quarta-feira, 25 de julho de 2012

Por falar em anjos...

    
     Wilson Miranda, chamado Brother, era meu parceiro de dança nas noites animadas do Clube da Imprensa, em Brasília, naqueles tempos divertidos de repórter, na segunda metade da década de 70. O salão (quase) parava para nos ver dançar, ele e eu éramos um show. Eu soube agora (25 de julho) que ele morreu (não sei ainda de quê).

     Nós fomos colegas de faculdade na UnB e, já repórteres, Wilson e eu estávamos sempre nas mesmas coberturas de notícias, Brasília era pequena, todo mundo se encontrava o tempo todo. 

    O crioulo tinha um sorrisão devastador, que desencorajava qualquer oposição ou hostilidade. Brother só podia mesmo ser um dos fundadores do Pacotão, no tempo em que a (falta de) organização de um bloco de carnaval que debochava do poder exigia muita coragem e bom humor.
    
    Anos atrás, eu o reencontrei e ele, referindo-se à minha matéria sobre o velório de JK, em 76, na catedral de Brasília, lembrou-se do trecho em que eu falava dos anjos de Ceschiatti. 

    Wilson contou-me que aquela matéria era uma das lembranças mais marcantes que ele tinha do funeral e enterro de JK - a primeira grande manifestação popular em Brasília, no período da ditadura. Eu fiquei comovida com a lembrança. Foi a última vez que nós estivemos juntos. 

    Deus o receba em Sua casa.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Traição de Judas: remorso sem arrependimento





        É comum ouvir dizer que Judas Iscariotes teria ido para o inferno porque traiu Nosso Senhor Jesus Cristo. Fosse assim, o que teria acontecido a Pedro, que negou Jesus Cristo três vezes, numa mesma noite? 


   Pedro, ao ouvir o galo cantar, lembrou-se das palavras do Mestre e chorou amargamente, arrependido. Em vez de ser punido, foi premiado pelo Cristo ressuscitado com as chaves do céu. Arrepender-se é admitir a ofensa a Deus e ter a intenção verdadeira de não mais voltar a pecar. 



     Judas Iscariotes cometeu o pecado da desesperação. Pensou que seu pecado não poderia ser perdoado por Deus. Pura soberba achar que o pecado de um homem pode ser maior que a misericórdia e o amor de Deus. 


  Judas não se arrependeu, apenas teve medo de ser punido pelo ato de traição. Arrepender-se é condição necessária para receber o perdão de Deus por ter pecado. No lugar do arrependimento, o traidor sentiu remorso, ficou remoendo a sua própria culpa. Ao final, castigou a si próprio com o suicidio.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Rosane Collor: deu bode

    Engraçado ver a indignação e repulsa da esquerdalhada à notícia dos vudus e macumbas de Fernando Collor, nos porões da Casa da Dinda. 


   Por que este espanto todo da 'galera' esquerdista, paganista, relativista? Macumba, candomblé, Wicca, bruxaria, whatever, não são todas 'religiões' respeitáveis? Elas não são tão verdadeiras quanto o cristianismo? Esta história de cristianismo dizer-se portador da verdade não é opressão de colonizador? 


   Então, o que há de errado com a magia negra? São saberes e fazeres da sabedoria ancestral, ora! Criação cultural da maior dignidade. São nossas raízes africanas.

   
   Assim, para esta gente cheia de 'espiritualidade sem religião" matar galinha, beber sangue de bode, e - se o santo pedir -  matar até ser humano, são apenas exigências rituais.


   Para o relativista, que acha que todas as religiões são boas e equivalentes, e ninguém pode dizer que a sua é a verdadeira,  sacrificar bicho no cemitário é a mesma coisa que consagrar a hóstia na Santa Missa. Agora, aguenta.

sábado, 14 de julho de 2012

Reclamando ao cardeal


Cardeal Antonio Cañizares Llovera é prefeito da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos. Mandei-lhe este email, em agosto de 2009:
    


  "Dirijo-me respeitosamente à Vossa Eminência para informar que em minha paróquia - a São Bento, no bairro do Morumbi, em São Paulo, capital - fui submetida duas vezes ao constrangimento de ter negada a comunhão na boca quando já me encontrava na fila diante do diácono encarregado de distribuir a Sagrada Eucaristia, sob alegação de que a hóstia consagrada deveria ser recebida na mão como medida de prevenção à gripe suína. 

   Diante da minha negativa em receber a comunhão na mão, o diácono obrigou-me a solicitar ao abade que dirige aquela paróquia permissão para receber a Santa Eucaristia na boca. O abade deu a permissão a contragosto, lembrando que eu deveria obedecer a Igreja.
    
   Uma semana depois, este mesmo diácono voltou a negar-me a comunhão na boca, dirigindo-me desta vez palavras grosseiras _"A senhora de novo? Saia da fila e aguarde". Como eu me mantivesse imóvel, à sua frente, ele virou-se para trás para solicitar a aprovação do abade que encontrava-se no altar durante a distribuição da comunhão. O abade, com um gesto impaciente de mão, a significar  "sim", permitiu que eu recebesse a comunhão na boca.
    
   Fui procurada por este diácono depois das missas em que estes incidentes aconteceram. Na primeira vez, ele me disse que estava cumprindo ordens do abade e que a proibição se justificava por causa da gripe. Eu argumentei que se podia prevenir os riscos de contaminação, não com a probição, mas com cuidados redobrados no momento de dar ao fiel a comunhão na boca. O diácono não quis nem ouvir, alegando estar apressado enquanto se afastava.
   
    Da segunda vez, veio me perguntar se eu receberia a hóstia na mão se fosse Jesus Cristo a distribuí-la. Eu lhe respondi que, se fosse Jesus Cristo, eu receberia. O diácono respondeu, como se eu tivesse caído numa armadilha, que "era o mesmo Corpo" e que a Igreja tinha mudado a forma de distribuir a comunhão: agora era na mão. E me admoestou, perguntando:" Por que só a senhora quer receber na boca?". 

   Eu lhe disse que a comunhão na boca era a forma aprovada e recomendada pela Igreja, como mais adequada para demonstrar a reverência pela sacralidade da Santa Eucaristia. O diácono brandiu seus conhecimentos profundos em Teologia para encerrar a conversa e, de novo, se afastar.
   
   Ao chegar em casa, decidi conversar com um padre recém-chegado à minha paróquia, com quem eu já tinha mantido contato num encontro por mim solicitado, porque sou interessada em teologia e história da Igreja Católica e ele tinha estudado em Roma onde foi, como ele se apresentava, "coroinha do Papa João Paulo II". 

   Era especialista em Direito Canônico. Comecei por expor o constrangimento a que tinha sido submetida e lhe perguntei se, pelos documentos e instruções da Igreja, não era garantido a todo católico o direito de escolher a forma de receber a comunhão. 

   Ainda ressaltei que não tinha intenção de desobedecer a Igreja, apenas queria comungar da forma que a própria Igreja recomendava como mais apropriada e reverente. E repeti: para evitar contágio e propagação do vírus da gripe suína, os cuidados deveriam ser redobrados na hora de receber a comunhão na boca.
   
    O que ouvi do padre deixou-me absolutamente atônita. Ele enfatizou que havia um decreto episcopal proibindo a comunhão na boca e que o bispo podia legislar em matéria litúrgica e que esta probição se enquadrava nesta rubrica. Não havendo ilegalidade, a proibição era legítima. 

   Quando me referi a documentos como Redemptionis Sacramentum, Memoriale Domini, Cena Domini, Eclasia de Eucharistia e o Missal Romano, o padre me disse que "isto não tem  nada a ver". Que o bispo tinha proibido comungar na boca e cabia a mim obedecer. Que eu era 'tradicionalista e reacionária' e que a forma de comungar "era secundário".
    
   Eu, por exemplo - disse  o padre - prefiro comungar na boca. É secundário se a comunhão é na mão, na boca, em pé, sentado, deitado ou de joelho. É questão de gosto pessoal. Tem uns que gostam de macarrão, outros de outra coisa".
    
   Quando eu  ponderei que se tratava da Sagrada Eucaristia e que eu gostaria de continuar recebendo a comunhão na boca, o padre me perguntou o que eu tinha de diferente, e arrematou: "A minha mãe comunga na mão". Agradeci, pedi a sua benção e desliguei.
    
   Peço a Vossa Eminência que me oriente. O que devo fazer? Comungar na mão, para mim, é fora de questão, eu me recuso. Cheguei a mandar meu protesto ao Cardeal Dom Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo, por ter recomendado, numa carta circular, que fosse dada a comunhão preferencialmente na mão, como medida de prevenção à gripe suína. Não recebi resposta. 

   Sinto um clima de hostilidade muito grande em relação a mim em minha paróquia, principalmente da parte de certos ministros leigos, como se eu quisesse afrontar a autoridade dos superiores eclesiásticos.  Do fundo de meu coração, não é a vaidade, a soberba, o orgulho ou a falta de caridade que me movem. Mas só e tão tão somente o desejo de honrar o Santíssimo Sacramento.
    Peço a vossa benção.
    Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.
Mírian Macedo

São Paulo, capital
Brasil

Comunhão na boca: nas mãos de Deus



   
    Em 2009, apareceu a tal gripe suína. Prontamente, o diabo tomou suas providências, era a oportunidade para profanar ainda mais a Sagrada Eucaristia: a Arquidiocese de São Paulo 'recomendou' que os fiéis comungassem apenas na mão, que não fosse dada a hóstia na boca. 

    Eu nunca comunguei na mão. Para protestar, fui reclamar ao bispo. Mandei a Dom Odilo Scherer o email abaixo:
 
   "Dom Odilo Scherer,

venho a Vossa Eminência protestar contra a recomendação da Arquidiocese de São Paulo para que a comunhão seja recebida na mão, e não na boca, como medida preventiva à propagação do vírus da gripe suína. 

   A que ponto chegamos! No momento em que Sua Santidade, o Papa Bento XVI, quer restabelecer a reverência e o respeito pela sacralidade da Eucaristia e recuperar a tradição da Igreja Católica - a comunhão na boca de joelhos - a Arquidiocese de São Paulo recomenda que se receba a comunhão preferencialmente na mão porque há no país um surto de gripe que nem o próprio Ministério da Saúde considera alarmante, a ponto do Ministro José Gomes Temporão criticar publicamente o adiamento do início das aulas!
   
   Todo sacerdote sabe que suas mãos consagradas não devem tocar a língua ou lábios daquele que recebe a comunhão. Quem vai comungar deve colocar a língua para fora e o sacerdote (ou ministro leigo da Eucaristia, esta invenção desastrosa) segura a hóstia por uma extremidade e deposita a outra extremidade sobre a língua da pessoa que está recebendo a comunhão. Basta redobrar o cuidado e pedir aos fiéis que procedam da forma correta.
    
   Do ponto de vista sanitário, receber a hostia na mão e levá-la à boca favorece muito mais a propagação do vírus do que receber a comunhão na boca. Afinal, as mãos não estão lavadas e provavelmente tocaram assentos de automóveis e ônibus, bancos de igrejas, objetos diversos e outras pessoas antes da comunhão. 

   Quanto ao aspecto religioso, certamente Nosso Senhor Jesus Cristo pedirá contas no Juízo Final da permisão indevida para que mãos profanas toquem o Seu Corpo Santo, com o risco de partículas da Santíssima Eucaristia caírem no chão e serem pisadas. Alguém terá de ser responsabilizado por tê-lo permitido.
    
   A Arquidiocese de São Paulo, com sua boa intenção de prevenir a propagação do vírus, acabou por agravar ainda mais o desrespeito às instruções da Igreja relativas à Sagrada Eucaristia*, pois esta recomendação acabou equivalendo, na prática, à proibição ao recebimento da comunhão na boca. 

   Saiba o senhor que um diácono da minha paróquia - a São Bento, do Morumbi - recusou-se a dar-me a comunhão na boca, alegando que estava cumprindo ordens superiores. Fui obrigada a sair da fila e ir próximo ao altar pedir ao sacerdote - que estava celebrando a missa, mas não distribuindo a comunhão - para que me fosse dada a hóstia na boca. 

   O sacerdote reforçou a negativa, insistindo para que eu "obedecesse a Igreja," citando a recomendação da Arquidiocese. Eu lhe disse que eu não recebo, nunca recebi, a comunhão na mão. O sacerdote, a contragosto, mas sabendo que não mo podia impedir, autorizou a comunhão na boca. Voltei à fila e comunguei.
    
   Não fosse a comunhão na mão e em pé contrária à Tradição de quase dois mil anos da Igreja - além de ser uma exceção que se tornou regra por tibieza das autoridades eclesiásticas -,  recomendar esta prática é um rebaixamento da dignidade e santidade da Sagrada Eucaristia. 

   Como pode a Arquidiocese de São Paulo, na esteira da histeria admitida pela própria carta circular sobre a gripe suína, submeter o que representa "a fonte e o ápice" da Igreja - a Santa Eucaristia - , a uma situação sanitária momentânea? 
    
   "A liturgia nunca é propriedade privada de alguém, nem do celebrante, nem da comunidade onde são celebrados os santos mistérios. A ninguém é permitido aviltar este mistério que está confiado às nossas mãos: é demasiado grande para que alguém possa permitir-se de tratá-lo a seu livre arbítrio, não respeitando o seu carácter sagrado nem a sua dimensão universal."(Carta Encíclica ECCLESIA DE EUCHARISTIA do Sumo Pontífice João Paulo II)    
   Por que não se viu a mesma rapidez para informar aos católicos que a comunhão na boca é a forma aprovada e praticada pela Igreja ao longo de sua história e que temos o direito - melhor dizendo, o dever! - de comungar ajoelhados, como ensina, com o seu exemplo, o Papa Bento XVI? 

   Por que não informar aos católicos que a comunhão na mão foi uma das primeiras mudanças introduzidas pelos protestantes reformados, há mais de 400 anos, exatamente para demonstrar que a hóstia consagrada não era o Corpo de Cristo e que o sacerdote não passava de um homem igual a outro qualquer? 

   A comunhão na mão sempre foi utilizada entre hereges como modo de negação da Presença Real de Cristo nas espécies consagradas, e isto desde os arianos do século IV.
    
   O Vaticano é  frequentado por turistas do mundo inteiro, sendo portanto, um  lugar onde o risco de contaminação pelo vírus da gripe suína é grande. A Santa Sé não desconhece os perigos da doença. Não se viu, no entanto, qualquer recomendação de mudança na forma de distribuição da comunhão nas missas ali celebradas. Roma locuta, causa finita.
 Peço vossa benção, respeitosamente.
Mírian Macedo

* Redemptionis Sacramentum
  Dominicae Cenae
  Memoriale Domini
  Missal Romano   

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Anão no basquete



      "O politicamente correto faz com que o STF suspenda o concurso para delegado da PF. Motivo: o MPF quer que a PF, em seu concurso, estabeleça reserva de vagas para deficientes físicos... Deficientes físicos podem ser policiais?" (Rafael Vitola Brodbeck, delegado de polícia)
http://bit.ly/L8VlSh


      A palavra 'discriminação' tem hoje apenas sentido pejorativo, como se também não significasse trato diferenciado, separação, distinção. É claro que deficientes físicos podem ser discriminados e tratados diferentemente no acesso à função policial. 


     Um cadeirante ser policial é o mesmo que um cego ser fotógrafo, um anão ser jogador de basquete e uma mulher feia ser modelo fotográfico. 


     É por este raciocínio vigarista da igualdade que gays querem casar-se, substituindo a natureza do casamento entre homem e mulher pela união de 'qualquer coisa' com qualquer coisa'.


  

quinta-feira, 5 de julho de 2012

De santista para corintiano

      Eu sou santista, mas fiquei emocionada quando o jogo acabou. Deve ter sido devastador para um coração corintiano. Claro que eu queria o tetra, ora se eu queria, Mas seria um pecado ser logo o Santos a sonegar esta alegria indescritível ao Coringão. Este ano tinha mesmo de ser do Corinthians, por tudo.


    E o gosto indescritível de ver sair do campo, derrotado, um time argentino! Melhor que ver o Corinthians derrotar los hermanos só mesmo ver o Santos derrotar o Corinthians.


     É comovente a fidelidade da torcida corintiana. Pelé lembrou na véspera uma homenagem que ele recebeu dos corintianos num clássico contra o Santos, que perdeu por 1 X 0, gol de Rivelino. Numa faixa, estava escrito "Maior que Pelé, só a Fiel". 


    Eu nunca torceria por outro time que não o Santos, sou Rei Pelé Futebol Clube desde que me entendo por gente. Mas eu adoro futebol, do jogo bonito, eu gosto desta paixão, do grito de gol. 
  


   Júlia, minha filha, estava torcendo pelo Boca, claro (parmêra, sabe como é) e mandou-me mensagem no início do jogo, pressionando: "Tu não estás torcendo pelo curíntia, não é?" Menti: "Não". Eu estava na casa dela em Londrina no primeiro jogo e torci escancarado pelo Corinthians, ou contra os argentinos (digamos assim).Depois, recuei, desdenhei. Eu escrevi:  'Quer saber? Nem boca nem meia-boca.'
 




   Na hora H,  eu me rendi, gritei gol. Dois gols de craque. Gols de Emerson. Um sheik. Ironia, eu vibrar com um gol do mesmo jogador que foi o algoz do Santos, na eliminação de meu time na Libertadores. 


   Na final, o Corinthians foi raçudo, jogou com sangue. Quando Sheik fez o primeiro gol, eu confessei, em mensagem pelo celular a Júlia: "Eu gritei gol! E agora?". O resto foi o que todos já sabem. 


   Corintiano, comemora. É a suprema maravilha. Eu sei como é. Sou TRI. Parabéns, Corinthians, este ano tu mereceste vencer. No ano que vem, o Santos levanta a taça do tetra.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

ONU não.

     Domingo passado, eu estava a passeio em Florianópolis e fui à missa na Catedral Metropolitana, que eu não conhecia.

    Intrigou-me que, ao pé do altar, estivessem perfiladas cerca de  três dezenas de bandeirolas de inúmeros países.Entendi o porquê ao ver, ao lado altar, uma enorme cartaz da Pastoral do Migrante, informando que naquele dia seria encerrada a Semana do Migrante.

    O padre, ao começar a missa, fez um discurso que parecia reunião da ONU, citando estatísticas de migrações, número de refugiados, regiões de deslocamentos, dificuldades de obtenção de asilo político. Eu mal cria no que ouvia. 



    Para ficar no contexto, lembrou que Jesus Cristo foi também ele um refugiado, junto com seus pais, Maria e José, obrigados a fugir da perseguição de Herodes para o Egito.

    Mas o pior estava por vir: na hora da comunhão, o sacerdote co-celebrante ordenou-me de maneira ríspida que me levantasse, recusando-se a me dar a comunhão de joelhos. Permaneci de joelhos, de boca aberta e ele não teve outra saída a não ser dar-me a comunhão. Foi um mal-estar geral na igreja.

Serviço porco

     A 'confissão' não escapou da boca do assassino. Ela é proposital, é feita em tom de orgulho e ameaça. Quer mostrar que é assim que age a laia de terroristas que está no poder, liderada por Dilma Rousseff.

    É o mesmo que fazia Che Guevara, que apropriadamente era chamado de "Porco', pois fedia pela ojeriza a banho. El Chancho 'justiçava' qualquer um, arbitrariamente. É como os porcos fazem. Quem é de esquerda e aplaude a Começão da Verdade não passa de um suíno.

 
http://globotv.globo.com/globo-news/globo-news-dossie/v/ex-guerrilheiro-da-luta-armada-confessa-participacao-na-morte-de-um-companheiro/2020170/

terça-feira, 26 de junho de 2012

Brasil: a Meca da Mediocridade

 (ENTREVISTA DO POETA E FILÓSOFO ÂNGELO MONTEIRO AO DIÁRIO DE PERNAMBUCO (24/06/2012)


Por que a arte se tornou um desastre? 

     Ângelo Monteiro - Estamos vivendo o império da antiarte. Em todos os setores. A maior parte do que se faz hoje em arte interessa mais à polícia de costumes do que ao domínio dela na cultura. Como o caso do costarriquenho Habacuc Vargas que, numa exposição, fez de um vira-lata uma instalação perecível. Até a morte do animal. Ou da artista plástica, acho que pernambucana, que fez de sua masturbação pública um ato de criação estética.


 A arte virou uma mescla delinquente de sua debilidade mental. Dentro desse quadro especial, no Brasil, você verifica que não há lugar para poesia dentro da cultura. Por quê? Se no âmbito internacional, isso ocorre, no Brasil, que é uma cultura periférica, a coisa é muito mais grave. O Brasil reflete e exporta o que há de pior. É a Meca da mediocridade.

Quem seriam os ideólogos do vazio?

AM - Por trás dessa teoria, existe uma tremenda doutrinação marxista. A ênfase na coletivização em detrimento do indivíduo. Ao mesmo tempo em que isso ocorre, enfatiza-se muito a celebridade. Acaba o indivíduo, mas cresce a celebridade. Parece contraditório, mas penso se tratar de uma compensação pela destruição da individualidade. 



Nem no romantismo tivemos uma valorização tão grande da figura do artista, porque tínhamos ainda a inspiração. Quando você evoca a inspiração, você admite algo que extrapola essa figura. É mais importante o artista enquanto instrumento da criação e não uma projeção de sua vaidade, de sua autossuficiência. Teóricos como (Gilles) Deleuze, (Jacques) Derrida e Michel Foucault passam a levar a sério tudo aquilo que não alcançou, até então, qualquer status na história da cultura. 


O exemplo típico é o urinol de Duchamp (obra intitulada A fonte), que está na capa do livro Arte e desastre. O urinol de Duchamp provocou mais questões teóricas que toda a história artística do ocidente. É um mistério, e nós sabemos qual é a função do urinol. Não me parece que tenha nenhuma função estética.

É o que o senhor chama de mania de desconstrução. A universidade tem lá sua responsabilidade nisso, não tem?

AM - É a transgressão erigida em norma, em valor. Qualquer transgressão passa a ter valor pela sua capacidade de desconstruir toda criação valiosa. Ora, o que está por trás dessa desconstrução? Obviamente, trata-se de um tentativa séria de legitimar a erradicação do indivíduo do cenário estético e proclamar o coletivismo. Significa, do ponto de vista ético, a ausência de responsabilidade de cada artista particular. O que ele faz tem a sanção do coletivo logo é bom. 



Essa visão compromete a ética e a estética ao mesmo tempo. Isso é ensinado e doutrinado nas universidades. Você tem que entrar na cartilha, estudar tudo isso e fingir que está gostando. O ambiente da universidade é deletério, tornou-se assim. Deixou de ser aquilo que fez parte de sua fundação. Carlos Magno procurou sábios, gostava de se cercar deles. Ao passo que hoje a turma procura técnicos de ignorância, pessoas ignorantes de qualquer tipo de humanismo. 


A verdade é essa. Eu vivi lá e vi o lance. A lembrança que eu tenho é de três ou quatro professores valiosos, apenas. Maria do Carmo Tavares de Miranda, que criou o departamento de filosofia, Nelson Saldanha, Leônidas Câmara, Ariano Suassuna. São poucos. Dominantemente, o clima favorece mais a busca de cargos, de verbas.

O senhor sempre fala da figura do cachorro. Por quê?

AM - Você olha para certo tipo de cachorro e vê nele mais filosofia do que em muitos colegas da universidade. Alguns cachorros têm aquele olhar melancólico de Heráclito de Éfeso, da escola do devir. Outros são heideggerianos. Eu tenho uma certa afinidade com os cachorros, apesar de não ser daquele escola grega dos cínicos, que é uma palavra que vem de cão (kynikos é adjetivo de kynon, que significa “cão”). Por que é que eu passei a identificar cachorros com filósofos? Porque Platão, que era um gozador emérito, declara em A República que o cão é o verdadeiro filósofo. O cão sabe distinguir o dono do estranho que está chegando. Qual a função da filosofia senão a guarda do ser? O filósofo é o cão de guarda do ser. E não é por acaso que, em Curitiba, uma cachorra se apaixonou por mim. Quando me viu ficou doida.

O senhor afirma que mesmo os ateus marxistas deveriam frequentar uma missa. Por quê?

AM - Eu não tenho lembrança de nenhum cara de esquerda ético. A ética não existia em nenhuma relação humana marcada pelo marxismo. Ética é coisa da burguesia. Toda ética era burguesa. No convívio com esse pessoal, eu não via nenhuma preocupação ética. 



Agora imagine o que acontece num regime totalitário de esquerda. Ninguém é responsável por nada. Você pode matar à vontade à serviço da revolução. Tanto que eles são vampiros. Pegam uma figura como Nietzsche e vampirizam a serviço da causa. Não tem figura mais antimarxista que Nietzsche. Aliás, uma figura que é colocada como mestre da suspeita. Tudo é suspeita. Como é que você pode ter uma visão crítica se você não passa pelo estágio mítico? Isso é ideologia pura. O cara já sai vacinado contra tudo.


 Nunca esqueci de um espanhol que disse que a missa é uma tourada. Como? Tem ofertório, consagração e comunhão (risos). Ele queria dizer que a tourada é um espetáculo estético. Mas a missa é um espetáculo obviamente muito mais refinado que uma tourada. Você tem toda a encenação. É um auto. Então, se o cara não aprender a ter fé, ele aprende pelo menos a gostar de estética. O ateísmo é um péssimo conselheiro em arte. Por exemplo, 90% do que Pablo Neruda escreveu não vale nada, porque ele leu Marx.


 Nós somos um país jovem, mas já demos padre José Maurício (Nunes Garcia), Villa-Lobos, Jorge de Lima, Drummond, Gilberto Freyre. Eis o problema. O meu medo é que a classe média brasileira domine o mundo, porque ela vai acabar com a cultura universal. Uma classe média que paga para ver Roberto Carlos vestido de marinheiro dentro de um navio é uma classe média que não tem nada na cabeça. Isso é brincadeira para menino de 8 anos. A classe média brasileira é isso. Nela, não há lugar para a arte.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Projeto Matar e o Projeto Tamar: o Aborto


Cícero Harada 

     Desde 1980, o Projeto Tamar protege a vida das tartarugas marinhas. É um esforço louvável em prol da vida. Nas áreas de desova, são monitorados 1.100 km de praias todas as noites durante os meses de setembro a março, no litoral, e de janeiro a junho, nas ilhas oceânicas, por pescadores contratados pelo TAMAR. 


     São chamados tartarugueiros, estagiários e executores de bases. São feitas a marcação e a biometria das fêmeas, a contagem de ninhos e ovos. A cada temporada, são protegidos cerca de catorze mil ninhos e 650.000 filhotes. 

     Se alguém destruir algum desses ninhos ou apenas um único ovo de tartaruga, sim, unzinho só, comete crime contra a fauna, espécie de crime contra o meio ambiente (Lei nº 9.605/93). 

     Já, na Câmara dos Deputados, tramita o importante Projeto de lei nº 1.135/91 que pretende legalizar o aborto do nascituro, em qualquer fase, até o nascimento. Sim, até o nascimento, porque apesar de o substitutivo falar em direito ao aborto até a 12ª semana, o seu último artigo revoga os artigos 124, 126, 127 e 128 do Código Penal, ou seja, é um verdadeiro Projeto Matar.


     A decretação da morte sem culpa do ser humano em um momento de maior fragilidade, sem que se lhe dê o direito à defesa, é um dos maiores absurdos que esta “civilização” pode perpetrar. 

     Digo absurdo, mas poderia dizer burrice cavalar, má-fé assassina, egoísmo desenfreado, hedonismo perverso, eugenia imperial e vai por aí. 

     Não será preciso estudar embriologia para saber que, desde 1827, graças a Karl Ernest von Baer, ficou assentado que, a partir da concepção, existe uma nova vida. 


     Uma criança que, em sua simplicidade e pureza encanta-se com as novas vidas que estão nos ovos das tartarugas tão protegidos nos ninhos pelo Projeto Tamar, encanta-se ao saber que em breve virá à luz seu irmãozinho ou irmãzinha, ainda no ventre materno. 


     Mas não importa a ciência, não importa o direito, não importa o encanto de uma nova vida. Importa a frustração, o medo do sofrimento, em geral, futuro, os traumas, a perfeição eugenista, a liberdade de matar o próprio filho ainda no ventre. 

     Quando uma “civilização”, em nome da liberdade e do puro positivismo jurídico, sobrepõe a liberdade ao direito à vida, tem início um perigoso processo. A esse filme nós já assistimos no século XX. A maioria decidindo quando, como e em que circunstância uma minoria pode morrer. 

   
     É a liberdade para o holocausto. Se o seu país não quiser, não o faça, mas não impeça que outros o façam. Em Nuremberg, todos se defenderam escudados no direito positivo. É por isso que o Papa João Paulo II sentenciou, em seu último livro, que o direito à vida é um limite da democracia. 

     O Projeto nº 1.135/91, que legaliza o aborto, é inconstitucional, pois, atropela o princípio da inviolabilidade da vida, prescrito pelo artigo 5º da Constituição Federal, ao legalizar o assassinato de crianças no ventre da mãe. É, reitero, um verdadeiro Projeto Matar. 


      Mas, dirão os defensores do aborto: a ciência não sabe quando começa a vida. Respondo: é imprescindível comunicar o Projeto Tamar desse fato, assim, não será preciso gastar tanto dinheiro do contribuinte à toa, defendendo ovos de tartaruga. Será necessário descriminalizar o aborto de ovos de tartaruga. 

      Será que alguém terá, ainda, a coragem de objetar que, no caso das tartarugas, é diferente porque elas não têm liberdade de escolha? Então, viva a liberdade! 


Cícero Harada - Procurador do Estado de São Paulo; conselheiro e presidente daComissão de Defesa da República e da Democracia da OAB SP

Bebê-ovo




                      «Vejo que todos os que defendem o aborto, já nasceram.» Ronald Reagan.


        Não é irônico que um 'direitista e fascista" defenda a vida, enquanto socialista e esquerdista, todos santos e superiores, lutem pela matança dos fetos, em nome do 'direito' da mulher sobre o seu corpo?


         E o ser humano dentro de sua barriga, é o quê? Ovo de tartaruga? Antes fosse, estaria salvo.

sábado, 16 de junho de 2012

Coisa feia

    "Num shopping da avenida Paulista, saiu do sanitário FEMININO o cartunista e drag queen Laerte. Saia curtíssima em jeans e demais acessórios."


    
     Laerte quer romper com a convenção de que tem roupa de homem e roupa de mulher e que isto define o sexo da pessoa. Elx quer se libertar destes estereótipos opressivos e faz isto se vestindo de...mulher!

Aborto e escravidão: (quase) a mesma coisa

Quem é contra a escravidão não pode ser a favor do aborto.
Martin Luther King disse.





Escravidão e aborto: argumentos iguais para iniqüidades iguais (aborto é pior, é morte, mãe matando filho):

1) O negro não é uma pessoa humana e pertence a seu dono. 
2) Não é pessoa perante a lei, mesmo que seja tido por ser humano. 
3) Só adquire personalidade perante a lei ao ser liberto, não havendo antes qualquer preocupação com sua vida. 
4) Quem julgar a escravidão um mal, que não tenha escravos, mas não deve impor essa maneira de pensar aos     outros, pois a escravidão (é legal.
5) O homem tem o direito de fazer o que quiser com o que lhe pertence, inclusive com seu escravo (bebê).
6) A escravidão é melhor do que deixar o negro enfrentar o mundo.


Em 1973, no caso Roe vs. Wae, os argumentos utilizados, naquele país, para hospedar o aborto foram os seguintes:
 

1) o nascituro não é pessoa e pertence à sua mãe;
2) não é pessoa perante a lei, mesmo que seja tido por ser humano;
3) só adquire personalidade ao nascer; 

4) quem julgar o aborto mau, não o faça, mas não deve impor essa maneira de pensar aos outros; 
5) toda mulher tem o direito de fazer o que quiser com o seu corpo; 
6) é melhor o aborto, do que deixar uma criança malformada enfrentar a vida
 (Roberto Martins, Aborto no Direito Comparado , in A Vida dos Direitos Humanos

E Dilma, é o quê?

         Quando militantes da luta armada fazem lista, com nome, sobrenome, patente e função, eles dizem que são 'torturadores' todos os envolvidos DIRETA OU INDIRETAMENTE com a tortura. Até os encarregados da limpeza dos banheiros do DOI-CODI o são.


       Mas não pode chamar Dilma de 'terrorista' porque - alegam - ela não pegou em armas. E sua participação DIRETA nas decisões da VAR-Palmares sobre ações terroristas, incluindo assassinatos? É o quê?

Paulo Freire? É assim que se faz

         O livro 'Pedagogia do Oprimido', de Paulo Freire, foi banido das escolas públicas do Arizona, nos Estados Unidos, em cumprimento à lei estadual, que considerou o livro de Freire , e os de Elizabeth Martinez, Rodolfo Corky Gonzales, Arturo Rosales, Rodolfo Acuna e Bill Bigelow, “doutrinadores” e “portadores de um único ponto de vista”.


         O secretário da Educação do Arizona, John Huppenthal, decidiu proibir os livros ao notar, numa visita a uma escola em Tucson, que Che Guevara era tratado como um herói, inclusive com direito a pôster numa das salas de aula, enquanto que Benjamin Franklin era considerado racista pela turma. 


         Huppenthal julgou intolerável que o termo “oprimido” do livro de Paulo Freire fosse inspirado no Manifesto Comunista de Marx e Engels, “que considera a inteira história da humanidade uma batalha entre opressores e oprimidos”.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Gente ruim

A propósito de meu texto "Feminismo mata", a leitora Rosa  comentou (abaixo em vermelho). Eu respondi (em azul)
  

Ai, Rosa... tem tantas asneiras, lógica tosca e crueldade intrínseca em teu texto que nem sei por onde começar, mas vamos lá: 


no meu texto fica claro que eu estou falando da feminista que defende o aborto, precisa desenhar?


Como ninguém é a favor do aborto? Tu és a favor do aborto. Aborto é "não gerar um feto", é interromper voluntariamente a vida do feto, é matar o feto. Estás com medo de assumir que o feto, estando vivo, é preciso matá-lo para que ele não continue crescendo dentro da barriga da mãe?


 Tu escreves "Porque quando nasce um filho a vida que muda é a da mãe." Muda mesmo. Ela tem um filho de quem ela deve cuidar. Agora, quando ele é abortado, a vida que muda é a do bebê. A vida passa a ser morte. De ser vivo ele é um bebê morto. Ele não vai dormir nem acordar. 


Você é tão precária intelectualmente e tão desprezível moralmente que escreve que 'primeiro o direito da mãe, depois o direito do feto." Pelo teu raciocínio, a tua mãe teria o direito à vida, tu não, poderias ter sido morta se ela assim o quisesse. Até que não era má idéia. (Viu como cristão também é gente ruim?)


rosa14 de junho de 2012 05:43


ai, Mirian...
tem tantas coisas erradas com esse textinho de poucas linhas que nem sei por onde começar, e, sabendo que você nem vai prestar atenção nem sei se deveria, mas vamos lá:
feminismo e aborto são DUAS coisas. Nem toda feminista defende o direito ao aborto e nem toda mulher que defende o direito de fazer aborto é feminista. 


Ninguém é a favor do aborto, isso não existe. Há pessoas que são a favor de que a mulher tenha o direito de escolher se quer ou não gerar um feto. Os motivos não importam. Porque quando nasce um filho a vida que muda é a da mãe. QUem se sacrifica é a mãe, quem fica acordada é a mãe, e se a mãe não quer ela deve sim ter todo direito de abortar. Primeiro o direito da mãe, depois o direito do feto. Você não deveria sair passando julgamento por aí que isso é muito feio e ppouco cristão.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Por Pachamama! Só Deus.

    Libertários, ateus, agnósticos ou revolucionários que odeiam Deus, o cristianismo e a Igreja Católica, consideram ascensão a um patamar superior de espiritualidade virar budista, clamar por Pachamama, oferecer flor a Iemanjá, cultuar Mãe Gaia, fazer o santo no terreiro, invocar 'espírito de luz', incensar Mestre Ascenso, conectar energia cósmica em ritual de feitiçaria Wicca, entoar mantras de sabedoria transcendental de Mestre Osho e atingir o sétimo céu pela ingestão de gosma cor de lama nas igrejas do santo daime.
  
    Estes iluminados adoram caluniar de modo especial a Igreja Católica, mas geralmente se esquecem que, ao lado da moral judaico-cristã e do direito romano, o cristianismo é o fundamento da civilização ocidental e eles só podem sair por aí xingando o Todo-Poderoso porque a democracia garante  a sua liberdade de expressão e de consciência. Queria ver estes valentes gritar que Alá (não) é vencedor na praia dos aiatolás.


     Hoje em dia, todo mundo tem 'uma espiritualidade independente de religiões". Paradoxalmente, quando alguém diz que acredita em Deus, parece que a pessoa está confessando a fé num ser totalmente desconhecido, que caiu de pára-quedas no mundo e de quem nunca ninguém antes ouviu falar sequer remotamente. 


     É como se a humanidade, pela primeira vez, estivesse sendo comunicada da existência de 'um tal Deus'. Falta perguntar: "De onde é que este cara apareceu?"
    
     Na verdade, é exatamente o contrário. Quem conhece a obra de Mircea Eliade(definitiva e imprescindível para quem quer falar de religião) sabe: o homem desde os primórdios da humanidade  busca, conhece e adora a divindade. 

     A literatura e mitologia mesopotâmica (principalmente da Suméria, uma das mais antigas da humanidade) são rico manancial de conhecimento sobre deus(es). AN(u) lembra Um, OM, não é coincidência. A Índia e a China são berço de tradições religiosas milenares, com suas doutrinas e mitologias que sobrevivem até os dias atuais
     
     A fé no Deus de Abrão - Deus Todo-Poderoso criador do céu e da terra - vem dos tempos imemoriais, antes de Noé, remete ao próprio Jardim do Éden, aos tempos adâmicos. 


    Durante dois mil anos, a Terra (quase) inteira  - aqui compreendida a civilização ocidental - acreditou que Jesus Cristo morreu e ressuscitou. Nos primeiros 1500 anos da era cristã, a Igreja Católica foi a única igreja de Cristo e o cristianismo a religião da maioria dos grandes filósofos e gênios da arte que a humanidade produziu até hoje. 

     Não crer em Deus era quase inimaginável no milênio que ficou conhecido como a cristandade - entre o fim do Império Romano (por volta do ano 500) e a início da Idade Moderna (em 1500).  


      Neste período, predominaram escolas filosóficas da exuberância e grandeza do tomismo aristotélico, que defendia que a existência de Deus é uma verdade filosófica, a que se chega fazendo uso da razão, da lógica (logos).   
     
       Os milhares de milagres se encarregavam de mostrar os estreitos limites da ciência diante do 'inexplicável', do 'impossível'. Milagre é 'fato miraculoso'. Só Deus

      Na Antiguidade, filósofos como Lucrecio, Epicuro, e Demócrito defenderam idéias que poderiam ser consideradas 'ateístas'. Do ateísmo na antiguidade, passando pelo Iluminismo, a idéia da negação da existência de Deus foi descambando e se deterioranado até converter-se no tipo rasteiro e dominante nos tempos atuais, que pede que Deus apareça e proclame 'eis-me aqui"  ou que  prove a sua existência submetendo-se a testes científicos num laboratório de pesquisa. Os sabichões não são capazes de perceber que um Deus que se prova 'cientificamente' não é Deus.


   Ateísmo desde tipo nunca foi levado muito a sério, em outros tempos. Não era considerado sequer hipótese séria sobre a qual valesse a pena se debruçar, seja pela indigência de fundamentos  como pela evidência de falta de inteligência. 


       Hoje, qualquer mané se autoproclama 'ateu'. Perguntado sobre o seu conceito de Deus, engrola um embromation, se enrola todo e ainda te olha com ares de superioridade, pois, afinal, tu és apenas um fraco, tosco, fundamentalista ignorante e intelectualmente desprezível que acredita - vejam só - em Deus!


     E foi assim que, de repente, em menos de 200 anos, o mundo primeiro, afirmou que era impossível conhecer a Deus (o agnosticismo fenomenológico à la Kant); em seguida, sem explicar como nem baseado em quê, o pensamento moderno decretou que Deus não existia. Ponto final.
    
     Deus? Está morto, assim  falou Nietzsche. A divindade de Jesus Cristo? Ah, foi uma invenção do apóstolo Paulo. A ressureição? Ora, tudo não passou de um transe místico. A igreja como corpo místico de Cristo, cabeça da Igreja? Tudo 171. A Igreja não passa(va) de ópio do povo. Marx falou e disse.
     
     Bento XVI, em seu livro "Jesus de Nazaré - do Batismo no Jordão à Transfiguração", propõe uma reflexão. Como poderia o cristianismo ter durado até hoje se não tivesse havido algo grandioso lá no início?


     Basta analisar os fatores desfavoráveis ao cristianismo nos seus tempos iniciais: Jesus de Nazaré, nascido no judaísmo, era mal visto pelos sumos sacerdotes e doutores da lei, que o perseguiram e o fizeram crucificar. 

     A pregação de Jesus desmascarava a hipocrisia dos fariseus, seus milagres arrebanhavam cada vez mais seguidores e - blasfêmia - Ele se dizia Deus. Além de confrontar o poder dos sacerdotes do Templo, Jesus Cristo não poderia ser o Messias esperado, o povo judeu esperava por um rei de poderosos exércitos que o libertaria  do domínio dos romanos. 
     
     A propósito do Messias esperado, apareceram muitos deles no tempo anunciado pelos profetas. Arrebatavam seguidores, diziam ser o cumprimento das profecias, mas o tempo se encarregava de desfazer suas pretensões. A seita e sua doutrina simplesmente desapareciam devido a perseguições, morte do líder, desentendimentos ou desinteresses.


    Sobre Jesus Cristo, pairavam desconfianças ainda mais sólidas. O Messias anunciado pelos profetas era descendente da casa real de Davi, pai do Rei Salomão. Logo, Jesus não poderia ser aquele pobretão, filho de carpinteiro, nascido na Galiléia, região má afamada e pior, de Nazaré, cidade que não gozava de melhor fama. 


     Já o Império Romano não queria saber de 'rei dos judeus'. O rei era Cesar. Quem fosse governador romano na província da Judéia iria, certamente, preferir assegurar a boa relação com o Sinédrio a facilitar a propagação da fama de um 'profeta' ou Messias que nada signficava para Roma na esfera religiosa e que poderia trazer-lhe problemas na manutenção da ordem na província.


     Prova desta camaradagem entre Pilatos e os Sumos Sacerdotes são os soldados romanos que foram enviados ao Horto das Oliveiras para prender Jesus Cristo.


    Como poderia ser rei alguém que tinha como seguidores homens simples do povo, pescadores e coletores de impostos, gente ignorante e de má-fama? Além do que, a crucificação era a morte mais infamante a que se podia ser submetido naquele tempo. Era tão infamante que um romano não podia ser crucificado (Paulo, judeu romano, foi decapitado). 


     Morrer na cruz implicava o total esquecimento do condenado. Era proibido que o nome da pessoa fosse pronunciado depois de sua morte na cruz. Quando Jesus Cristo foi crucificado, os seus discípulos esconderam-se apavorados, temendo ser perseguidos.


     Como seria possível que, contra todas estas adversidades, os discípulos de Jesus Cristo tenham enfrentado desassombradamente os poderosos do sinédrio e do Império Romano e tenham saído para o mundo a pregar o Evangelho, enfrentando o martírio e as perseguições  e acabando por ver ruir o maior império jamais visto sobre a terra? 


       Não é ainda mais intrigante que os gregos, que criaram os mais sofisticados pensamentos filosóficos tenham sido convencidos e se convertido ao cristianismo, este conjunto de lero-lero de gente fraca e sem lustro, que precisa criar uma fábula para não sucumbir diante das grandes questões e das vissiscitudes da vida?
        
       Bento XVI faz a pergunta: Como é possível que grupos de pessoas desconhecidas, anônimos, pudessem ser tão criativos e convincentes? Como estas tais pessoas conseguiram se impor?


      "Não é mais lógico, até do ponto de vista histórico, que o grandioso se coloque no início e que a figura de Cristo tenha rompido na prática todas as categorias disponíveis, podendo ser compreendido somente a partir do mistério de Deus?"


      Naqueles primórdios, logo depois da morte e ressureição de Jesus Cristo, a Igreja era pequena, perseguida, pobre. Não era a instituição poderosa e influente, que subsituiu o Império Romano, criou a civilização ocidental e reinou durante mil anos (a cristandade) até perder seu imenso poder no início da Era Moderna.      
      
      Ora, é balela grossa que a Idade Média tenha sido a Idade das Trevas. Eu também pensei que fosse. Fui saber, era mentira. No tempo de Santo Tomás de Aquino - em pleno século XIII! - era comum  o povo  ir às praças assistir aos grandes debates e embates teológicos. Se discutia em praça pública sobre a existência de Deus! E ninguém ia para a fogueira.
     
      É claro, e inegável, que houve abusos, a Igreja nunca os negou. Mas os que alardeiam a crueldade dos 'milhões' de vítimas da Inquisição (foram cerca de 25 mil) ignoram que a Revolução Francesa matou dez vezes mais gente em um ano que a Inquisição em quatro séculos. Isto é fato histórico comprovado. 


      Outra pérola é dizer que o Renascimento aconteceu apesar da Idade Média. Fazer esta afirmação é confessar ignorância absoluta. O Renascimento aconteceu, sim, por causa da Idade Média. Todo aquele renascer do conhecimento e das artes só foi possível porque a Igreja criou as universidade e preservou e aprimorou todo o conhecimento da humanidade, principalmente grego e árabe, salvando este conhecimento da destruição das hordas bárbaras que invadiram o império romano após a sua queda. 


     Não é à toa que São Bento é o patrono da Europa. Os monges beneditinos foram os principais guardiões deste saber, os seus mosteiros são famosos até hoje.

     Como toda a xaropada revolucionária, não acreditar em Deus parece inteligente e coisa de iluminado. Transgressivo, sacou? É como a Marcha das Vaias. Mulheres que jamais aceitariam ser confundida com uma mulher da vida ficam pelas redes sociais aplaudindo esta putaria só porque é transgressão. Trangressão por transgressão. Nada mais.
     

     Melhor que sair por aí mostrando a bunda, esta gente poderia gastar seu tempo procurando saber o que é o Milagre do Sol.


     Só Deus.





    • * Não é ofensa ao budismo.  Refiro-me tão somente à incoerência dos avessos à religião, que só não aceitam o cristianismo e a fé católica. Eu experimentei isto na minha família. 
      Hoje, todo mundo é budista. 'Virar budista' é aquela adesão rasa, sem qualquer profundidade. Não sabem nem direito quem é Buda. Acham que ele é japonês.