quarta-feira, 25 de abril de 2012

Quem matou Fernando Lemos?

        Quem matou Fernando Lemos? O que aconteceu com a criatura mais doce que eu conheci? De que o meu amigo morreu? Ninguém diz nada? Um dos jornalistas mais conhecidos e talentosos de Brasília é internado na segunda-feira e morre na sexta-feira de madrugada e não sai publicada uma única linha sobre o que de fato aconteceu? Aquele que era responsável por cuidar de sua saúde não tem nada a esclarecer? Fernando Lemos morreu 'porque sim'? Onde está a verdade?
    
     Eu conto o que eu sei: quando, uma semana antes de morrer, Fernando Lemos finalmente aceitou ser internado, o seu organismo já tinha entrado em colapso. Ele estava tão debilitado que não pôde se submeter a exames diagnósticos; antes, seu organismo precisava ser estabilizado.  
   
    Caso ele melhorasse, os médicos fariam uma colonoscopia (já sabiam que era câncer de cólon). Fernando, muito fraco, ainda protestou  "Nem morto!". Ao que um dos médicos respondeu: "Morto você já está".
   
    As poucas pessoas que conviveram em tempos recentes com Fernando Lemos sabem que seus últimos dias de vida foram muito dolorosos e sofridos (ele evitava qualquer contato, sabia que estava morrendo, não queria ver ninguém nem queria que o vissem daquele jeito, parecendo saído de um campo de concentração. Fernando estava tão magro que os tumores podiam ser tocados com as mãos. Ele vinha perdendo sangue há mais de seis meses).
    

    Agora, não adianta perguntar por que ele? Por que sofreu? O sofrimento é atributo do ser humano. A pergunta é outra: por que uma pessoa de inteligência incomum, que amava a vida, que nasceu numa família amorosa e unida e queria ver os filhos e netos crescer, entregou-se, sem lutar, e definhou pouco a pouco até morrer?
    
    Por que Fernando, a despeito da precaríssima condição de saúde, não aceitou tratar-se a tempo com os recursos da medicina moderna, que poderiam salvá-lo e preservar aquela doçura de pessoa que todos nós amávamos tanto? 
     

    Por que Fernando Lemos, com histórico de câncer na família (perdeu um irmão há menos de um ano) e com sintomas adiantados da doença, recusou tratamentos médicos sofisticados e recursos tecnológicos de ponta e  entregou-se aos conselhos e cuidados de um  guru naturopata, que nem diploma de médico tem, um tal doutor Melara, 'um subversivo e transgressor' que ensinava as pessoas "a serem seus próprios médicos e a não dependerem de médicos, medicamentos, hospitais e UTIs?"
     
     O quase centenário José Efraín Melara, um dos gurus de Fernando Lemos (o outro é o insinuante e tenebroso babalorixá Raul de Xangô), alardeava a quem quisesse ouvir que "câncer, stress e depressão são nomes inventados à maneira de terrorismo, para assustar a pessoa e fazer com que ela caia dentro do curandeirismo (como ele, cinicamente, se refere à medicina alopática e terapias da medicina moderna)".
     
     Para o cientistaque vive recluso e isolado nas proximidades de Brasília, num sítio que ostenta o nome pretensioso de El Cielo, as doenças não existem, e por isso mesmo, também a cura não existe.   

     - Nós não curamos estas coisas (câncer, stress ou depressão). Nós resolvemos o problema, ensinando a pessoa a descansar, a respirar, a se alimentar. A viver bem. Quem vive bem, não necessita de medicamento. 
    
       Este é o homem a quem Fernando Lemos entregou o cuidado de sua saúde e, pelo visto, o destino de sua alma. Hoje, todos sabemos que este médico - que não possui sequer um site na internet - foi um dos responsáveis por incutir na cabeça de Fernando, desde a década de 70, quando se conheceram, a idéia de jamais procurar socorro na medicina alopática  e de nunca confiar na indústria farmacêutica. 
      
       Nos últimos anos, o contato entre os dois foi intenso e freqüente; Fernando tinha, inclusive, planos de financiar um 'hospital holístico' para o guru naturopata. Sabe-se que o idealista e desprendido Melara recebeu muito dinheiro de Fernando Lemos durante todos estes anos. Defensor de mundo ideal geralmente go$ta muito de real. Olho verde tem olho grande.
    
      A verdade é que o domínio do guru sobre o discípulo era total.  A lavagem cerebral foi tão intensa que, já muito doente, com câncer no intestino e em franco processo de falência física geral, Fernando Lemos se submetia com freqüência a uma das práticas mais usadas e recomendados nos manuais de naturoterapia de Efrain Melara: lavagens intestinais!  Não é de espantar: Fernando era diabético e  a dieta natural prescrita a ele por Melara incluía...rapadura.    
    
      A Naturopatia praticada por Melara é radical: ele não usa nenhum tipo de medicamento e todos os diagnósticos são feitos unicamente através da íris; nem mesmo diagnósticos de doenças graves como câncer contam com o auxílio de imagem (tomografias, raio X ou ultrassom).
        
      Suas terapias utilizam  apenas a água, o barro (argila,) o sol, o ar (respiração), a massagem e a alimentação. Melara não se socorre nem mesmo de  medicinas alternativas , como a homeopatia,  a fitoterapia, a medicina chinesa, a acupuntura e medicina ayurvédica.    
     
      O homem que diz resolver qualquer problema de saúde vive no sítio El Cielo de forma modesta e sem praticamente qualquer recurso tecnológico; sua mesa de trabalho ostenta, no lugar de um computador, uma paquidérmica e nostálgica máquina de escrever Olivetti, que nem elétrica é.
    

      O consultório e sala de espera limitam-se a exíguos metros quadrados de área e, além de cadeiras de metal, daquelas encontradas em bares simples, e ofertadas pelos distribuidores de bebidas, não se vêem mais que posters e imagens de anatomia humana nas paredes e aparelhos de medir pressão antiquados e obsoletos. 
    
      É neste ambiente precário que Melara hoje vive e atende a sua clientela, ao lado unicamente da mulher, Consuelo, uma senhora também de idade já avançada. Sobre suas qualificações, ele garante que estudou  filosofia, direito, jornalismo e medicina, o que, sendo verdade, é inteiramente diferente de ser formado e diplomado (coisa que ele não é) em instituição de ensino superior reconhecida oficialmente pelas autoridades governamentais e de classe.
     
       O naturopata nasceu em Honduras no início do século passado, embrenhou-se na floresta amazônica, conviveu com índios ena década de 60, chegou ao Brasil. Instalou-se nos anos 70 numa chácara na periferia de Brasília.
      
       José Efraín Melara era o próprio Deus para Fernando Lemos, que chegou a criar o blog Ponto de Interseção para expor e defender as idéias de seu guru, apresentado como "herdeiro da tradição dos druidas, a elite científica e intelectual dos celtas, descendente direto dos maias, aborígenes que ocupavam a região onde hoje se localiza a América Central (para Melara, antiga Atlântida, uma civilização muito avançada)".
     

       Segundo Fernando, Melara também "rejeita a herança dos colonizadores, que para ele apenas destruíram uma civilização avançada, pacífica, substituindo-a por uma civilização doente".
       
       Uma curiosidade: Efraín Melara foi do Partido Comunista, exilado político, guerrilheiro, braço direito de Fidel Castro, amigo do revolucionário cubano Camilo Cienfuegos e de  Ernesto Che Guevara. A sua biografia confirma a tese de que hoje 'o 'verde' é o novo nome do 'vermelho'. 

     Basta ler os escritos de Fernando Lemos sobre a naturopatia para comprovar a mistura do 'verde' (a devoção a Gaia) com o 'vermelho '(as idéias chinfrins de Engels expostas no livro A Origem da família, da propriedade privada e do Estado). 
     
      Num malabarismo mental mambembe, no texto intitulado As doenças básicas do homem, Fernando Lemos atribui à propriedade privada a culpa pela criação "da doença chamada família – porque, como o homem era “dono”, alguém de seu sangue tinha que herdar sua “propriedade” (só rindo desta bobagem: era Fernando que organizava todo ano a festa de aniversário de sua mãe, Catita, quando toda a família se reunia em volta da matriarca).
      
        
       Nos textos escritos para enaltecer o guru naturopata, Fernando defendia com freqüência idéias rasteiras, totalmente incompatíveis com seu brilho intelectual. Um exemplo: ele dizia que Efraín Melara era atacado " porque seu trabalho, seus livros, sua pesquisa, a Naturopatia e as naturoterapias buscam a saúde, e a saúde não ajuda no “progresso” nem aumenta o PIB, porque a pessoa saudável não compra remédios, não procura médicos, não freqüenta hospitais, não fica internada nas UTIs, não faz cirurgias."
      
       Fernando Lemos não estava mentindo quando dizia que quase ninguém sabe quem é Efraín Melara. "Ele (Melara)não fez e não faz nenhuma concessão ao sistema, não faz propaganda de seu trabalho, não mercantiliza seu talento, não se adapta à cultura dominante. Não se expõe em palestras ou seminários, não tem site na Internet, edita seus livros - que não são encontrados em livrarias - em edições caseiras. Não busca a fama, nem dinheiro, nem reconhecimento, nem fila de gente na porta de seu consultório".   
  
      Na internet, as referências a Melara são minguadas; geralmente aparecem os artigos do próprio Fernando Lemos enaltecendo o seu guru e a naturopatia, ou então, notícias sobre projetos cinematográficos da animada e holística cineasta e ex-mulher de Fernando Lemos, Ana Cristina Costa e Silva (Tininha) que, entre viagens a Stonehenge e festas à fantasia em que aparece de melindrosa, faz apologia imagética de sábios ancestrais, como Melara, ou visionários do mundo, como Raul de Xangô, um babalorixá e chefe de terreiro de Brasília que se gaba, rindo, de ter 'acesso e intimidade com o diabo'.
     
      Nestes dias, depois que Fernando Lemos morreu, fui atrás de informações sobre o que ele fez, escreveu e creu, durante o período em que estivemos sem contato. Sinto dizer, não vi nada daquela inteligência exuberante que eu conheci e que inspirava quem estivesse à sua volta.
    

     Onde foi parar o enfant terrible que conviveu e, por certo, encantou mentes e inteligências privilegiadas como a do tio Roberto Campos (irmão de Catita, mãe de Fernando), e de Otto Maria Carpeaux, Nelson Rodrigues e Paulo Francis, com quem, com apenas 15 anos, Fernando Lemos dividiu a redação do lendário jornal carioca, Correio da Manhã?
    

     Lendo seu blog O Ponto de Interseção, criado em 2008, eu cheguei à conclusão que a degeneração física de Fernando foi precedida por uma degradação intelectual inacreditável. A argumentação tosca e grosseira, o raciocínio indigente e as conclusões estapafúrdias nos textos de Fernando levam a crer que Melara exercia um domínio espiritual nefasto sobre Fernando. Como se o guru tivesse sugado a energia pensante, o discernimento, o bom senso e a razão de Fernando Lemos.
    

      Eu refiro-me a Melara, mas parece que Fernando sempre esteve 'encantado' por algum 'bruxo'. Basta lembrar que foi Fernando Lemos que projetou a figura vulgar e sem lustro de Raul de Xangô, dedicando-lhe páginas e páginas do Correio Braziliense, patrocinando lançamento de seus livros (sic) e participando de filmes e documentários sobre o "bruxo dialético do Planalto Central", como Fernando se referia a Raul.
    

      Não que Fernando  fosse um idiota, era um transgressor. Estas 'bruxarias' deviam servir, na sua opinião, para afrontar as instituições que ele achava ultrapassadas: o establishment, a Igreja. À volta de Fernando, certamente os devotos de Mãe Gaia, dos saberes ancestrais, da cosmovisão holística e do retorno à pureza da vida natural batiam palmas. Mal sabem estes revolucionários que nada mais politicamente correto e mainstream que esta xaropada apregoada pela Nova Era: 'religiosidade sem religião', culto a Gaia, volta à natureza.
     

      Fernando Lemos deve ter passado os últimos anos de sua vida ouvindo os amigos dizer que ele era iluminado, sábio, um ser conectado com as forças e energias cósmicas e outros blá blá blás. Mesmo agora que ele morreu, o mantra continua a ser repetido. 
     
      Uma boa dose de coragem para dizer a Fernando que tudo o que ele professava e defendia era só estupidez e ignorância talvez fizesse com que a doçura de pessoa que ele era ainda estivesse viva, para preencher de brilho e alegria a vida de todos nós.
  
       Fernando Lemos dizia - repetindo Melara - que qualquer doença é conseqüência do desrespeito às leis biológicas e da apartação do homem com a natureza.  Para a naturopatia, não existe diferença básica entre gripe ou câncer. A cura para um e outro é a mesma:  respirar, alimentar e descansar. Fernando Lemos agora está descansando no Campo da Esperança em Brasília. Em paz. A paz dos cemitérios.   
    
       Eu o encontrarei na eternidade, eu sei que ele foi para o céu. É onde moram os anjos.


sábado, 21 de abril de 2012

Fernando Lemos morreu. Viva Fernando Lemos.

         Que tristeza. Eu soube que Fernando Lemos estava doente num dia; no outro, eu li a notícia de sua morte.
     
Eu me lembro perfeitamente do dia em que conheci Fernando Lemos: em 1975, ele, mais gordinho, cabelos grandes nos ombros, que ele insistentemente colocava atrás da orelha, entrou na redação do Correio Braziliense, trazido por Oliveira Bastos.
   Fernando (ou Baby ou Fernando Sardinha) tinha recém-chegado de Londres e Oliveira Bastos acabava de aterrissar no Correio Braziliense, explodindo feito bomba e subvertendo aquele ambiente pachorrento e pacato da redação.
     Eu estava começando na profissão, tinha arranjado um emprego de copydesk (
meu Deus, eu não sabia nem o que era 'quatro de onze' - título de quatro colunas e onze toques). Oliveira Bastos decretou uma semana depois de assumir a chefia da redação:" Você é repórter!".
     Entre uma reportagem e outra, virei 'assistente' de Fernando Lemos no Anexo, um encarte dominical do CB, (contra)cultural, irônico-sarcástico e debochado, que era sempre ameaçado de não sair: os "ômi' não gostavam.
     Anexo tinha de tudo, misturava poetas maiores (Rimbaud, Baudelaire), poetas-piada, foto-poemas, textos maravilhosos de J.O. Meira Penna, entrevistas com Jorge Luis Borges, cartuns e, reportagens minhas. (Em 1976, um ano depois de conhecer e trabalhar com Fernando Lemos, eu saí do Correio; tinha recebido e aceitado o convite para trabalhar no Jornal de Brasília.) Foi bom enquanto durou. Muito divertido. Neste ano juntos, Fernando e eu nos tornamos amigos.
     Foi em companhia de Fernando Lemos que eu ouvi o então ministro da Fazenda, Mário Henrique Simonsen, cantar óperas, depois de um jantar e muitas taças de vinho, em sua mansão no Lago Sul. Os convidados para o jantar eram Oliveira Bastos, 
 Fernando Lemos e Edison Lobão, hoje ministro das Minas e Energia e na época colunista político do CB.
     Na verdade, eu esta lá porque Oliveira Bastos gostava muito mim. Ele costumava dizer que eu o tinha enganado, escondendo que eu era repórter.
    (Foi assim. Num sábado, uma emergência: não tinha ninguém para ir à Ilha do Bananal com o presidente da Funai, numa visita à aldeia carajá, no Parque Nacional do Xingu. Ida e volta no mesmo dia. Eu fui escalada. Quando voltei, Oliveira Bastos pediu a matéria para ler. Na segunda-feira, quando eu entrei na redação, Oliveira Bastos gritou lá do fundo:"Mírian Macedo, quem disse que tu és copidesk?" Eu gelei, estava despedida. E na frente de todo mundo! Então, Oliveira Bastos completou: "Li tua matéria, tu és repórter". Foi o maior elogio que eu recebi.)

     Fernando Lemos e Oliveira Bastos foram os responsáveis pela vinda de Gláuber Rocha para Brasília em 77 e foi no Correio Braziliense que o cineasta escreveu seus textos cheio de 'y' e 'z' (é desta época a famosa carta/artigo que Glauber manda para Zuenir Ventura,na Isto É, em que o cineasta elogia Geisel e apóia a abertura lenta, gradual e segura).
     Entre 77 e 79, Fernando Lemos e Oliveira Bastos acolheram todas as iniciativas de Gláuber em Brasilia (discursou, como metralhadora giratória, nas tardes do Clube de Imprensa para uma platéia muda e extasiada, eu incluída, filmou a Idade da Terra, tumultuou o Festival de Brasília, escreveu artigos cheios de 'y' ("uma brincadeira lingüística com o vanguardismo dos anos 20, num estilo tropicalista e na direção da língua tupi, para chamar a atenção de um povo que não lê" ) e quase morreu de sérias complicações de saúde, chegando a ficar internado no Hospital das Forças Armadas). 

     Tempos depois, Fernando Lemos patrocinaria outra personagem, desta vez uma figura folclórica e medíocre, mas que faz o estilo de Brasília e encanta a mentalidade tacanha e irresponsável de grande parte de seus jornalistas: um tal Raul de Xangô, que se orgulhava do epíteto "O Bruxo".
     A criatura fazia sucesso entre os jornalistas. Raul estava sempre entre repórteres, fotógrafos e editores  nas mesas de bares e resturantes e era incensado principalmente pelo Correio Braziliense. Raul de Xangô era guru dos jornalista e dos poderosos de Brasília.
     Mas a fachada de 'bruxo folclórico' escondia um outro Raul que, a levar a sério as suas próprias palavras, é diabólico e frequentador dos mundos inferiores. É dele a frase: "Acham que eu tenho pacto com o diabo. Não, não tenho. Eu só tenho acesso e intimidade'. E ria.
     As festas que o 'bruxo' realizava em sítios nas proximidades de Brasília, em que se ouviam atabaques, santo baixando e despachos, eram freqüentadas por políticos, pela alta burocracia e pela nata do jornalismo. A mim, dava engulhos.
 Certo dia, Raul de Xangô, se insinuou, pretensioso: "Você é muito tenra" (não é erro de digitação, é 'tenra' mesmo). 
     Desde que vim para São Paulo, em 81, nunca mais encontrei Fernando Lemos. Recentemente, eu descobri seu perfil no Facebook, mas preferi não fazer contato. Pensei: "ele não vai achar nada de interessante no meu novo modo de ser: não sou devota de Mãe Gaia.
     Certamente, para Fernando, eu seria 'direita'. É assim que meus amigos de Brasília me identificam agora. Fazer o quê? É verdade. Eu sou direita.
    Saudades, meu amigo. Mereces o céu.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Pílulas anti-abortivas

‎"O feto anencefálico não terá vida extra-uterina, (nele), o cérebro sequer começa a funcionar. Então não há vida em sentido técnico e jurídico." Luís Roberto Barroso, advogado da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde - entidade que pede a liberação do aborto de fetos anencéfalos (sem cérebro).
Eu respondo:O feto anencéfalo não terá vida?! Ele TEM vida. E vida HUMANA.

*******************************

Se é tão raro aparecer um bebê anencéfalo, por que não proteger exatamente esta minoria? Dor de mãe? Sofrer é atributo humano. Mãe chora e ri, é a vida.


********************************



Ouvindo estes ministro do STF falar, só resta concluir: o tal bebê anencéfalo é um desalmado, só nasceu para fazer todo mundo sofrer. Sofre mãe, sofre pai, sofre irmão, sofre família. Mata logo! 


*********************************


Eu não quero imaginar a tragédia e a dor de um estupro. Sou mulher e tenho filhas. O estupro é odioso porque é a violência do forte contra o fraco. O aborto também. É arrogância querer ser dono da vida do bebê se não podemos fazer o próprio coração bater.


**********************************


Não tem sentido discutir se feto é ou não ser humano. Se anencefálo é ou não ser vivo. Cientistas e juristas argumentam, uns dizem que sim, outros que não. A questão tem que ser posta assim: eu tenho um copo na mão e te digo: aqui pode ter veneno mortal e pode não ter. Bebe." Tu vais beber? Por que?"


**********************************


O aborto no Brasil continua sendo crime, não há o direito ao aborto. O Código Penal não diz que "não constitui crime abortar", mas 'não se pune' o aborto (ou seja, não se aplica a pena) quando ele foi feito no caso de risco de vida para a mãe ou a quando gravidez foi fruto de estupro. Foi esta gambiarra jurídica que levou todo mundo a sair por aí dizendo que, no Brasil, o aborto é legalizado nos dois casos acima. Aborto é crime mesmo nestes casos, apenas não se o pune. A conclusão (malandra) foi de que, não havendo punição, há permissão. Então, tá.

**************************************



A ciência ainda não conseguiu provar que feto (zigoto, blastocisto e embrião) é ser humano e nem provar que não é. Juridicamente, o bebê anencéfalo é considerado ser vivo por uma corrente enquanto outra diz que 'tecnicamente' o anencéfalo não tem vida. Num e noutro caso, os dois lados sustentam que estão certos. A probalidade de assassinato de um ser humano no caso do permitir o aborto é de 50%. Logo, não pode. Simples assim. Deu para entender ou precisa desenhar?

************************************



O aborto no Brasil continua sendo crime, não há o direito ao aborto. O Código Penal não diz que "não constitui crime abortar" ,mas 'não se pune' o aborto (ou seja, não se aplica a pena) quando ele foi feito no caso de risco de vida para a mãe ou a quando gravidez foi fruto de estupro. Foi esta gambiarra jurídica que levou todo mundo a sair por aí dizendo que, no Brasil, o aborto é legalizado nos dois casos acima citados. Aborto é crime mesmo nestes casos, apenas não se o pune. A conclusão (malandra) foi de que, não havendo punição, há permissão. Então, tá.

 ************************************



A porteira está aberta. O ministro Gilmar Mendes disse tudo: se pode abortar um bebê saudável, no caso de estupro ou risco de vida para a mãe, então não há o que discutir. Bebês imperfeitos, deficientes ou cuja gestação tragam 'sofrimento' (físico ou psicológico) para a mãe, já estão com a sentença decretada: MORTE.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Lulinha gosta é de bicho grande

     Quando foi eleito Presidente da República, em 2002, Lula pediu ao amigo geógrafo e professor da USP, Aziz Ab'Sáber, que arranjasse um emprego para o seu primogênito, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, que tinha acabado de se formar em Biologia, numa faculdade em São Bernardo do Campo.
     Ab'Sáber conseguiu para o filho do amigo presidente um emprego num laboratório de pesquisa da USP. Pouco tempo depois, Aziz Ab'Sáber encontra Lulinha e pergunta como vai o trabalho. O filho presidencial reclama: 

    - Eu não aguento mais ver bicho em microscópio, professor. Eu gosto é de bicho grande.
     Foi assim
 que, também por indicação de Aziz, Lulinha virou monitor de jardim zoológico, ganhando um modesto salário de 600 reais.
     Hoje, dez anos depois, o primogênito (ex)presidencial é, 
miraculosamenteum próspero e rico empresário do setor de vídeo-games e produção de conteúdo televisivo.
    O milagre da multiplicação começou em 2003, quando Lulinha largou o emprego no Parque Zoológico de São Paulo, vendeu um carro e investiu 50 mil reais numa pequena empresa produtora de vídeo-games, a Gamecorp.  
     Apesar da modesta presença da Gamecorp no mercado, uma poderosa empresa pública e gigante da telefonia (a antiga Telemar, atual OI) mostrou interesse em associar-se a ela, comprando parte das suas ações por 5 milhões de reais. Em seguida, a Telemar investiu mais 10 milhões de reais, e outros investimentos se seguiram. 
        A Telemar/OI tem entre seus sócios o empreiteiro Sérgio Andrade, da empreiteira Andrade Gutierrez, que é, coincidentemente, um dos financiadores das campanhas do pai de Lulinha, o Lulão, Luis Inácio Lula da Silva. 

     Lula, em sua delinqüência moral, comparou o filho ao Fenômeno Ronaldo, negando haver relação entre o estrondoso sucesso financeiro de Lulinha e o fato dele ser filho do Presidente da República.

*Tem mais. Lê aqui:http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/deputado-defende-cpi-sobre-fusao-brt-oi/

Millôr: o pior entre ruins

          Em 82, já sessentão, Millôr Fernandes votou e fez campanha para eleger Leonel Brizola governador do Rio. Mas dizia que não era brizolista ('nunca fui'), pois considerava Brizola um dos responsáveis pela 'vitória da direita', em 64. 
    Para Millôr, Brizola - depois de uma "fase politicamente brilhante no Rio Grande do Sul" - achou que tinha o controle do Komintern e, de revólver na mão, desafiou aqueles que tinham o canhão, achando que era o mocinho, o herói. Perdeu. 
      Mas cá prá nós, ainda que as outras opções na eleição de 82 não fossem animadoras (Moreira Franco (PDS), Miro Teixeira (PMDB), Sandra Cavalcanti (PTB) e Lysâneas Maciel (PT), seguramente Brizola era a pior delas.  
      Revolucionário, terrorista, amigo e cúmplice de Fidel Castro, Leonel Brizola queria transformar o Brasil numa Cuba. Millôr não sabia?



PS: Vamos ver se eu entendi: o erro de Leonel Brizola foi o de não se armar melhor (literalmente) para enfrentar a reação civil-militar em 64?  

Hay ditadura? Soy contra

       Tô dentro: ditadura nunca mais. Não negocio com ditadura. Qualquer uma tem que ser combatida e derrubada. Mas chega da mentira de que os 'mortos e desaparecdidos' eram combatentes pela democracia. Lorota. Os revolucionários que optaram pela luta armada queriam implantar uma ditadura comunista no Brasil. Eu sei do que eu falo, fui da AP-ML/PC do B, o mesmo grupo que fez a Guerrilha no Araguaia.      Fernando Gabeira confessa a verdade; quem optou pela luta armada queria 'ditadura do proletariado', aquela mesma de que falava Marx, Engels, Lênin, Stálin, Mao, Fidel e seguazes. Os esquerdistas hoje querem fazer de conta que isto não existiu.
http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=Lkc766dDwhY

Lula?

      Eu assisti na TV a um trecho de palestra de Leonardo Boff em que ele afirmava que a lula (não o Lula) é o animal que pode ocupar o lugar do homem no caso deste vir a ser extinto. O molusco é dotado de duas memórias, uma coisa assim. Precisa dizer mais?

É fogo na roupa!

Nos anos 60/70, era comum monges budistas atearem fogo às vestes em protesto contra a política religiosa do governo do Vietnã do Sul, aliado dos Estados Unidos na guerra contra o Vietnã do Norte, que era comunista. Nós, esquerdistas do mundo inteiro, esfregávamos a imagem dos mártires no nariz dos EUA, exigindo o fim da guerra e a retirada dos cruéis opressores imperialistas do Sudeste Asiático.
Hoje, cidadãos tibetanos comuns ateiam fogo ao próprio corpo protestando contra a ocupação e destruição do Tibet pelo governo comunista chinês. Nem um pio da esquerda. Comunista valente tem coragem é de cuspir no rosto de velhos, isto sim.
Interessante notar que a
 esquerda é a maior adepta da Nova Era. Todo comunista é chegado a uma 'espiritualidade sem religião'. Presta atenção: o bom esquerdinha sempre é a favor do Tibet, ama o Dalai-Lama, faz namastê. Agora, denunciar o governo comunista chinês como genocida e opressor, que persegue tibetanos e proíbe a liberdade religiosa, ah, isto não! Afinal, religião é o ópio do povo mesmo, então prá quê? Estão certos os dirigentes comunistas.

sábado, 31 de março de 2012

Corajosos e valentinhos

     Hoje, arrisca a pele (literalmente) quem vai contra o rebanho e diz o que todos sabem: o Brasil poderia, sim, ter virado Cuba ou Coréia do Norte, se não tivesse havido o movimento de 64. 
     A imagem do homem solitário sendo espancado porque gritou "abaixo o comunismo", na missa do papa em Cuba, dias atrás, não é peça de publicidade, é real, aconteceu. 
     Aqui, no Brasil, os 'valentinhos', beneficiários da democracia que os comunistas negam ao cidadão comum, cospem na cara de senhores idosos que se reúnem, na legalidade, para comemorar o 31 de março. Eu já estive do lado dos que hoje cospem nos militares que arriscaram a vida para impedir que o Brasil virasse Cuba. 
     Eu tenho minha parcela de culpa e responsabilidade pela ditadura descarada em que está se transformando o Brasil. E mudei porque busquei e conheci a verdade. Por isto, não me tornei apenas ex-comunista. Não basta. Para reparar o mal que eu ajudei a espalhar, foi preciso tornar-me anti-comunista. É o que eu sou.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Brasileiro é tão bonzinho

      O povo bonzinho acha que é coração duro, falta de compaixão e maldade quem fala que a morte de Lula pode ser um bem para o Brasil. Esta gente quer que tratemos Lula como se ele fosse só um pai de família, cuja destino afeta mulher, filhos, amigos e parentes próximos.
      Não. A presença de Lula, ativo e operante, na vida pública é um mal implícito, incalculável. Lula é um soldado da revolução socialista, ele está a serviço da mentalidade revolucionária, que luta por um mundo em que a cultura da morte é o norte. 

      As palavras de ordem deste mundo que Lula quer implantar são aborto, gayzismo, eutanásia, desarmamento, pedofilia e por aí vai.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

O Velho e a moça

      O que feministas esquerdistas, daquelas que babam ao denunciar a opressão do poder machista sobre a mulher, dirão desta história aqui?
      Luis Carlos Prestes tinha 54 anos, em 1950. Era poderoso, autoritário, sua decisão era lei no Partido Comunista. Ninguém ousava discutir ou contrariar sua vontade. Maria, moça comunista de apenas 19 anos - 35 anos mais jovem que Prestes - dois filhos, separada do marido, é designada pelo partido para ser segurança do Velho, no aparelho onde ele vivia clandestino em São Paulo. Maria conta:

      "Um dia, ele (Prestes) chegou pra mim  e me propôs casamento. Eu disse que ia pensar. O companheiro Giocondo Dias apareceu lá em casa. Aí eu falei pra ele: “Olha, Giocondo, o Prestes quer que eu case com ele.  Aí fomos pro escritório dele [Prestes] pra conversar. Falei: “Conversei com o Giocondo sobre o nosso relacionamento, e ele disse que a gente é quem decide. Aí o Giocondo falou: “Junta logo! É melhor...”. Aí a gente se juntou. Foi só isso. Não teve esse negócio de beijinho, abracinho, essas coisas... Só depois. Na época da clandestinidade, Prestes ficava preocupado porque eu não saía de casa pra me divertir, ir ao cinema, teatro, nem visitava minha família. Não podia. Fiquei quase 10 anos sem ver família, sem ter contato com ninguém. Quando eu apareci, meus irmãos tinham pensado que eu tinha morrido."  


http://www.revistadehistoria.com.br/secao/entrevista/guerreira-prestes

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

É verdade, nem tudo é verdade.

‎(atenção: ligar a tecla sap, é piada, ironia, pegadinha, humor negro, OK?) 

    "os agentes perceberam a manobra e conseguiram cercar o carro do Juarez, impedindo a fuga – aí ele optou pelo suicídio, cumprindo sua parte no pacto de morte que havia firmado com a companheira". 
     Suicídio?! Os milicos sempre contam esta mentira, para encobrir os assassinatos cruéis, sob torturas bárbaras e desumanas, de militantes que lutavam por liberdade e justiça. Só quem diz a verdade sobre os anos de chumbo são os próprios revolucionários da esquerda. Confere aqui " a ótica da militância". http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed671_arquivos_secretos__nem_tudo_e_verdade 

        É assim: quando os órgãos de segurança diziam que um militante tinha suicidado, a gritaria era geral: "Mentira, foi torturado e morreu". Agora, quando a esquerda informava que um dos seus tinha cometido suicídio, aí era verdade, era doação heróica da própria vida para não comprometer outros companheiros ou prejudicar a causa. Então, tá.
     Noutro trecho, o terrorista Celso Lungaretti, também da VPR, conta: um revolucionário da pesada (Wellington Moreira Diniz, alto dirigente da VPR) "teve de afastar-se da militância ativa por causa de problemas cardíacos". Ainda assim, "apesar das brutais torturas, seu coração resistiu e ele tomava fortes calmantes na prisão".
Como diria a transex Valéria, a que era Waldemar: "Tá de deboche?"

     E a conversa 'de amigos 'de Lungaretti com o tenente-coronel Ary Pereira de Carvalho, da Divisão de Infantaria, responsável pelo IPM da VPR, que (lhe)contou o ocorrido em 18/04/1970 sob a ótica da repressão? Pode?! 


sábado, 31 de dezembro de 2011

Carniceiros?! Deviam comer alface.

     

     
Começou. Na capa, o Velho comunista descansando ao sol; dentro, a lista de 233 'torturadores', coronel Brilhante Ustra encabeçando. É o Especial Prestes, publicado na primeira edição de 2012 da Revista de História da Biblioteca Nacional, financiada inteiramente com dinheiro público.  http://www.revistadehistoria.com.br/secao/na-rhbn/especial-prestes   
     Vamos ver se eu entendi. Os revolucionários de esquerda acusam a ditadura de, deliberada e sistematicamente, torturar e violar os direitos humanos. Não são abusos - dizem . É método - garantem.
    Os ditadores também reprimem e cerceam a liberdade de expressão, é outra acusação. Engraçado é que os revolucionários alardeiam os desmandos no momento mesmo em que, usando de liberdade de expressão, listam como torturadores 233 militares e civis, com nome, sobrenome, patente e função, sem que, depois, nada lhes aconteça.  Ninguém é torturado, nem por fazer a lista nem por divulgá-la na imprensa. Não é interessante esta ditadura?
 A lista dos 233 'torturadores' foi redigida em 1975, por um grupo de 35 presos políticos, que estavam cumprindo pena nas cadeias. José Genoino era um deles. Alguns jornais na época fizeram um registro do assunto,a lista foi publicada na íntegra, em 1978, no Em Tempo (jornal alternativo infestado de revolucionários de todo tipo e peça fundamental na criação do PT).
       
     Agora, me diz: como é que, no auge do poder, uma ditadura que matava e esfolava, torturava e trucidava, deixa que se publique uma lista desta natureza? Como um regime sangrento, opressivo e assassino permite a circulação de um jornal de comunistas notórios e conhecidos, que publicam uma lista com nome, sobrenome e função de torturadores que servem nos organismo da repressão e nenhum dos responsáveis pela publicação é preso, torturado, trucidado e esfolado? Mas a lista não quer provar precisamente que a repressão é um bando de carniceiros monstruosos que torturavam ouvindo música clássica?! 
     E mais: a lista tinha sido elaborada por presos políticos que estavam cumprindo pena dentro das cadeias, nas mãos dos 'carniceiros'. Ora, era só ir lá, pegar um por um e dar um 'corretivo'. A mera circulação e existência de um jornal como Em Tempo é prova de .... liberdade de expressão! Este deve ser um 'exemplum in contrarium' de que fala o professor Olavo de Carvalho.






Especial Prestes

O acervo pessoal de Luiz Carlos Prestes, que será doado por sua viúva, Maria Prestes, ao Arquivo Nacional, traz entre cartas trocadas com os filhos e a esposa, fotografias e documentos que mostram diferentes momentos da história política do Brasil



  •  Os donos do chumbo: veja a lista de 1975 com os nomes de 233 torturadores, conforme consta no relatório da IV Reunião Anual do Comitê de Solidariedade aos Revolucionários do Brasil encontrado no acervo pessoal de Luiz Carlos Prestes


  •  A viúva Maria Prestes conta as histórias de uma vida digna de roteiro de cinema, que inclui prisão, fuga, clandestinidade e, claro, amor

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

A República da Acerola

"Roberto,
     venceste. O teu relato ecomaterialista dialético de viés marxista-ornitológico é irrespondível. Gelei quando li A República da Acerola.
     Eu acuso o golpe e confesso: me rendo. O que dizer a um homem que quando olha colibris enxerga no comportamento natural de simples avezinhas a analogia com a forma medonha do egoísmo humano? Como alguém pode transferir para a natureza a face repulsiva da opressão e da exploração do homem pelo homem? O que leva um autodenominado "professor universitário, psicólogo, pedagogo e escritor" a se referir a um grupo de prosaicos passarinhos como 
'posseiros', 'latifundiários',   'opressores', 'capatazes' e 'paus-mandados" 
e ver na disputa por um pouco d'água entre pássaros a 'organização dos pequenos' , 'o pesadelo dos grandes', o 'conflito', e outros conceitos que ficariam melhor em panfletos esquerdistas de inimigos da riqueza do que em compêndios de sociologia ou em páginas líricas da literatura?
    E os entretítulos? O que é aquilo?! "A gênese do poder, A imposição do poder, A incapacidade de organização, Da incapacidade de leitura da realidade, As mudanças geradas pela opressão, A outra república"! Meu Deus! 
De onde tu tiraste os fundamentos para as tuas observações do mundo, animal?
 Fico imaginando, Roberto, como tu deves ver a "elite". O que alguém que consegue ver tanta maldade em inofensivos passarinhos sente quando vê um homem rico, de carne e osso? Que sentimentos te despertam um fazendeiro, um empresário ou comerciante, destes que arriscam  dinheiro na livre-iniciativa, produzindo, gerando empregos e concorrendo no mercado? 
Ou, por acaso, tu pensas que não existe risco no capitalismo e que ninguém perde dinheiro? Para ti, o que estes homens são?
 Proudhon acha que toda propriedade é um roubo, tu também? Tens algum respeito pela propriedade privada, incluindo a tua? Ou, no poder, tu farias degolar todos os capitalistas, qualquer um, um a um? Ora, afinal são apenas homens maus da "elite que quer se perpetuar no poder e continuar exibindo o seu poder absoluto."
    Para recordar: Lurian, a filha de Lula, viveu em Paris na casa do casal Luis Favre (ex-marido de Marta Suplicy) e Marília Andrade, filha do empreiteiro Sérgio Andrade, dono da Andrade Gutierrez. Tu sabes, só se confia a própria filha a gente muito amiga.
    Eu sei que tu deves ser leitor profundo do marxismo, mas não custa relembrar o que diz um dos mais insistentes críticos de Marx, o também marxista Robert Kurz, no livro " O Colapso da Modernização - da derrocada do socialismo de caserna à crise da economia mundial".
     "Marx nunca deixou  de ver o lado positivo, progressista, emancipatório da concorrência, chamando-o de 'missão civilizatória do capital'. Joseph Shumpeter nota, com certa surpresa, que a despeito de sua crítica aos fundamentos do capital -  e a despeito de declarar a sua sentença de morte-, Marx teria, ao fim e ao cabo, oferecido uma "descrição que, por pouco, não chega a enaltecer as conquistas do capitalismo". Na verdade, a crítica da economia política de Marx somente tem em conta a ambigüidade da dinâmica capitalista".
    Tu vês, são marxistas falando de Marx e do capitalismo. Lembra-te: na igualitária e socialista Cuba tu não poderias ter um computador. Não porque ninguém tem, mas porque o Estado diz que tu não podes ter. Fidel Castro sabe que a Internet é armamento pesado na luta pela liberdade de expressão e livre discussão de idéias.
     Para mim, socialismo e comunismo são um mal intrínseco. Basta ver a pilha de cadáveres que estas utopias produziram em menos de 100 anos, a partir da Revolução Russa: fala-se em até 75 milhões na China, mais de 30 milhões na URSS, 2 a 3 milhões no Cambodja, 100 mil em Cuba e vai por aí. 

     O comunismo matou mais do que todas as tiranias e guerras que a humanidade viu em dez mil anos de civilização. Quanto ao capitalismo, com todos as imperfeições, ainda é melhor que a matança e a miséria que o comunismo produz.
     O "mercado" é invenção humana milenar, desde que 
o homem existe ele troca coisas. Para que criar "algo novo que nunca existiu", a tal economia estatal planificada, como queria Marx? Tem mais: 'paraíso na terra' é conversa de comunista. 
      Para mim (sou católica), 'terra sem males', 'sociedade sem classes',ou 'mundo de igualdade onde corre o leite e o mel', é heresia, 'milenarismo', a Igreja Católica condena. Paraíso teve um, lá no início. O homem não quis, preferiu o conselho da serpente, ser Deus. Paraíso de novo, só na eternidade. 
    Roberto, tu és um homem perigoso. Tremo só de pensar o que tu "aprendes" observando a sociedade dos seres humanos. Sem querer, na apresentação daquele relato sensível tu te traiste e escreveste "aprendo também como os animais". Quem sou eu para discordar.
    Querendo ser original, tu mostras que não entendes nem de biologia nem de marxismo. Marx não admite fundamento ontólogico nem tampouco determinismo biológico para - digamos assim - a maldade humana. As relações são sociais. A exploração surge, no modo de produção capitalista, das contradições entre as relações de produção, os meios de produção e a força de trabalho. Para o marxismo, o homem não é, o homem faz.
    Tu certamente vais argumentar que escreveste a República da Acerola como analogia, só para comparar. O absurdo é comparar, o perigo é equiparar. É assim que tudo começa.
    Ou acaba. Afinal, equiparar homens a bichos é um dos modismos do mundo atual. Esta é a tese defendida, com sucesso, por animais como o australiano Peter Singer. Ele afirma que considerar o homem superior às outras espécies equivale a uma raça se considerar superior a outra. Daí, o especismo (uma espécie de racismo), que ele combate.
    O que Singer não diz é que ratos, gatos ou mesmo graciosos beija-flores e vivis não são pessoas.  Pessoa é substância individual de natureza racional, na definição de Boécio. O Aurélio define assim: ser ao qual se atribuem direitos e obrigações.
     No reino animal, só o homem é pessoa. Ele é o único animal que possui razão e vontade. Com a razão, ele conhece a realidade. Com a vontade, ele escolhe o certo e o errado. Por isto, o homem é o único ser que é livre.
     Tu escreveste: "Os outros passarinhos viviam privados do alimento, mas tinham a liberdade de escolha" (sic). E mais: 'eles ainda não têm domínio da sabedoria do bem comum" e "eles ainda não descobriram que a organização dos pequenos é o pesadelo dos grandes". O que isto quer dizer?  Você acredita que eles ainda terão e ainda descobrirão? Vão evoluir?


       Vê: tu dizes que sou eu a pessoa amarga. Cá prá nós, se a alternativa for a bondade e sensibilidade que tu demonstraste ao observar e aprender com um punhados de vivis e beija-flores, que Deus preserve e aumente a minha amargura.


    Que Ele te ilumine.
    Amém.


Mírian 


****************************************
      A república da acerola
               Roberto Ribeiro de Andrade

                                   
                                                     O beija-flor posseiro

Resolvi criar alguns passarinhos, soltos, a minha janela, para o descanso da tela do computador. Deu certo.
Coloquei um bebedouro com água doce e poucos dias depois, o alpendre, onde pendurei o alimento, estava sendo visitado. Um dia contei: 8 Beija-flores e 4 Vivis. O pé de acerola plantado na calçada, é o pouso da passarinhada que fica por ali entre uma e outra bicada.

A gênese do poder
Os Vivis, uns passarinhos pequenos parecidos com canários, com um  vivinar sem graça, tiveram uma fase de aprendizagem: Tentavam fazer como os Beija-flores parados no ar se alimentando. Não deu certo. Perceberam que, a vocação deles era outra. Não podiam agir como se fossem outro bicho, e descobriram que, se prendendo com as unhas nas flores artificiais, de onde se retira o líquido,  podiam sugar a água doce sem dificuldade.

Percebi que, aqueles bichinhos tinham muito a me ensinar, e passei a observá-los com mais atenção.
Como meu computador deu pane fiquei alguns dias sem observar pela janela, e na volta notei que a quantidade de passarinhos tinha diminuído. Constatei também que, o consumo da água era menor. Fiquei preocupado, pois sabia que, se a água com açúcar fermentasse com o calor, poderia provocar a morte daqueles bichinhos. Fui surpreendido, no entanto com nova descoberta: Naqueles poucos dias de ausência havia se estabelecido uma correlação de poder que, mudara toda a vida dos passarinhos. Um Beija-flor resolvera se apropriar do bebedouro. Não permitia o uso do alimento para aqueles pássaros que não lhe conviesse.

A imposição do poder
O pé de acerola havia se transformado em um assentamento dos “sem água doce”. Os Vivis ficam no pé de acerola esperando que o “Beija-flor-vigia” se ausente para invadir o bebedouro. Aquele que se aventura a tomar água na presença do “Beija-flor-latifundiário” é perseguido sem piedade. Os outros Vivis ficam parados sem ação.
Fiquei a me perguntar o porquê daquele comportamento de posse, já que o líquido era farto e a disposição de todos. Coloquei dois bebedouros para resolver o conflito. Nada. O “Beija-flor-posseiro” passou a vigiar os dois bebedouros. Aquele Beija-flor que adornou o espaço sofria (penso eu) permanecendo pregado no galho do sabugueiro o dia todo, na privação do que podia fazer. Os outros passarinhos viviam privados do alimento, mas tinham a liberdade de escolha. Toda a bicharada perdia, no entanto, desnecessariamente.

A incapacidade de organização

O “Beija-flor-proprietário” era mais bicudo e linguarudo que todos os outros, e muitas vezes perseguia também um ou outro  de sua espécie, mas o impedimento rigoroso era com os Vivis, salvo se eles se tornassem Beija-flores, ou seja, bebessem o líquido parados no ar em torno da flor de plástico. Alguns tentavam, mas quem nasce vivi nunca poderá ser Beija-flor.
Essa coisa de um fazer o jogo do outro só para receber vantagens, nunca deu certo.
Algumas vezes eu contava até quatro Vivis no pé de acerola. Imaginava que mesmo o Beija-flor sendo mais rápido, mais bicudo e mais linguarudo, os 4 bichinhos juntos poderiam ter vantagens: Enquanto uns se ocupavam do “Beija–flor-dono” os outros podiam tomar água. Depois revezariam os papéis.
Eles ainda não descobriram que, a organização dos pequenos, é o pesadelo dos grandes.

Da  incapacidade de leitura da realidade
Eles  ainda não têm domínio da sabedoria do bem comum. Pior, muitas vezes um Vivi perseguia outro Vivi, para impedir que tomasse água quando o “Beija-flor-proprietário” estava ausente, como se quisesse assumir o papel do latifundiário ausente, ou quisesse agradá-lo para merecer alguma vantagem, assim como fazem os capatazes, os paus-mandados, etc.
Daqui, do outro lado da janela, tão perto e tão distante, fico a refletir uma frase que todos nós já ouvimos: “Se eu fosse ele (o Vivi) eu faria...”, mas cada um faz o que pode e o que sabe.
Quando a gente está de longe, observando, sem o peso das circunstâncias, conhecendo parcialmente o processo, tendo o tempo e sabedoria aparente a disposição é muito fácil, o difícil mesmo é mudar apenas com as ferramentas que dispomos.

As mudanças geradas pela opressão
Tenho percebido que, ultimamente, depois que o beija-flor latifundiário passou a perseguir, os passarinhos da sua espécie, o número de beija-flores diminuiu. De vivis também. Apenas dois beija-flores persistem: um grande, do tamanho do “posseiro” e outro menor. Bem menor: tem uma cor azulada brilhante. De quando em vez ele visita a sala onde trabalho
Observei, com muita surpresa uma ação  do beija-flor pequeno: algumas vezes ele  se agarra na flor de plástico, com as unhas, como fazem os vivi, para beber.  Naturalmente não tenho uma resposta  pronta para o fato, mas se fizer uma leitura sobre o que acontece conosco teremos vários exemplos de pessoas que mudam de atitudes, naturais, diante de uma situação difícil ou constrangedora. Escolhemos, nos encolher, nos esconder ou  nos organizar com outros que sofrem da mesma imposição.
Atualmente,  o beija-flor pequeno   e ousa simultaneamente o mesmo bebedouro.


A outra república
Lembro-me do companheiro Lula, caindo no descrédito de tanta gente: não tem diploma universitário e coisas parecidas.  Sei que uma reação da elite que, está sendo ameaçada  de perpetuar no poder. Esse fato já se repetiu outras vocês, na Historia.
 Os Vivis  desorganizados,  continuam com muita dificuldade de se alimentarem, devido ao poder instituído da ave opressora. Isso  é trunfo do “Beija-flor-latifundiário.
A água continua farta. O “Beija-flor-latifundiário” é apenas um e continua exibindo seu poder absoluto  Nunca conseguirá entender que, nenhuma ave pode ser dona da fonte que pode alimentar a todos,”. mas essa ave têm o cérebro menor que um caroço de azeitona!...
http://www.coisasdepoeta.kit.net/coisasdepoeta/intro.htm




sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Betto, o amigo de Lulla

    Considerar Frei Betto um religioso acima de qualquer suspeita é ignorância ou má-fé. Ele, do ponto de vista da Igreja Católica, é um herege e excomungado, que aprova aborto e homossexualismo e declara-se socialista, ideologia incompatível com os ensinamentos do cristianismo. (Deus é o inimigo pessoal da sociedade comunista.” escreveu Vladimir Lênin,  em carta a Gorki). Além disto, Frei Betto é cúmplice de assassinos como Fidel Castro e Carlos Marighela. 
    O Manual do Guerrilheiro Urbano, que Marighela escreveu, orienta o militante a praticar o terror como arma revolucionária, admitindo até mesmo a colocação de bombas em hospitais. 
    A ALN, organização fundada por Marighela, era o ninho de cobras onde os dominicanos (Frei Betto pertenceu à ordem) se instalaram para ajudar a implantar uma ditadura comunista no Brasil.     
      Ouvir esta lorota de fé e justiça saindo da boca deste Frei Betto não vale nem como piada. Admira que um artista talentoso como Arrigo Barnabé, em seu programa Supertônica, na Rádio Cultura,  se preste a incensar um vigarista da laia do falso religioso. 
    'Ta dominado, 'tá tudo dominado. A esquerdopatia dominou a cultura brasileira.