quinta-feira, 26 de julho de 2012

P(O)ETISMO

          Não foi só Maria Bethania que descobriu o filão poético-petista para abocanhar "o meu, o seu, o nosso dinheiro".  O jornalista e poeta Luis Turiba também levou uma grana do MinC, em 2007, para escrever o ainda inédito livro-poema 'meiaoito'. É ler para crer.
     
     Assessor de imprensa de Gilberto Gil no Ministério da Cultura, Turiba foi um dos dez vencedores da cobiçada Bolsa Funarte de Estímulo à Criação Literária, que teve mais de 500 participantes. Apesar do grande número de inscritos e dos poucos jurados (apenas cinco) incumbidos de ler os projetos para a escolha dos vencedores, o nome dos eleitos foi surpreendentemente anunciado dois(sic) dias depois do fim das inscrições. 
    
     Os prejudicados puseram a boca no trombone, denunciando a mutreta, Turiba foi citado nominalmente como um dos favorecidos pela farsa montada no MinC/Funarte. Mas não adiantou. *(1)
    
     O poema-título meiaoito - uma mixórdia indigente de clichês e vulgaridades que parece não ter fim -faz referência à militância revolucionária contra a ditadura que o autor afirma ter tido. 
   
      A julgar pela Bolsa Literária da Funarte, o autodenominado  poeta, jornalista, compositor, sambista e agente cultural não estava fazendo revolução, mas aquele investimento a que se referiu Millôr ao falar das 'vantagens e indenizações' aos perseguidos pelo regime militar.
   
     Turiba, que define Gil como 'pensador e filósofo', publicou um livro com discursos do ministro-cantor e editou dois DVDs: Gil na ONU e Programa Mundial da Capoeira.
   
     A consistência intelectual e a técnica poética de Luis Turiba estão à altura das profundezas filosóficas de Gilberto Gil.
Axé!

*(1):(ler aqui:
https://museudelrey.wordpress.com/2007/12/23/os-herois-do-funartegate-e-muito-mais/)

http://blogdoturiba.blogspot.com/ (este é o blog dopoeta)

meiaoito

68 razões de 68
luis turiba

“aonde andará a alquímica Beta?
em que planeta?em que molécula?
em que circuito de espreita?
em que centro de inteligência?
perdi sua órbita na poeira do tempo
mas não esqueço sua luz, sorriso de menina”
ua babuluna ual bãambum
a língua rock sacode o corpo
let´s twist again
festivais da Record bolinam a massa
CPC da UNE faz realismo engajado
prenuncia-se meiaoito
sexta sangrenta
furo juvenil
chapa quente nas refregas
aquela cabeça brasileira
tinha dois chafarizes de sangue
esguiçando morte como lavas
de um vulcão em erupção
o corpo trimilicava no chão
se sacudindo como tapete roto
no asfalto quente, uma da tarde
corríamos ruidosos por encarar
bombas tiros algemas
dos meganhas do Dops
e dos choques da PM
cantávamos palavras-de-ordem
com a força máxima das entranhas
como se fora o último e único desejo
de nossa jovem existência
cada carro incendiado
um gol comemorado
nunca soubemos-saberemos
quem era aquele
transeunte moreno alto
terno e gravata
tombado como jaca madura
no quintal anônimo
Manchete:
PM TEVE CABEÇA ESMAGADA
POR MÁQUINA DE ESCREVER
polícia procura responsável pela
chuva letrada na Avenida Rio Branco
coitos interruptos
saques no escuro
sabres desembanhados
cavalos na catedral
estilingues tinindo
escancaramento das consciências
ausência de medos & responsas
êxtases & demências
miserere nóbis & ho chin min
elvis & samba de raiz
che & wanderléia
guerilheiros de teses e tesões
arqueiras de flechas incendiárias
companheiras & companheiros
contra a ditadura
a fúria flácidas
de tênis e jeans quetais
braços acima das metáforas
peitos arfados de argonautas
táticas de silêncios e canções
deus nos liderava até nos fragmentos
mas o diabo tacava fogo no nosso rabo
todos os sonhos ativados
táticas lançadas ao redemoinho
fogueiras das vadias ilusões
tudo a girar a girar a girar:
rodas circulares
sputiniks bêbados
cães espiões e tantos senões
no parque juvenil
da doença infantil do esquerdismo
o som dos beatles na vitrola
satisfaction no beco da garrafa
tropicália & zicartola
mutantes & bob dylan
baseados & coquetéis molotovs
tom jobim versus Vandré
sim! tudo tudo tudo vai dar pé
hormônios em erupção
espermatozóides alcoólicos
a beira de um ataque histérico
e os cabelos a crescer
mais que os pentelhos
em torno daqueles pintos desgovernados
não bastava a só liberdade
nem o sol da América do Sul
não bastava só bastar
experimentar para provar
as barreiras do impossível
as fronteiras do improvável
as estações do comunismo
a revolução permanente
entre a esquerda festiva
e a militância ideogrâmica
entre o sexo cuba libre
e o grosso calibre do sem nexo
entre o ato institucional nº 5
e o circo da avenida central
entre o palco da peça teatral
e o tal poste da esquina
onde queimamos a bandeira ianque
com o fogo de nossos ideais
nas reuniões da revolucão
a internacional comunista anunciava:
em paris é proibido proibir
no rio, um rio leva nossas vidas
meiaoito, ano multiúnico
mutilador de calendário
valeu enquanto pulsou
impulsos anti-fuso horário
jardim de pedras e flores
avenida de pontos e pontes
passeatas de 100 mil amores
grande árvore da história
antes durante e avante
quem lá esteve ali se eternizou
aquela flor oiticica
desabrochou pra guerra
sem brochadas típicas
não vingou nem foi vítima
do eco que a fez frondosa
meiaoitista, eis aqui a vida
que trocamos pelos livros das escolas
ah!
meu primeiro grito pós-parto
meu primeiro jato de esperma
minha primeira cabeça raspada
feita e encaminhada ao universo
minha primeira pedra atirada
rumo às trevas por amor ao ardor do combate
meu primeiro era um garoto
que amava os beatles e os rolling stones à Vera
ela é minha menina eu sou o menino dela
minha primeira passeata-enterro
o cadáver ainda quente do secundarista Édson Luís
nosso estandarte dialético
meu primeiro almoço no Calabouço
onde calouro olhei a boca daquela moça
meu primeiro hino de guerra: ABAIXO A DITADURA
FORA O IMPERIALISMO
O POVO ARMADO
DERRUBA A DITADURA
ABAIXO O IMPERIA……
SHE LOVES YOU YÊ-YÊ-YÊ
meu primeiro jaleco manchado
de graxa sangue sonhos e gasolina
de artefatos explosivos
meu primeiro vietnam interno
contra a mecânica do curso técnico
minha primeira massa de manobra perigosa
minha primeira mesada ao partido comunista
minha primeira cabrocha da mangueira
meu primeiro tesão de gafieira
minha primeira nossa senhora da guerrilha
minha primeira cigarrilha
meu primeiro filme de Godard
na sessão de meia noite na Cine Paissandu – La Chinoise
minha primeira foice martelo guitarra e tamborim
meu primeiro artigo pseudocientífico
mostrando que homossexualismo era doença
de menino criado por vó
meu primeiro pileque homeripiscodélico
com cachaça de ebó pra exu na base da JEC do Grajaú
meu primeiro jornal Classe Operária
nas mãos de um pequeno burguês
fumando Continental sem filtro
minha opção pela luta armada
depois de um beijo na namorada
meu primeiro ponto secreto no Cine Roxy
Ave Nossa Senhora de Copacabana
minha primeira reunião da AMES
Pedro II, João Alfredo e André Maurois
minha primeira vontade de beijar um homem
meu primeiro pangrafismo planfletário
meu primeiro esquema de segurança
minha primeira iniciação lisérgica
pós leitura do Pasquim, na Banda de Ipanema,
prédios crescem, ganham vida partem pra cima
corro como quem corre da polícia
rumo às dunas da Gal
meu primeiro coquetel molotov
minha primeira batida de bafo de onça
minha primeira Internacional Comunista
minha primeira panfletagem relâmpago
meu primeiro uivo lunático
meu primeiro livrinho vermelho
do camarada Mao Tsé Tung
com seus ditames solucionáticos
minhas primeira masturbação cósmica
em memória das pernas brancas
de Brigite Bardot
meu primeiro baile de formatura
onde amei loucamente a namoradinha
de um amigo meu e ele nem percebeu
meu ensaio na Portela
Ilu Aiê Ilu Aiê Odora,
negro cantava na nação nagô
minha primeira aula de marxismo
leninismo-stalinismo-maoismo
tudo em ritmo de samba enredo
meu primeiro Tom & Vinícius
por que tu me chegaste
sem me dizer que vinhas
minhas primeiras bolinhas de gude mortíferas
usadas contra a cavalaria que invadiu
a catedral da Candelária
meu primeiro Chicou ou Caetano?
meu primeiro não, talvez meu primeiro chifre
ela declarou recentemente
que ao meu lado não tem mais prazer
minha primeira Elisabeta Bonante
deportada para a Itália após ser presa
na Escola Técnica de Química por ter feito
propaganha revolucionária na fábrica de tecidos
Nova América no operário bairro de Del Castilho
meu primeiro soneto da infidelidade
minha primeira dor de amor
minha primeira vaia de zumbido
meu primeiro aplauso de dedos
meu primeiros segredos de aparelhos
minha primeira cisma revolucionária
meu primeiro pau-de-arara imaginário
minha primeira Sílvia Kozinski,
musa beiçuda da saia curta
meus primeiros amigos que piraram
outros mais tarde chafurdaram-se
como porcos indefesos da chacina
da letal brancura ilusória da cocaína
minha primeira Albânia
o farol vermelho do camarada Ever Hodja
minha primeira Batmacumba iê iê
com Gil Mutantes e meninas bancando strep-teases
meu primeiro camarada preso morto na tortura
Joel Moreno deixava o morro do Borel
com um pacote de Classe Operária
consta ter sido incinerado no forno do Doi-Cod
minha primeira tomada do histórico prédio Capenama
minha primeira passeata dos 100 mil
minha primeira noite de amor livre
no apartamento de Romero Lascas
quando descobri que ainda não
sabia trepar com maestria
minha primeira porrada ginasiana
Pedro II Colégio Militar Ferreira Viana
minha primeira parada de sucesso no rádio
Disparada, A banda, Alegria Alegria, Obladi Obladá,
Eu quero é botar meu bloco na rua, A mão que
toca um violão, Já vem chegando a madrugada,
O meu canudo de papel, Para bailar la bamba,
Se for preciso faço a guerra,
Eu quero é que vá tudo pro inferno,
Por que não? Por que não?
meu primeiro treino de guerrilha
quando tive de dar uma de médico
na prainha Recreio dos Bandeirantes
quando o camarada Lucimar
apagou n´água após ataque epilético
meu primeiro desvio ideológico
por causa dos bilu-bilus
das trotkistas da Libilu
minha primeira Pantera Negra
meu primeiro Trini Lopes no bonde Lins de Vasconcelos
minha primeira olhada maliciosa para os joelhos da Nara Leão
meu primeiro papai comunista me empresta o carro
meu primeiro baseado nas imediações do Salgueiro
oferecido por um camarada da Ala Vermelha
meu primeiro Reis do Iê Iê Iê
meu eterno tio João Metalúrgico do Partidão
minha primeira senha insana:
- o elefante está latindo?
- não. a nuvem perdeu o trem…
minha eterna amiga Márcia de Almeida faz finanças no teatro Opinião, rouba livros teóricos pra vender pra burguesia,
resiste na Faculdade de Medicina
foge da prisão no campo do Botafogo
meu primeiro Vladimir Palmeira pendurado num poste
naquele delicioso aparece-some some-aparece
meus primeiros ílíderes
Travassos Franklim, Ceará, Brito, Jean Marques
a quem obedecíamos com centralismo democráticos
meus primeiros Janú e Marcos Igual
que mais tarde formariam o Comando Vermelho
com presos comuns na Ilha Grande
meu primeiro samba-enredo na Mangueira
o mundo encantado que Monteiro Lobato criou ô ô ô ô
minha primeira reunião da Ubes, em Teresópolis,
onde o conhaque fez a diferença
meu primeiro sabiá no maracanãzinho
pra não dizer que não falei de flores
em terra de carcará
meu primeiro aparelho de fuga
o apartamento das tias Alda e Gesilda em Copa
onde olhava mulher nua pela janela
e encontrava com Carlos Marighella
meu primeiro AI-5
fim da inocência
expulso da escola agora é a guerra popular de Lin Piao
cercar as cidades pelo campo
no imaginário Exercito Popular Revolucionário
meu primeiro hino anarquista
avante popochê
facchemu greve
viva lenine
morra kruchev
la media noche
céu estrelado
el santo papa
será enforcado
meu primeiro reveillon trêbado
misturado com velas flores garrafas de champanhe
e despachos de macumba
nas festas de Iemanjá da praia do Leblon
meu primeiro 69"


http://bit.ly/gmkTAT (Luis Turiba fala sobre o poemameiaoito)

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Por falar em anjos...

    
     Wilson Miranda, chamado Brother, era meu parceiro de dança nas noites animadas do Clube da Imprensa, em Brasília, naqueles tempos divertidos de repórter, na segunda metade da década de 70. O salão (quase) parava para nos ver dançar, ele e eu éramos um show. Eu soube agora (25 de julho) que ele morreu (não sei ainda de quê).

     Nós fomos colegas de faculdade na UnB e, já repórteres, Wilson e eu estávamos sempre nas mesmas coberturas de notícias, Brasília era pequena, todo mundo se encontrava o tempo todo. 

    O crioulo tinha um sorrisão devastador, que desencorajava qualquer oposição ou hostilidade. Brother só podia mesmo ser um dos fundadores do Pacotão, no tempo em que a (falta de) organização de um bloco de carnaval que debochava do poder exigia muita coragem e bom humor.
    
    Anos atrás, eu o reencontrei e ele, referindo-se à minha matéria sobre o velório de JK, em 76, na catedral de Brasília, lembrou-se do trecho em que eu falava dos anjos de Ceschiatti. 

    Wilson contou-me que aquela matéria era uma das lembranças mais marcantes que ele tinha do funeral e enterro de JK - a primeira grande manifestação popular em Brasília, no período da ditadura. Eu fiquei comovida com a lembrança. Foi a última vez que nós estivemos juntos. 

    Deus o receba em Sua casa.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Traição de Judas: remorso sem arrependimento





        É comum ouvir dizer que Judas Iscariotes teria ido para o inferno porque traiu Nosso Senhor Jesus Cristo. Fosse assim, o que teria acontecido a Pedro, que negou Jesus Cristo três vezes, numa mesma noite? 


   Pedro, ao ouvir o galo cantar, lembrou-se das palavras do Mestre e chorou amargamente, arrependido. Em vez de ser punido, foi premiado pelo Cristo ressuscitado com as chaves do céu. Arrepender-se é admitir a ofensa a Deus e ter a intenção verdadeira de não mais voltar a pecar. 



     Judas Iscariotes cometeu o pecado da desesperação. Pensou que seu pecado não poderia ser perdoado por Deus. Pura soberba achar que o pecado de um homem pode ser maior que a misericórdia e o amor de Deus. 


  Judas não se arrependeu, apenas teve medo de ser punido pelo ato de traição. Arrepender-se é condição necessária para receber o perdão de Deus por ter pecado. No lugar do arrependimento, o traidor sentiu remorso, ficou remoendo a sua própria culpa. Ao final, castigou a si próprio com o suicidio.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Rosane Collor: deu bode

    Engraçado ver a indignação e repulsa da esquerdalhada à notícia dos vudus e macumbas de Fernando Collor, nos porões da Casa da Dinda. 


   Por que este espanto todo da 'galera' esquerdista, paganista, relativista? Macumba, candomblé, Wicca, bruxaria, whatever, não são todas 'religiões' respeitáveis? Elas não são tão verdadeiras quanto o cristianismo? Esta história de cristianismo dizer-se portador da verdade não é opressão de colonizador? 


   Então, o que há de errado com a magia negra? São saberes e fazeres da sabedoria ancestral, ora! Criação cultural da maior dignidade. São nossas raízes africanas.

   
   Assim, para esta gente cheia de 'espiritualidade sem religião" matar galinha, beber sangue de bode, e - se o santo pedir -  matar até ser humano, são apenas exigências rituais.


   Para o relativista, que acha que todas as religiões são boas e equivalentes, e ninguém pode dizer que a sua é a verdadeira,  sacrificar bicho no cemitário é a mesma coisa que consagrar a hóstia na Santa Missa. Agora, aguenta.

sábado, 14 de julho de 2012

Reclamando ao cardeal


Cardeal Antonio Cañizares Llovera é prefeito da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos. Mandei-lhe este email, em agosto de 2009:
    


  "Dirijo-me respeitosamente à Vossa Eminência para informar que em minha paróquia - a São Bento, no bairro do Morumbi, em São Paulo, capital - fui submetida duas vezes ao constrangimento de ter negada a comunhão na boca quando já me encontrava na fila diante do diácono encarregado de distribuir a Sagrada Eucaristia, sob alegação de que a hóstia consagrada deveria ser recebida na mão como medida de prevenção à gripe suína. 

   Diante da minha negativa em receber a comunhão na mão, o diácono obrigou-me a solicitar ao abade que dirige aquela paróquia permissão para receber a Santa Eucaristia na boca. O abade deu a permissão a contragosto, lembrando que eu deveria obedecer a Igreja.
    
   Uma semana depois, este mesmo diácono voltou a negar-me a comunhão na boca, dirigindo-me desta vez palavras grosseiras _"A senhora de novo? Saia da fila e aguarde". Como eu me mantivesse imóvel, à sua frente, ele virou-se para trás para solicitar a aprovação do abade que encontrava-se no altar durante a distribuição da comunhão. O abade, com um gesto impaciente de mão, a significar  "sim", permitiu que eu recebesse a comunhão na boca.
    
   Fui procurada por este diácono depois das missas em que estes incidentes aconteceram. Na primeira vez, ele me disse que estava cumprindo ordens do abade e que a proibição se justificava por causa da gripe. Eu argumentei que se podia prevenir os riscos de contaminação, não com a probição, mas com cuidados redobrados no momento de dar ao fiel a comunhão na boca. O diácono não quis nem ouvir, alegando estar apressado enquanto se afastava.
   
    Da segunda vez, veio me perguntar se eu receberia a hóstia na mão se fosse Jesus Cristo a distribuí-la. Eu lhe respondi que, se fosse Jesus Cristo, eu receberia. O diácono respondeu, como se eu tivesse caído numa armadilha, que "era o mesmo Corpo" e que a Igreja tinha mudado a forma de distribuir a comunhão: agora era na mão. E me admoestou, perguntando:" Por que só a senhora quer receber na boca?". 

   Eu lhe disse que a comunhão na boca era a forma aprovada e recomendada pela Igreja, como mais adequada para demonstrar a reverência pela sacralidade da Santa Eucaristia. O diácono brandiu seus conhecimentos profundos em Teologia para encerrar a conversa e, de novo, se afastar.
   
   Ao chegar em casa, decidi conversar com um padre recém-chegado à minha paróquia, com quem eu já tinha mantido contato num encontro por mim solicitado, porque sou interessada em teologia e história da Igreja Católica e ele tinha estudado em Roma onde foi, como ele se apresentava, "coroinha do Papa João Paulo II". 

   Era especialista em Direito Canônico. Comecei por expor o constrangimento a que tinha sido submetida e lhe perguntei se, pelos documentos e instruções da Igreja, não era garantido a todo católico o direito de escolher a forma de receber a comunhão. 

   Ainda ressaltei que não tinha intenção de desobedecer a Igreja, apenas queria comungar da forma que a própria Igreja recomendava como mais apropriada e reverente. E repeti: para evitar contágio e propagação do vírus da gripe suína, os cuidados deveriam ser redobrados na hora de receber a comunhão na boca.
   
    O que ouvi do padre deixou-me absolutamente atônita. Ele enfatizou que havia um decreto episcopal proibindo a comunhão na boca e que o bispo podia legislar em matéria litúrgica e que esta probição se enquadrava nesta rubrica. Não havendo ilegalidade, a proibição era legítima. 

   Quando me referi a documentos como Redemptionis Sacramentum, Memoriale Domini, Cena Domini, Eclasia de Eucharistia e o Missal Romano, o padre me disse que "isto não tem  nada a ver". Que o bispo tinha proibido comungar na boca e cabia a mim obedecer. Que eu era 'tradicionalista e reacionária' e que a forma de comungar "era secundário".
    
   Eu, por exemplo - disse  o padre - prefiro comungar na boca. É secundário se a comunhão é na mão, na boca, em pé, sentado, deitado ou de joelho. É questão de gosto pessoal. Tem uns que gostam de macarrão, outros de outra coisa".
    
   Quando eu  ponderei que se tratava da Sagrada Eucaristia e que eu gostaria de continuar recebendo a comunhão na boca, o padre me perguntou o que eu tinha de diferente, e arrematou: "A minha mãe comunga na mão". Agradeci, pedi a sua benção e desliguei.
    
   Peço a Vossa Eminência que me oriente. O que devo fazer? Comungar na mão, para mim, é fora de questão, eu me recuso. Cheguei a mandar meu protesto ao Cardeal Dom Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo, por ter recomendado, numa carta circular, que fosse dada a comunhão preferencialmente na mão, como medida de prevenção à gripe suína. Não recebi resposta. 

   Sinto um clima de hostilidade muito grande em relação a mim em minha paróquia, principalmente da parte de certos ministros leigos, como se eu quisesse afrontar a autoridade dos superiores eclesiásticos.  Do fundo de meu coração, não é a vaidade, a soberba, o orgulho ou a falta de caridade que me movem. Mas só e tão tão somente o desejo de honrar o Santíssimo Sacramento.
    Peço a vossa benção.
    Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.
Mírian Macedo

São Paulo, capital
Brasil

Comunhão na boca: nas mãos de Deus



   
    Em 2009, apareceu a tal gripe suína. Prontamente, o diabo tomou suas providências, era a oportunidade para profanar ainda mais a Sagrada Eucaristia: a Arquidiocese de São Paulo 'recomendou' que os fiéis comungassem apenas na mão, que não fosse dada a hóstia na boca. 

    Eu nunca comunguei na mão. Para protestar, fui reclamar ao bispo. Mandei a Dom Odilo Scherer o email abaixo:
 
   "Dom Odilo Scherer,

venho a Vossa Eminência protestar contra a recomendação da Arquidiocese de São Paulo para que a comunhão seja recebida na mão, e não na boca, como medida preventiva à propagação do vírus da gripe suína. 

   A que ponto chegamos! No momento em que Sua Santidade, o Papa Bento XVI, quer restabelecer a reverência e o respeito pela sacralidade da Eucaristia e recuperar a tradição da Igreja Católica - a comunhão na boca de joelhos - a Arquidiocese de São Paulo recomenda que se receba a comunhão preferencialmente na mão porque há no país um surto de gripe que nem o próprio Ministério da Saúde considera alarmante, a ponto do Ministro José Gomes Temporão criticar publicamente o adiamento do início das aulas!
   
   Todo sacerdote sabe que suas mãos consagradas não devem tocar a língua ou lábios daquele que recebe a comunhão. Quem vai comungar deve colocar a língua para fora e o sacerdote (ou ministro leigo da Eucaristia, esta invenção desastrosa) segura a hóstia por uma extremidade e deposita a outra extremidade sobre a língua da pessoa que está recebendo a comunhão. Basta redobrar o cuidado e pedir aos fiéis que procedam da forma correta.
    
   Do ponto de vista sanitário, receber a hostia na mão e levá-la à boca favorece muito mais a propagação do vírus do que receber a comunhão na boca. Afinal, as mãos não estão lavadas e provavelmente tocaram assentos de automóveis e ônibus, bancos de igrejas, objetos diversos e outras pessoas antes da comunhão. 

   Quanto ao aspecto religioso, certamente Nosso Senhor Jesus Cristo pedirá contas no Juízo Final da permisão indevida para que mãos profanas toquem o Seu Corpo Santo, com o risco de partículas da Santíssima Eucaristia caírem no chão e serem pisadas. Alguém terá de ser responsabilizado por tê-lo permitido.
    
   A Arquidiocese de São Paulo, com sua boa intenção de prevenir a propagação do vírus, acabou por agravar ainda mais o desrespeito às instruções da Igreja relativas à Sagrada Eucaristia*, pois esta recomendação acabou equivalendo, na prática, à proibição ao recebimento da comunhão na boca. 

   Saiba o senhor que um diácono da minha paróquia - a São Bento, do Morumbi - recusou-se a dar-me a comunhão na boca, alegando que estava cumprindo ordens superiores. Fui obrigada a sair da fila e ir próximo ao altar pedir ao sacerdote - que estava celebrando a missa, mas não distribuindo a comunhão - para que me fosse dada a hóstia na boca. 

   O sacerdote reforçou a negativa, insistindo para que eu "obedecesse a Igreja," citando a recomendação da Arquidiocese. Eu lhe disse que eu não recebo, nunca recebi, a comunhão na mão. O sacerdote, a contragosto, mas sabendo que não mo podia impedir, autorizou a comunhão na boca. Voltei à fila e comunguei.
    
   Não fosse a comunhão na mão e em pé contrária à Tradição de quase dois mil anos da Igreja - além de ser uma exceção que se tornou regra por tibieza das autoridades eclesiásticas -,  recomendar esta prática é um rebaixamento da dignidade e santidade da Sagrada Eucaristia. 

   Como pode a Arquidiocese de São Paulo, na esteira da histeria admitida pela própria carta circular sobre a gripe suína, submeter o que representa "a fonte e o ápice" da Igreja - a Santa Eucaristia - , a uma situação sanitária momentânea? 
    
   "A liturgia nunca é propriedade privada de alguém, nem do celebrante, nem da comunidade onde são celebrados os santos mistérios. A ninguém é permitido aviltar este mistério que está confiado às nossas mãos: é demasiado grande para que alguém possa permitir-se de tratá-lo a seu livre arbítrio, não respeitando o seu carácter sagrado nem a sua dimensão universal."(Carta Encíclica ECCLESIA DE EUCHARISTIA do Sumo Pontífice João Paulo II)    
   Por que não se viu a mesma rapidez para informar aos católicos que a comunhão na boca é a forma aprovada e praticada pela Igreja ao longo de sua história e que temos o direito - melhor dizendo, o dever! - de comungar ajoelhados, como ensina, com o seu exemplo, o Papa Bento XVI? 

   Por que não informar aos católicos que a comunhão na mão foi uma das primeiras mudanças introduzidas pelos protestantes reformados, há mais de 400 anos, exatamente para demonstrar que a hóstia consagrada não era o Corpo de Cristo e que o sacerdote não passava de um homem igual a outro qualquer? 

   A comunhão na mão sempre foi utilizada entre hereges como modo de negação da Presença Real de Cristo nas espécies consagradas, e isto desde os arianos do século IV.
    
   O Vaticano é  frequentado por turistas do mundo inteiro, sendo portanto, um  lugar onde o risco de contaminação pelo vírus da gripe suína é grande. A Santa Sé não desconhece os perigos da doença. Não se viu, no entanto, qualquer recomendação de mudança na forma de distribuição da comunhão nas missas ali celebradas. Roma locuta, causa finita.
 Peço vossa benção, respeitosamente.
Mírian Macedo

* Redemptionis Sacramentum
  Dominicae Cenae
  Memoriale Domini
  Missal Romano   

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Anão no basquete



      "O politicamente correto faz com que o STF suspenda o concurso para delegado da PF. Motivo: o MPF quer que a PF, em seu concurso, estabeleça reserva de vagas para deficientes físicos... Deficientes físicos podem ser policiais?" (Rafael Vitola Brodbeck, delegado de polícia)
http://bit.ly/L8VlSh


      A palavra 'discriminação' tem hoje apenas sentido pejorativo, como se também não significasse trato diferenciado, separação, distinção. É claro que deficientes físicos podem ser discriminados e tratados diferentemente no acesso à função policial. 


     Um cadeirante ser policial é o mesmo que um cego ser fotógrafo, um anão ser jogador de basquete e uma mulher feia ser modelo fotográfico. 


     É por este raciocínio vigarista da igualdade que gays querem casar-se, substituindo a natureza do casamento entre homem e mulher pela união de 'qualquer coisa' com qualquer coisa'.


  

quinta-feira, 5 de julho de 2012

De santista para corintiano

      Eu sou santista, mas fiquei emocionada quando o jogo acabou. Deve ter sido devastador para um coração corintiano. Claro que eu queria o tetra, ora se eu queria, Mas seria um pecado ser logo o Santos a sonegar esta alegria indescritível ao Coringão. Este ano tinha mesmo de ser do Corinthians, por tudo.


    E o gosto indescritível de ver sair do campo, derrotado, um time argentino! Melhor que ver o Corinthians derrotar los hermanos só mesmo ver o Santos derrotar o Corinthians.


     É comovente a fidelidade da torcida corintiana. Pelé lembrou na véspera uma homenagem que ele recebeu dos corintianos num clássico contra o Santos, que perdeu por 1 X 0, gol de Rivelino. Numa faixa, estava escrito "Maior que Pelé, só a Fiel". 


    Eu nunca torceria por outro time que não o Santos, sou Rei Pelé Futebol Clube desde que me entendo por gente. Mas eu adoro futebol, do jogo bonito, eu gosto desta paixão, do grito de gol. 
  


   Júlia, minha filha, estava torcendo pelo Boca, claro (parmêra, sabe como é) e mandou-me mensagem no início do jogo, pressionando: "Tu não estás torcendo pelo curíntia, não é?" Menti: "Não". Eu estava na casa dela em Londrina no primeiro jogo e torci escancarado pelo Corinthians, ou contra os argentinos (digamos assim).Depois, recuei, desdenhei. Eu escrevi:  'Quer saber? Nem boca nem meia-boca.'
 




   Na hora H,  eu me rendi, gritei gol. Dois gols de craque. Gols de Emerson. Um sheik. Ironia, eu vibrar com um gol do mesmo jogador que foi o algoz do Santos, na eliminação de meu time na Libertadores. 


   Na final, o Corinthians foi raçudo, jogou com sangue. Quando Sheik fez o primeiro gol, eu confessei, em mensagem pelo celular a Júlia: "Eu gritei gol! E agora?". O resto foi o que todos já sabem. 


   Corintiano, comemora. É a suprema maravilha. Eu sei como é. Sou TRI. Parabéns, Corinthians, este ano tu mereceste vencer. No ano que vem, o Santos levanta a taça do tetra.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

ONU não.

     Domingo passado, eu estava a passeio em Florianópolis e fui à missa na Catedral Metropolitana, que eu não conhecia.

    Intrigou-me que, ao pé do altar, estivessem perfiladas cerca de  três dezenas de bandeirolas de inúmeros países.Entendi o porquê ao ver, ao lado altar, uma enorme cartaz da Pastoral do Migrante, informando que naquele dia seria encerrada a Semana do Migrante.

    O padre, ao começar a missa, fez um discurso que parecia reunião da ONU, citando estatísticas de migrações, número de refugiados, regiões de deslocamentos, dificuldades de obtenção de asilo político. Eu mal cria no que ouvia. 



    Para ficar no contexto, lembrou que Jesus Cristo foi também ele um refugiado, junto com seus pais, Maria e José, obrigados a fugir da perseguição de Herodes para o Egito.

    Mas o pior estava por vir: na hora da comunhão, o sacerdote co-celebrante ordenou-me de maneira ríspida que me levantasse, recusando-se a me dar a comunhão de joelhos. Permaneci de joelhos, de boca aberta e ele não teve outra saída a não ser dar-me a comunhão. Foi um mal-estar geral na igreja.

Serviço porco

     A 'confissão' não escapou da boca do assassino. Ela é proposital, é feita em tom de orgulho e ameaça. Quer mostrar que é assim que age a laia de terroristas que está no poder, liderada por Dilma Rousseff.

    É o mesmo que fazia Che Guevara, que apropriadamente era chamado de "Porco', pois fedia pela ojeriza a banho. El Chancho 'justiçava' qualquer um, arbitrariamente. É como os porcos fazem. Quem é de esquerda e aplaude a Começão da Verdade não passa de um suíno.

 
http://globotv.globo.com/globo-news/globo-news-dossie/v/ex-guerrilheiro-da-luta-armada-confessa-participacao-na-morte-de-um-companheiro/2020170/

terça-feira, 26 de junho de 2012

Brasil: a Meca da Mediocridade

 (ENTREVISTA DO POETA E FILÓSOFO ÂNGELO MONTEIRO AO DIÁRIO DE PERNAMBUCO (24/06/2012)


Por que a arte se tornou um desastre? 

     Ângelo Monteiro - Estamos vivendo o império da antiarte. Em todos os setores. A maior parte do que se faz hoje em arte interessa mais à polícia de costumes do que ao domínio dela na cultura. Como o caso do costarriquenho Habacuc Vargas que, numa exposição, fez de um vira-lata uma instalação perecível. Até a morte do animal. Ou da artista plástica, acho que pernambucana, que fez de sua masturbação pública um ato de criação estética.


 A arte virou uma mescla delinquente de sua debilidade mental. Dentro desse quadro especial, no Brasil, você verifica que não há lugar para poesia dentro da cultura. Por quê? Se no âmbito internacional, isso ocorre, no Brasil, que é uma cultura periférica, a coisa é muito mais grave. O Brasil reflete e exporta o que há de pior. É a Meca da mediocridade.

Quem seriam os ideólogos do vazio?

AM - Por trás dessa teoria, existe uma tremenda doutrinação marxista. A ênfase na coletivização em detrimento do indivíduo. Ao mesmo tempo em que isso ocorre, enfatiza-se muito a celebridade. Acaba o indivíduo, mas cresce a celebridade. Parece contraditório, mas penso se tratar de uma compensação pela destruição da individualidade. 



Nem no romantismo tivemos uma valorização tão grande da figura do artista, porque tínhamos ainda a inspiração. Quando você evoca a inspiração, você admite algo que extrapola essa figura. É mais importante o artista enquanto instrumento da criação e não uma projeção de sua vaidade, de sua autossuficiência. Teóricos como (Gilles) Deleuze, (Jacques) Derrida e Michel Foucault passam a levar a sério tudo aquilo que não alcançou, até então, qualquer status na história da cultura. 


O exemplo típico é o urinol de Duchamp (obra intitulada A fonte), que está na capa do livro Arte e desastre. O urinol de Duchamp provocou mais questões teóricas que toda a história artística do ocidente. É um mistério, e nós sabemos qual é a função do urinol. Não me parece que tenha nenhuma função estética.

É o que o senhor chama de mania de desconstrução. A universidade tem lá sua responsabilidade nisso, não tem?

AM - É a transgressão erigida em norma, em valor. Qualquer transgressão passa a ter valor pela sua capacidade de desconstruir toda criação valiosa. Ora, o que está por trás dessa desconstrução? Obviamente, trata-se de um tentativa séria de legitimar a erradicação do indivíduo do cenário estético e proclamar o coletivismo. Significa, do ponto de vista ético, a ausência de responsabilidade de cada artista particular. O que ele faz tem a sanção do coletivo logo é bom. 



Essa visão compromete a ética e a estética ao mesmo tempo. Isso é ensinado e doutrinado nas universidades. Você tem que entrar na cartilha, estudar tudo isso e fingir que está gostando. O ambiente da universidade é deletério, tornou-se assim. Deixou de ser aquilo que fez parte de sua fundação. Carlos Magno procurou sábios, gostava de se cercar deles. Ao passo que hoje a turma procura técnicos de ignorância, pessoas ignorantes de qualquer tipo de humanismo. 


A verdade é essa. Eu vivi lá e vi o lance. A lembrança que eu tenho é de três ou quatro professores valiosos, apenas. Maria do Carmo Tavares de Miranda, que criou o departamento de filosofia, Nelson Saldanha, Leônidas Câmara, Ariano Suassuna. São poucos. Dominantemente, o clima favorece mais a busca de cargos, de verbas.

O senhor sempre fala da figura do cachorro. Por quê?

AM - Você olha para certo tipo de cachorro e vê nele mais filosofia do que em muitos colegas da universidade. Alguns cachorros têm aquele olhar melancólico de Heráclito de Éfeso, da escola do devir. Outros são heideggerianos. Eu tenho uma certa afinidade com os cachorros, apesar de não ser daquele escola grega dos cínicos, que é uma palavra que vem de cão (kynikos é adjetivo de kynon, que significa “cão”). Por que é que eu passei a identificar cachorros com filósofos? Porque Platão, que era um gozador emérito, declara em A República que o cão é o verdadeiro filósofo. O cão sabe distinguir o dono do estranho que está chegando. Qual a função da filosofia senão a guarda do ser? O filósofo é o cão de guarda do ser. E não é por acaso que, em Curitiba, uma cachorra se apaixonou por mim. Quando me viu ficou doida.

O senhor afirma que mesmo os ateus marxistas deveriam frequentar uma missa. Por quê?

AM - Eu não tenho lembrança de nenhum cara de esquerda ético. A ética não existia em nenhuma relação humana marcada pelo marxismo. Ética é coisa da burguesia. Toda ética era burguesa. No convívio com esse pessoal, eu não via nenhuma preocupação ética. 



Agora imagine o que acontece num regime totalitário de esquerda. Ninguém é responsável por nada. Você pode matar à vontade à serviço da revolução. Tanto que eles são vampiros. Pegam uma figura como Nietzsche e vampirizam a serviço da causa. Não tem figura mais antimarxista que Nietzsche. Aliás, uma figura que é colocada como mestre da suspeita. Tudo é suspeita. Como é que você pode ter uma visão crítica se você não passa pelo estágio mítico? Isso é ideologia pura. O cara já sai vacinado contra tudo.


 Nunca esqueci de um espanhol que disse que a missa é uma tourada. Como? Tem ofertório, consagração e comunhão (risos). Ele queria dizer que a tourada é um espetáculo estético. Mas a missa é um espetáculo obviamente muito mais refinado que uma tourada. Você tem toda a encenação. É um auto. Então, se o cara não aprender a ter fé, ele aprende pelo menos a gostar de estética. O ateísmo é um péssimo conselheiro em arte. Por exemplo, 90% do que Pablo Neruda escreveu não vale nada, porque ele leu Marx.


 Nós somos um país jovem, mas já demos padre José Maurício (Nunes Garcia), Villa-Lobos, Jorge de Lima, Drummond, Gilberto Freyre. Eis o problema. O meu medo é que a classe média brasileira domine o mundo, porque ela vai acabar com a cultura universal. Uma classe média que paga para ver Roberto Carlos vestido de marinheiro dentro de um navio é uma classe média que não tem nada na cabeça. Isso é brincadeira para menino de 8 anos. A classe média brasileira é isso. Nela, não há lugar para a arte.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Projeto Matar e o Projeto Tamar: o Aborto


Cícero Harada 

     Desde 1980, o Projeto Tamar protege a vida das tartarugas marinhas. É um esforço louvável em prol da vida. Nas áreas de desova, são monitorados 1.100 km de praias todas as noites durante os meses de setembro a março, no litoral, e de janeiro a junho, nas ilhas oceânicas, por pescadores contratados pelo TAMAR. 


     São chamados tartarugueiros, estagiários e executores de bases. São feitas a marcação e a biometria das fêmeas, a contagem de ninhos e ovos. A cada temporada, são protegidos cerca de catorze mil ninhos e 650.000 filhotes. 

     Se alguém destruir algum desses ninhos ou apenas um único ovo de tartaruga, sim, unzinho só, comete crime contra a fauna, espécie de crime contra o meio ambiente (Lei nº 9.605/93). 

     Já, na Câmara dos Deputados, tramita o importante Projeto de lei nº 1.135/91 que pretende legalizar o aborto do nascituro, em qualquer fase, até o nascimento. Sim, até o nascimento, porque apesar de o substitutivo falar em direito ao aborto até a 12ª semana, o seu último artigo revoga os artigos 124, 126, 127 e 128 do Código Penal, ou seja, é um verdadeiro Projeto Matar.


     A decretação da morte sem culpa do ser humano em um momento de maior fragilidade, sem que se lhe dê o direito à defesa, é um dos maiores absurdos que esta “civilização” pode perpetrar. 

     Digo absurdo, mas poderia dizer burrice cavalar, má-fé assassina, egoísmo desenfreado, hedonismo perverso, eugenia imperial e vai por aí. 

     Não será preciso estudar embriologia para saber que, desde 1827, graças a Karl Ernest von Baer, ficou assentado que, a partir da concepção, existe uma nova vida. 


     Uma criança que, em sua simplicidade e pureza encanta-se com as novas vidas que estão nos ovos das tartarugas tão protegidos nos ninhos pelo Projeto Tamar, encanta-se ao saber que em breve virá à luz seu irmãozinho ou irmãzinha, ainda no ventre materno. 


     Mas não importa a ciência, não importa o direito, não importa o encanto de uma nova vida. Importa a frustração, o medo do sofrimento, em geral, futuro, os traumas, a perfeição eugenista, a liberdade de matar o próprio filho ainda no ventre. 

     Quando uma “civilização”, em nome da liberdade e do puro positivismo jurídico, sobrepõe a liberdade ao direito à vida, tem início um perigoso processo. A esse filme nós já assistimos no século XX. A maioria decidindo quando, como e em que circunstância uma minoria pode morrer. 

   
     É a liberdade para o holocausto. Se o seu país não quiser, não o faça, mas não impeça que outros o façam. Em Nuremberg, todos se defenderam escudados no direito positivo. É por isso que o Papa João Paulo II sentenciou, em seu último livro, que o direito à vida é um limite da democracia. 

     O Projeto nº 1.135/91, que legaliza o aborto, é inconstitucional, pois, atropela o princípio da inviolabilidade da vida, prescrito pelo artigo 5º da Constituição Federal, ao legalizar o assassinato de crianças no ventre da mãe. É, reitero, um verdadeiro Projeto Matar. 


      Mas, dirão os defensores do aborto: a ciência não sabe quando começa a vida. Respondo: é imprescindível comunicar o Projeto Tamar desse fato, assim, não será preciso gastar tanto dinheiro do contribuinte à toa, defendendo ovos de tartaruga. Será necessário descriminalizar o aborto de ovos de tartaruga. 

      Será que alguém terá, ainda, a coragem de objetar que, no caso das tartarugas, é diferente porque elas não têm liberdade de escolha? Então, viva a liberdade! 


Cícero Harada - Procurador do Estado de São Paulo; conselheiro e presidente daComissão de Defesa da República e da Democracia da OAB SP

Bebê-ovo




                      «Vejo que todos os que defendem o aborto, já nasceram.» Ronald Reagan.


        Não é irônico que um 'direitista e fascista" defenda a vida, enquanto socialista e esquerdista, todos santos e superiores, lutem pela matança dos fetos, em nome do 'direito' da mulher sobre o seu corpo?


         E o ser humano dentro de sua barriga, é o quê? Ovo de tartaruga? Antes fosse, estaria salvo.

sábado, 16 de junho de 2012

Coisa feia

    "Num shopping da avenida Paulista, saiu do sanitário FEMININO o cartunista e drag queen Laerte. Saia curtíssima em jeans e demais acessórios."


    
     Laerte quer romper com a convenção de que tem roupa de homem e roupa de mulher e que isto define o sexo da pessoa. Elx quer se libertar destes estereótipos opressivos e faz isto se vestindo de...mulher!