Muitos comentários que têm sido feitos aqui (não serão publicados, não abrirei meu blog para militância intimidatória nem para tropa de choque) são xingamentos porque contei a história de minha mãe-de-leite, Caçula. Vociferando palavrões e destilando fel, acusam-me que querer limpar minha barra, declararando amor eterno à raça negra. Mas todos, no fundo, sabem que eu falei a verdade.
E ofendem Caçula. Em 1953, quando ela foi minha mãe-de- leite, a escravidão já tinha sido abolida no Brasil. Caçula não era escrava nem mucama em minha casa. Ela não trabalhava para a minha família. Era amiga de minha mãe, e de toda a família, do lado materno e paterno.
Caçula aceitou amamentar-me por sua própria vontade. O que a obrigaria a fazer isto? Ela não precisava trabalhar na casa de ninguém para sobreviver e alimentar os filhos, vivia para cuidar de sua família, tinha casa boa, o seu marido, Ermano, era funcionário da prefeitura de Coração de Jesus, eram pessoas consideradas na cidade. Caçula era uma mulher altiva, nobre, religiosa, Filha de Maria. Salvou a minha vida por caridade cristã e grandeza de alma.
Respeitem Caçula!
terça-feira, 1 de maio de 2012
Clareando as idéias
No domingo, eu escrevi um texto de oito linhas a que dei o título de Preto não. Provocador, mas inescapável. Eu, falando em primeira pessoa, antevia o que muito provavelmente vai acontecer (e já está acontecendo). Gente que não se importa(va) com cor da pele passando a discriminar profissionais negros pelo seu acesso à universidade por cotas, e não por mérito.
A idéia era mostrar num outro texto que, em breve, pelo andar da carruagem (pressão do movimento negro e a tendência do STF de decidir pelo clamor das ruas), acabaria sendo aprovada a cota de notas: alunos negros já teriam garantida, de saída, nota 2. Se tirasse 3 na prova, já passaria por média 5.
Afinal, não seria justo exigir que o preto, oprimido e excluído por 500 anos, atingisse a mesma nota que os filhos da elite branca que estudaram em colégios caros e têm dinheiro para comprar livros e adquirir cultura. Ademais, professor, com esta patrulha toda, não arriscaria a reprovar aluno preto, vai que acham que é racismo e o demitem...).
Era isto: política de cotas (políticas afirmativas, de um modo geral) é tiro pela culatra, vai criar 'racismo' onde não tem. Não é desculpa, é explicação, eu escrevi aquelas oito linhas rapidamente e publiquei, não havia ali nada que pudesse dar margem a outro tipo de interpretação. Há um raciocínio lógico que leva a uma conclusão inequívoca.
A linguagem 'curta e grossa', como um leitor adjetivou, foi, em parte, intencional (para chamar a atenção) e, em parte, fruto da pressa com que foi escrita. Tenho muito pouco tempo para escrever, quando me ocorre uma idéia, escrevo primeiro no Facebook, onde o texto tem de ser preferencialmente curto. Em seguida, copio-colo e publico no blog. Eu não cogitei em nenhum momento que a redação pudesse provocar confusão ou conter ambiqüidade.
Agora, cá prá nós, a reação foi desproporcional. Basta reler o texto para perceber que, sim, eu devia estar falando de cotas. Se eu escrevesse " cotista eu não quero', ficava bom, era isto claramente o que meu texto dizia: a mim não faz diferença cor da pele, mas a partir de agora (força de expressão, será daqui a algum tempo, quando os cotistas sairem das universidades e estiverem no mercado de trabalho), qualquer profissional negro pode ser olhado com desconfiança, sua habilitação técnica pode ser questionada e diminuída.
Afinal, formar-se não lhe teria custado o mesmo esforço e capacidade intelectual exigidos daqueles que ingressararam nas universidades porque eram, sim, os melhores. Era isto.
Com toda a confusão e ambiguidade, esta hipótese e interpretação não podiam ser descaratadas. A menos, que houvesse má-fé, ação coordenada de tropa de choque, militância intimidatória.
Ninguém se deu ao trabalho de ler outros textos meus? Desafio a que me mostrem uma única palavra, dúbia que seja, de conotação racista.
Não é engraçado que esta mesma racista asquerosa tenha escrito em janeiro de 2011, ao analisar uma apostila do COC, usada por minha filha no colégio onde estudava, as seguintes palavras (meu texto está em azul): http://blogdemirianmacedo.blogspot.com.br/2011/01/pente-fino-1.html
"Podemos tomar como exemplo a escravidão, justificada (por quem?) pela condição de inferioridade do negro, (Bobagem. O negro era, sim, superior. Forte, resistente, saudável, esperto, inteligente, e alegre. Por isto, era boa mercadoria. Além disto, eram os próprios negros africanos que vendiam outros negros escravizados aos comerciantes europeus.)"
Neste mesmo texto, eu ainda escrevo:(Tem gente que garante até hoje que a Igreja Católica teria legitimado a escravidão, por considerar o negro um animal desprovido de alma. É mentira. Para a Igreja, todo ser humano tem alma, "soprada" por Deus no instante da concepção. E a Igreja obedece a Nosso Senhor Jesus Cristo, que ordenou aos apóstolos: "Ide e ensinai a todas as gentes tudo o que eu vos ensinei, batizando-as em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo". Em 1537, o Papa Paulo III publicou a Bula Veritas Ipsa (também chamada Sublimis Deus), condenando a escravidão dos 'índios e as mais gentes'.
Pois é, a única coisa que os ofendidos viram e leram foram aquelas oito mal traçadas linhas. E meu blog foi invadido por dezenas de almas nobres e sábias acusando-me de ser racista (sic)!
E mais: recebi ameaças explícitas à minha integridade física: "Sua racista filha da puta...vc não tem noção de humanidade, e de ser jornalista muito menos...seu preconceito é vergonhoso para nossa sociedade! Se você não estiver com medo de sair de casa é bom começar a ter... Anônimo)"
Vamos imaginar: e se eu não quiser me consultar com um médico formado no Paraguai, por não confiar na qualidade de ensino das faculdades de medicina paraguaias, isto é crime de xenofobia? Quer dizer que os meus vizinhos do Cone Sul podem me levar às barras dos tribunais como criminosa? Eles devem protestar em passeata com cartazes onde se lê "Paraguaios, uni-vos. Abaixo Mírian Macedo"? Parece gracinha, mas não é.
Eu repito: eu declarei que não me importa a cor da pele das pessoas. Eu não faço diferenciação alguma entre preto, branco ou amarelo. Agora, daquelas pessoas que escolhem profissões em que a formação intelectual e a habilitação técnica são essencial e imprescindível, eu exijo mérito.
Minha opinião é que o estudante deve entrar na universidade porque teve as notas mais altas no vestibular e tem que se formar porque passou em todos as avaliações.
As cotas para pretos nas universidades não são baseadas em mérito, e sim na 'raça'. Se para preto tem cota 'racial', eu não quero preto porque eu não aceito cota, só mérito. É lógica primária.
Sou católica, minha religião ensinou-me a agir com caridade, que é amar o próximo por amor a Deus. Não olho para os negros com olhos de coitado. Compaixão e solidariedade nada tem a ver com sentimento de coitadismo.
Reconhecer-lhes a herança pesada, cruel e injusta por conta de 400 anos de escravidão (de que são, em grande parte, culpados e responsáveis os próprios negros africanos, próperos e eficientes comerciantes até o século XIX, quando o europeu pôs de fato o pé na África - antes limitavam-se a negociar os escravos nos portos) não significa que eu considere a política afirmativa de cota e outras 'compensações' a melhor solução. Eu acho que acabam por piorar a situaçaõ econômica do negro e provocar o surgimento de preconceito, como no caso a que me referi dos médicos, dentistas engenheiros etc.
Basta ouvir o que diz o economista americano negro, Walter Williams, totalmente contrário às politicas afirmativas. Ele demonstra que estas políticas fizeram mal aos negros americanos e aconselha que não se as adote no Brasil. Vale a pena ver a entrevista inteira. http://www.youtube.com/watch?v=zoBpHaayomc
No que diz respeito ao acesso à universidade, eu não tenho dó de ninguém, nem de negro nem de pobre, naquele diapasão do 'coitadinho'. A dívida e indignação tem que ser com aqueles que querem estudar e não conseguem. Quem disse que todo mundo tem que entrar numa faculdade? Ensino superior é para quem quer estudar e para quem pode (no sentido intelectual da possibilidade).
Ensino superior tem que ser para poucos (eu disse para poucos, não para ricos). Efeito irradiante. O mundo está cheio de moças e rapazes endinheirados e de moças e rapazes pobres que não dão a menor importância ao saber. Qualquer um dos dois que entrar numa universidade pública é dinheiro de quem paga imposto rasgado e jogado no lixo.
O Estado tem que garimpar na escola pública os alunos pobres (brancos, pretos, pardos, japoneses, qualquer um) que querem estudar e dar-lhes condições, bolsas e sustento para isto. Com a escola vagabunda que há no Brasil, pública e privada, este demagogismo da 'universidade para todos' e bolsas de Prouni à mancheia só levam ao rebaixamento da já degradada universidade brasileira.
A universidade ou acaba rebaixando o nível para que o aluno mal formado acompanhe os cursos, ou estes alunos, precariamente educados nas escolas públicas deficientes, acabam por abandonar a universidade por falta de condições de se formar.
No Brasil, o estudo e o esforço para a obtenção de conhecimento é menos valorizado que a biografia de uma pessoa como Lula, que não é um pobre analfabeto, é só um rico ignorante. Luis Inácio Lula da Silva é santificado pela maioria dos jornalistas e intelectuais porque eles vêem na condenação da ignorância um preconceito contra o o povo. Lula acha que ele sabe mais porque leu menos.
Esta conversa toda em torno da 'democratização do ensino' e da 'universidade para todos', não passa, na minha opinião, de manobras eleitoreiras de um partido que não parece disposto a sair tão cedo do poder.
Quanto a filho de rico, que vá pagar sua universidade, mesmo que seja universidade pública. Esta tem que atender a quem não tem dinheiro e quer estudar. Quem estudou a vida toda em escolas particulares é porque tem condições de pagar uma faculdade. Elementar.
No Brasil, a inversão é diabólica: a universidade pública, que é muito concorrida pela qualidade (sabemos que nem é tanto assim) e gratuidade, acaba beneficiando os filhos da elite econômica (negros, inclusive) que estudam em boas escolas particulares e fazem cursinhos caros, enquanto os alunos pobres, oriundos da precária escola pública, só conseguem frequentar faculdades particulares pagas, que são geralmente noturnas e de baixa qualidade.
A perversidade é dupla: quando não é o próprio aluno que arca com o custo da mensalidade, trabalhando de dia e estudando à noite, é o dinheiro público que, através de PROUNIs, escoam verdadeiros rios para instituições de ensino superior privadas, as famigeradas lojinhas de ensino.
PS: não me subestimem, eu conheço a tecla print screen.
A idéia era mostrar num outro texto que, em breve, pelo andar da carruagem (pressão do movimento negro e a tendência do STF de decidir pelo clamor das ruas), acabaria sendo aprovada a cota de notas: alunos negros já teriam garantida, de saída, nota 2. Se tirasse 3 na prova, já passaria por média 5.
Afinal, não seria justo exigir que o preto, oprimido e excluído por 500 anos, atingisse a mesma nota que os filhos da elite branca que estudaram em colégios caros e têm dinheiro para comprar livros e adquirir cultura. Ademais, professor, com esta patrulha toda, não arriscaria a reprovar aluno preto, vai que acham que é racismo e o demitem...).
Era isto: política de cotas (políticas afirmativas, de um modo geral) é tiro pela culatra, vai criar 'racismo' onde não tem. Não é desculpa, é explicação, eu escrevi aquelas oito linhas rapidamente e publiquei, não havia ali nada que pudesse dar margem a outro tipo de interpretação. Há um raciocínio lógico que leva a uma conclusão inequívoca.
A linguagem 'curta e grossa', como um leitor adjetivou, foi, em parte, intencional (para chamar a atenção) e, em parte, fruto da pressa com que foi escrita. Tenho muito pouco tempo para escrever, quando me ocorre uma idéia, escrevo primeiro no Facebook, onde o texto tem de ser preferencialmente curto. Em seguida, copio-colo e publico no blog. Eu não cogitei em nenhum momento que a redação pudesse provocar confusão ou conter ambiqüidade.
Agora, cá prá nós, a reação foi desproporcional. Basta reler o texto para perceber que, sim, eu devia estar falando de cotas. Se eu escrevesse " cotista eu não quero', ficava bom, era isto claramente o que meu texto dizia: a mim não faz diferença cor da pele, mas a partir de agora (força de expressão, será daqui a algum tempo, quando os cotistas sairem das universidades e estiverem no mercado de trabalho), qualquer profissional negro pode ser olhado com desconfiança, sua habilitação técnica pode ser questionada e diminuída.
Afinal, formar-se não lhe teria custado o mesmo esforço e capacidade intelectual exigidos daqueles que ingressararam nas universidades porque eram, sim, os melhores. Era isto.
Com toda a confusão e ambiguidade, esta hipótese e interpretação não podiam ser descaratadas. A menos, que houvesse má-fé, ação coordenada de tropa de choque, militância intimidatória.
Ninguém se deu ao trabalho de ler outros textos meus? Desafio a que me mostrem uma única palavra, dúbia que seja, de conotação racista.
Não é engraçado que esta mesma racista asquerosa tenha escrito em janeiro de 2011, ao analisar uma apostila do COC, usada por minha filha no colégio onde estudava, as seguintes palavras (meu texto está em azul): http://blogdemirianmacedo.blogspot.com.br/2011/01/pente-fino-1.html
"Podemos tomar como exemplo a escravidão, justificada (por quem?) pela condição de inferioridade do negro, (Bobagem. O negro era, sim, superior. Forte, resistente, saudável, esperto, inteligente, e alegre. Por isto, era boa mercadoria. Além disto, eram os próprios negros africanos que vendiam outros negros escravizados aos comerciantes europeus.)"
Neste mesmo texto, eu ainda escrevo:(Tem gente que garante até hoje que a Igreja Católica teria legitimado a escravidão, por considerar o negro um animal desprovido de alma. É mentira. Para a Igreja, todo ser humano tem alma, "soprada" por Deus no instante da concepção. E a Igreja obedece a Nosso Senhor Jesus Cristo, que ordenou aos apóstolos: "Ide e ensinai a todas as gentes tudo o que eu vos ensinei, batizando-as em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo". Em 1537, o Papa Paulo III publicou a Bula Veritas Ipsa (também chamada Sublimis Deus), condenando a escravidão dos 'índios e as mais gentes'.
Pois é, a única coisa que os ofendidos viram e leram foram aquelas oito mal traçadas linhas. E meu blog foi invadido por dezenas de almas nobres e sábias acusando-me de ser racista (sic)!
E mais: recebi ameaças explícitas à minha integridade física: "Sua racista filha da puta...vc não tem noção de humanidade, e de ser jornalista muito menos...seu preconceito é vergonhoso para nossa sociedade! Se você não estiver com medo de sair de casa é bom começar a ter... Anônimo)"
Eu estou levando ao conhecimento da polícia, com denúncia formal e processo. É minha resposta ao aviso da tropa de choque: vão me levar às barras dos tribunais. Ui! Quanta valentia.
Eu repito: eu declarei que não me importa a cor da pele das pessoas. Eu não faço diferenciação alguma entre preto, branco ou amarelo. Agora, daquelas pessoas que escolhem profissões em que a formação intelectual e a habilitação técnica são essencial e imprescindível, eu exijo mérito.
Minha opinião é que o estudante deve entrar na universidade porque teve as notas mais altas no vestibular e tem que se formar porque passou em todos as avaliações.
As cotas para pretos nas universidades não são baseadas em mérito, e sim na 'raça'. Se para preto tem cota 'racial', eu não quero preto porque eu não aceito cota, só mérito. É lógica primária.
Sou católica, minha religião ensinou-me a agir com caridade, que é amar o próximo por amor a Deus. Não olho para os negros com olhos de coitado. Compaixão e solidariedade nada tem a ver com sentimento de coitadismo.
Reconhecer-lhes a herança pesada, cruel e injusta por conta de 400 anos de escravidão (de que são, em grande parte, culpados e responsáveis os próprios negros africanos, próperos e eficientes comerciantes até o século XIX, quando o europeu pôs de fato o pé na África - antes limitavam-se a negociar os escravos nos portos) não significa que eu considere a política afirmativa de cota e outras 'compensações' a melhor solução. Eu acho que acabam por piorar a situaçaõ econômica do negro e provocar o surgimento de preconceito, como no caso a que me referi dos médicos, dentistas engenheiros etc.
Basta ouvir o que diz o economista americano negro, Walter Williams, totalmente contrário às politicas afirmativas. Ele demonstra que estas políticas fizeram mal aos negros americanos e aconselha que não se as adote no Brasil. Vale a pena ver a entrevista inteira. http://www.youtube.com/watch?v=zoBpHaayomc
No que diz respeito ao acesso à universidade, eu não tenho dó de ninguém, nem de negro nem de pobre, naquele diapasão do 'coitadinho'. A dívida e indignação tem que ser com aqueles que querem estudar e não conseguem. Quem disse que todo mundo tem que entrar numa faculdade? Ensino superior é para quem quer estudar e para quem pode (no sentido intelectual da possibilidade).
Ensino superior tem que ser para poucos (eu disse para poucos, não para ricos). Efeito irradiante. O mundo está cheio de moças e rapazes endinheirados e de moças e rapazes pobres que não dão a menor importância ao saber. Qualquer um dos dois que entrar numa universidade pública é dinheiro de quem paga imposto rasgado e jogado no lixo.
O Estado tem que garimpar na escola pública os alunos pobres (brancos, pretos, pardos, japoneses, qualquer um) que querem estudar e dar-lhes condições, bolsas e sustento para isto. Com a escola vagabunda que há no Brasil, pública e privada, este demagogismo da 'universidade para todos' e bolsas de Prouni à mancheia só levam ao rebaixamento da já degradada universidade brasileira.
A universidade ou acaba rebaixando o nível para que o aluno mal formado acompanhe os cursos, ou estes alunos, precariamente educados nas escolas públicas deficientes, acabam por abandonar a universidade por falta de condições de se formar.
No Brasil, o estudo e o esforço para a obtenção de conhecimento é menos valorizado que a biografia de uma pessoa como Lula, que não é um pobre analfabeto, é só um rico ignorante. Luis Inácio Lula da Silva é santificado pela maioria dos jornalistas e intelectuais porque eles vêem na condenação da ignorância um preconceito contra o o povo. Lula acha que ele sabe mais porque leu menos.
Esta conversa toda em torno da 'democratização do ensino' e da 'universidade para todos', não passa, na minha opinião, de manobras eleitoreiras de um partido que não parece disposto a sair tão cedo do poder.
Quanto a filho de rico, que vá pagar sua universidade, mesmo que seja universidade pública. Esta tem que atender a quem não tem dinheiro e quer estudar. Quem estudou a vida toda em escolas particulares é porque tem condições de pagar uma faculdade. Elementar.
No Brasil, a inversão é diabólica: a universidade pública, que é muito concorrida pela qualidade (sabemos que nem é tanto assim) e gratuidade, acaba beneficiando os filhos da elite econômica (negros, inclusive) que estudam em boas escolas particulares e fazem cursinhos caros, enquanto os alunos pobres, oriundos da precária escola pública, só conseguem frequentar faculdades particulares pagas, que são geralmente noturnas e de baixa qualidade.
A perversidade é dupla: quando não é o próprio aluno que arca com o custo da mensalidade, trabalhando de dia e estudando à noite, é o dinheiro público que, através de PROUNIs, escoam verdadeiros rios para instituições de ensino superior privadas, as famigeradas lojinhas de ensino.
PS: não me subestimem, eu conheço a tecla print screen.
Racista não.
Racista, eu? Perante Deus, não. Antes, eu sou eternamente grata a uma negra retinta, Caçula, a quem eu devo minha vida. Ela foi minha mãe-de-leite e evitou que eu morresse aos dois meses de idade, quando tive uma gravíssima infeccção intestinal; o único alimento que meu organismo aceitava era lei materno e o leite de minha mãe tinha secado. Todos os dias, por longo período, mamãe levou-me à sua casa para que eu mamasse. Fiquei boa.
Nós duas ficamos emocionadas, como num reencontro de mãe e filha depois de longos anos de separação, quando eu a visitei em 82, em Coração de Jesus, no sertão de Minas Gerais, onde vivi desde que nasci até os cinco anos.
Sei que foi neste ano, pois tinha ido a Coração de Jesus ver meus avós, já muito velhinhos. Aquela foi a última vez que eu vi o meu avô Lúcio Martins Lulu, então com 98 anos e minha dindinha Lau (Claurinda), de 96 anos. Eles morreriam poucos meses depois, com uma diferença de dois meses entre a morte de um e outro.
Caçula morreu há uns três anos. Eu rezei por ela como se reza por uma mãe. É o que ela foi para mim. Caçula de(volve)u à vida.
Nós duas ficamos emocionadas, como num reencontro de mãe e filha depois de longos anos de separação, quando eu a visitei em 82, em Coração de Jesus, no sertão de Minas Gerais, onde vivi desde que nasci até os cinco anos.
Sei que foi neste ano, pois tinha ido a Coração de Jesus ver meus avós, já muito velhinhos. Aquela foi a última vez que eu vi o meu avô Lúcio Martins Lulu, então com 98 anos e minha dindinha Lau (Claurinda), de 96 anos. Eles morreriam poucos meses depois, com uma diferença de dois meses entre a morte de um e outro.
Caçula morreu há uns três anos. Eu rezei por ela como se reza por uma mãe. É o que ela foi para mim. Caçula de(volve)u à vida.
sábado, 28 de abril de 2012
Gentalha! Gentalha! Gentalha!
Jornalista pedindo censura é prova de tirania totalitária destes tempos petistas. Dirigentes do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do DF, ilustres desconhecidos (quem são?!), querem CQC fora das coberturas da imprensa. O restante do jornalismo chulé aplaude e apóia.
Isto é fraude da pelegada. O compromisso do sindicato é lutar contra qualquer tipo de censura. O jornalista que é eleito para dirigir o sindicato tem o dever de defender a liberdade expressão e garantir o livre exercício da profissão
Não é mais democrático deixar que o povo diga se quer ou não o CQC participando das entrevistas? Ou é o sindicato que sabe o que o povo quer ouvir e escolhe o que o povo pode ver?
O telespectador tem dois eficientes instrumentos de censura nas mãos: o controle remoto e a interatividade. Se ele não quiser ver deboche do CQC nas entrevistas, ele vai mudar de canal e entupir a caixa de email das emissoras de protesto e reclamações. Audiência baixa não mantém 'gracinhas' no ar.
O argumento deste pelegos censores é que humorismo é humorismo, e jornalismo é jornalismo. Ah, é? E Presidente da República chamando assessores de "três porquinhos" é o quê? Liturgia do cargo?
Gentalha, gentalha, gentalha!
http://bit.ly/JQVAQn
Isto é fraude da pelegada. O compromisso do sindicato é lutar contra qualquer tipo de censura. O jornalista que é eleito para dirigir o sindicato tem o dever de defender a liberdade expressão e garantir o livre exercício da profissão
Não é mais democrático deixar que o povo diga se quer ou não o CQC participando das entrevistas? Ou é o sindicato que sabe o que o povo quer ouvir e escolhe o que o povo pode ver?
O telespectador tem dois eficientes instrumentos de censura nas mãos: o controle remoto e a interatividade. Se ele não quiser ver deboche do CQC nas entrevistas, ele vai mudar de canal e entupir a caixa de email das emissoras de protesto e reclamações. Audiência baixa não mantém 'gracinhas' no ar.
O argumento deste pelegos censores é que humorismo é humorismo, e jornalismo é jornalismo. Ah, é? E Presidente da República chamando assessores de "três porquinhos" é o quê? Liturgia do cargo?
Gentalha, gentalha, gentalha!
http://bit.ly/JQVAQn
quarta-feira, 25 de abril de 2012
Quem matou Fernando Lemos?
Quem matou Fernando Lemos? O que aconteceu com a criatura mais doce que eu conheci? De que o meu amigo morreu? Ninguém diz nada? Um dos jornalistas mais conhecidos e talentosos de Brasília é internado na segunda-feira e morre na sexta-feira de madrugada e não sai publicada uma única linha sobre o que de fato aconteceu? Aquele que era responsável por cuidar de sua saúde não tem nada a esclarecer? Fernando Lemos morreu 'porque sim'? Onde está a verdade?
Eu conto o que eu sei: quando, uma semana antes de morrer, Fernando Lemos finalmente aceitou ser internado, o seu organismo já tinha entrado em colapso. Ele estava tão debilitado que não pôde se submeter a exames diagnósticos; antes, seu organismo precisava ser estabilizado.
Caso ele melhorasse, os médicos fariam uma colonoscopia (já sabiam que era câncer de cólon). Fernando, muito fraco, ainda protestou "Nem morto!". Ao que um dos médicos respondeu: "Morto você já está".
As poucas pessoas que conviveram em tempos recentes com Fernando Lemos sabem que seus últimos dias de vida foram muito dolorosos e sofridos (ele evitava qualquer contato, sabia que estava morrendo, não queria ver ninguém nem queria que o vissem daquele jeito, parecendo saído de um campo de concentração. Fernando estava tão magro que os tumores podiam ser tocados com as mãos. Ele vinha perdendo sangue há mais de seis meses).
Agora, não adianta perguntar por que ele? Por que sofreu? O sofrimento é atributo do ser humano. A pergunta é outra: por que uma pessoa de inteligência incomum, que amava a vida, que nasceu numa família amorosa e unida e queria ver os filhos e netos crescer, entregou-se, sem lutar, e definhou pouco a pouco até morrer?
Por que Fernando, a despeito da precaríssima condição de saúde, não aceitou tratar-se a tempo com os recursos da medicina moderna, que poderiam salvá-lo e preservar aquela doçura de pessoa que todos nós amávamos tanto?
Por que Fernando Lemos, com histórico de câncer na família (perdeu um irmão há menos de um ano) e com sintomas adiantados da doença, recusou tratamentos médicos sofisticados e recursos tecnológicos de ponta e entregou-se aos conselhos e cuidados de um guru naturopata, que nem diploma de médico tem, um tal doutor Melara, 'um subversivo e transgressor' que ensinava as pessoas "a serem seus próprios médicos e a não dependerem de médicos, medicamentos, hospitais e UTIs?".
O quase centenário José Efraín Melara, um dos gurus de Fernando Lemos (o outro é o insinuante e tenebroso babalorixá Raul de Xangô), alardeava a quem quisesse ouvir que "câncer, stress e depressão são nomes inventados à maneira de terrorismo, para assustar a pessoa e fazer com que ela caia dentro do curandeirismo (como ele, cinicamente, se refere à medicina alopática e terapias da medicina moderna)".
Para o cientista, que vive recluso e isolado nas proximidades de Brasília, num sítio que ostenta o nome pretensioso de El Cielo, as doenças não existem, e por isso mesmo, também a cura não existe.
- Nós não curamos estas coisas (câncer, stress ou depressão). Nós resolvemos o problema, ensinando a pessoa a descansar, a respirar, a se alimentar. A viver bem. Quem vive bem, não necessita de medicamento.
Este é o homem a quem Fernando Lemos entregou o cuidado de sua saúde e, pelo visto, o destino de sua alma. Hoje, todos sabemos que este médico - que não possui sequer um site na internet - foi um dos responsáveis por incutir na cabeça de Fernando, desde a década de 70, quando se conheceram, a idéia de jamais procurar socorro na medicina alopática e de nunca confiar na indústria farmacêutica.
Nos últimos anos, o contato entre os dois foi intenso e freqüente; Fernando tinha, inclusive, planos de financiar um 'hospital holístico' para o guru naturopata. Sabe-se que o idealista e desprendido Melara recebeu muito dinheiro de Fernando Lemos durante todos estes anos. Defensor de mundo ideal geralmente go$ta muito de real. Olho verde tem olho grande.
A verdade é que o domínio do guru sobre o discípulo era total. A lavagem cerebral foi tão intensa que, já muito doente, com câncer no intestino e em franco processo de falência física geral, Fernando Lemos se submetia com freqüência a uma das práticas mais usadas e recomendados nos manuais de naturoterapia de Efrain Melara: lavagens intestinais! Não é de espantar: Fernando era diabético e a dieta natural prescrita a ele por Melara incluía...rapadura.
A Naturopatia praticada por Melara é radical: ele não usa nenhum tipo de medicamento e todos os diagnósticos são feitos unicamente através da íris; nem mesmo diagnósticos de doenças graves como câncer contam com o auxílio de imagem (tomografias, raio X ou ultrassom).
Suas terapias utilizam apenas a água, o barro (argila,) o sol, o ar (respiração), a massagem e a alimentação. Melara não se socorre nem mesmo de medicinas alternativas , como a homeopatia, a fitoterapia, a medicina chinesa, a acupuntura e medicina ayurvédica.
O homem que diz resolver qualquer problema de saúde vive no sítio El Cielo de forma modesta e sem praticamente qualquer recurso tecnológico; sua mesa de trabalho ostenta, no lugar de um computador, uma paquidérmica e nostálgica máquina de escrever Olivetti, que nem elétrica é.
O consultório e sala de espera limitam-se a exíguos metros quadrados de área e, além de cadeiras de metal, daquelas encontradas em bares simples, e ofertadas pelos distribuidores de bebidas, não se vêem mais que posters e imagens de anatomia humana nas paredes e aparelhos de medir pressão antiquados e obsoletos.
É neste ambiente precário que Melara hoje vive e atende a sua clientela, ao lado unicamente da mulher, Consuelo, uma senhora também de idade já avançada. Sobre suas qualificações, ele garante que estudou filosofia, direito, jornalismo e medicina, o que, sendo verdade, é inteiramente diferente de ser formado e diplomado (coisa que ele não é) em instituição de ensino superior reconhecida oficialmente pelas autoridades governamentais e de classe.
O naturopata nasceu em Honduras no início do século passado, embrenhou-se na floresta amazônica, conviveu com índios e, na década de 60, chegou ao Brasil. Instalou-se nos anos 70 numa chácara na periferia de Brasília.
José Efraín Melara era o próprio Deus para Fernando Lemos, que chegou a criar o blog Ponto de Interseção para expor e defender as idéias de seu guru, apresentado como "herdeiro da tradição dos druidas, a elite científica e intelectual dos celtas, descendente direto dos maias, aborígenes que ocupavam a região onde hoje se localiza a América Central (para Melara, antiga Atlântida, uma civilização muito avançada)".
Segundo Fernando, Melara também "rejeita a herança dos colonizadores, que para ele apenas destruíram uma civilização avançada, pacífica, substituindo-a por uma civilização doente".
Uma curiosidade: Efraín Melara foi do Partido Comunista, exilado político, guerrilheiro, braço direito de Fidel Castro, amigo do revolucionário cubano Camilo Cienfuegos e de Ernesto Che Guevara. A sua biografia confirma a tese de que hoje 'o 'verde' é o novo nome do 'vermelho'.
Basta ler os escritos de Fernando Lemos sobre a naturopatia para comprovar a mistura do 'verde' (a devoção a Gaia) com o 'vermelho '(as idéias chinfrins de Engels expostas no livro A Origem da família, da propriedade privada e do Estado).
Num malabarismo mental mambembe, no texto intitulado As doenças básicas do homem, Fernando Lemos atribui à propriedade privada a culpa pela criação "da doença chamada família – porque, como o homem era “dono”, alguém de seu sangue tinha que herdar sua “propriedade” (só rindo desta bobagem: era Fernando que organizava todo ano a festa de aniversário de sua mãe, Catita, quando toda a família se reunia em volta da matriarca).
Nos textos escritos para enaltecer o guru naturopata, Fernando defendia com freqüência idéias rasteiras, totalmente incompatíveis com seu brilho intelectual. Um exemplo: ele dizia que Efraín Melara era atacado " porque seu trabalho, seus livros, sua pesquisa, a Naturopatia e as naturoterapias buscam a saúde, e a saúde não ajuda no “progresso” nem aumenta o PIB, porque a pessoa saudável não compra remédios, não procura médicos, não freqüenta hospitais, não fica internada nas UTIs, não faz cirurgias."
Fernando Lemos não estava mentindo quando dizia que quase ninguém sabe quem é Efraín Melara. "Ele (Melara)não fez e não faz nenhuma concessão ao sistema, não faz propaganda de seu trabalho, não mercantiliza seu talento, não se adapta à cultura dominante. Não se expõe em palestras ou seminários, não tem site na Internet, edita seus livros - que não são encontradosem livrarias - em edições caseiras. Não busca a fama, nem dinheiro, nem reconhecimento, nem fila de gente na porta de seu consultório".
Na internet, as referências a Melara são minguadas; geralmente aparecem os artigos do próprio Fernando Lemos enaltecendo o seu guru e a naturopatia, ou então, notícias sobre projetos cinematográficos da animada e holística cineasta e ex-mulher de Fernando Lemos, Ana Cristina Costa e Silva (Tininha) que, entre viagens a Stonehenge e festas à fantasia em que aparece de melindrosa, faz apologia imagética de sábios ancestrais, como Melara, ou visionários do mundo, como Raul de Xangô, um babalorixá e chefe de terreiro de Brasília que se gaba, rindo, de ter 'acesso e intimidade com o diabo'.
Nestes dias, depois que Fernando Lemos morreu, fui atrás de informações sobre o que ele fez, escreveu e creu, durante o período em que estivemos sem contato. Sinto dizer, não vi nada daquela inteligência exuberante que eu conheci e que inspirava quem estivesse à sua volta.
Onde foi parar o enfant terrible que conviveu e, por certo, encantou mentes e inteligências privilegiadas como a do tio Roberto Campos (irmão de Catita, mãe de Fernando), e de Otto Maria Carpeaux, Nelson Rodrigues e Paulo Francis, com quem, com apenas 15 anos, Fernando Lemos dividiu a redação do lendário jornal carioca, Correio da Manhã?
Lendo seu blog O Ponto de Interseção, criado em 2008, eu cheguei à conclusão que a degeneração física de Fernando foi precedida por uma degradação intelectual inacreditável. A argumentação tosca e grosseira, o raciocínio indigente e as conclusões estapafúrdias nos textos de Fernando levam a crer que Melara exercia um domínio espiritual nefasto sobre Fernando. Como se o guru tivesse sugado a energia pensante, o discernimento, o bom senso e a razão de Fernando Lemos.
Eu refiro-me a Melara, mas parece que Fernando sempre esteve 'encantado' por algum 'bruxo'. Basta lembrar que foi Fernando Lemos que projetou a figura vulgar e sem lustro de Raul de Xangô, dedicando-lhe páginas e páginas do Correio Braziliense, patrocinando lançamento de seus livros (sic) e participando de filmes e documentários sobre o "bruxo dialético do Planalto Central", como Fernando se referia a Raul.
Não que Fernando fosse um idiota, era um transgressor. Estas 'bruxarias' deviam servir, na sua opinião, para afrontar as instituições que ele achava ultrapassadas: o establishment, a Igreja. À volta de Fernando, certamente os devotos de Mãe Gaia, dos saberes ancestrais, da cosmovisão holística e do retorno à pureza da vida natural batiam palmas. Mal sabem estes revolucionários que nada mais politicamente correto e mainstream que esta xaropada apregoada pela Nova Era: 'religiosidade sem religião', culto a Gaia, volta à natureza.
Fernando Lemos deve ter passado os últimos anos de sua vida ouvindo os amigos dizer que ele era iluminado, sábio, um ser conectado com as forças e energias cósmicas e outros blá blá blás. Mesmo agora que ele morreu, o mantra continua a ser repetido.
Uma boa dose de coragem para dizer a Fernando que tudo o que ele professava e defendia era só estupidez e ignorância talvez fizesse com que a doçura de pessoa que ele era ainda estivesse viva, para preencher de brilho e alegria a vida de todos nós.
Fernando Lemos dizia - repetindo Melara - que qualquer doença é conseqüência do desrespeito às leis biológicas e da apartação do homem com a natureza. Para a naturopatia, não existe diferença básica entre gripe ou câncer. A cura para um e outro é a mesma: respirar, alimentar e descansar. Fernando Lemos agora está descansando no Campo da Esperança em Brasília. Em paz. A paz dos cemitérios.
Eu o encontrarei na eternidade, eu sei que ele foi para o céu. É onde moram os anjos.
Eu conto o que eu sei: quando, uma semana antes de morrer, Fernando Lemos finalmente aceitou ser internado, o seu organismo já tinha entrado em colapso. Ele estava tão debilitado que não pôde se submeter a exames diagnósticos; antes, seu organismo precisava ser estabilizado.
Caso ele melhorasse, os médicos fariam uma colonoscopia (já sabiam que era câncer de cólon). Fernando, muito fraco, ainda protestou "Nem morto!". Ao que um dos médicos respondeu: "Morto você já está".
As poucas pessoas que conviveram em tempos recentes com Fernando Lemos sabem que seus últimos dias de vida foram muito dolorosos e sofridos (ele evitava qualquer contato, sabia que estava morrendo, não queria ver ninguém nem queria que o vissem daquele jeito, parecendo saído de um campo de concentração. Fernando estava tão magro que os tumores podiam ser tocados com as mãos. Ele vinha perdendo sangue há mais de seis meses).
Agora, não adianta perguntar por que ele? Por que sofreu? O sofrimento é atributo do ser humano. A pergunta é outra: por que uma pessoa de inteligência incomum, que amava a vida, que nasceu numa família amorosa e unida e queria ver os filhos e netos crescer, entregou-se, sem lutar, e definhou pouco a pouco até morrer?
Por que Fernando, a despeito da precaríssima condição de saúde, não aceitou tratar-se a tempo com os recursos da medicina moderna, que poderiam salvá-lo e preservar aquela doçura de pessoa que todos nós amávamos tanto?
Por que Fernando Lemos, com histórico de câncer na família (perdeu um irmão há menos de um ano) e com sintomas adiantados da doença, recusou tratamentos médicos sofisticados e recursos tecnológicos de ponta e entregou-se aos conselhos e cuidados de um guru naturopata, que nem diploma de médico tem, um tal doutor Melara, 'um subversivo e transgressor' que ensinava as pessoas "a serem seus próprios médicos e a não dependerem de médicos, medicamentos, hospitais e UTIs?".
O quase centenário José Efraín Melara, um dos gurus de Fernando Lemos (o outro é o insinuante e tenebroso babalorixá Raul de Xangô), alardeava a quem quisesse ouvir que "câncer, stress e depressão são nomes inventados à maneira de terrorismo, para assustar a pessoa e fazer com que ela caia dentro do curandeirismo (como ele, cinicamente, se refere à medicina alopática e terapias da medicina moderna)".
Para o cientista, que vive recluso e isolado nas proximidades de Brasília, num sítio que ostenta o nome pretensioso de El Cielo, as doenças não existem, e por isso mesmo, também a cura não existe.
- Nós não curamos estas coisas (câncer, stress ou depressão). Nós resolvemos o problema, ensinando a pessoa a descansar, a respirar, a se alimentar. A viver bem. Quem vive bem, não necessita de medicamento.
Este é o homem a quem Fernando Lemos entregou o cuidado de sua saúde e, pelo visto, o destino de sua alma. Hoje, todos sabemos que este médico - que não possui sequer um site na internet - foi um dos responsáveis por incutir na cabeça de Fernando, desde a década de 70, quando se conheceram, a idéia de jamais procurar socorro na medicina alopática e de nunca confiar na indústria farmacêutica.
Nos últimos anos, o contato entre os dois foi intenso e freqüente; Fernando tinha, inclusive, planos de financiar um 'hospital holístico' para o guru naturopata. Sabe-se que o idealista e desprendido Melara recebeu muito dinheiro de Fernando Lemos durante todos estes anos. Defensor de mundo ideal geralmente go$ta muito de real. Olho verde tem olho grande.
A verdade é que o domínio do guru sobre o discípulo era total. A lavagem cerebral foi tão intensa que, já muito doente, com câncer no intestino e em franco processo de falência física geral, Fernando Lemos se submetia com freqüência a uma das práticas mais usadas e recomendados nos manuais de naturoterapia de Efrain Melara: lavagens intestinais! Não é de espantar: Fernando era diabético e a dieta natural prescrita a ele por Melara incluía...rapadura.
A Naturopatia praticada por Melara é radical: ele não usa nenhum tipo de medicamento e todos os diagnósticos são feitos unicamente através da íris; nem mesmo diagnósticos de doenças graves como câncer contam com o auxílio de imagem (tomografias, raio X ou ultrassom).
Suas terapias utilizam apenas a água, o barro (argila,) o sol, o ar (respiração), a massagem e a alimentação. Melara não se socorre nem mesmo de medicinas alternativas , como a homeopatia, a fitoterapia, a medicina chinesa, a acupuntura e medicina ayurvédica.
O homem que diz resolver qualquer problema de saúde vive no sítio El Cielo de forma modesta e sem praticamente qualquer recurso tecnológico; sua mesa de trabalho ostenta, no lugar de um computador, uma paquidérmica e nostálgica máquina de escrever Olivetti, que nem elétrica é.
O consultório e sala de espera limitam-se a exíguos metros quadrados de área e, além de cadeiras de metal, daquelas encontradas em bares simples, e ofertadas pelos distribuidores de bebidas, não se vêem mais que posters e imagens de anatomia humana nas paredes e aparelhos de medir pressão antiquados e obsoletos.
É neste ambiente precário que Melara hoje vive e atende a sua clientela, ao lado unicamente da mulher, Consuelo, uma senhora também de idade já avançada. Sobre suas qualificações, ele garante que estudou filosofia, direito, jornalismo e medicina, o que, sendo verdade, é inteiramente diferente de ser formado e diplomado (coisa que ele não é) em instituição de ensino superior reconhecida oficialmente pelas autoridades governamentais e de classe.
O naturopata nasceu em Honduras no início do século passado, embrenhou-se na floresta amazônica, conviveu com índios e, na década de 60, chegou ao Brasil. Instalou-se nos anos 70 numa chácara na periferia de Brasília.
José Efraín Melara era o próprio Deus para Fernando Lemos, que chegou a criar o blog Ponto de Interseção para expor e defender as idéias de seu guru, apresentado como "herdeiro da tradição dos druidas, a elite científica e intelectual dos celtas, descendente direto dos maias, aborígenes que ocupavam a região onde hoje se localiza a América Central (para Melara, antiga Atlântida, uma civilização muito avançada)".
Segundo Fernando, Melara também "rejeita a herança dos colonizadores, que para ele apenas destruíram uma civilização avançada, pacífica, substituindo-a por uma civilização doente".
Uma curiosidade: Efraín Melara foi do Partido Comunista, exilado político, guerrilheiro, braço direito de Fidel Castro, amigo do revolucionário cubano Camilo Cienfuegos e de Ernesto Che Guevara. A sua biografia confirma a tese de que hoje 'o 'verde' é o novo nome do 'vermelho'.
Basta ler os escritos de Fernando Lemos sobre a naturopatia para comprovar a mistura do 'verde' (a devoção a Gaia) com o 'vermelho '(as idéias chinfrins de Engels expostas no livro A Origem da família, da propriedade privada e do Estado).
Num malabarismo mental mambembe, no texto intitulado As doenças básicas do homem, Fernando Lemos atribui à propriedade privada a culpa pela criação "da doença chamada família – porque, como o homem era “dono”, alguém de seu sangue tinha que herdar sua “propriedade” (só rindo desta bobagem: era Fernando que organizava todo ano a festa de aniversário de sua mãe, Catita, quando toda a família se reunia em volta da matriarca).
Nos textos escritos para enaltecer o guru naturopata, Fernando defendia com freqüência idéias rasteiras, totalmente incompatíveis com seu brilho intelectual. Um exemplo: ele dizia que Efraín Melara era atacado " porque seu trabalho, seus livros, sua pesquisa, a Naturopatia e as naturoterapias buscam a saúde, e a saúde não ajuda no “progresso” nem aumenta o PIB, porque a pessoa saudável não compra remédios, não procura médicos, não freqüenta hospitais, não fica internada nas UTIs, não faz cirurgias."
Fernando Lemos não estava mentindo quando dizia que quase ninguém sabe quem é Efraín Melara. "Ele (Melara)não fez e não faz nenhuma concessão ao sistema, não faz propaganda de seu trabalho, não mercantiliza seu talento, não se adapta à cultura dominante. Não se expõe em palestras ou seminários, não tem site na Internet, edita seus livros - que não são encontrados
Na internet, as referências a Melara são minguadas; geralmente aparecem os artigos do próprio Fernando Lemos enaltecendo o seu guru e a naturopatia, ou então, notícias sobre projetos cinematográficos da animada e holística cineasta e ex-mulher de Fernando Lemos, Ana Cristina Costa e Silva (Tininha) que, entre viagens a Stonehenge e festas à fantasia em que aparece de melindrosa, faz apologia imagética de sábios ancestrais, como Melara, ou visionários do mundo, como Raul de Xangô, um babalorixá e chefe de terreiro de Brasília que se gaba, rindo, de ter 'acesso e intimidade com o diabo'.
Nestes dias, depois que Fernando Lemos morreu, fui atrás de informações sobre o que ele fez, escreveu e creu, durante o período em que estivemos sem contato. Sinto dizer, não vi nada daquela inteligência exuberante que eu conheci e que inspirava quem estivesse à sua volta.
Onde foi parar o enfant terrible que conviveu e, por certo, encantou mentes e inteligências privilegiadas como a do tio Roberto Campos (irmão de Catita, mãe de Fernando), e de Otto Maria Carpeaux, Nelson Rodrigues e Paulo Francis, com quem, com apenas 15 anos, Fernando Lemos dividiu a redação do lendário jornal carioca, Correio da Manhã?
Lendo seu blog O Ponto de Interseção, criado em 2008, eu cheguei à conclusão que a degeneração física de Fernando foi precedida por uma degradação intelectual inacreditável. A argumentação tosca e grosseira, o raciocínio indigente e as conclusões estapafúrdias nos textos de Fernando levam a crer que Melara exercia um domínio espiritual nefasto sobre Fernando. Como se o guru tivesse sugado a energia pensante, o discernimento, o bom senso e a razão de Fernando Lemos.
Eu refiro-me a Melara, mas parece que Fernando sempre esteve 'encantado' por algum 'bruxo'. Basta lembrar que foi Fernando Lemos que projetou a figura vulgar e sem lustro de Raul de Xangô, dedicando-lhe páginas e páginas do Correio Braziliense, patrocinando lançamento de seus livros (sic) e participando de filmes e documentários sobre o "bruxo dialético do Planalto Central", como Fernando se referia a Raul.
Não que Fernando fosse um idiota, era um transgressor. Estas 'bruxarias' deviam servir, na sua opinião, para afrontar as instituições que ele achava ultrapassadas: o establishment, a Igreja. À volta de Fernando, certamente os devotos de Mãe Gaia, dos saberes ancestrais, da cosmovisão holística e do retorno à pureza da vida natural batiam palmas. Mal sabem estes revolucionários que nada mais politicamente correto e mainstream que esta xaropada apregoada pela Nova Era: 'religiosidade sem religião', culto a Gaia, volta à natureza.
Fernando Lemos deve ter passado os últimos anos de sua vida ouvindo os amigos dizer que ele era iluminado, sábio, um ser conectado com as forças e energias cósmicas e outros blá blá blás. Mesmo agora que ele morreu, o mantra continua a ser repetido.
Uma boa dose de coragem para dizer a Fernando que tudo o que ele professava e defendia era só estupidez e ignorância talvez fizesse com que a doçura de pessoa que ele era ainda estivesse viva, para preencher de brilho e alegria a vida de todos nós.
Fernando Lemos dizia - repetindo Melara - que qualquer doença é conseqüência do desrespeito às leis biológicas e da apartação do homem com a natureza. Para a naturopatia, não existe diferença básica entre gripe ou câncer. A cura para um e outro é a mesma: respirar, alimentar e descansar. Fernando Lemos agora está descansando no Campo da Esperança em Brasília. Em paz. A paz dos cemitérios.
Eu o encontrarei na eternidade, eu sei que ele foi para o céu. É onde moram os anjos.
* http://www.youtube.com/watch?v=kVYTVx6ijXI) (vídeo sobre Melara)
http://pontodeintersecao.blogspot.com.br/2007/03/melara.html
http://diretoparaoaltar.arteblog.com.br/275248/Melara-Quem-e-esse-cara-Quem-e-esse-transgressor/
http://pontodeintersecao.blogspot.com.br/2007/03/melara.html
http://diretoparaoaltar.arteblog.com.br/275248/Melara-Quem-e-esse-cara-Quem-e-esse-transgressor/
sábado, 21 de abril de 2012
Fernando Lemos morreu. Viva Fernando Lemos.
Que tristeza. Eu soube que Fernando Lemos estava doente num dia; no outro, eu li a notícia de sua morte.
Eu me lembro perfeitamente do dia em que conheci Fernando Lemos: em 1975, ele, mais gordinho, cabelos grandes nos ombros, que ele insistentemente colocava atrás da orelha, entrou na redação do Correio Braziliense, trazido por Oliveira Bastos.
Fernando (ou Baby ou Fernando Sardinha) tinha recém-chegado de Londres e Oliveira Bastos acabava de aterrissar no Correio Braziliense, explodindo feito bomba e subvertendo aquele ambiente pachorrento e pacato da redação.
Eu estava começando na profissão, tinha arranjado um emprego de copydesk (meu Deus, eu não sabia nem o que era 'quatro de onze' - título de quatro colunas e onze toques). Oliveira Bastos decretou uma semana depois de assumir a chefia da redação:" Você é repórter!".
Entre uma reportagem e outra, virei 'assistente' de Fernando Lemos no Anexo, um encarte dominical do CB, (contra)cultural, irônico-sarcástico e debochado, que era sempre ameaçado de não sair: os "ômi' não gostavam.
Anexo tinha de tudo, misturava poetas maiores (Rimbaud, Baudelaire), poetas-piada, foto-poemas, textos maravilhosos de J.O. Meira Penna, entrevistas com Jorge Luis Borges, cartuns e, reportagens minhas. (Em 1976, um ano depois de conhecer e trabalhar com Fernando Lemos, eu saí do Correio; tinha recebido e aceitado o convite para trabalhar no Jornal de Brasília.) Foi bom enquanto durou. Muito divertido. Neste ano juntos, Fernando e eu nos tornamos amigos.
Foi em companhia de Fernando Lemos que eu ouvi o então ministro da Fazenda, Mário Henrique Simonsen, cantar óperas, depois de um jantar e muitas taças de vinho, em sua mansão no Lago Sul. Os convidados para o jantar eram Oliveira Bastos, Fernando Lemos e Edison Lobão, hoje ministro das Minas e Energia e na época colunista político do CB.
Na verdade, eu esta lá porque Oliveira Bastos gostava muito mim. Ele costumava dizer que eu o tinha enganado, escondendo que eu era repórter.
(Foi assim. Num sábado, uma emergência: não tinha ninguém para ir à Ilha do Bananal com o presidente da Funai, numa visita à aldeia carajá, no Parque Nacional do Xingu. Ida e volta no mesmo dia. Eu fui escalada. Quando voltei, Oliveira Bastos pediu a matéria para ler. Na segunda-feira, quando eu entrei na redação, Oliveira Bastos gritou lá do fundo:"Mírian Macedo, quem disse que tu és copidesk?" Eu gelei, estava despedida. E na frente de todo mundo! Então, Oliveira Bastos completou: "Li tua matéria, tu és repórter". Foi o maior elogio que eu recebi.)
Fernando Lemos e Oliveira Bastos foram os responsáveis pela vinda de Gláuber Rocha para Brasília em 77 e foi no Correio Braziliense que o cineasta escreveu seus textos cheio de 'y' e 'z' (é desta época a famosa carta/artigo que Glauber manda para Zuenir Ventura,na Isto É, em que o cineasta elogia Geisel e apóia a abertura lenta, gradual e segura).
Entre 77 e 79, Fernando Lemos e Oliveira Bastos acolheram todas as iniciativas de Gláuber em Brasilia (discursou, como metralhadora giratória, nas tardes do Clube de Imprensa para uma platéia muda e extasiada, eu incluída, filmou a Idade da Terra, tumultuou o Festival de Brasília, escreveu artigos cheios de 'y' ("uma brincadeira lingüística com o vanguardismo dos anos 20, num estilo tropicalista e na direção da língua tupi, para chamar a atenção de um povo que não lê" ) e quase morreu de sérias complicações de saúde, chegando a ficar internado no Hospital das Forças Armadas).
Tempos depois, Fernando Lemos patrocinaria outra personagem, desta vez uma figura folclórica e medíocre, mas que faz o estilo de Brasília e encanta a mentalidade tacanha e irresponsável de grande parte de seus jornalistas: um tal Raul de Xangô, que se orgulhava do epíteto "O Bruxo".
A criatura fazia sucesso entre os jornalistas. Raul estava sempre entre repórteres, fotógrafos e editores nas mesas de bares e resturantes e era incensado principalmente pelo Correio Braziliense. Raul de Xangô era guru dos jornalista e dos poderosos de Brasília.
Mas a fachada de 'bruxo folclórico' escondia um outro Raul que, a levar a sério as suas próprias palavras, é diabólico e frequentador dos mundos inferiores. É dele a frase: "Acham que eu tenho pacto com o diabo. Não, não tenho. Eu só tenho acesso e intimidade'. E ria.
As festas que o 'bruxo' realizava em sítios nas proximidades de Brasília, em que se ouviam atabaques, santo baixando e despachos, eram freqüentadas por políticos, pela alta burocracia e pela nata do jornalismo. A mim, dava engulhos. Certo dia, Raul de Xangô, se insinuou, pretensioso: "Você é muito tenra" (não é erro de digitação, é 'tenra' mesmo).
Desde que vim para São Paulo, em 81, nunca mais encontrei Fernando Lemos. Recentemente, eu descobri seu perfil no Facebook, mas preferi não fazer contato. Pensei: "ele não vai achar nada de interessante no meu novo modo de ser: não sou devota de Mãe Gaia.
Certamente, para Fernando, eu seria 'direita'. É assim que meus amigos de Brasília me identificam agora. Fazer o quê? É verdade. Eu sou direita.
Saudades, meu amigo. Mereces o céu.
Eu me lembro perfeitamente do dia em que conheci Fernando Lemos: em 1975, ele, mais gordinho, cabelos grandes nos ombros, que ele insistentemente colocava atrás da orelha, entrou na redação do Correio Braziliense, trazido por Oliveira Bastos.
Fernando (ou Baby ou Fernando Sardinha) tinha recém-chegado de Londres e Oliveira Bastos acabava de aterrissar no Correio Braziliense, explodindo feito bomba e subvertendo aquele ambiente pachorrento e pacato da redação.
Eu estava começando na profissão, tinha arranjado um emprego de copydesk (meu Deus, eu não sabia nem o que era 'quatro de onze' - título de quatro colunas e onze toques). Oliveira Bastos decretou uma semana depois de assumir a chefia da redação:" Você é repórter!".
Entre uma reportagem e outra, virei 'assistente' de Fernando Lemos no Anexo, um encarte dominical do CB, (contra)cultural, irônico-sarcástico e debochado, que era sempre ameaçado de não sair: os "ômi' não gostavam.
Anexo tinha de tudo, misturava poetas maiores (Rimbaud, Baudelaire), poetas-piada, foto-poemas, textos maravilhosos de J.O. Meira Penna, entrevistas com Jorge Luis Borges, cartuns e, reportagens minhas. (Em 1976, um ano depois de conhecer e trabalhar com Fernando Lemos, eu saí do Correio; tinha recebido e aceitado o convite para trabalhar no Jornal de Brasília.) Foi bom enquanto durou. Muito divertido. Neste ano juntos, Fernando e eu nos tornamos amigos.
Foi em companhia de Fernando Lemos que eu ouvi o então ministro da Fazenda, Mário Henrique Simonsen, cantar óperas, depois de um jantar e muitas taças de vinho, em sua mansão no Lago Sul. Os convidados para o jantar eram Oliveira Bastos, Fernando Lemos e Edison Lobão, hoje ministro das Minas e Energia e na época colunista político do CB.
Na verdade, eu esta lá porque Oliveira Bastos gostava muito mim. Ele costumava dizer que eu o tinha enganado, escondendo que eu era repórter.
(Foi assim. Num sábado, uma emergência: não tinha ninguém para ir à Ilha do Bananal com o presidente da Funai, numa visita à aldeia carajá, no Parque Nacional do Xingu. Ida e volta no mesmo dia. Eu fui escalada. Quando voltei, Oliveira Bastos pediu a matéria para ler. Na segunda-feira, quando eu entrei na redação, Oliveira Bastos gritou lá do fundo:"Mírian Macedo, quem disse que tu és copidesk?" Eu gelei, estava despedida. E na frente de todo mundo! Então, Oliveira Bastos completou: "Li tua matéria, tu és repórter". Foi o maior elogio que eu recebi.)
Fernando Lemos e Oliveira Bastos foram os responsáveis pela vinda de Gláuber Rocha para Brasília em 77 e foi no Correio Braziliense que o cineasta escreveu seus textos cheio de 'y' e 'z' (é desta época a famosa carta/artigo que Glauber manda para Zuenir Ventura,na Isto É, em que o cineasta elogia Geisel e apóia a abertura lenta, gradual e segura).
Entre 77 e 79, Fernando Lemos e Oliveira Bastos acolheram todas as iniciativas de Gláuber em Brasilia (discursou, como metralhadora giratória, nas tardes do Clube de Imprensa para uma platéia muda e extasiada, eu incluída, filmou a Idade da Terra, tumultuou o Festival de Brasília, escreveu artigos cheios de 'y' ("uma brincadeira lingüística com o vanguardismo dos anos 20, num estilo tropicalista e na direção da língua tupi, para chamar a atenção de um povo que não lê" ) e quase morreu de sérias complicações de saúde, chegando a ficar internado no Hospital das Forças Armadas).
Tempos depois, Fernando Lemos patrocinaria outra personagem, desta vez uma figura folclórica e medíocre, mas que faz o estilo de Brasília e encanta a mentalidade tacanha e irresponsável de grande parte de seus jornalistas: um tal Raul de Xangô, que se orgulhava do epíteto "O Bruxo".
A criatura fazia sucesso entre os jornalistas. Raul estava sempre entre repórteres, fotógrafos e editores nas mesas de bares e resturantes e era incensado principalmente pelo Correio Braziliense. Raul de Xangô era guru dos jornalista e dos poderosos de Brasília.
Mas a fachada de 'bruxo folclórico' escondia um outro Raul que, a levar a sério as suas próprias palavras, é diabólico e frequentador dos mundos inferiores. É dele a frase: "Acham que eu tenho pacto com o diabo. Não, não tenho. Eu só tenho acesso e intimidade'. E ria.
As festas que o 'bruxo' realizava em sítios nas proximidades de Brasília, em que se ouviam atabaques, santo baixando e despachos, eram freqüentadas por políticos, pela alta burocracia e pela nata do jornalismo. A mim, dava engulhos. Certo dia, Raul de Xangô, se insinuou, pretensioso: "Você é muito tenra" (não é erro de digitação, é 'tenra' mesmo).
Desde que vim para São Paulo, em 81, nunca mais encontrei Fernando Lemos. Recentemente, eu descobri seu perfil no Facebook, mas preferi não fazer contato. Pensei: "ele não vai achar nada de interessante no meu novo modo de ser: não sou devota de Mãe Gaia.
Certamente, para Fernando, eu seria 'direita'. É assim que meus amigos de Brasília me identificam agora. Fazer o quê? É verdade. Eu sou direita.
Saudades, meu amigo. Mereces o céu.
quinta-feira, 12 de abril de 2012
Pílulas anti-abortivas
"O feto anencefálico não terá vida extra-uterina, (nele), o cérebro sequer começa a funcionar. Então não há vida em sentido técnico e jurídico." Luís Roberto Barroso, advogado da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde - entidade que pede a liberação do aborto de fetos anencéfalos (sem cérebro).
********************************
Ouvindo estes ministro do STF falar, só resta concluir: o tal bebê anencéfalo é um desalmado, só nasceu para fazer todo mundo sofrer. Sofre mãe, sofre pai, sofre irmão, sofre família. Mata logo!
*********************************
Eu não quero imaginar a tragédia e a dor de um estupro. Sou mulher e tenho filhas. O estupro é odioso porque é a violência do forte contra o fraco. O aborto também. É arrogância querer ser dono da vida do bebê se não podemos fazer o próprio coração bater.
**********************************
Não tem sentido discutir se feto é ou não ser humano. Se anencefálo é ou não ser vivo. Cientistas e juristas argumentam, uns dizem que sim, outros que não. A questão tem que ser posta assim: eu tenho um copo na mão e te digo: aqui pode ter veneno mortal e pode não ter. Bebe." Tu vais beber? Por que?"
**********************************
O aborto no Brasil continua sendo crime, não há o direito ao aborto. O Código Penal não diz que "não constitui crime abortar", mas 'não se pune' o aborto (ou seja, não se aplica a pena) quando ele foi feito no caso de risco de vida para a mãe ou a quando gravidez foi fruto de estupro. Foi esta gambiarra jurídica que levou todo mundo a sair por aí dizendo que, no Brasil, o aborto é legalizado nos dois casos acima. Aborto é crime mesmo nestes casos, apenas não se o pune. A conclusão (malandra) foi de que, não havendo punição, há permissão. Então, tá.
**************************************
A ciência ainda não conseguiu provar que feto (zigoto, blastocisto e embrião) é ser humano e nem provar que não é. Juridicamente, o bebê anencéfalo é considerado ser vivo por uma corrente enquanto outra diz que 'tecnicamente' o anencéfalo não tem vida. Num e noutro caso, os dois lados sustentam que estão certos. A probalidade de assassinato de um ser humano no caso do permitir o aborto é de 50%. Logo, não pode. Simples assim. Deu para entender ou precisa desenhar?
************************************
O aborto no Brasil continua sendo crime, não há o direito ao aborto. O Código Penal não diz que "não constitui crime abortar" ,mas 'não se pune' o aborto (ou seja, não se aplica a pena) quando ele foi feito no caso de risco de vida para a mãe ou a quando gravidez foi fruto de estupro. Foi esta gambiarra jurídica que levou todo mundo a sair por aí dizendo que, no Brasil, o aborto é legalizado nos dois casos acima citados. Aborto é crime mesmo nestes casos, apenas não se o pune. A conclusão (malandra) foi de que, não havendo punição, há permissão. Então, tá.
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A porteira está aberta. O ministro Gilmar Mendes disse tudo: se pode abortar um bebê saudável, no caso de estupro ou risco de vida para a mãe, então não há o que discutir. Bebês imperfeitos, deficientes ou cuja gestação tragam 'sofrimento' (físico ou psicológico) para a mãe, já estão com a sentença decretada: MORTE.
Eu respondo:O feto anencéfalo não terá vida?! Ele TEM vida. E vida HUMANA.
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Se é tão raro aparecer um bebê anencéfalo, por que não proteger exatamente esta minoria? Dor de mãe? Sofrer é atributo humano. Mãe chora e ri, é a vida.
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Ouvindo estes ministro do STF falar, só resta concluir: o tal bebê anencéfalo é um desalmado, só nasceu para fazer todo mundo sofrer. Sofre mãe, sofre pai, sofre irmão, sofre família. Mata logo!
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Eu não quero imaginar a tragédia e a dor de um estupro. Sou mulher e tenho filhas. O estupro é odioso porque é a violência do forte contra o fraco. O aborto também. É arrogância querer ser dono da vida do bebê se não podemos fazer o próprio coração bater.
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Não tem sentido discutir se feto é ou não ser humano. Se anencefálo é ou não ser vivo. Cientistas e juristas argumentam, uns dizem que sim, outros que não. A questão tem que ser posta assim: eu tenho um copo na mão e te digo: aqui pode ter veneno mortal e pode não ter. Bebe." Tu vais beber? Por que?"
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O aborto no Brasil continua sendo crime, não há o direito ao aborto. O Código Penal não diz que "não constitui crime abortar", mas 'não se pune' o aborto (ou seja, não se aplica a pena) quando ele foi feito no caso de risco de vida para a mãe ou a quando gravidez foi fruto de estupro. Foi esta gambiarra jurídica que levou todo mundo a sair por aí dizendo que, no Brasil, o aborto é legalizado nos dois casos acima. Aborto é crime mesmo nestes casos, apenas não se o pune. A conclusão (malandra) foi de que, não havendo punição, há permissão. Então, tá.
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A ciência ainda não conseguiu provar que feto (zigoto, blastocisto e embrião) é ser humano e nem provar que não é. Juridicamente, o bebê anencéfalo é considerado ser vivo por uma corrente enquanto outra diz que 'tecnicamente' o anencéfalo não tem vida. Num e noutro caso, os dois lados sustentam que estão certos. A probalidade de assassinato de um ser humano no caso do permitir o aborto é de 50%. Logo, não pode. Simples assim. Deu para entender ou precisa desenhar?
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O aborto no Brasil continua sendo crime, não há o direito ao aborto. O Código Penal não diz que "não constitui crime abortar" ,mas 'não se pune' o aborto (ou seja, não se aplica a pena) quando ele foi feito no caso de risco de vida para a mãe ou a quando gravidez foi fruto de estupro. Foi esta gambiarra jurídica que levou todo mundo a sair por aí dizendo que, no Brasil, o aborto é legalizado nos dois casos acima citados. Aborto é crime mesmo nestes casos, apenas não se o pune. A conclusão (malandra) foi de que, não havendo punição, há permissão. Então, tá.
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A porteira está aberta. O ministro Gilmar Mendes disse tudo: se pode abortar um bebê saudável, no caso de estupro ou risco de vida para a mãe, então não há o que discutir. Bebês imperfeitos, deficientes ou cuja gestação tragam 'sofrimento' (físico ou psicológico) para a mãe, já estão com a sentença decretada: MORTE.
terça-feira, 3 de abril de 2012
Lulinha gosta é de bicho grande
Quando foi eleito Presidente da República, em 2002, Lula pediu ao amigo geógrafo e professor da USP, Aziz Ab'Sáber, que arranjasse um emprego para o seu primogênito, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, que tinha acabado de se formar em Biologia, numa faculdade em São Bernardo do Campo.
Ab'Sáber conseguiu para o filho do amigo presidente um emprego num laboratório de pesquisa da USP. Pouco tempo depois, Aziz Ab'Sáber encontra Lulinha e pergunta como vai o trabalho. O filho presidencial reclama:
- Eu não aguento mais ver bicho em microscópio, professor. Eu gosto é de bicho grande.
Foi assim que, também por indicação de Aziz, Lulinha virou monitor de jardim zoológico, ganhando um modesto salário de 600 reais.
Hoje, dez anos depois, o primogênito (ex)presidencial é, miraculosamente, um próspero e rico empresário do setor de vídeo-games e produção de conteúdo televisivo.
O milagre da multiplicação começou em 2003, quando Lulinha largou o emprego no Parque Zoológico de São Paulo, vendeu um carro e investiu 50 mil reais numa pequena empresa produtora de vídeo-games, a Gamecorp.
Apesar da modesta presença da Gamecorp no mercado, uma poderosa empresa pública e gigante da telefonia (a antiga Telemar, atual OI) mostrou interesse em associar-se a ela, comprando parte das suas ações por 5 milhões de reais. Em seguida, a Telemar investiu mais 10 milhões de reais, e outros investimentos se seguiram.
A Telemar/OI tem entre seus sócios o empreiteiro Sérgio Andrade, da empreiteira Andrade Gutierrez, que é, coincidentemente, um dos financiadores das campanhas do pai de Lulinha, o Lulão, Luis Inácio Lula da Silva.
Lula, em sua delinqüência moral, comparou o filho ao Fenômeno Ronaldo, negando haver relação entre o estrondoso sucesso financeiro de Lulinha e o fato dele ser filho do Presidente da República.
*Tem mais. Lê aqui:http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/deputado-defende-cpi-sobre-fusao-brt-oi/
Ab'Sáber conseguiu para o filho do amigo presidente um emprego num laboratório de pesquisa da USP. Pouco tempo depois, Aziz Ab'Sáber encontra Lulinha e pergunta como vai o trabalho. O filho presidencial reclama:
- Eu não aguento mais ver bicho em microscópio, professor. Eu gosto é de bicho grande.
Foi assim que, também por indicação de Aziz, Lulinha virou monitor de jardim zoológico, ganhando um modesto salário de 600 reais.
Hoje, dez anos depois, o primogênito (ex)presidencial é, miraculosamente, um próspero e rico empresário do setor de vídeo-games e produção de conteúdo televisivo.
O milagre da multiplicação começou em 2003, quando Lulinha largou o emprego no Parque Zoológico de São Paulo, vendeu um carro e investiu 50 mil reais numa pequena empresa produtora de vídeo-games, a Gamecorp.
Apesar da modesta presença da Gamecorp no mercado, uma poderosa empresa pública e gigante da telefonia (a antiga Telemar, atual OI) mostrou interesse em associar-se a ela, comprando parte das suas ações por 5 milhões de reais. Em seguida, a Telemar investiu mais 10 milhões de reais, e outros investimentos se seguiram.
A Telemar/OI tem entre seus sócios o empreiteiro Sérgio Andrade, da empreiteira Andrade Gutierrez, que é, coincidentemente, um dos financiadores das campanhas do pai de Lulinha, o Lulão, Luis Inácio Lula da Silva.
Lula, em sua delinqüência moral, comparou o filho ao Fenômeno Ronaldo, negando haver relação entre o estrondoso sucesso financeiro de Lulinha e o fato dele ser filho do Presidente da República.
*Tem mais. Lê aqui:http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/deputado-defende-cpi-sobre-fusao-brt-oi/
Millôr: o pior entre ruins
Em 82, já sessentão, Millôr Fernandes votou e fez campanha para eleger Leonel Brizola governador do Rio. Mas dizia que não era brizolista ('nunca fui'), pois considerava Brizola um dos responsáveis pela 'vitória da direita', em 64.
Para Millôr, Brizola - depois de uma "fase politicamente brilhante no Rio Grande do Sul" - achou que tinha o controle do Komintern e, de revólver na mão, desafiou aqueles que tinham o canhão, achando que era o mocinho, o herói. Perdeu.
Mas cá prá nós, ainda que as outras opções na eleição de 82 não fossem animadoras (Moreira Franco (PDS), Miro Teixeira (PMDB), Sandra Cavalcanti (PTB) e Lysâneas Maciel (PT), seguramente Brizola era a pior delas.
Revolucionário, terrorista, amigo e cúmplice de Fidel Castro, Leonel Brizola queria transformar o Brasil numa Cuba. Millôr não sabia?
PS: Vamos ver se eu entendi: o erro de Leonel Brizola foi o de não se armar melhor (literalmente) para enfrentar a reação civil-militar em 64?
Para Millôr, Brizola - depois de uma "fase politicamente brilhante no Rio Grande do Sul" - achou que tinha o controle do Komintern e, de revólver na mão, desafiou aqueles que tinham o canhão, achando que era o mocinho, o herói. Perdeu.
Revolucionário, terrorista, amigo e cúmplice de Fidel Castro, Leonel Brizola queria transformar o Brasil numa Cuba. Millôr não sabia?
PS: Vamos ver se eu entendi: o erro de Leonel Brizola foi o de não se armar melhor (literalmente) para enfrentar a reação civil-militar em 64?
Hay ditadura? Soy contra
Tô dentro: ditadura nunca mais. Não negocio com ditadura. Qualquer uma tem que ser combatida e derrubada. Mas chega da mentira de que os 'mortos e desaparecdidos' eram combatentes pela democracia. Lorota. Os revolucionários que optaram pela luta armada queriam implantar uma ditadura comunista no Brasil. Eu sei do que eu falo, fui da AP-ML/PC do B, o mesmo grupo que fez a Guerrilha no Araguaia. Fernando Gabeira confessa a verdade; quem optou pela luta armada queria 'ditadura do proletariado', aquela mesma de que falava Marx, Engels, Lênin, Stálin, Mao, Fidel e seguazes. Os esquerdistas hoje querem fazer de conta que isto não existiu.
http://www.youtube.com/ watch?feature=player_embedd ed&v=Lkc766dDwhY
http://www.youtube.com/
Lula?
Eu assisti na TV a um trecho de palestra de Leonardo Boff em que ele afirmava que a lula (não o Lula) é o animal que pode ocupar o lugar do homem no caso deste vir a ser extinto. O molusco é dotado de duas memórias, uma coisa assim. Precisa dizer mais?
É fogo na roupa!
Nos anos 60/70, era comum monges budistas atearem fogo às vestes em protesto contra a política religiosa do governo do Vietnã do Sul, aliado dos Estados Unidos na guerra contra o Vietnã do Norte, que era comunista. Nós, esquerdistas do mundo inteiro, esfregávamos a imagem dos mártires no nariz dos EUA, exigindo o fim da guerra e a retirada dos cruéis opressores imperialistas do Sudeste Asiático.
Hoje, cidadãos tibetanos comuns ateiam fogo ao próprio corpo protestando contra a ocupação e destruição do Tibet pelo governo comunista chinês. Nem um pio da esquerda. Comunista valente tem coragem é de cuspir no rosto de velhos, isto sim.
Interessante notar que a esquerda é a maior adepta da Nova Era. Todo comunista é chegado a uma 'espiritualidade sem religião'. Presta atenção: o bom esquerdinha sempre é a favor do Tibet, ama o Dalai-Lama, faz namastê. Agora, denunciar o governo comunista chinês como genocida e opressor, que persegue tibetanos e proíbe a liberdade religiosa, ah, isto não! Afinal, religião é o ópio do povo mesmo, então prá quê? Estão certos os dirigentes comunistas.
Hoje, cidadãos tibetanos comuns ateiam fogo ao próprio corpo protestando contra a ocupação e destruição do Tibet pelo governo comunista chinês. Nem um pio da esquerda. Comunista valente tem coragem é de cuspir no rosto de velhos, isto sim.
Interessante notar que a esquerda é a maior adepta da Nova Era. Todo comunista é chegado a uma 'espiritualidade sem religião'. Presta atenção: o bom esquerdinha sempre é a favor do Tibet, ama o Dalai-Lama, faz namastê. Agora, denunciar o governo comunista chinês como genocida e opressor, que persegue tibetanos e proíbe a liberdade religiosa, ah, isto não! Afinal, religião é o ópio do povo mesmo, então prá quê? Estão certos os dirigentes comunistas.

sábado, 31 de março de 2012
Corajosos e valentinhos
Hoje, arrisca a pele (literalmente) quem vai contra o rebanho e diz o que todos sabem: o Brasil poderia, sim, ter virado Cuba ou Coréia do Norte, se não tivesse havido o movimento de 64.
A imagem do homem solitário sendo espancado porque gritou "abaixo o comunismo", na missa do papa em Cuba, dias atrás, não é peça de publicidade, é real, aconteceu.
Aqui, no Brasil, os 'valentinhos', beneficiários da democracia que os comunistas negam ao cidadão comum, cospem na cara de senhores idosos que se reúnem, na legalidade, para comemorar o 31 de março. Eu já estive do lado dos que hoje cospem nos militares que arriscaram a vida para impedir que o Brasil virasse Cuba.
Eu tenho minha parcela de culpa e responsabilidade pela ditadura descarada em que está se transformando o Brasil. E mudei porque busquei e conheci a verdade. Por isto, não me tornei apenas ex-comunista. Não basta. Para reparar o mal que eu ajudei a espalhar, foi preciso tornar-me anti-comunista. É o que eu sou.
A imagem do homem solitário sendo espancado porque gritou "abaixo o comunismo", na missa do papa em Cuba, dias atrás, não é peça de publicidade, é real, aconteceu.
Aqui, no Brasil, os 'valentinhos', beneficiários da democracia que os comunistas negam ao cidadão comum, cospem na cara de senhores idosos que se reúnem, na legalidade, para comemorar o 31 de março. Eu já estive do lado dos que hoje cospem nos militares que arriscaram a vida para impedir que o Brasil virasse Cuba.
Eu tenho minha parcela de culpa e responsabilidade pela ditadura descarada em que está se transformando o Brasil. E mudei porque busquei e conheci a verdade. Por isto, não me tornei apenas ex-comunista. Não basta. Para reparar o mal que eu ajudei a espalhar, foi preciso tornar-me anti-comunista. É o que eu sou.
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