quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

A volta para Casa

      Criei coragem e vou contar como foi a minha volta para a Casa do Pai, depois de quase quarenta anos distante de Deus. Na verdade, eu já tinha pensado em escrever relatando a minha conversão. Depois, desisti. Achei acesso - ou excesso - de vaidade, jornalista gosta de contar a história dos outros. Mas ao ler outros relatos, comoventes, considerei avareza não repartir a minha história.

    Peço generosidade e compreensão pelo meu desajeito no trato dos assuntos de Deus. Tantos anos sem rezar fez com que o coração desaprendesse a delicadeza e a reverência necessárias quando falamos das coisas "do alto". O cérebro, então, mais frio e prático, só vai aprender a ser doce com o tempo.


    Mas não posso falar mal da razão: foi também ela que devolveu-me à fé. Eu sou assim, preciso compreender, sem lacunas, "redondo", como se diz no jargão jornalístico. Só seduzem-me e convencem as grandes elaborações, os pensamentos sofisticados. O Mestre ordenou: "Ide e ensinai". Eu confesso: sou aprendiz.

    Comecei a fugir da Igreja, devagarinho, quando tinha 14 ou 15 anos. Em casa, meu pai, afastado da Igreja, nada falou. Minha mãe, católica praticante, não gostou, mas não admoestou; depois, se conformou. Menina inteligente, estudiosa, longe de ser rebelde sem causa, cometi esta rebeldia porque era moderno. No final dos anos 60 e início dos 70, o mundo estava de cabeça para baixo. 
    
    Eu morava em Brasília, e de lá assisti a guerra do Vietnã, festival de Woodstock, maio de 68 na França, morte de Guevara, Beatles, AI-5, primavera de Praga, Tropicália, festivais. Neste admirável mundo novo, soava velha esta história de Deus e pecado. Religião só se fosse a de Dom Hélder Câmara. Abaixo as carolas marchadeiras!

    Em 72, eu passei no vestibular para jornalismo na Universidade de Brasília; em julho daquele mesmo ano, saí de casa para morar numa república de estudantes. O ambiente da universidade era muito politizado, éramos todos comunistas. Tanto é que, em junho de 73, passei 11 dias no DOI-CODI, entre capuz na cabeça, interrogatórios intermináveis, ameaça (não consumada) de choque elétrico, muito medo e pouco heroísmo. 
    
    Quando saí, como boa comunista, menti e exagerei, recheando o relato da experiência com palavras fortes - 'gritos assombrosos', 'noites aterrorizantes', 'tortura desumana'. Tudo lorota.

     Depois que saí da cana é que eu soube o que eu era e onde eu estava metida: era militante e integrava uma célula da Ação Popular Marxista-Leninista do PC do B, linha maoísta, o mesmo pessoal que fazia a Guerrilha do Araguaia, a turma de José Genoíno e de Honestino Guimarães, da UNE. 
     
     Eu tinha quase 20 anos e já estava incumbida de trabalho de aliciamento e conscientização em áreas operárias na periferia de Brasília. Faltou pouco para eu 'cair' fazendo um trabalho deste. As pessoas que me aliciaram e dirigiam a célula a que eu pertencia eram 'putas velhas', como jornalistas se referem aos mais velhos e experientes da profissão. Eles sabiam que eu era 'inocente útil', que eu não tinha a menor idéia do perigo que corria. Ormai, ero carne bruciata.
     
     Naquela época, Marx explicava tudo: as razões da opressão e o caminho para a libertação. E lá ia eu, vigiada pelos "ômi", assistir às palestras de Dom Pedro Casaldáliga e Dom Tomás Balduíno. A religião era o ópio do povo, mas aqueles eram padres dos bons. Não porque eram padres, mas porque eram comunistas, graças a Deus!

    Mas nem só de pão vive o homem. Eu queria também Paz e Amor. Amor livre, claro. Para libertar nossos corpos e nossas mentes, a fórmula era conhecida: sexo, droga, rock'n roll e outros ritmos musicais alternados ou simultâneos.

    Tínhamos quase tudo: o som, o fuzil e a maconha. Mas faltava o algo mais, a espiritualidade. E, assim, num fiat lux cósmico, o raio da Nova Era iluminou a nossa existência. E foi um sem-fim de yin, yang, ioga, prana, sutra, maia e karma.


    O cardápio podia variar, mas era sempre uma combinação de certos ingredientes: um prato de arroz integral com gergelim, um baseado, sair para dançar, ir para cama com mais um ou qualquer um e cumprir o dever revolucionário de derrubar o governo.

    Quando me senti no fundo do poço e tudo ia mal - trabalho, convivência com a família, saúde etc  - eu disse 'basta, vou mudar'. Mudei. Parei de beber, de fazer sexo, recolhi-me. Mas, no lugar de voltar para Deus, fui para o analista. Da parte espiritual cuidava a macrobiótica, a que me submeti rigorosamente por sete anos. 
    
    A macrô era suficiente para dar-me Discernimento Superior e harmonizar-me com a Ordem da Natureza e ainda trazia a vantagem de reforçar a análise dialética e materialista da realidade: afinal yin-yang podia ser traduzido como capital-trabalho ou burguesia-proletariado. Perfeito!

    Eu estava com 27 anos quando, no carnaval de 1981, reencontrei em São Paulo um jovem engenheiro paulista (ex-católico, como eu) com quem eu tinha tido um "flerte" tempos antes. Neste reencontro, nós decidimos, em cinco dias, nos casar, completamente apaixonados. Transferí-me de Brasília para São Paulo e passamos a viver juntos. Sem papel e sem padre. Era um casamento moderno, baseado no princípio do prazer e na superação de resquícios da moral pequeno-burguesa.

    Como natureba, meu método de controle de natalidade era tabela e período de fertilidade. Falhou, claro, porque o desejo era maior que a preocupação com uma possível gravidez. Para mim, gravidez recente
 se resumia a um conjunto de células indiferenciadas, sem consciência ou personalidade. A ciência nos garantia isto.

     E mais: aquela não era a hora de ser mãe, eu achava que nosso relacionamento estava começando e nós podíamos ainda nos divertir muito antes de pensar em filhos. E, afinal, eu era dona do meu corpo e 'nossos corpos nos pertenciam', era o lema da liber(t)ação feminista. E foi com esta mesma forma de encarar os fatos que eu resolvi a minha segunda gravidez (que Deus me perdoe)
    
    Na terceira gravidez, resolvemos assumir e nos casamos, só no civil. Quando meu filho nasceu, troquei as laudas pelas fraldas. Para cuidar dele, larguei uma glamurosa e promissora carreira de jornalista que eu havia retomado em São Paulo com brilhantismo, depois de ter saído daquele fundo de poço e me casado. 
    
    Mas Deus continuava fora. Tanto é que não batizei meu filho. A mesma decisão foi mantida com as minhas duas filhas. Diante da insistência da minha mãe, pedi que ela mesma os batizasse. Quando tinha quatro anos, meu filho me perguntou quem era Deus. Respondi-lhe: "É o chefe do Bem".
    

    Eu penso que acabei de certa maneira criando meus filhos no espírito de que falou João Paulo II. Eu não acreditava em Deus mas vivia (quase) como se Ele existisse. Só que, em vez de religião, ética. 
    
    A crítica era à Igreja, e a visão era marxista: "ópio do povo, instrumento de opressão das classes favorecidas, ideologia mantenedora dos privilégios de classe, aliada do capital na escravização do povo" e outros blá blá blás.

    Como me distanciei da Igreja ainda adolescente, fui aos poucos desaprendendo o que sabia da vida de Jesus Cristo e da doutrina da Igreja Católica. A ponte mais próxima com a religião era a minha mãe, mas eu não encontrava nela qualquer desafio às minhas heresias e incredulidades. 

    
    (Apesar de crer incondicionalmente, minha mãe não se interessa muito em conhecer mais profundamente a doutrina cristã, diz que a Seicho-no-iê a tornou melhor católica, gosta da Igreja "alegre e moderna" e das 'missas cheias de graça' e acha que padre pop star presta serviço a Deus).

    E para meu azar,  a religião desandou numa breguice só quando neo-evangélicos, adeptos da Teologia da Prosperidade, infestaram o mundo e a televisão com aquela enxurrada de gente dando testemunho de que tinha aceitado Jesus no coração. Onde quer que eu pusesse os olhos, lá estavam as frases "Cristo salva", "Deus é fiel" e "Jesus te ama".

    O pior é que Igreja Católica, que sempre foi um reduto de decência, achou de se modernizar com o surgimento da Renovação Carismática e começou a trocar os slogans revolucionários da Teologia da Libertação - do prisioneiro político Jesus de Nazaré dos freis Boffs e  Bettos - pelos apelos do "Deus é 10 e o CD é 15".

    Quanto ao Papa Woytila, eu valorizava a sua ação política em favor dos pobres, mas achava-o retrógrado e cheio de moralismos antigos, principalmente nas questões sexuais. Já que a religião andava assim, eu preferia continuar sem transcendências, mas -  pelo menos - com um pouco de elegância e sofisticação intelectuais.

    E logo descobri o que havia de mais avançado no pensamento de esquerda no mundo: o grupo marxista alemão Krisis, liderado pelo ensaísta Robert Kurz. Este grupo, herdeiro da Escola de Frankfurt e adepto da Teoria Crítica, fundamenta a sua análise nos conceitos de forma-mercadoria e trabalho abstrato. 
    
    O pulo do gato, entretanto, era outro: ao fazer a crítica radical do sistema mundial produtor de mercadorias, Kurz e seus discípulos conseguiram realizar um verdadeiro milagre: provar que Marx estava errado e certo ao mesmo tempo!  
    
    Segundo Krisis, já não era a luta de classes que movia a História, como pregava o Marx jovem, mas as relações fetichistas, como concluía o Marx velho. Isto é que era revolução. Marx está morto, viva Marx!

    Os novos críticos apontavam o defeito iluminista de Marx em crer que a Razão faria surgir o Homem Novo. Em vez disso, o homem se tornara cada vez mais alienado, egoísta e violento, mesmo quando melhoravam as condições materiais objetivas de sua existência. Estavam aí os Estados Unidos que não os deixavam mentir.  
    
    Logo - concluíam os marxistas anti-marxistas - a solução dos problemas da humanidade teria de passar pela superação do próprio Iluminismo e sua racionalidade; de fato, o capitalismo é a mais exemplar expressão da racionalidade, o que mais se fala no capitalismo é de racionalização.

    A saída: mudar a Razão Pura em Razão Sensível, seja lá o que isto for. Como fazer a mudança, o grupo Krisis até hoje não descobriu. Ou seja: ninguém sabe.

     O meu desencanto com o marxismo foi acontecendo naturalmente. Um dia, lendo um texto do filósofo, historiador e cientista político alemão radicado nos Estados Unidos, Eric Voegelin, convenci-me de que o marxismo carecia completamente de fundamentação filosófica que o sustentasse. 


    Esta certeza se consolidou com a leitura de análises sobre a obra de Marx, principalmente a Teoria da Mais-Valia, feitas pelo economista austríaco e Ministro das Finanças, Eugen Bohm-Bawerk, no final do sec. XIX.
   

    Depois, era só ver em que tinha dado o tal do "mundo comunista". Sempre me martelava na cabeça a observação do jornalista Paulo Francis de que a Revolução Russa não podia mesmo ter dado certo. Afinal, tinha começado matando crianças - os filhos do Czar Nicolai.   

     Engraçado é que nada me fazia imaginar que eu já estava trilhando o caminho de volta a Deus. Certo dia, me caiu nas mãos um livro de um "erudito" judeu, chamado Zecharia Sitchin, que se apresentava como expert em arqueologia, História e línguas antigas (hebraico, sumério, acádio etc). Ele afirmava que as tábuas de argila encontradas na Mesopotâmia, há seis mil anos, não eram mitos, mas relatos factuais da vinda de extraterrestres de um planeta de nome Nibiru.

    Estes ETs, chamados de anunakis pelos sumérios, eram os Nefilim da Bíblia. A tradução de "caídos" era errônea: Nefilim queria dizer "os que desceram do Céu para a Terra" ou, mais precisamente, "os homens dos foguetes ou das naves espaciais". Eles teriam colonizado a Terra há 500 mil  anos, criado o Homem por manipulação genética. 
    
    A palavra Elohim, escrita no plural no Gênesis, provava que Deus eram "deuses. Estes, depois de criarem o homem pela fecundação de um óvulo de mulher-macaco e o sêmem de um "deus" anunaki, deram a civilização à raça humana. Voltariam nos próximos anos, completando mais uma órbita de 3600 anos em volta do Sol.

    A teoria era absolutamente ousada e desconcertante. Sitchin sugeria que uma Onipotência Universal poderia até existir, mas os que vieram à Terra foram chamados Deus e Anjos equivocadamente. Quem falou a Abraão e a Moisés foram estes viajantes de naves espaciais vindos de Nibiru. 
    
    Eu pensava comigo: 'então, eu posso estar certa e a religião errada; o que nós chamamos de Deus pode ser apenas um extraterrestre'. Resumindo: não havia nem metafísica nem transcendência.

    Não que histórias de ETs me arrebatassem, mas - caramba - eu também tinha lido o livro "Eram os Deuses Astronautas" na adolescência! As evidências intrigantes, as "qualificações" do autor - que incluíam até a de consultor da Nasa - e as numerosas citações de fontes acadêmicas reconhecidas (Samuel Noah Kramer, para citar só um) acabaram  levando-me a ler todos os livros de Sitchin, além de muitos outros sobre pré-história, Mesopotâmia, sumérios, babilônios, assírios, caldeus, egípcios, mitologia grega e hindu, religiões antigas etc etc.
    

    Aproveitei esta história de ET e anunaki para ler ainda, sem qualquer critério, tudo o que encontrei na Internet sobre ufologia, esoterismo, Fraternidade Branca, espiritismo, religiões orientais, calendário maia, teosofia e um sem-fim de assuntos místicos e esotéricos.

    Não foi difícil, com o volume de informação que reuni, refutar completamente a teoria maluca dos anunakis. Não tinha sido, afinal, perda de tempo, pois aprendi muito. E mais: trechos do Antigo Testamento, citados por Sitchin, começaram a me fazer pensar. Eu jamais tinha lido a Bíblia e passei a me interessar e ler sobre assunto.

    Foi, então, que um amigo emprestou-me um livro de Rudolf Steiner, de quem eu sabia apenas que era o criador das escolas Waldorf e da Antroposofia. Lembro-me que, à época, o Papa João Paulo II já estava muito doente e falava-se abertamente que ele não duraria muito. 
    
    Eu, de minha parte, mantinha o espírito crítico de velha marxista e teimava em ver a Igreja e o Papa sob o ângulo político, apontando o interesse da instituição em tirar proveito daquele martírio, transformando-o num espetáculo midiático.

    Como eu nunca tinha lido qualquer livro de Antroposofia, estranhei a observação deste amigo de que, para Steiner, o caminho era o Cristo. Era verdade, o autor mostrava Jesus Cristo como a maior dimensão de amor que se podia imaginar.


    Steiner considerava o Cristo como alguém absolutamente fundamental para a evolução espiritual do homem, o próprio Deus encarnado. Espantava-me a minha igorância sobre este Ser tão inigualável e me perguntava como é que eu nada sabia sobre Ele. E fui devorando os livros de Steiner.

     Para explicar a encarnação de Jesus Cristo, Steiner monta uma sofisticadíssima teoria que remonta à Atlântida, passa por Zaratustra, faz conexão com Hermes no Egito, engloba Moisés, Abrãao, essênios, budismo, Krishna , dois Jesus, duas Marias, dois Josés até chegar ao Mistério do Gólgota. De quebra, faz uma leitura dos Evangelhos como o mais puro e pedagógico manual de iniciação. 
    
     Ou seja: a Palavra de Deus não é mais que sabedoria oculta. Miraculosamente, cada palavra dos Evangelhos corresponde a um símbolo com significado na escrita esotérica e na sabedoria dos mistérios. Para entender Steiner, comprei a Bíblia de Jerusalém e, pela primeira vez, li os quatro Evangelhos e o Apocalipse. Steiner escreveu um livro intitulado O Quinto Evangelho (sic).

    Mesmo sendo muito fabuloso e surpreendente, Steiner parecia consistente, lógico, sofisticado e verdadeiro. Cheguei até a pensar - na minha ignorância e que Deus me perdoe - que a Igreja Católica sabia de tudo, mas não o podia revelar, pois ainda não tinha chegado a hora, o homem ainda precisaria evoluir mais para compreender esta nova revelaçao.

    De repente, me deu um estalo e eu pensei: cè qualcosa que non va. É que, para Steiner, Cristo é Deus mas também é uma entidade, um guia da evolução do homem; e Sua passagem pela Terra O teria ajudado a evoluir. Aí, eu achei demais: "Evolução, cara-pálida? Mas Ele é Deus! E Deus evolui?!"

     É claro que não foi só a minha 'exuberante e prodigiosa' capacidade intelectual que me fez compreender quem era verdadeiramente Jesus Cristo. Foi o coração que compreendeu, foi o Espírito Santo que agiu. Santo Agostinho, repetindo o salmista, escreveu " Com certeza, louvarão o Senhor os que o buscam, porque os que o buscam o encontram".

    Quando ficou claro para mim que Steiner era uma grande bazófia, lembrei-me do Pequeno Príncipe, de Saint-Exupéry, que dizia ser a linguagem uma fonte de mal-entendidos. E é verdade. Muito do que nos confunde nestes livros esotéricos são as expressões "mundos espirituais", "esferas superiores", "dimensões supra-sensíveis". 
   
    Automaticamente, nós relacionamos estes termos às coisas de Deus e dos anjos. Mas, na verdade, este é apenas o outro lado do mundo físico, sensorial e, neste outro mundo, também vivem os espíritos que "non provengono da Dio, nonostante venga utilizzato quasi sempre un linguaggio damore e di luce" ('espíritos que não procedem de Deus, ainda que seja utilizada quase sempre uma linguagem de amor e de luz'), nas palavras de um texto do Vaticano.

    E foi assim que, através de uma heresia gnóstica como a Antroposofia, eu acabei sendo levada a redescobrir Deus!

     Completamente apaixonada por Jesus Cristo, eu quis conhecê-lo. Precisava compreender para crer e crer para compreender. Para isto, fui atrás Dele no lugar certo: a Igreja Católica. Escrevi, brincando, num email  para meus irmãos:
     "Não adianta: quem entende de Deus e Jesus Cristo é a Igreja Católica. É perda de tempo ficar lendo steiners, sitchins e  blavatskis. Melhor bater na porta da firma que tem o direito de texto e imagem e é proprietária da logomarca dos dois. Afinal de contas, a empresa existe há dois mil anos, sem fechar as portas um dia sequer!" A primeira providência foi ler inteiro o documento 'Dominus Iesus'. Lá estava a confirmação da fé.

    Pode parecer, contando assim, que acreditar em Deus, para mim, é mero exercício intelectual. Mas o coração sabe que não é. Mesmo quando ainda não tinha voltado a crer, eu gostava sempre de repetir uma frase que ouvi de Leonel Brizola, quando lhe perguntaram, certa vez, se acreditava em Deus. Ele respondeu que era arrogância não acreditar em Deus. Hoje, penso que, se não temos a pureza de coração para simplesmente crer, a razão acabará por nos levar inexoravelmente à Verdade.

    Como me parece hoje absurdo não crer! Para mim, é impossível alguém conhecer a Verdade e não se deixar comover pelo amor de Deus por sua criatura nem se maravilhar com a perfeição e sabedoria do plano divino! Como pude viver tanto tempo sem a amizade de Deus!

    Acho que o momento definitivo da minha volta para Deus foi aquele em que ouvi pela televisão o anúncio da morte do Papa Woytila; profundamente comovida e chorando, disse para o meu marido: "Este homem está há 25 anos tomando conta de nós". Falo sempre que a minha conversão foi o último milagre de João Paulo II.

    Ainda durante o conclave, comecei a conhecer o pensamento e a atuação do cardeal Ratzinger, e torci para que ele fosse o novo Papa. Nunca vou esquecer as suas primeiras palavras já escolhido para ser o sucessor de Pedro: "sono un semplice e umile lavoratore della vigna del Signore"('sou um simples humilde e trabalhador da vinha do Senhor'). 
    
    São Bento será, com certeza, o meu santo protetor, pois, além de ser o nome do novo papa, a minha primeira confissão e comunhão, depois de quase 40 anos de escuridão, eu fiz na Paróquia São Bento do Morumbi,  onde moro. Que Deus ajude o Papa Bento XVI a recuperar a Igreja eterna que tantas deformações tem sofrido nos últimos anos. Que minha família O (re)encontre e que Ele nos abençõe a todos.

     *Este texto integral foi publicado, pela primeira vez,  no site católico Associação Cultural Montfort, em outubro de 2005. Mais tarde, eu o reescrevi recompondo a verdade.http://www.montfort.org.br/index.php?secao=cartas&subsecao=apoio&artigo=20051015183526&lang=bra


terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Padres pedófilos: quantos?

      Existem padres pedófilos. Ponto. É gravíssimo. Ponto. Mas números, ainda que não sejam suficientes, são necessários. No Brasil, eles não existem. Nos EUA, a John Jay College of Criminal Justice da City University of New York, que não é católica e é unanimemente reconhecida como a mais autorizada instituição acadêmica americana em matéria de criminologia, apurou que, em 42 anos, 4392 sacerdotes - entre 109 mil - foram acusados de relação com menores.
     Pouco mais de uma centena foram condenados por tribunais civis. Algumas acusações eram falsas, outras prescreveram, 80% eram relações consensuais com moças de 16 ou 17 anos. 

 Relação sexual de um padre com uma moça de 17 anos não é bonito, mas não é pedofilia. Nos EUA, em 42 anos, os padres acusados de efetiva pedofilia foram 958, em 42 anos, 18 por ano. As últimas estatísticas são de 2002, mas a John Jay College já apontava ‘notável declínio’ em 2000.
     Mais: muitos dos casos de 250 abusos sexuais denunciados no famoso Caso Ryan, sempre relacionados à Igreja Catolica pela mídia, não foram cometidos por sacerdotes, religiosos ou religiosas. Na Irlanda, as denúncias de abusos a menores são, em muitos casos, o uso de meios violentos e excessivos de punição física, alguns deles cometidos há mais de 30 anos.

     Philip Jenkis, professor de História e Justiça Criminal e estudioso das religiões, informa que, nos EUA, a presença de pedófilos é, de acordo com as próprias denominações protestantes, de duas a dez vezes mais alta entre os pastores protestantes em comparação com os padres católicos.
     Isto mostra que a questão não é o celibato, a maioria dos pastores protestantes é casada. No mesmo período em que uma centena de padres eram condenados por abuso sexual contra menores, o número de professores de ginástica e treinadores de quadras esportivas juvenis - maioria casada- julgados culpados pelos mesmos crimes nos tribunais americanos ultrapassava seis mil.




  1. PS:os dados dos meus comentários estão no texto abaixo (em italiano):

sábado, 3 de dezembro de 2011

Arapuca 1

        A legenda da foto da revista Época * está induzindo todo mundo a erro, fazendo pensar que aquela Dilma ali mostrada foi torturada durante 22 dias e, no 23º dia, ela teria sido fotografada, sentada para interrogatório na Justiça Militar. Daí, as alegações sobre a falsidade das torturas, pois ela não apresentaria sinais e marcas evidentes de quem sofreu violência física cruel recente. Não é por aí.
        A foto é de novembro/70, Dilma foi presa em janeiro/70. Há um período de aproximadamente 10 meses separando os dois fatos. Os defensores da 'verdade' podem alegar que dez meses são suficientes para que as marcas de tortura desaparecessem. É razoável.
 Não se pode cair de novo na mesma arapuca. Os esquerdistas, petelhos e agregados vão deitar e rolar, como o fizeram em 2009 com a ficha criminal da pré-candidata à Presidência, Dilma Rousseff, que a Folha publicou. Era falsa. A maioria das informações referia-se a Dulce Maia,  militante  da VPR que participou do atentado a um quartel em São Paulo, matando o soldado Mario Klozel.
       Muito mais reveladora que a foto da revista Época é a afirmação de Natael Custódio (é caminhoneiro hoje aí em Londrina). Ele tinha um 'ponto' com Dilma, no dia 20 de janeiro, quatro dias depois que a presidanta tinha 'caído'. Ela levou a polícia ao encontro e Natael, não sabendo de nada, foi preso.
       Ora, o que se sabe é que na OBAN o pau comia firme assim que o militante caía exatamente para ele abrir o(s) 'ponto'(s) no menor tempo possível; a falta ao encontro alertaria os militantes para a queda do 'cumpanhero', dando tempo para que escapassem. 
      Se Dilma foi levado ao 'ponto' (um encontro marcado na rua, por segurança) é porque não devia estar arrebentada. Uma pessoa que foi 'barbaramente torturada' durante quatro dias para abrir o bico não vai aparecer andando no meio da rua, sem chamar a atenção. Ou seja,  será que Dilma 'cantou' rápido demais? Ela mesma gosta de repetir que levou muita palmatória na sola dos pés. E saiu andando pela rua?!


*http://revistaepoca.globo.com/Brasil/noticia/2011/12/foto-inedita-mostra-dilma-em-interrogatorio-em-1970.html

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

A verdade: eles mentiram.

      ‎"É aí que a AP faz a opção pela resistência armada, neste encontro em 65 - embora criticando uma perspectiva foquista, mas já com preparação militar: preparação de quadros, reunião de recursos, de armas etc."
      A confissão do jornalista Duarte Pereira, no documentário "Resistir é preciso', do Intituto Vladimir Herzog, no início de 2011, desmente a lorota de que a esquerda só pegou em armas por ser a única alternativa para combater a ditadura depois do endurecimento em 68, com a edição do AI-5. Hoje, a esquerda no poder não se preocupa em esconder o fato. Antes, orgulha-se disto. Duarte Pereira é um deles:
‎      "Valeu a pena, eu não me arrependo de nada. Só faria melhor".


http://www.youtube.com/watch?v=Ls6FYTqDG_c

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

O inferno não é aqui.

     Tem gente que não acredita em Deus nem no inferno. Como elas resolvem a questão da liberdade e da justiça?  Se um livremente decidisse, sem remorso ou arrependimento, fazer somente o mal  a si próprio e ao outro, e se a justiça humana nunca o alcançasse, não seria injusto que a pessoa morresse e simplesmente virasse nada, sem qualquer responsabilidade ou conseqüencia? 
    A ser assim, a 'natureza', regida pelas leis da evolução (dizem os evolucionistas), premiaria a impunidade total, absoluta, eterna. 'Evolução' implica  mudança para melhor, em direção à perfeição. Os ateus evolucionistas devem achar a impunidade eterna uma idéia evoluída, a caminho da perfeição.
 Por outro lado, alguém que livremente escolheu servir ao Mal em vida, sem qualquer arrependimento,  bem merece continuar a fazê-lo depois da morte. Seria um 'prêmio' e o respeito absoluto pela liberdade humana de escolher entre o Bem e o Mal. A liberdade eterna. 
Isto é o inferno: é a escolha livre pelo Mal, o 'não' irrevogável ao Bem.
Esta é uma idéia perfeita. Divina.

sábado, 15 de outubro de 2011

Paulo Freire, não! Tereza de Ávila.

    
Paulo Freire não foi capaz de alfabetizar a própria mulher e é considerado o maior pedagogo brasileiro! Melhor a educação brasileira mudar de patrono, ficar com Tereza d'Ávila, santa e Doutoura da Igreja, o que não é pouco. Não por coincidência, o dia 15 de outubro,  dedicado à Santa Tereza, é o Dia do Professor.
    Enquanto o Brasil não extirpar esta praga de esquerdismo, que fez de nossas escolas madrassas para a formação de militantes programados para 'transformar o mundo' (em quê?), o Brasil vai continuar nos últimos lugares nas avaliações internacionais de qualidade de ensino. Podemos saber se o ensino é bom pelo seu resultado. Há 50 anos, qualquer aluno egresso da escola pública escrevia de forma irretocável e lia qualquer clássico da literatura.
    E hoje? Em vez de ensinar a ler e escrever, professores (analfabetos, eles próprios, em grande número) querem 'formar cidadãos'. Para votar no PT, isto sim!A Constituição garante ao aluno o direito ao ensino plural e o acesso a todas as correntes de idéias. "Numa sociedade livre, as escolas deveriam funcionar como centros de produção e difusão do conhecimento, abertos às mais diversas perspectivas de investigação e capazes, por isso, de refletir, com neutralidade e equilíbrio, os infinitos matizes da realidade."
    O site Escola Sem Partido dá conta da tragédia brasileira. Todo professor decente deveria ler e conhecer o que lá está denunciado.
http://www.escolasempartido.org/?id

sábado, 10 de setembro de 2011

Marxismo e modernidade: a destruição da alma humana


"Os homens fazem a sua própria História, mas não a fazem como querem, não a fazem sob circunstâncias de sua escolha..." (Karl Marx). Em Marx, a transformação do mundo implica a destruição de toda a ordem passada e a criação de "algo que jamais existiu".

Para entender a visão da História que a frase propõe é preciso lê-la inteira, em seu contexto, no livro de Marx 'O  Dezoito Brumário de Louis Bonaparte.'
        Nele,  o pai do comunismo analisa a Revolução de 1848, na Europa: "Os homens fazem a sua própria história, mas não a fazem como querem; não a fazem sob circustâncias de sua escolha,  mas sob aquelas circunstâncias com que se defrontam diretamente, legadas e transmitidas pelo passado".*
       Marx afirma claramente:"As revoluções anteriores tiveram de lançar mão de reminiscências  da história universaL para se iludirem quanto ao próprio conteúdo , mas a revolução social do século XIX  não pode iniciar a sua tarefa enquanto não se despojar de toda veneração supersticiosa perante o passado. A revolução(...) não pode tirar sua poesia do passado, e sim do futuro".                        
       Para o pai do materialismo histórico, o passado (ou melhor, a  tradição de todas as gerações mortas) "oprime o cérebro dos vivos como um pesadelo". Em  Marx, atransformação do mundo implica a destruição de toda a ordem passada e a criação de "algo que jamais existiu". 
      A implantação do mundo novo - ou seja, da sociedade comunista, sem classes - impõe, inevitavelmente, uma ruptura total com o passado. No nosso caso, com toda a tradição que fundamenta a civilização ocidental cristã. Mas, que mundo é este em que teremos de negar e destruir tudo o que somos? Por que destruir a herança cultural da filosofia grega, do direito romano e da moral judaico-cristã? Nós, ocidentais, somos isto! 
       Imaginando que Marx (ainda) não é Deus, ele não pode - nem ninguém pode mudar a constituição íntima da matéria nem provocar uma mutação radical do genoma humano, transformando o mundo e o homem em "algo que jamais existiu" .
         Logo, se a transformação não é a do mundo físico, terá de ser a da alma humana (chamada por Marx consciência e determinada pela esfera econômica da vida). Quando o homem transformar a sua alma (ou consciência), depois da aniquilação da sociedade de classes,  então Marx será Deus.
*(Os itálicos são meus). 

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Faz as contas.


Apareceu mais um 'cole isto no seu mural" (ai, ai, ai) :
"A sociedade não está preparada para ver um beijo gay, mas está preparada para ver um gay morrer a pontapés em horário nobre. Parabéns Globo!"  Se você é contra essa atitude homofóbica , cole isto em seu mural!!!"



    • Eu digo: ninguém deve morrer a pontapés em horário nobre. Nenhum homossexual deve ser discriminado injustamente por ser homossexual. Daí, a alardear a existência de cruzada homofóbica assassina no Brasil, ma va! Quase 50 mil pessoas são assassinados no Brasil anualmente. Os próprios militantes gays dizem que homossexuais assassinados a cada ano são cerca de 200. Mas se os gays são 15% da população, deveriam ser 7.500 homossexuais assassinados por ano. São menos de 200! Cadê a homofobia assassina? E tem um detalhe: uma parcela dos gays é morta por parceiros gays. É crime de homofobia também? E nem todos os homossexuais assassinados o são por sua condição homossexual. Sobre o beijo gay na tevê, Aguinaldo Silva (que é homossexual) fez uma enquete em seu blog e 75% das pessoas votaram contra o beijo gay na TV. Todas as pesquisas indicam: o brasileiro é conservador e a esmagadora maioria tem alguma restrição ao homossexualismo por motivos variados (acham errado, moralmente condenável, socialmente pernicioso, inadequado, não gostariam de ter filho gay etc). Apenas uma parcela insignificante aprova violência contra gays. Mas a lei já protege todas as pessoas contra a violência. Quem praticar violência contra qualquer pessoa, tem de ser punido. A lei o diz. Por que uma lei só para homossexuais? Eles não são uma classe especial.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

FARC / PCC / CV / PT: um por todos, todos por um.

      O PCC é aliado das Farc's; as Farc's são aliadas do PT no Foro de São Paulo; o PT está no poder; logo, as Farc's e seu aliado, o PCC, têm a proteção e o apoio do governo para dominar o país pelo terror e violência. 
      Dos quase 50 mil homicídios registrados no país anualmente, mais da metade estão relacionados ao tráfico de drogas, fornecidas pelas Farc's ao PCC (e Comando Vermelho). Para resumir: o governo petista tem as mãos sujas de sangue e não está nem aí. Simples assim.
      
Para lembrar: Fernandinho Beira-Mar foi preso, em 2002, na Colômbia numa área controlada pelas Farc's, que forneciam cocaína ao traficante em troca de armas. Desde 1993 que os órgãos policiais sabem do 'acordo comercial' entre o PCC e o Comando Vermelho, ambos parceiros das Farc's. 


      Em 2005, a interceptação de ligações telefônicas levou a polícia a descobrir um plano conjunto do CV / PCC / Farc para resgatar Beira-Mar, que estava preso à época na sede da Polícia Federal em Santa Catarina. Hoje, Fernandinho Beira Mar é um arquivo vivo. Sabe de todas as ligações do PT com as Farc's. É mantido sob proteção rigorosa e é intocável exatamente porque sabe demais.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Pedagogia do comprimido.

      Eu pedi a uma revolucionária e pedagoga paulofreiriana para explicar a Pedagogia do Oprimido. Eu esperava uma abordagem que contemplasse a esfera pedagógica, por supuesto. Para meu espantoiluminada, no lugar da pedagogia, acabou por ruminar uma explicação que fazia lembrar, remotamente, a psicologia. 


    Com sintaxe indigente e vocabulário restrito, a discípula de Paulo Freire disse-me que opressão é a pessoa não fazer o que ela quer ou não ter aquilo que deseja. 
  
    Perguntei se ter vontade de degolar alguém e deixar de fazê-lo por medo das conseqüências ou por ser moralmente condenável era uma 'opressão'. A revolucionária respondeu que sim (na verdade, ela confundiu opressão com repressão).
     
    No embalo e, por raciocínio lógico, eu concluí: "A opressão é uma coisa boa, neste caso". Ela não concordou. A 'opressão'não foi boa para quem teve a vontade 'oprimida'. Para a pedagoga paulofreiriana, não realizar um desejo (de degolar o outro) é ruim para a pessoa que se 'oprimiu'. 


     Eu insisti: "Mas controlar um impulso, refrear uma paixão, reprimir uma vontade assassina é ruim para quem o faz?! Não há julgamento moral? Isto não é bom também para quem sentiu a vontade de degolar o outro e não o fez?".
      

     A moça continuou defendendo a tese de que a 'opressão' é sempre ruim. Eu lhe disse que isto era sociopatia delirante e que  a mentalidade revolucionária é sociopata. Ela fez cara de paisagem. 


     Quem confunde opressão com repressão, não vai mesmo saber o que é sociopatiaGente assim, nem Lexotan com Rohypnol.

domingo, 5 de junho de 2011

A verdade: eu menti.

  (Ao confessar ter
 mentido sobre torturas que
 eu inventei eu não quero fazer de
 conta que ninguém foi torturado
 no Brasil. Ao contrário. Mentir, 
 neste caso, é escarnecer de 
 quem padeceu e experimentou na
 própria carne o horror do
 suplício. E foram muitos.
 Mas não foram tantos 
 e nem foram todos. )                                                                                                                                                         

     Eu, de minha parte, vou dar uma contribuição à Comissão da Verdade, e contar tudo: eu era uma subversivazinha medíocre e, tão logo fui aliciada, já caí (jargão entre militantes para quem foi preso), com as mãos cheias de material comprometedor.      
       Despreparada e festiva, eu não tivera nem o cuidado de esconder os exemplares  d'A Classe Operária, o jornal da organização clandestina a que eu pertencia (PC do B/AP-ML/, linha maoísta, a mesma que fazia a Guerrilha do Araguaia, no Pará). Não houve filiação formal, mas eu estava dentro, era assim que eu sentia.
      Os jornais estavam enfiados no meio dos meus livros numa estante, daquelas improvisadas, de tijolos e tábuas, que existiam em todas as repúblicas de estudantes, em Brasília naquele ano de 1973. 
       Já relatei o que eu fazia como militante *(ler texto no link abaixo). Quase nada. A minha verdadeira ação revolucionária foi outra, esta sim, competente, profícua, sistemática: MENTI DESCARADAMENTE DURANTE QUASE 40 ANOS! (O primeiro texto falava em 30 anos. Eu fui fazer as contas, são quase 40 anos, desde que comecei a mentir sobre os 'maus tratos'. Façam as contas, fui presa em 20 de junho de 73. Em 2013, terão se passado 40 anos.)
       Repeti e escrevi a mentira de que eu tinha tomado choques elétricos (por pudor, limitei-me a dizer que foram poucos, é verdade), que me deram socos e empurrões, interrogaram-me com luzes fortes, que me ameaçaram de estupro quando voltava à noite dos interrogatórios no DOI-CODI para o PIC e que eu passava noites ouvindo "gritos assombrosos" de outros presos sendo torturados (aconteceu uma única vez, por pouquíssimos segundos: ouvi gritos e alguém me disse que era minha irmã sendo torturada. Os gritos cessaram - achei, depois, que fosse gravação - e minha irmã, que também tinha sido presa, não teve um único fio de cabelo tocado). 
      Eu também menti dizendo que meus algozesdiversas vezes, se divertiam jogando-me escada abaixo, e, quando eu achava que ia rolar pelos degraus, alguém me amparava (inventei um 'trauma de escadas", imagina). A verdade: certa vez, ao descer as escadas até a garagem no subsolo do Ministério do Exército, na Esplanada dos Ministérios, onde éramos interrogados, alguém me desequilibrou e outro me segurou, antes que eu caísse. 
      Quanto aos 'socos e empurrões' de que eu dizia ter sido alvo durante os dias de prisão, não houve violência que chegasse a machucar; nada mais que um gesto irritado de qualquer dos inquisidores; afinal, eu os levava à loucura, com meu enrolation. Eu sou rápida no raciocínio, sei manipular as palavras, domino a arte de florear o discurso. Um deles repetia sempre: "Você é muito inteligente. Já contou o pré-primário. Agora, senta e escreve o resto". 
      Quem, durante todos estes anos, tenha me ouvido relatar aqueles 10 dias em que estive presa, tinha o dever de carimbar a minha testa com a marca de "vítima da repressão". A impressão, pelo relato, é de que aquilo deve ter sido um calvário tão doloroso que valeria uma nota preta hoje, os beneficiados com as indenizações da Comissão da Anistia sabem do que eu estou falando. Havia, sim, ameaças, gritos, interrogatórios intermináveis e, principalmente, muito medo (meu, claro).
       Torturada?! Eu?! Ma va! As palmadas que dei em meus filhos podem ser consideradas 'tortura inumana' se comparadas ao que (não) sofri nas mãos dos agentes do DOI-CODI. 
Que teve gente que padeceu, é claro que teve.  Mas alguém acha que todos nós - a raia miúda - que saíamos da cadeia contando que tínhamos sido 'barbaramente torturados' falávamos a verdade?
      Não, não é verdade. A maioria destas 'barbaridades e torturas' era pura mentira! Por Deus, nós sabemos disto! 
Ninguém apresentava a marca de um beliscão no corpo. Éramos 'barbaramente torturados' e ninguém tinha uma única mancha roxa para mostrar! Sei, técnica de torturadores. Não, técnica de 'torturado', ou seja, mentira. Mário Lago, comunista até a morte, ensinava: "quando sair da cadeia, diga que foi torturado. Sempre."

      A frase de Mário Lago é citada pelo coronel Brilhante Ustra, em entrevista à Rede Genesis (NET/Canal 26, em 2008)**, e num artigo do 
ex-ministro, governador e senador Jarbas Passarinho, publicado no Correio Braziliense, em 2006. ***      

    Na verdade, a pior coisa que podia nos acontecer naqueles "anos de chumbo" era não ser preso(sic). Como assim todo mundo ia preso e nós não? Ser preso dava currículo, demonstrava que éramos da pesada, revolucionários perigosos, ameaça ao regime, comunistas de verdade! Sair dizendo que tínhamos apanhado, então! Mártires, heróis, cabras bons.
       Vaidade e mau-caratismo puros, só isto. Nós saíamos com a aura de hérois e a ditadura com a marca da violência e arbítrio. Era mentira? Era, mas, para um revolucionário comunista, a verdade é um conceito burguês, Lênin já tinha nos ensinado o que fazer. 
       E o que era melhor: dizer que tínhamos sido torturados escondia as patifarias e 'amarelões' que nos acometiam quando ficávamos cara a cara com os "ômi". Com esta raia miúda que nós éramos, não precisava bater. Era só ameaçar, a gente abria o bico rapidinho.
      Quando um dia, durante um interrogatório, perguntaram-me  se eu queria conhecer a 'marieta', pensei que fosse uma torturadora braba. Mas era choque elétrico (parece que 'marieta' era uma corruptela de 'maritaca', nome que se dava à maquininha usada para dar choque elétrico). Eu não a quis conhecer. Abri o bico, de novo.
 
      Relembrar estes fatos está sendo frutífero. Criei coragem e comecei a ler um livro que tenho desde 2009 (é mais um que eu ainda não tinha lido): "A Verdade Sufocada - A história que a esquerda não quer que o Brasil conheça", escrito pelo coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra. Editora Ser, publicado em 2007. Serão quase 600 páginas de 'verdade sufocada"? Vou conferir.

PS: li o livro, tem muita informação relevante, no sentido jornalístico/histórico. Nem tudo o que se falou sobre Ustra é rigorosamente verdade, mas ninguém dirige um órgão de repressão da ferocidade do DOI-CODI naquele anos de chumbo sem saber e permitir(d)as violações aos direitos humanos que ali aconteciam. Pelo volume e contundência dos depoimentos, Ustra sabia, permitia e colocava a mão na massa. Continuo defendendo meu ponto de vista: o Estado não tem o direito de torturar ninguém.

*     
http://blogdemirianmacedo.blogspot.com/2011/03/sobre-honestino-guimaraes-odemocrata.html

terça-feira, 29 de março de 2011

Honestino Guimarães, o "democrata"


      
     Meu compromisso é com a verdade, eu não discuto com a realidade, eu a aceito assim como ela se me apresenta. As coisas são como são. 

     Vou contar uma experiência pessoal, com a ressalva de que eu era uma 'inocente inútil', sem qualquer importância como quadro revolucionário. 
      
     Eu caí em junho de 1973, numa operação-arrastão em que foram presos 33 alunos da Universidade de Brasília.(Soubemos que foram presas 150 pessoas no total, a operação não se limitou à universidade). Isto foi pouco antes da prisão de Honestino Guimarães (ele foi visto pela última vez, em setembro daquele ano.
      

     Eu fazia parte de uma célula - vim a saber com mais detalhes tempos depois - do PC do B/AP-ML (Ação Popular Marxista Leninista), a mesma organização de Honestino Guimarães, que eu não conheci pessoalmente.  Na época, estas organizações enfrentavam o Exército Brasileiro, na Guerrilha do Araguaia. Na verdade, quando fui presa, eu nem sabia direito a que eu estava ligada, o segredo fazia parte das normas da casa. Se alguém caíssse...
      
     Foi no colegial (no meu tempo, chamava-se 'científico) que eu fui seduzida pela e para a revolução socialista. Uma colega da escola tinha amigos que eram presos políticos, gente que tinha participado da luta armada naquele final dos anos 60. 

     A imagem deles era de revolucionários de fibra, a quem a tortura não tinha quebrado o ânimo de implantar no Brasil a ditadura do proletariado. A palavra mágica era proletariado  (ninguém sabia direito o que significava; o mesmo acontecia com campesinato, massabíamos o que era operário e camponês. Era o povo explorado!)        
      
     Quando entrei na Universidade de Brasília, em 72, eu estava pronta, era só aliciar. E fui imediatamente aliciada. Durante alguns meses, eu recebi aulas de doutrinação marxista em reuniões com militantes que eram meus colegas na Universidade de Brasília. As discussões eram em casa ou no campus da UnB.
     

     Com o passar do tempo, teve até reunião secreta, cercada de rigorosas normas de segurança: trocar de táxi várias vezes, não pronunciar o próprio nome, nem dos outros conhecidos presentes, estas coisas. Lembro-me que eu não contava nem para o namorado ou gente da família o que fazia nem aonde ia.
      

     Nesta época, eu comecei a manter contato com militantes que não eram estudantes, era gente mais velha, que tinha nitidamente a função de aprofundar os compromissos com a organização e distribuir tarefas. Eu percebia que já havia um upgrade na conversa, tinha passado a fase do lero-lero teórico, a próxima fase era da praxis.
     
     Com quase 20 anos anos, participar da 'revolução' era o máximo. E assim, passada a fase de aliciamento e doutrinação, eu ia finalmente experimentar, ver de perto, o que era a praxis: fui  escalada para trabalhos com a 'massa', na periferia do Distrito Federal. Acabei sendo presa antes, graças a Deus(sic).
     
     Eu cheguei a visitar um tal 'círculo operário', em Taguatinga, nos arredores de Brasília. Até estranhei, o lugar mais parecia uma associação comunitária assistencial, acho que estavam testando a minha disposição de 'ir à luta".
      
     As análises do 'momento histórico', nestas reuniões de doutrinação de que eu participei, tinham enfoque nitidamente revolucionário. A proposta era de destruição do Estado burguês capitalista, instalação da ditadura do proletariado/campesinato (a APML era maoísta) e nenhuma negociação com a velha ordem burguesa.
     
     Usar os instrumentos da democracia, como eleições, liberdade de imprensa, aparato jurídico, habeas corpus etc - para permitir e acelerar a tomada do poder para a implantação do comunismo - era um dever do militante revolucionário. 
      
     Marx e Lênin nos explicavam que 'liberdades democráticas' eram apenas instrumentos da burguesia para oprimir o verdadeiro sujeito da História: o povo trabalhador.
      

     A instalação de uma ditadura comunista era a proposta de todos os grupos de luta armada no Brasil, àquela altura. E também de grande parte da esquerda não engajada diretamente nas organizações. Admitamos e confessemos:todos nós sonhávamos com o comunismo. 
       
     A fórmula era (e ainda é) esta: a vanguarda revolucionária luta para tomar o poder, que será concentrado em suas mãos para que ela faça as modificações que achar necessárias à transformação radical da vida humana e do mundo.
  
     E, por lutar para concretizar tão nobre (e hipótetico) futuro, o revolucionário está acima de qualquer julgamento da espécie humana. No final, a História o absolverá.
     
      Esta é a essência da mentalidade revolucionária até hoje. Esta é a verdadeiro ideologia que a organização a que pertencia Honestino Guimarães professava. Não sou eu que quer assim. É assim, foi assim. Honestino Guimarães falava em democracia apenas como cortina de fumaça para seus verdadeiros objetivos. Era um instrumento na luta  para se implantar a ditadura comunista.
     
      As provas documentais de que esta é a verdade estão à disposição de quantos queiram conhecê-la(s). Existem dezenas de páginas só de fontes primárias sobre o assunto. 
      
     Se Honestino Guimarães é herói de tantos que o cultuam como 'o mártir que a ditadura militar assassinou', nada tenho a ver com escolhas pessoais. O meu assunto é outro. Eu estou interessada na verdade. A ditadura o matou, mas Honestino não deu sua vida pela democracia.
      

     À parte isto, eu repito: é inegociável a condenação incondicional da tortura, da violência e do desrespeito aos direitos humanos de militantes da esquerda. O Estado não pode torturar, matar e desaparecer com um único cidadão.
*****************************************************************************

terça-feira, 1 de julho de 2014


Obrigada, Sílvio Grimaldo

          A confissão da mentira de que eu tinha sido torturada, ao ser presa em 1973, só 'bombou' graças a Sílvio Grimaldo. Foi ele que descobriu e divulgou o relato A verdade: eu menti*, que eu tinha escrito e publicado cinco meses antes em meu blog (que, a bem da verdade, ninguém lia, nem meus próprios filhos). 

         Dizer que tinha sido torturada era uma mentira 'quase' doméstica, que eu comecei a contar algum tempo depois da prisão, uma patifaria que eu cometia posando de heroína, primeiro, para alguns amigos, depois para meus filhos. Era sempre aquela coisa vaga sobre ser 'torturada', sem esclarecer demais, nem pesar muito nas tintas, apenas colhendo os louros do vitimismo. 

        Mas era uma chaga, eu sabia que era mentira. O pior dia foi quando minha filha chegou da escola, contando, orgulhosa, que seus colegas, numa aula sobre os 'anos de chumbo', ficaram sabendo por ela que sua mãe tinha 'sido torturada'. Arrepiei. Este veneno lançado na cabeça de jovens era muito mais perverso do que entrevistas (não) dadas a jornais ou à televisão.

       Eu já tinha confessado este pecado ao padre, mas, quando ouvi o relato de minha filha, decidi assumir a responsabilidade e colocar a confissão no papel. Escrevi um texto rápido, sem pensar demais, como se fosse um desabafo feito no diário que se guarda na gaveta. 

        Nunca poderia imaginar que alguém fosse se interessar por isto. Até que Sílvio Grimaldo, certo dia, zapeando pelo blog, encontrou o texto e fez-me ver a importância de ser divulgado. Pelo resultado, só tenho a agradecer a Sílvio e a todos que viram na confissão um ato de coragem e honestidade.







sexta-feira, 3 de junho de 2011

Ratos e homens

      Mesmo pessoas brilhantes caem na armadilha boboca de defender 'politicamente correta' proibição do uso de animais como cobaias em pesquisas científicas. Pior e mais grave ainda, estas pessoas misturam o uso das cobaias com os maus-tratos a elas infligidos. Sobre os maus-tratos e sofrimentos desnecessários, eu fecho: sou contra. Aliás, a proibição já está na lei, existem punições previstas para os casos em que fique provado que houve abuso.
     Por outro lado, defender a proibição do uso de cobaias porque animais são eventualmente maltratados equivale a pedir a extinção das prisões e delegacias porque existe abuso e violência policial nestes locais. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. O que  precisa ser combatido é o desrespeito aos direitos humanos. Manter bandidos na cadeia é dever de justiça.
     Vamos deixar claro: o uso de cobaias não é, como se quer fazer crer, um  "assunto polêmico". Seria polêmico se os que defendem e os que combatem o uso das cobaias tivessem argumentos igualmente sólidos e bem fundamentados. Não é o caso.
    O homem usa cobaias não para fazer o animal sofrer, mas para salvar a vida de outros homens. O sofrimento do animal, no caso, é um mal relativo, equivalente ao sofrimento a que o próprio ser humano se submete para salvar o bem maior, que é a sua vida. Décadas atrás, o tratamento com a quimioterapia era, na maioria das vezes, tão letal quanto o próprio câncer, e os pacientes, ainda assim, se submetiam a ele. 
    Quando tomamos um antibiótico também nos prejudicamos, destruindo parte de nossas defesas imunológicas. Fazemos isto, e isto não é imoral. É necessário. A mãe de uma criança que a castiga, batendo em sua mão, por ter roubado um doce, sem pagar, no supermercado, faz um ato de ódio relativo (faz doer a mão do filho) com amor absoluto, porque deseja para ele a virtude da honestidade.
    Também fazer uma operação do coração é algo terrivelmente ruim se comparado com a saúde. Mas a morte é um mal pior ainda que a operação do coração. A operação do coração pode ser um mal necessário. Comparado com a saúde, a operação é um mal. Comparada com a morte, a operação é um bem. Assim também a guerra: ela é, por vezes, um mal necessário, para evitar um mal ainda maior. Eu me alistaria para lutar contra Hitler.
    A propósito da 'maldade' dos pesquisadores com os pobres bichinhos: não é contraditório que seres humanos tão malvados tenham criado a veterinária, que é precisamente o ramo da ciência que visa melhorar a qualidade de vida dos animais? E como é que se testam os tratamentos e medicamentos destinados aos animais? Usando os próprios animais como cobaias. 

     Ora, se é lícito e legítimo usar animais em pesquisas que buscam salvar as suas vidas, não seria lícito e legítimo usar cobaias para salvar vidas humanas? Ou deveríamos utilizar cobaias humanas para testar também remédios de uso veterinário? Vai ver aqueles que combatem o uso de animais como cobaias acham que sim.
     Aliás, ninguém se lembrou de perguntar a estes seres humanos tão bonzinhos se eles acham injusto matar ratos para livrar a humanidade da peste bubônica. Afinal, o rato sofrerá, em decorrência da ação do veneno sobre o seu organismo.
    Equiparar homens a ratos é uma das sandices defendidas por gente da laia do australiano Peter Singer. Este 'animal' (isto, sim, é o que ele é!) afirma que considerar o homem uma espécie superior às outras  equivale a uma raça se considerar superior a outra, o que seria racismo.  Daí, o especismo, que ele combate. 
    O que Singer não diz é que  ratos e gatos não são pessoas.  Pessoa é "uma substância individual de natureza racional", na definição de Boécio. O Aurélio assim define pessoa: "ser ao qual se atribuem direitos e obrigações". No reino animal, só o homem é pessoa. Ele é o único animal que possui razão e vontade. Com a razão, ele conhece o certo e o errado. Com a vontade, ele escolhe um dos lados. Por isto, o homem é o único ser que é livre.
    Um repórter perguntou a Peter Singer:
O sr. cria muita polêmica por defender o direito dos animais à vida ao mesmo tempo em que defende a eutanásia em bebês com problemas graves. A vida de um animal saudável vale mais que a de um recém-nascido com graves danos cerebrais?
    Resposta de Peter Singer: "Eu não acho que a espécie seja um aspecto determinante, se temos um humano com danos cerebrais tão severos a ponto de ele ser incapaz de sentir qualquer coisa ou reconhecer sua mãe — o caso de anencefalia [ausência de cérebro], por exemplo. Quando o animal pode fazer essas coisas — sentir dor, andar por aí, reconhecer outros, sentir ligações emocionais com outros seres – eu acho que sua vida é mais preciosa e deve ser mais protegida do que a vida de um ser humano que está em um nível mental inferior.
    (...) Não tenho nenhum problema em dizer que, a partir do momento da concepção, um embrião é um ser humano vivo. O que mais poderia ser? O erro que muitas pessoas fazem  é supor que 'porque' ele é um ser humano ele tem o direito à vida, ou que é errado destruí-lo. Eu não acho que ele é um ser com um status moral, que requer proteção, pelo menos até que ele possa sentir dor ou alguma coisa. Obviamente, os embriões em laboratórios de que falamos há pouco não estão nesse estágio. Se você quer saber quando isso acontece, não sei ser preciso, mas é nas primeiras 20 semanas [de gestação]".

terça-feira, 31 de maio de 2011

Papo(sem pé nem)-cabeça

      Ney Matogrosso disse, no Roda Viva, que LSD lhe abriu as portas da percepção. Na primeira 'viagem', Ney 'sacou' que ele valia o mesmo que pedra, grão de areia ou arbusto de flores azuis. "Vi que tudo tinha o mesmo valor". 
      Tolinho. Se LSD abrisse as portas da percepção, Ney não diria uma asneira desta e perceberia que o homem não é igual a pedra, grão de areia ou arbusto. Coisa não sabe que é coisa. Só o homem, com a razão, sabe que (não) é coisa.