada" por Deus no instante da concepção. Além disto, a Igreja obedece a Nosso Senhor Jesus Cristo, que ordenou aos apóstolos: "Ide e ensinai a todas as gentes tudo o que eu vos ensinei, batizando-as em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo".  
    Esta intenção de vincular a Igreja a atitudes injustas e a empreendimentos de onde ela extrairia vantagens políticas e econômicas é recorrente em toda análise histórica de viés marxista. A difamação, a calúnia e as ofensas feitas à Igreja pela esquerda são sistemáticas. É questão de método. Afinal, "Deus é o inimigo pessoal da sociedade comunista" (Lenin, carta a Gorki). Quanto a argumentar que a própria apostila fornece dados históricos isentos na análise do papel da Igreja ou da religião, é fácil provar que  estereótipos e conceitos de conotação negativa são mais facilmente absorvidos e retidos na memória. Além do mais, é preciso lembrar que os livros se destinam a adolescentes, que ainda não têm conhecimento suficiente nem maturidade para discernir o que é doutrinação e o que é informação verdadeira.
    Esta mensagem  anti-Igreja e anti-religião funciona porque é subliminar. Ela permeia todos os textos. Mesmo ao abordar civilizações antigas, é sempre ressaltado que os sacerdotes têm poder, principalmente, por "administrar a riqueza dos "deuses"  (sic)  ou "controlar os celeiros do faraó". A importância da religião é sempre minimizada pela abundância de frases do tipo: "Administrar essa riqueza dava aos sacerdotes um grande poder econômico e político".  "Os lucros desta expansão ficavam restritos ao faraó, à nobreza e aos sacerdotes". Outra prova? A frase seguinte da apostila: "
    "Além da Igreja, que legitimou tal sandice, a quem mais interessava tamanha besteira (que rigor acadêmico!) ?Aos comerciantes do tráfico de escravos e aos proprietários rurais.(Os proprietários rurais daquela época também eram chamados fazendeiros ou senhores de engenho. Por que a preferência por proprietário rural e latinfundiário, que são termos mais adequados à economia moderna? Aliás, muito empregados nos panfletos do MST). Assim, o negro dava lucro ao comerciante, como mercadoria, e ao latifundiário, como trabalhador".        "A história pode, dessa forma, ser manipulada para justificar e legitimar os interesses das camadas dominantes.(Está pre-estabelecido que os interesses das camadas dominantes são sempre mesquinhos e pusilânimes, enquanto os interesses das classes dominadas são sempre nobres, superiores e magnânimos? É isto? O mundo divide-se em bons e maus? Ricos são maus e manipuladores e pobres são bons e manipulados? Então, tá!) 
     Sandice é dizer que a Igreja legitimou a escravidão. A Igreja sempre condenou a escravidão, embora fosse obrigada a aceitá-la quando não tinha forças para mudar a situação. Em Roma, logo que a população do Império Romano converteu-se ao cristianismo, acabou a escravidão, não sendo sequer necessária uma lei de libertação dos escravos. Durante os mil anos da Idade Média, a escravidão desapareceu na Europa. Continuou sempre a existir entre os árabes e na África, não entre os cristãos. No Renascimento, com o poder declinante da Igreja na Idade Moderna, voltaram o paganismo e a escravidão, herdados da cultura greco-romana. 
       Ao contrário dos cristãos,  os muçulmanos sempre praticaram a escravização, pois, para o Islã, o que não crê, o ímpio, pode ser escravizado. Os negros que vinham para o Brasil,  atender à necessidade de mão-de-obra crescente da economia mercantil colonial, eram comprados de comerciantes árabes muçulmanos e dos próprios negros africanos, convertidos ao Islã.  Para cá, vieram muitos reis e nobres africanos, vendidos por seus desafetos como escravos. Segundo o historiador Alberto da Costa e Silva , "a presença européia na África era, portanto, muito limitada. Discreta. Não se comparava à do Islam, que desde o século IX, atravessara o deserto e se fora lentamente derramando pelo Sael e a savana. Nos começos do século XI, os reis de Gaô e do Tacrur já eram muçulmanos e, na segunda metade do XIII, um mansa, ou soberano do Mali fazia a peregrinação a Meca.(...) Reinos, como Daomé (ou Danxomé), negreiro quase que desde o seu início, tomaram forma e força sob o estímulo do tráfico de escravos".   
    Aqui, no Brasil, foram os conventos e os sacerdotes os primeiros a libertar os escravos e a favorecer a abolição da escravatura. São célebres os sermões dos jesuítas - entre eles, o  Padre Vieira - condenando a forma cruel e desumana com que se tratavam os escravos no Brasil, considerando-a  incoerente com a condição de cristãos dos senhores de escravos.  
    Já em 1537, o Papa Paulo III publicou a Bula Veritas Ipsa (também chamada Sublimis Deus), condenando a escravidão dos 'índios e  as mais gentes'. Dizia o documento, aqui transcrito em português da época:
    " A mesma Verdade, que nem pode enganar, nem ser enganada, quando mandava os Pregadores de sua Fé a exercitar este offício, sabemos que disse: Ide, & ensinai a todas as gentes. A todas disse, indifferentemente, porque todas são capazes de receber a doutrina de nossa Fé. (...)alguns (...)desejosos de satisfazer a suas cobiças, presumem affirmar (...)que os Indios das partes Occidentaes, & os do Meio dia, & as mais gentes, hão de ser tratados, & reduzidos a nosso serviço como animaes brutos. A a titulo de que são inhabeis pera Fé Catholica e incapazes de recebella, os poem em dura servidão, & os affligem, & opprimem tanto, que ainda a servidão em que tem suas bestas, apenas he tão grande como aquella com que affligem a esta gente. Conhecendo que aquelles mesmos Indios, como verdadeiros homens, não somente são capazes da Fé de Christo, senão que acodem a ella, (...)com authoridade Apostolica, pello teor das presentes, determinamos, & declaramos, que os ditos Indios, & todas as mais gentes que daqui em diante vierem á noticia dos Christãos, ainda que estejão fóra da Fé de Christo, não estão privados, nem devem sello, de sua liberdade, nem do dominio de seus bens, & que não devem ser reduzidos a servidão". 
    Esta liberdade dizia respeito à aceitação da fé segundo a sua vontade, orientando-se  o missionário pela persuasão, atento que é o livre-arbitrio o que condiciona a crença. 
    A  apostila, ao relacionar na mesma frase a Igreja, os traficantes e os donos de escravos,  deixa implícito que a Igreja também lucrava economicamente com a escravidão. Que interesses teria a Igreja na escravidão? O ensaio "O Brasil nos Quadros do Sistema Colonial Mercantilista", mostra que, historicamente, esta insinuação não faz qualquer sentido. Diz o ensaio:
     "Oficialmente, o povoamento do Brasil não foi encarado como um empreendimento comercial. D. João III (1521-1557) disse, aliás claramente: "A principal coisa que me moveu a mandar povoar as ditas terras do Brasil foi para [que a] gente dela se convertesse à nossa santa fé". Manuel da Nóbrega, numa carta a Tomé de Sousa, escreveu que a intenção de D. João III "não foi povoar tanto por esperar da terra ouro nem prata que não os tem, nem tanto pelo interesse de povoar e fazer engenhos, nem por onde agasalhar os portugueses que lá em Portugal sobejam e não cabem, quanto por exaltação da fé católica e salvação das Almas".
     Os jesuítas levaram a sério o caráter missionário que o rei de Portugal quis imprimir ao povoamento do Brasil. Com isso, muito cedo os jesuítas chocaram-se com os povoadores na questão da escravização do índio, pois estes sempre encontraram meios para burlar a legislação e escravizar ou manter no cativeiro os índios protegidos por lei. Em l759, quando o índio já tinha sido substituído na economia canavieira pela mão-de-obra escrava africana, o Marques de  Pombal acusou os jesuítas de conspirar contra o Estado, expulsando-os de Portugal e de seus domínios e confiscando seus bens. A França, a Espanha e os demais países europeus adotaram a mesma medida.
    Atualmente, a história integra-se com (a preposição é a) outras ciências, não só na área de humanidades (falta vírgula) mas também com (sic) as áreas de exatas e biológicas, com o objetivo de que seu estudo tenha uma relação mais profunda com a realidade e seja, ao máximo, democrático (ao máximo?! e o que é um estudo democrático?).Por outro lado, é bom lembrar que a educação atualmente - apesar dos pesares (sic) - é mais democrática que no passado recente (por que recente? No passado remoto era diferente?). Isto é, as camadas populares conseguem chegar às faculdades e produzir (não seria formar ?) professores com uma visão progressista (o que é uma visão progressista da realidade?) e assim constestar as ideologias (segundo Marx, ideologias (burguesas) são as idéias que legitimam o poder econômico da classe dominante)  produzidas (haja produção!) anteriormente e, ainda hoje, pelas classes dominantes    
  Isso nos leva a concluir que a história está, sempre, num contínuo processo de questionamentos e transformações" Não entendi... Na verdade, o  inteiro parágrafo dispensa mais comentários pelas grosserias gramaticais,  indigência de estilo, inadequação do vocabulário e pela a obtusidade esquerdopata de tal formulação.  

Pente-fino 2

Continuação da apostila de História do COC. Meus comentários em azul.
A História ao Longo do Tempo
    "Na Antigüidade Clássica, os historiadores não pesquisavam os fatos, preocupando-se apenas em narrar os acontecimentos sem levar em conta as possíveis relações entre eles. Na Idade Média, com a predominância do pensamento teológico-filosófico de Santo Agostinho, a história passou a ter uma visão teocêntrica dos fatos.
    (...)A formação das monarquias nacionais européias e o Renascimento produziram uma visão histórica em que os heróis - reis, príncipes e cavaleiros - resolviam tudo sozinhos. Era uma concepção romântica da história.
    A partir do século XIX, alguns historiadores e pensadores mudaram a maneira de analisar os fatos históricos. Entre eles destacaram-se Karl Marx e Friedrich Engels, que passaram a dar ênfase sobre  os aspectos socio-econômicos que envolviam os fatos históricos, como também incorporaram as camadas populares no processo histórico. Por outro lado, ocorreu nesta época a sistematização e organização do estudo da história, a partir da elaboração de métodos de investigação da pesquisa por meio de critérios de análise e exposição dos trabalhos.
    (...)Com todas estas transformações e contribuições de outras ciências, atualmente a história busca mostrar a evolução das sociedades humanas na sua totalidade, desde as formas de organização política, economica e social, até o dia-a-dia das pessoas: como viviam, como as mulheres eram vistas pela sociedade, o casamento, a cultura popular, como é o cotidiano, onde despontam as virtudes e fraquezas das pessoas. Esta é a chamada história total.
    A partir disso podemos concluir que o conhecimento histórico - daquilo que foi e do que está sendo - pode-nos facilitar a compreensão - e até entender - do porquê das coisas. Se elas estão ruins, será que nós temos uma parcela de culpa? Como mudar a situação para melhor? Certamente buscando o porquê dela. E o caminho é a história.
 A Divisão da História
A divisão da história em períodos atende apenas a uma finalidade didática, desde que  o processo histórico é ininterrupto.(...).A divisão mais utilizada baseia-se nos fatos políticos
1) Idade Antiga = tem início com o aparecimento da escrita - concomitante ao início da história - por volta do ano 4 000 aC, até a queda do Império Romano do Ocidente, em 476. Neste período desenvolveram-se os modos de produção asiático e escravista.
  A Pré-História
 
"Quando Cabral desembarcou no Brasil, os indígenas estavam num estágio social semelhante ao da Idade da Pedra. Por sua vez, quando a Inglaterra iniciava a sua Revolução Industrial, no século XVIII, os bosquímanos australianos encontravam-se, como os indígenas brasileiros do século XVI, também na Idade da Pedra. Ainda hoje, existem povos vivendo em plena era Paleolítica, e isto não implica em considerarmos que eles sejam povos atrasados.
    A partir disto, temos de entender duas coisas: primeiros que os povos desenvolvem-se a partir de suas necessidades em consonância com o seu meio ambiente; segundo, não podemos utilizar como ponto de referência a Europa - o homem  branco- pois cairíamos no eurocentrismo".
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 No tópico A História ao Longo do Tempo ( Módulo 1), lê-se:
"Na Idade Média, com a predominância do pensamento teológico-filosófico de Santo Agostinho, a história passou a ter uma visão teocêntrica dos fatos...." A informação está incompleta: além de Santo Agostinho, predominou na Idade Média o pensamento aristotélico-tomista, que teve em Santo Tomás de Aquino seu nome de maior grandeza. Agostinho, que viveu no período denominado Antigüidade, morreu em Hipona em 430 e foi o grande representante da Patrística (escritos dos Pais da Igreja). Santo Tomás de Aquino representa a Escolástica, que ampliou os estudos de Agostinho, incorporando à sua teologia as concepções de outro grande filósofo grego, Aristóteles.
(...)"A formação das monarquias nacionais européias e o Renascimento produziram uma visão histórica em que os heróis - reis, príncipes e cavaleiros - resolviam tudo sozinhos. Era uma concepção romântica da história". Do que estamos falando?! Afinal, a apostila está se referindo a três séculos de história  (da Queda de Constantinopla, que encerrou a Idade Média, à Revolução Francesa, que origem à Idade Moderna). Este foi um período marcado pelo Renascimento, pelas grandes navegações, pelas descobertas, pela Revolução Científica, pelo Século das Luzes e pela Revolução Francesa. Reduzir tudo isto a um tempo em que "os heróis - reis princípes e cavaleiros - resolviam tudo sozinhos" é simplificação ridícula.
"A partir do século XIX, alguns historiadores e pensadores(Que historiadores e pensadores?) mudaram a maneira de analisar os fatos históricos. (Qual foi a mudança? Como a história era analisada antes?) Entre eles destacaram-se Karl Marx e Friedrich Engels (de novo Marx? Por que só ele e Engels? E Comte, Durkheim,  Spencer, Mill etc ), que passaram a dar ênfase sobre (sic) os aspectos socio-econômicos que envolviam os fatos históricos, como também incorporaram as camadas populares no processo histórico. (Marx e Engels incorporaram as camadas populares? De que forma? E antes deles, as camadas populares não faziam parte do processo histórico? Este tipo de frase, na verdade, visa  antes criar uma empatia com os autores, apresentando-os como pessoas preocupadas com o povo)  Por outro lado, ocorreu nesta época a sistematização e organização (sistematização e organização é troppo! Sistematizar  já é organizar em sistema, ora) do estudo da história, a partir da elaboração de métodos de investigação da pesquisa (o objeto de investigação é a pesquisa?)por meio de critérios de análise e exposição dos trabalhos. (este palavrório  é só embromation. Não quer dizer nada, só  abstração: é uma tal de sistematização, organização, elaboração, método, investigação, pesquisa, critério, análise, exposição, blá,blá,blá...
 (...) "Esta é a chamada história total." (O que é agora a história total? É história holística, a história da Nova Era?)   A partir disso (vírgula) podemos concluir que o conhecimento histórico - daquilo que foi e do que está sendo (!) - pode-nos (posso-me espantar com a insólita ênclise?) facilitar a compreensão - e até entender (e  também perceber e apreender!) - do (sic) porquê das coisas, Se elas estão ruins, (o que é uma coisa ruim no processo histórico?) será que nós (nós quem, os opressores?) temos uma parcela de culpa? (o aluno estuda História e já faz terapia) Como mudar a situação para melhor? Certamente buscando o porquê dela. E o caminho é a história. (Voltamos ao chavão esquerdista: o estudo da História visa a transformação do mundo)
A Divisão da História
1) Idade Antiga = tem início com o aparecimento da escrita - concomitante ao início da história ( a invenção da escrita e o início da história são uma coincidência? Ora, a escrita marca o início da história).   - por volta do ano 4 000 aC, até a queda do Império Romano do Ocidente, em 476. Neste período desenvolveram-se os modos de produção asiático e escravista.
 No tópico  A Divisão da História, dois pequenos detalhes denunciam o viés marxista da apostila de História: ao se referir à divisão da História em idades Antiga, Média, Moderna e Contemporânea, o autor indica o modo de produção dominante em cada uma delas: "asiático e escravista; feudal ou servil; capitalista e capitalista e socialista ".
     Primeiro: modo do produção não é só um conceito da economia marxista, ele é o próprio fundamento do materialismo diáletico. Para Marx, o que define uma época da história é o modo de produção dominante. Este modo de produção da vida material determina o caráter geral do processo da vida social, política e espiritual. Logo, todo historiador que utiliza este conceito indica a sua preferência pela abordagem marxista. 
    Segundo:o autor da apostila do COC cita o modo de produção asiático, quando fala da Idade Antiga. Este modo de produção asiático começou a ser estudado apenas ao fim da primeira metade do Século XX, quando, entre 1939 e 1941, o Instituto Marx-Lênin de Moscou trouxe à luz manuscritos inéditos de Karl Marx. Tais manuscritos, parte dos rascunhos originais de O Capital, haviam sido redigidos entre 1855 e 1859 - trinta anos antes, portanto, do surgimento de A Origem da família, da propriedade privada e do estado, de Friederich Engels, em 1884.
     Nos artigos que escreveu sobre a Índia e a China, Marx cunhou a expressão modo de produção asiático, cuja característica era a resistência a qualquer tipo de transformação e a ausência de contradições internas que o enfraquecessem. A argumentação de Marx  em favor do modo de produção asiático foi muito criticada, inclusive por marxistas, como o americano Perry Anderson (1974),  e poucos a aceitam hoje em dia.
    Entre os estudiosos de antropologia da civilização, como  Darcy Ribeiro (1968), Julian Steward (1955), Gordon Childe (1937) e Lewis Morgan (1877), nenhum  classificou a "formação asiática" como etapa evolutiva da sociedade humana.  Nem mesmo Engels (1884) o fez. O único a usar esta termo foi Karl Marx, em 1857.  O autor da apostila do COC também. Alguma dúvida?
    
A Pré-História
 
"Quando Cabral desembarcou no Brasil, os indígenas estavam num estágio social semelhante ao da Idade da Pedra. Por sua vez, quando a Inglaterra iniciava a sua Revolução Industrial, no século XVIII, os bosquímanos australianos  encontravam-se, como os indígenas brasileiros do século XVI, também na Idade da Pedra. Ainda hoje, existem povos vivendo em plena era Paleolítica, e isto não implica em considerarmos que eles sejam povos atrasados.
    A partir disto, temos de entender duas coisas: primeiros que os povos desenvolvem-se a partir de suas necessidades em consonância com o seu meio ambiente; segundo, não podemos utilizar como ponto de referência a Europa - o homem  branco- pois cairíamos no eurocentrismo".
      Esta explicação  de que "os povos desenvolvem-se a partir de suas necessidades em consonância com o seu meio-ambiente"  está totalmente de acordo com o conceito de natureza humanizada de Marx: "A natureza é, para a humanidade, uma questão de utilidade, e não uma força em si mesma. A finalidade de procurar conhecer as leis autonômas da natureza é sujeitá-la às necessidades humanas, como objeto de consumo ou meio de produção".
     Pois bem: se fosse verdade esta bobagem que Marx diz, ele  precisaria  explicar a utilidade prática  do conhecimento impressionante do sistema solar que os sumérios já possuíam  há seis mil anos(!). Afinal, para quê agricultores, artesãos, comerciantes, sacerdotes  e reis da Suméria precisavam saber, com todos os seus detalhes técnicos, o que ainda hoje a moderna astronomia considera o conceito básico de uma astronomia esférica?
     Existem outras charadas. Entre as milhares de tábuas matemáticas encontradas na Mesopotâmia, muitas tinham tabelas para cálculos rápidos. O surpreendente, contudo, era que elas não partiam de números baixos, (como 1, 10 ou 60), mas começavam com um número que só pode ser considerado como astronômico: 12 960 000. E, de fato: este número estava ligado ao fenômemo da precessão. Como sabemos atualmente, há uma ilusão de retardamento na órbita da Terra quando um observador marca a posição do Sol numa data fixada (o primeiro dia da primavera, por exemplo) contra as constelações do zodíaco que funcionam como um pano de fundo no espaço.
    Desta forma, se um observador colocado na Terra esteve olhando para o céu no dia de primavera em que o Sol começou a subir contra a constelação ou casa de Peixes, seus descendentes, 2 160 anos depois, no mesmo dia de primavera, verão o Sol subir contra o pano de fundo da constelaçao ou casa adjacente, ou seja, Áquario.  Assim, para percorrer o circulo completo das doze casas, o sol leva 24 920 anos. O número 12 960 000 representa 500 desses círculos precessionais.
     Mais: o número 12 960 000 é o quadrado de 3 600, que dividido por 10 é igual a 360, que é o número de graus do círculo. Também 3 600 é o quadrado de 60 e foi esta relação que forneceu o número de minutos numa hora  e o de segundos num minuto, e também o número base do sistema sexagesimal. Para finalizar, 60 é o resultado de 6 X 10. Ou seja, apesar de ser chamado sexagesimal, o sistema sumério de numeração e matemática não era simplesmente baseado no número 60, mas numa combinação de 6 e 10.  O sistema também era decimal. O número 3 600, que é o quadrado de 6 X 10, também  é igual a 6X10X6X10.
    Será que os sumérios precisavam saber tudo isto para fazer uma lavoura de trigo ou mostarda?
 Se fosse um cientista honesto e procurasse conhecer a história da Mesopotâmia, sobre a qual fez considerações e análises, além de propor teorias explicativas,  Marx não teria escrito impropriedades como esta: "A humanidade só se propõe as tarefas que pode resolver, pois, se se considera mais atentamente, se chegará a conclusão de que a própria tarefa só aparece onde as condições materiais de sua solução já existem, ou, pelo menos, são captadas no processo de seu devir."
    Sobre não chamar de atrasados povos que ainda hoje estão vivendo na Idade da Pedra, melhor ler o que o antropólogo Darcy Ribeito, que se qualifica como um herdeiro do marxismo, fala de uma tribo indígena do Maranhã. "Os índios mais atrasados do mundo, que são os Guajá do Maranhão - não sabem fazer nem roça - têm uma matematicazinha do tamanho deles. Na sua língua só existe a palavra para o número um , para muitos ou vários e para muitíssimos." Vai ver, é etnocentrismo de Darcy Ribeiro, não é?