Olavo de Carvalho desenvolveu um estilo que faz crer aos menos atentos, aos desavisados, aos incautos e, principalmente, aos hipnotizados, que ele fala e escreve com profundidade aristotélica sobre absolutamente tudo.
Quando a gente vai ver, em grande parte dos casos, é só platitude. Tipo Osho. Os devotos lêem as suas 'reflexões' como se fossem pérolas de sabedoria, mas são só lorota e lero-lero.
quinta-feira, 29 de maio de 2014
Santa orgia
Olavo de Carvalho mal começou a mostrar a que veio. É questão de tempo. Se ele ensina - e os devotos aceitam e aplaudem - que o rebaixamento da linguagem ao nível do esgoto é a pedagogia apropriada para elevar o povo 'chulo' à alta cultura, não demora e, quem sabe, a degeneração moral há de ser por ele apontada como o caminho de santidade.
Pelo andar da carruagem, ninguém se espante se, em breve, uma horda de devotos (católicos e cristãos, mães e pais de família, jovens de boa estirpe, estudantes e adolescentes) - sair por aí pregando que orgias são práticas santificadoras para o aperfeiçoamento da alma. O sexo como o caminho da iluminação e divinização. Da iniciação.
Para um (ex?)tariqueiro, isto não é novidade. No texto 'René Girard e a coletividade homicida', Olavo explica que
"Na religião islâmica, há uma série de práticas interiores das ordens místicas, que têm pouco a ver com as obrigações legais e rituais da religião coletiva, mas se destinam a utilizar a substância das paixões mais inferiores, mais violentas, como matéria-prima que, queimada no forno, no altar da prática mística, se converterá em virtude, em conhecimento espiritual, naquele sentido em que é possível dizer, com Sto. Agostinho, que as virtudes são feitas da mesma matéria dos vícios: partindo dos vícios, tomando-se como matéria-prima e queimando-os no forno da meditação e da concentração, o pecado se substitui pela graça." (O negrito é meu)
PS 1:"práticas interiores das ordens místicas"
ordens místicas = tariqas
PS 2: Notar a malandragem de vincular Agostinho de Hipona a um contexto completamente diferente daquele a que o santo se refere. As usual.
http://www.olavodecarvalho.org/textos/girard.htm
Pelo andar da carruagem, ninguém se espante se, em breve, uma horda de devotos (católicos e cristãos, mães e pais de família, jovens de boa estirpe, estudantes e adolescentes) - sair por aí pregando que orgias são práticas santificadoras para o aperfeiçoamento da alma. O sexo como o caminho da iluminação e divinização. Da iniciação.
Para um (ex?)tariqueiro, isto não é novidade. No texto 'René Girard e a coletividade homicida', Olavo explica que
"Na religião islâmica, há uma série de práticas interiores das ordens místicas, que têm pouco a ver com as obrigações legais e rituais da religião coletiva, mas se destinam a utilizar a substância das paixões mais inferiores, mais violentas, como matéria-prima que, queimada no forno, no altar da prática mística, se converterá em virtude, em conhecimento espiritual, naquele sentido em que é possível dizer, com Sto. Agostinho, que as virtudes são feitas da mesma matéria dos vícios: partindo dos vícios, tomando-se como matéria-prima e queimando-os no forno da meditação e da concentração, o pecado se substitui pela graça." (O negrito é meu)
PS 1:"práticas interiores das ordens místicas"
ordens místicas = tariqas
PS 2: Notar a malandragem de vincular Agostinho de Hipona a um contexto completamente diferente daquele a que o santo se refere. As usual.
http://www.olavodecarvalho.org/textos/girard.htm
sábado, 24 de maio de 2014
Velha sim. Velhaca não.*
O devoto Daniel Pires postou foto minha com 22 anos, sugerindo que 'aquela' Mírian Macedo, jovem, tinha atributos para ser Musa Olavette. Eu, hoje, com 60 anos, nem pensar. Segundo ele, Cronos foi implacável comigo (eu também acho, mas fazer o quê?).
Pensando bem, Musa Olavette não tem nada a ver com vida intelectual. Pelo menos é o que se depreende da explicação de uma das Musas preferidas de Olavo de Carvalho:
"A página tem o intuito de expor a beleza física das olavettes. Não as virtudes morais"(...) "O nome da página é Musas Olavettes, se alguém está procurando dicas de modéstia, piedade e puritanismo não deveria fazê-lo numa pagina onde o apelo é o desfile da beleza feminina". (...) "Penso que alguma menina ali pode não ter religião nenhuma ou simplesmente estar cagando pra modéstia e decência. Paciência." (Palavra da musa Ana Caroline Campagnolo).
Sorte de Olavo de Carvalho que tem mulher bonita. Já pensou excluir a primadonna Roxane do panteão das musas olavettes?
* O título do post é referência à resposta de Ulisses Guimarães ao playboy cangaceiro, Fernando Collor, que o chamou de 'velho gagá'. Convencido do envolvimento do então presidente em atos de corrupção, Ulisses apoiou as investigações e passou a trabalhar pelo impeachment. Irritado com a movimentação do Senhor Diretas, Collor o chamou de 'velho gagá' em uma reunião com aliados. Ulysses respondeu: "Sou velho, mas não sou velhaco".o havia chamado de velho gag
Fernando Collor de Mello, que á)
Pensando bem, Musa Olavette não tem nada a ver com vida intelectual. Pelo menos é o que se depreende da explicação de uma das Musas preferidas de Olavo de Carvalho:
"A página tem o intuito de expor a beleza física das olavettes. Não as virtudes morais"(...) "O nome da página é Musas Olavettes, se alguém está procurando dicas de modéstia, piedade e puritanismo não deveria fazê-lo numa pagina onde o apelo é o desfile da beleza feminina". (...) "Penso que alguma menina ali pode não ter religião nenhuma ou simplesmente estar cagando pra modéstia e decência. Paciência." (Palavra da musa Ana Caroline Campagnolo).
Sorte de Olavo de Carvalho que tem mulher bonita. Já pensou excluir a primadonna Roxane do panteão das musas olavettes?
* O título do post é referência à resposta de Ulisses Guimarães ao playboy cangaceiro, Fernando Collor, que o chamou de 'velho gagá'. Convencido do envolvimento do então presidente em atos de corrupção, Ulisses apoiou as investigações e passou a trabalhar pelo impeachment. Irritado com a movimentação do Senhor Diretas, Collor o chamou de 'velho gagá' em uma reunião com aliados. Ulysses respondeu: "Sou velho, mas não sou velhaco".o havia chamado de velho gag
Fernando Collor de Mello, que á)
quarta-feira, 21 de maio de 2014
Se(m) oriente
A desorientação e estimulação contraditória são artifícios típicos de gurus (Gurdjieff?) de quem Olavo de Carvalho parece copiar os passos.
Neste caso, o intento anunciado pelo 'filósofo' de criar uma elite de alta cultura vem acompanhado da adoção de linguagem própria da ralé iletrada, marginalizada, violenta, sem refinamento comportamental algum.
Quem usa o palavreado de sarjeta oficializado por Olavo é o lumpen proletariado, a classe a quem o próprio guru da Virginia acusa a esquerda de endeusar.
Neste caso, o intento anunciado pelo 'filósofo' de criar uma elite de alta cultura vem acompanhado da adoção de linguagem própria da ralé iletrada, marginalizada, violenta, sem refinamento comportamental algum.
Quem usa o palavreado de sarjeta oficializado por Olavo é o lumpen proletariado, a classe a quem o próprio guru da Virginia acusa a esquerda de endeusar.
Semana insana
Eu vi muito católico, 'guerreiro da fé', ligado a sites de defesa da sã doutrina e da correta liturgia, dar like e risadas com estes comentários de Olavo de Carvalho, na Semana Santa, quando Nosso Senhor Jesus Cristo estava a caminho da cruz.
Abaixo, uma pequena amostra da piedade cristã de Olavo de Carvalho naquele que é tempo de 'contrição e de temor':
"E, em matéria de bu&*$as, jamais fiz questão de inaugurá-las (...) Uma vez, por falta de local apropriado, c#@i uma neguinha chamada Raquel na escadaria da Casa do Estudante.(...) Eu, ao contrário, sempre tive o maior respeito pelas mulheres experientes. Co*#r virgens é para pedófilos. "
É claro que o 'católico' Olavo de Carvalho escreveu estas coisas de propósito, para escarnecer do Crucificado e levar o maior número de pessoas a fazer o mesmo.
O que será que Padre Paulo Ricardo achou disto? Afinal, ele afirmou que confiaria a educação de seus sobrinhos a Olavo, e não a confiaria a muito catolicões seus conhecidos.
Eu também tenho curiosidade em conhecer a opinião de Padre Paulo Ricardo sobre a revelação de Olavo de que René Guénon influenciou os seis últimos papas e que João Paulo II rasgou a fantasia e confessou que os sacramentos cristão são 'iniciáticos' (sic).
Abaixo, uma pequena amostra da piedade cristã de Olavo de Carvalho naquele que é tempo de 'contrição e de temor':
"E, em matéria de bu&*$as, jamais fiz questão de inaugurá-las (...) Uma vez, por falta de local apropriado, c#@i uma neguinha chamada Raquel na escadaria da Casa do Estudante.(...) Eu, ao contrário, sempre tive o maior respeito pelas mulheres experientes. Co*#r virgens é para pedófilos. "
É claro que o 'católico' Olavo de Carvalho escreveu estas coisas de propósito, para escarnecer do Crucificado e levar o maior número de pessoas a fazer o mesmo.
O que será que Padre Paulo Ricardo achou disto? Afinal, ele afirmou que confiaria a educação de seus sobrinhos a Olavo, e não a confiaria a muito catolicões seus conhecidos.
Eu também tenho curiosidade em conhecer a opinião de Padre Paulo Ricardo sobre a revelação de Olavo de que René Guénon influenciou os seis últimos papas e que João Paulo II rasgou a fantasia e confessou que os sacramentos cristão são 'iniciáticos' (sic).
terça-feira, 20 de maio de 2014
COF: o outro Marx
Parodiando Groucho Marx ("Eu nunca faria parte de um clube que me aceitasse como sócio"), eu diria que o COF (Curso Online de Filosofia, de Olavo de Carvalho) não pode ser um curso sério, porque eu estava matriculada lá. E era uma aluna que fazia perguntas que Olavo respondia!
Como é possível ver seriedade num curso de filosofia em que alunos como eu, sem base ou conhecimento filosófico algum, fiquem a acompanhar aulas e a enviar perguntas, algumas sem qualquer relação com o assunto tratado, para serem respondidas ao vivo, em dois ou três minutos?
Pior: hoje, cinco anos depois do início do COF, qualquer pessoa, sem cumprir qualquer exigência mínima além do pagamento da inscrição, pode matricular-se, acompanhar as aulas e participar com perguntas e dúvidas, sem nenhum problema.
O conselho de Olavo: a pessoa entra e vai vendo as primeiras aulas, ao mesmo tempo em que assiste às atuais. Resultado: chegando quase já à aula de número 300 (em cinco anos de curso, iniciado em 2009), é comum aparecer aluno perguntando sobre questões da aula número 3!
Este mesmo aluno, recém-ingressado no COF e ainda às voltas com os primeiros rudimentos da técnica filosófica, no momento seguinte, está acompanhando pensações de Olavo às Meditações sobre a Filosofia Primeira, de René Descartes ou o Tratactus Logico-Philosophicus de Wittgenstein! Pode?!
Nos últimos tempos, de certa forma, o estilo vulgar facebuquiano de Olavo de Carvalho já começava a contaminar o curso, que, no início, tinha aulas muito interessantes, tudo era novidade. Ele nunca usou aquele linguajar de sarjeta no COF, mas os assuntos das discussões do Facebook estavam, aos poucos, entrando na pauta do curso.
Adesso che ci ripenso, acho que o jeito ameno, educado, simpático e bem-humorado de OdeC nas aulas do curso de filosofia é ainda mais perigoso que seu histrionismo pornográfico do TrueOutpeak e do Facebook.
É com esta fala mansa que ele encanta a audiência para as idéias de gente como René Guénon e Frithjof Schuon (com críticas, claro! que ele não é trouxa), enquanto desanca a hierarquia católica e dá sempre um jeito de expor o seu modo particular de interpretar a doutrina da Igreja, com a ressalva enfática de que não é teólogo. Ele é, em suas próprias palavras, um filósofo católico, não um católico filósofo. Então, tá.
Quem já o ouviu afirmar (sem provar) que René Guénon influenciou os seis últimos papas, e que João Paulo II rasgou a fantasia e confessou que os sacramentos cristão são iniciáticos (sic), sabe que Olavo de Carvalho até pode levar alguns alunos de volta à Igreja. O problema é que religião é para levar para o céu.
Enquanto isto, o mantra de que brasileiro é lixo é martelado do início ao fim do curso(ele é sempre o bambambam, mas modesto e humilde, que estudou tudo durante 40 anos - quem quiser abrir a boca tem que estudar as mesmas quatro décadas sobre qualquer assunto).
Ou seja, aquela fachada de 'eu sou simples e acessível' é isto: fachada. Ouvindo Olavo falar, temos a certeza de que seu interlocutor não pode ser menos que um Aristóteles, que - é bom não esquecer - ele deu uma melhoradinha.
Olavo de Carvalho deveria fazer o que ele sabe fazer: uma boa crítica cultural. Tem faro afiado, escreve bem e tem humor ácido e leggero, na medida certa. Também se lhe deve reconhecer mérito em orientar bibliografia e revelar bons autores desconhecidos ou relegados ao esquecimento, é gente que sabe muito mais que eu que o diz.
Mas, para prejuízo geral, Olavo de Carvalho derrapa para o delírio de onipotência, quer abarcar tudo. É tigre de papel, bufão, fraco intelectualmente. Ele monta um edifício de palavras, arruma o discurso direitinho, mas este não fecha, não se sustenta, no final.
A ditadura comunista debaixo de cada cama, o poder divino onipresente do Foro de São Paulo, a ida para os Estados Unidos como única alternativa para os brasileiros, a invasão duguinista e (é bom não esquecer) análises do tipo da que fala de 500 mil agentes da KGB na Ucrânia - dão uma palhinha do aparato intelectual do 'maior analista, filósofo, gênio, mestre e salvador do Brasil". E é mentiroso.
Como é possível ver seriedade num curso de filosofia em que alunos como eu, sem base ou conhecimento filosófico algum, fiquem a acompanhar aulas e a enviar perguntas, algumas sem qualquer relação com o assunto tratado, para serem respondidas ao vivo, em dois ou três minutos?
Pior: hoje, cinco anos depois do início do COF, qualquer pessoa, sem cumprir qualquer exigência mínima além do pagamento da inscrição, pode matricular-se, acompanhar as aulas e participar com perguntas e dúvidas, sem nenhum problema.
O conselho de Olavo: a pessoa entra e vai vendo as primeiras aulas, ao mesmo tempo em que assiste às atuais. Resultado: chegando quase já à aula de número 300 (em cinco anos de curso, iniciado em 2009), é comum aparecer aluno perguntando sobre questões da aula número 3!
Este mesmo aluno, recém-ingressado no COF e ainda às voltas com os primeiros rudimentos da técnica filosófica, no momento seguinte, está acompanhando pensações de Olavo às Meditações sobre a Filosofia Primeira, de René Descartes ou o Tratactus Logico-Philosophicus de Wittgenstein! Pode?!
Nos últimos tempos, de certa forma, o estilo vulgar facebuquiano de Olavo de Carvalho já começava a contaminar o curso, que, no início, tinha aulas muito interessantes, tudo era novidade. Ele nunca usou aquele linguajar de sarjeta no COF, mas os assuntos das discussões do Facebook estavam, aos poucos, entrando na pauta do curso.
Adesso che ci ripenso, acho que o jeito ameno, educado, simpático e bem-humorado de OdeC nas aulas do curso de filosofia é ainda mais perigoso que seu histrionismo pornográfico do TrueOutpeak e do Facebook.
É com esta fala mansa que ele encanta a audiência para as idéias de gente como René Guénon e Frithjof Schuon (com críticas, claro! que ele não é trouxa), enquanto desanca a hierarquia católica e dá sempre um jeito de expor o seu modo particular de interpretar a doutrina da Igreja, com a ressalva enfática de que não é teólogo. Ele é, em suas próprias palavras, um filósofo católico, não um católico filósofo. Então, tá.
Quem já o ouviu afirmar (sem provar) que René Guénon influenciou os seis últimos papas, e que João Paulo II rasgou a fantasia e confessou que os sacramentos cristão são iniciáticos (sic), sabe que Olavo de Carvalho até pode levar alguns alunos de volta à Igreja. O problema é que religião é para levar para o céu.
Enquanto isto, o mantra de que brasileiro é lixo é martelado do início ao fim do curso(ele é sempre o bambambam, mas modesto e humilde, que estudou tudo durante 40 anos - quem quiser abrir a boca tem que estudar as mesmas quatro décadas sobre qualquer assunto).
Ou seja, aquela fachada de 'eu sou simples e acessível' é isto: fachada. Ouvindo Olavo falar, temos a certeza de que seu interlocutor não pode ser menos que um Aristóteles, que - é bom não esquecer - ele deu uma melhoradinha.
Olavo de Carvalho deveria fazer o que ele sabe fazer: uma boa crítica cultural. Tem faro afiado, escreve bem e tem humor ácido e leggero, na medida certa. Também se lhe deve reconhecer mérito em orientar bibliografia e revelar bons autores desconhecidos ou relegados ao esquecimento, é gente que sabe muito mais que eu que o diz.
Mas, para prejuízo geral, Olavo de Carvalho derrapa para o delírio de onipotência, quer abarcar tudo. É tigre de papel, bufão, fraco intelectualmente. Ele monta um edifício de palavras, arruma o discurso direitinho, mas este não fecha, não se sustenta, no final.
A ditadura comunista debaixo de cada cama, o poder divino onipresente do Foro de São Paulo, a ida para os Estados Unidos como única alternativa para os brasileiros, a invasão duguinista e (é bom não esquecer) análises do tipo da que fala de 500 mil agentes da KGB na Ucrânia - dão uma palhinha do aparato intelectual do 'maior analista, filósofo, gênio, mestre e salvador do Brasil". E é mentiroso.
segunda-feira, 19 de maio de 2014
Olavo de Carvalho mente
"Olavo é, acima de tudo, um homem sincero."
Em agosto de 2013, eu escrevi esta frase porque acreditava nela. Eu (ainda) não sabia que Olavo de Carvalho mentia. Foi o que ele fez, quando tratou de se defender e esclarecer as informações divulgadas pelos irmãos Velascos sobre sua passagem pela tariqa de Frithjof Schuon.
Não é muito interessante que o homem que defende a filosofia moral, que diz que a filosofia é o homem, e que nomeia a sua própria como 'da consciência, da confissão, da sinceridade', saia mentindo descaradamente quando tratou de explicar o imbroglio tariqueiro?
Para provar que não precisou se converter ao Islam e que nunca renegou a fé católica - no tempo em que pertenceu à tariqa de Schuon, que seria multiconfessional -, Olavo de Carvalho voltou a citar o exemplo do católico ortodoxo (usado aqui em sentido de 'fiel à sã doutrina'), Rama Coomaraswamy, seu colega na tariqa.
E repetiu, no hangout com Thomas Giulliano, a história de que quatro bispos da Fraternidade S. Pio X teriam sido alunos de Coomaraswamy antes de serem ordenados por Monsenhor Lefebvre. Olavo voltou a contar o que Rama Coomaraswamy ter-lhe-ia revelado: que ele, Rama, foi professor de teologia dos quatro bispos (ele agora diz a Giulliano que são dois; uai, por que a metade?), e que, portanto, a tariga de Frithjof Schuon infiltrou-se ideologicamente no seminário, com repercussão na crise dos tradicionalistas com o Vaticano.
Mas Olavo sabe que a conversa de Coomaraswamy é mentira. Que Rama tenha mesmo lhe contado esta história, só Olavo sabe. Concedamos que ele contou. Acontece que Olavo de Carvalho sabe que isto é mentira, os quatro bispos foram ordenados muito antes que Rama desse aulas (não de teologia, e sim de história) no seminário, de onde inclusive ele (Rama) foi expulso.
E tem comentário de Olavo de Carvalho, num True Outspeak de 16/06/2008, indicando que ele conhecia o desmentido desta história de Coomaraswamy, feito por um padre ordenado por Dom Lefebvre, dom Lourenço, da revista Permanência.
PS: Ironia é ler o próprio Olavo de Carvalho confessando no Orkut, tempos atrás, a inconspurcável e sólida ortodoxia católica de Coomaraswamy:"A relação entre as Tariqas e seus simpatizantes e colaboradores não-islâmicos é exatamente essa. Eles conservam exteriormente a lealdade à sua igreja cristã de origem, ao mesmo tempo que, espiritualmente, se submetem à orientação de um sheikh islâmico em todas as questões espirituais substantivas e colaboram com a estratégia geral do sheikh sem jamais questiona-la, precisamente porque sentem que ela preserva a pureza do seu compromisso religioso pessoal. (...) qualquer discípulo católico de Guénon ou Schuon é infinitamente mais leal a eles do que ao Papa. A atuação de Rama Coomaraswammy ilustra isso da maneira mais patente" .
*********************************************************
(artigo de Dom Lourenço na Revista Permanência, abaixo)
A Fraternidade São Pio X e os Esotéricos
Como foi difundido na internet que os quatro bispos da Fraternidade São Pio X teriam sido levados ao seminário por um esotérico islâmico, chamado Rama Coomaraswamy, discípulo de Frithjof Schuon, damos aqui os esclarecimentos devidos, que não deixam sombra de dúvidas.
A Fraternidade S. Pio X e os esotéricos
Não é a primeira vez que o Olavo de Carvalho dirige elogios à nossa Permanência, o que muito nos honra. Repetiu-se o fato, recentemente, numa de suas emissões pela internet ao declarar equivocadamente, que o prof. Antônio Araújo, que mantém o blog do Angueth (http://angueth.blogspot.com/) pertence ao nosso movimento. O próprio autor citado tratou de esclarecer, com o texto "Quem sou eu", de 10/6, que não é assim, apesar dos pontos em comum que encontramos no combate. Acontece que em sua emissão de áudio, Olavo voltou a afirmar certos relacionamentos entre autores esotéricos e islâmicos e a Fraternidade Sacerdotal São Pio X. Como a coisa ganhou certa importância, pareceu-me necessário esclarecer alguns pontos do debate. Mesmo não sendo da Fraternidade S. Pio X, convivi e convivo ainda hoje com os padres e com os bispos desta instituição católica. Dois dos padres tradicionais saídos da Permanência foram ordenados por Mons. Lefebvre (Dom Tomás de Aquino e eu mesmo). Os outros seis foram ordenados pelos bispos sagrados por Mons Lefebvre. Além disso, a Permanência está engajada neste combate há quarenta anos, tendo certa experiência no assunto. Por isso tudo, sinto-me à vontade para trazer a público as seguintes correções:
Olavo afirma na sua emissão de áudio do dia 9 de junho, aos 34:50 da gravação:
"Eu vou dizer: aqueles quatro padres que foram sagrados bispos pelo Mons. Lefebvre, foram alunos do professor Rama Coomaraswamy"
Esta afirmação é falsa no que toca os quatro bispos. Nenhum deles foi aluno de Coomaraswamy. Este senhor lecionou no Seminário da FSSPX dos EUA por 5 anos, de 1978 até 1983, quando Mons. Lefebreve o expulsou. Não lecionou teologia católica, como afirma o Olavo, mas história. Neste ano de 1983, nove padres recém-ordenados neste Seminário abandonaram a Fraternidade para fundar um movimento sede-vacantista. Estes novos padres que traíram a orientação de Mons. Lefebvre, eles sim, foram alunos de Coomaraswamy. Quanto aos bispos:
- Dom Tissier ligou-se a FSSPX em 1969: nove anos antes de Rama C. surgir como professor. E sua formação foi em Êcone, não na América do Norte. Após formar-se, fez-se professor, depois sub-diretor e, finalmente, diretor do seminário de Ecône, na Suiça.
- Dom Galarretta entrou no seminário em 1975, antes de Rama C. surgir como professor. Estudou no seminário de Ecône, e não nos EUA, onde lecionou Rama C.
- Dom Fellay, o atual Superior Geral, formou-se também em Êcone. Entrou no seminário em 1977, antes, portanto, de R.C. começar a dar aulas nos EUA.
- Dom Williamson ordenou-se padre em Êcone em 1976 e lá começou a lecionar, até ser promovido a sub-diretor e, finalmente, em 1983, diretor do seminário Saint Thomas Aquinas. Ora, D. Willianson tornou-se reitor justamente no ano da expulsão de R.C. e da saída do seminário dos diversos padres que adotaram as idéias sedevacantistas.
Olavo continua:
"Eles botaram lá esses quatro e foram justamente esses quatro que Mons. Lefebvre sagrou, criando uma enorme crise na Igreja."
O que ficou dito acima já mostra o infundado desta afirmação. Além disso é preciso lembrar que não há sinal algum de influência do pensamento guenoniano, schuoniano ou coomaraswamyano nos bispos. Quem seria capaz de mencionar um só sinal de influência? A Tradição é, aliás, grande rival desses pensadores esotéricos. Diante de uma afirmação tão absurda e grave, telefonei para Dom Galarretta que me confirmou nunca ter conhecido este senhor. De onde Olavo teria tirado tal afirmação?
A resposta a esta questão é apresentada pelo próprio Olavo, mas ele parece não perceber:
"E o que dizia o Rama Coomaraswamy? Ele disse para mim isso aqui: «Mons. Lefebvre é um idiota, mas trabalha para nós». Eu sou testemunha pessoal disso aí. Você pode duvidar do meu testemunho, mas eu sei o que ouvi, eu assino em baixo. Eu ouvi o cara dizer isso, ele confirmou que os caras eram alunos deles, foram preparados por ele e foram mandados lá para o Mons. Lefebvre como uma espécie de bomba de efeito retardado".
Ora, eu não tenho razão para duvidar do Olavo. Acredito piamente que Rama Coomaraswamy disse tal asneira e tal ofensa. Mas não há nada nesse mundo que me faça dar crédito às palavras torpes desse senhor que é definido pelo próprio Olavo como um dúbio e traidor:
"o Rama Coomaraswamy, sob outros aspectos um grande sujeito, tinha dupla identidade: quer dizer, era professor de teologia católica num seminário, mas estava inteiramente submetido à orientação espiritual de um sheik muçulmano. Concordava em tudo."
O que o Olavo está afirmando é que o sujeito é um pulha! Sob outros aspectos (não revelados pelo Olavo) ele era um grande sujeito (na opinião do Olavo), mas nesse caso da Fraternidade ele é um pulha, um canalha, ao qual, evidentemente, não se pode dar crédito, visto que ele fingia ser uma coisa e era outra. E o que está subentendido na afirmação do Olavo eu confirmo, lembrando que ele conduziu nove seminaristas a trairem seu Superior no dia seguinte da Ordenação Sacerdotal, o que é papel de falsidade e traição. O que mais me surpreende é o Olavo perceber isso e continuar dando crédito a ele, a ponto de lançar ao público sem maiores precauções, uma afirmação falsa e gravíssima, que vem denegrir, de modo injusto e gratuito, a obra de Mons. Lefebvre. Isso, partindo do Olavo, me surpreende, porque o Olavo não é burro!
Nota: Os católicos fiéis à Tradição, longe de abrigar pensamentos esotéricos e islamizantes, os repudia vigorosamente. Vide os trabalhos de Jean Vaquié ou os artigos de Antoine de Motreff publicados na excelente Sel de la Terre e reunidos no livro "René Guénon jugé par la tradition". Vide ainda o trabalho em que o dominicano Pe. Pierre-Marie, O.P. desmonta as teses sede-vacantistas caras a Rama Coomaraswamy:
D. Williamson trabalhou pessoalmente na tradução desse trabalho para o inglês. Há ainda um livro contra J. Evola prefaciado por D. Tissier.
http://permanencia.org.br/drupal/node/1912
https://web.archive.org/web/20120630091041/http://angueth.blogspot.com/2008/06/ren-gunon-e-monsenhor-lefebvre.html
sábado, 17 de maio de 2014
Conselho de Olavo
Olavo de Carvalho perdeu o senso da realidade. O meio milhão de agentes da KGB é só um exemplo emblemático da sua falta de compromisso com a seriedade.
Basta parar e pensar: quem cometeu a 'hipérbole' sobre os 500 mil agentes é a mesma pessoa que orienta alunos "a estudar mais que seu professor (esquerdista) para desmascará-lo sem dó nem piedade".
Agora, imagina alguém saído do colégio, recém-chegado à universidade, sendo 'obrigado' a desafiar e derrotar intelectualmente um professor que ele ouviu dizer que é 'esquerdista', fazê-lo calar a boca, humilhá-lo e até mesmo processá-lo em caso de perseguição!
"Se você o desmascara, ele fica com medo e começa a puxar seu saco. Mas, se ele vai te ferrar, é melhor deixar claro que existe um conflito, porque se ele fizer algo contra você você pode até processá-lo. Se você disser 'eu desmascarei este cara nesta aula, nesta outra, nesta outra, provei que ele era um incompetente e ele está me sacaneando', você entra com um mandato de segurança e o cara se ferra todo". Não diga, Olavo?
Este conselho (irresponsável e estúpido por si só) Olavo repetiu mais uma vez no hangout com Kim Kataguri, à pergunta do entrevistador (ele mesmo um 'calouro') sobre a atitude que um aluno deve ter perante um professor esquerdista.
Naturalmente, Olavo não desconhece que aprendizado é um processo que exige tempo. É preciso passar pela fase da aquisição de conhecimento, absorção, fixação e compreensão, estabelecimento de relações com outras áreas do saber etc. Ou Olavo não sabe que um aluno, para identificar o viés ideológico de um discurso, precisa conhecer o conteúdo deste discurso?
Mais: que o aluno terá que conhecer os contra-argumentos que irão 'calar e humilhar o professor'? Ou seja, este aluno não precisaria entrar numa universidade, para estudar e aprender, pois ele já teria de saber tudo.
Mas o pior é a estimulação contraditória do Mestre: todo aluno seu é orientado a não abrir a boca durante anos, submetendo-se a uma rigorosa dieta de (ausência de) opiniões e manifestações falantes. O seu exemplo paradigmático é Aristóteles que, durante 20 anos, foi aluno de Platão. Só ao fim destas duas décadas de aprendizado é que Aristóteles começou a falar com sua própria voz.
Afinal, é para o aluno sair desmascarando farsantes esquerdistas ou é para ficar calado?!
PS: Aristóteles escreveu diálogos enquanto estava na Academia. Conferir aqui:
https://plato.stanford.edu/entries/aristotle/.
" In fact, we know that Aristotle wrote dialogues, presumably while still in the Academy, and in their few surviving remnants we are afforded a glimpse of the style Cicero describes.
Basta parar e pensar: quem cometeu a 'hipérbole' sobre os 500 mil agentes é a mesma pessoa que orienta alunos "a estudar mais que seu professor (esquerdista) para desmascará-lo sem dó nem piedade".
Agora, imagina alguém saído do colégio, recém-chegado à universidade, sendo 'obrigado' a desafiar e derrotar intelectualmente um professor que ele ouviu dizer que é 'esquerdista', fazê-lo calar a boca, humilhá-lo e até mesmo processá-lo em caso de perseguição!
"Se você o desmascara, ele fica com medo e começa a puxar seu saco. Mas, se ele vai te ferrar, é melhor deixar claro que existe um conflito, porque se ele fizer algo contra você você pode até processá-lo. Se você disser 'eu desmascarei este cara nesta aula, nesta outra, nesta outra, provei que ele era um incompetente e ele está me sacaneando', você entra com um mandato de segurança e o cara se ferra todo". Não diga, Olavo?
Este conselho (irresponsável e estúpido por si só) Olavo repetiu mais uma vez no hangout com Kim Kataguri, à pergunta do entrevistador (ele mesmo um 'calouro') sobre a atitude que um aluno deve ter perante um professor esquerdista.
Naturalmente, Olavo não desconhece que aprendizado é um processo que exige tempo. É preciso passar pela fase da aquisição de conhecimento, absorção, fixação e compreensão, estabelecimento de relações com outras áreas do saber etc. Ou Olavo não sabe que um aluno, para identificar o viés ideológico de um discurso, precisa conhecer o conteúdo deste discurso?
Mais: que o aluno terá que conhecer os contra-argumentos que irão 'calar e humilhar o professor'? Ou seja, este aluno não precisaria entrar numa universidade, para estudar e aprender, pois ele já teria de saber tudo.
Mas o pior é a estimulação contraditória do Mestre: todo aluno seu é orientado a não abrir a boca durante anos, submetendo-se a uma rigorosa dieta de (ausência de) opiniões e manifestações falantes. O seu exemplo paradigmático é Aristóteles que, durante 20 anos, foi aluno de Platão. Só ao fim destas duas décadas de aprendizado é que Aristóteles começou a falar com sua própria voz.
Afinal, é para o aluno sair desmascarando farsantes esquerdistas ou é para ficar calado?!
PS: Aristóteles escreveu diálogos enquanto estava na Academia. Conferir aqui:
https://plato.stanford.edu/entries/aristotle/.
" In fact, we know that Aristotle wrote dialogues, presumably while still in the Academy, and in their few surviving remnants we are afforded a glimpse of the style Cicero describes.
quarta-feira, 7 de maio de 2014
Linchando Raquel Sheherazade
Linchamentos não estão sendo cometidos por culpa dos comentários de Rachel Sheherazade. Os seus comentários (de que se pode discordar e criticar por inoportunos e irresponsáveis) foram feitos porque os linchamentos e a 'justiça pelas próprias mãos' vêm ocorrendo no País.
Não dá para inverter o sentido. É mau-caratismo e má-fé acusar Raquel Sheherazade de ser a culpada pela banalização do linchamento no Brasil.
Não dá para inverter o sentido. É mau-caratismo e má-fé acusar Raquel Sheherazade de ser a culpada pela banalização do linchamento no Brasil.
segunda-feira, 28 de abril de 2014
Aécio: só pra chatear.
A eleição de Aécio Neves a Presidente da República vai ter o mesmo gosto que foi eleger Tancredo Neves em 85. Tancredo nos devolveu o orgulho de ser representados por pessoa educada, culta, altiva, decente, do ramo.
Quem viveu, lembra: o Brasil morria de vergonha daqueles generais sem requinte, abrutalhados, acostumados ao trato de cavalos, às baias, a ordens unidas e piadas de caserna. Hoje, o Brasil também não aguenta mais passar vergonha com a figura pesada, deselegante e grosseirona de Dilma Rousseff.
A gerentona, a 'ungida de Lula', que nunca teve qualificação nem apresentou currículo para dirigir o país, trata seus subordinados aos gritos e pontapés; a depreciaçao e humilhação são seu padrão de etiqueta.
Dilma mata o povo de tristeza quando abre a boca. A mulher despeja toneladas de pensamentos caóticos, sem coordenação, e idéias mambembes que tropeçam numa gramática indigente de fazer corar tiriricas e mussuns.
Quer saber? Merecemos eleger Aécio Neves Presidente da República. É um político experiente, jovem, bonito, competente, educado, articulado, herdeiro de tradição e gosto pela política, neto de homens públicos notáveis. Vai fazer bonito no exterior.
E ainda tem mulher bonita. Metade do poder de João Goulart atendia pelo nome de Maria Thereza. Era a nossa Jacqueline Kennedy. Beleza é poder.
Quem viveu, lembra: o Brasil morria de vergonha daqueles generais sem requinte, abrutalhados, acostumados ao trato de cavalos, às baias, a ordens unidas e piadas de caserna. Hoje, o Brasil também não aguenta mais passar vergonha com a figura pesada, deselegante e grosseirona de Dilma Rousseff.
A gerentona, a 'ungida de Lula', que nunca teve qualificação nem apresentou currículo para dirigir o país, trata seus subordinados aos gritos e pontapés; a depreciaçao e humilhação são seu padrão de etiqueta.
Dilma mata o povo de tristeza quando abre a boca. A mulher despeja toneladas de pensamentos caóticos, sem coordenação, e idéias mambembes que tropeçam numa gramática indigente de fazer corar tiriricas e mussuns.
Quer saber? Merecemos eleger Aécio Neves Presidente da República. É um político experiente, jovem, bonito, competente, educado, articulado, herdeiro de tradição e gosto pela política, neto de homens públicos notáveis. Vai fazer bonito no exterior.
E ainda tem mulher bonita. Metade do poder de João Goulart atendia pelo nome de Maria Thereza. Era a nossa Jacqueline Kennedy. Beleza é poder.
domingo, 27 de abril de 2014
Santos salvam almas
Os santos existem para salvar almas. A salvação da alma não é objetivo menor, inferior à santificação. Esta serve àquela.
Nosso Senhor Jesus Cristo morreu e ressuscitou para levar o homem para o céu, livrá-lo do inferno. Ele queria que nenhum dos seus se perdesse e todos fossem salvos.
Ninguém é santo porque decide ser, É Deus que concede a graça da santificação a alguns homens e mulheres que, por amor a Deus, oferecem as suas vidas para que outros homens se salvem.
Nosso Senhor Jesus Cristo morreu e ressuscitou para levar o homem para o céu, livrá-lo do inferno. Ele queria que nenhum dos seus se perdesse e todos fossem salvos.
Ninguém é santo porque decide ser, É Deus que concede a graça da santificação a alguns homens e mulheres que, por amor a Deus, oferecem as suas vidas para que outros homens se salvem.
quinta-feira, 17 de abril de 2014
Sem anos de solidão
"Muchos anõs después, frente al pelotón de fusilamiento, el coronel Aureliano Buendía había de recordar aquella tarde remota em que su padre lo llevó a conocer el hielo (Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o Coronel Aureliano Buendía havia de recordar aquela tarde remota em que seu pai o levou para conhecer o gelo)."
Frase que abre o livro Cien anõs de soledad (Cem Anos de Solidão), de Gabriel Garcia Marquez. Deus acolha Gabo no Paraíso.
Frase que abre o livro Cien anõs de soledad (Cem Anos de Solidão), de Gabriel Garcia Marquez. Deus acolha Gabo no Paraíso.
terça-feira, 15 de abril de 2014
Comentarista de regador
Âncoras podem ser grandes repórteres ou analistas brilhantes. Mas, na prática, âncora é aquele apresentador de jornal de televisão que fica fazendo comentários sobre qualquer assunto da pauta do dia.
Dá palpites e tece considerações sobre temas que vão da performance do goleiro, passando pela uso da soja transgênica na merenda escolar às implicações teológicas da Aula Magna de Ratisbona. Quem assiste ao noticiário de televisão sabe do que estou falando.
Se o âncora fala o que nos interessa, então, ele vira sumidade, mesmo que o favorecimento ideológico seja escancarado e a imparcialidade comprometida. Criticar o desvio, repor o profissionalismo nos eixos vira acusação de censura. Nós já conhecemos os passos desta estrada.
Um exemplo que non es lo mismo pero es igual: tem gente que acha que um regador dentro de um cesto de papel é obra-de-arte. Objetivamente, um regador dentro de um cesto de papel não é uma obra-de-arte. Isto é opinião. Ou melhor, palpite.
No caso do âncora, ele tem o direito de achar e pensar o que quiser. Mas ele não tem o direito de emitir qualquer opinião, quando está falando para milhões de pessoas, no comando de um jornal de notícias transmitido para todo o país. Botar um freio na boca de falastrões nem sempre é censura; às vezes, é bom senso.
Dá palpites e tece considerações sobre temas que vão da performance do goleiro, passando pela uso da soja transgênica na merenda escolar às implicações teológicas da Aula Magna de Ratisbona. Quem assiste ao noticiário de televisão sabe do que estou falando.
Se o âncora fala o que nos interessa, então, ele vira sumidade, mesmo que o favorecimento ideológico seja escancarado e a imparcialidade comprometida. Criticar o desvio, repor o profissionalismo nos eixos vira acusação de censura. Nós já conhecemos os passos desta estrada.
Um exemplo que non es lo mismo pero es igual: tem gente que acha que um regador dentro de um cesto de papel é obra-de-arte. Objetivamente, um regador dentro de um cesto de papel não é uma obra-de-arte. Isto é opinião. Ou melhor, palpite.
No caso do âncora, ele tem o direito de achar e pensar o que quiser. Mas ele não tem o direito de emitir qualquer opinião, quando está falando para milhões de pessoas, no comando de um jornal de notícias transmitido para todo o país. Botar um freio na boca de falastrões nem sempre é censura; às vezes, é bom senso.
quarta-feira, 9 de abril de 2014
Orlando Fedeli: o primeiro email
Muito prezada Mirian,
salve Maria!
Li sua carta entre lágrimas.
Como Deus é bom! E como Ele escreve direito em linhas tortas!
Quão admirável é a sua misericórdia que nos prura mesmo nos abismos, e nos leva pela mão entre abismos e penhascos, no meio das sombras da morte.
Lembro-me de uma frase de Deus a um profeta, falando-lhe de Israel:
Lendo sua tão comovente e tão sincera "A volta para Casa", pensei como Deus a conduziu pela mão e como pode bem ter-lhe dito: "Como me esquecerei de ti, Mirian? Eu sou teu Deus que te tomo pela mão e te conduzo." Dou, pois graças a Deus -- entre lágrimas -- pela beleza da ação de Deus em sua vida.
Agradeço-lhe suas palavras bondosas relativas à minha pessoa. Só temo você estar equivocada e eu não poder ajudá-la, tanto quanto eu quereria, no que você necessita.
"Mais.. ce que j´ai , je vous le donne".
Eu lhe ofereço minhas orações e minha admiração, por ver em sua vida e em sua volta para casa uma ação clara da misericórdia divina.
Gostaria de publicar sua carta no site Montfort, porque ela seria uma grande e bela labareda, que bem poderia iluminar outras almas, assim como outras cartas a incentivaram e iluminaram sua alma.
E gostaria tanto de conhecê-la pessoalmente!
Gostaria tanto de, um dia, comungar a seu lado. Como se fosse uma minha irmã. Como você é minha irmã na Igreja Católica, minha irmã que voltou para a casa.
Para casa...
In corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli
PS. Quando, depois de terminar esta minha pobre resposta à sua carta de tanto valor, fui ver a data em que você a escreveu. Foi no dia de Santa Teresa, no dia do professor. Que bom presente, você deu a um velho professor. Que Deus a recompense, e que Santa Teresa sempre esteja como um anjo a seu lado. OF
segunda-feira, 7 de abril de 2014
Marighella em Havana
Carlos Marighella concedeu esta entrevista à Radio Havana em agosto de 67, quatro meses antes da edição do AI-5. Em quase 15 minutos de duração, ele não pronuncia uma única vez a palavra democracia.
Desmentindo a falácia de que a esquerda só optou pela luta armada depois do endurecimento do regime com a edição do AI-5, Marighella confessa que a sua expulsão do Partido Comunista (em 66) deveu-se à sua decisão de pegar em armas e promover a guerrilha, como única forma de combater a ditadura e implantar o socialismo no Brasil. São palavras textuais de Marighella:
"Não é possível lutar através da via pacífica. Nas condições atuais, a burguesia não tem condições de dirigir a revolução. As reformas de estrutura, reformas de base de que necessita o Brasil, só se pode conseguir através da luta revolucionária, ou melhor, através da tomada do poder pela via revolucionária, quando então, e com as forças armadas do povo em ação, podemos dominar a ação das forças reacionárias e a ação do imperialismo, realizar estas reformas e levar o país ao socialismo".
Isto significa explicitamente a instalação de uma ditadura do proletariado. Um revolucionário não toma o poder pelas armas e, em seguida, convoca os partidos burgueses para apresentar seus candidatos à eleição ao Executivo e ao Legislativo.
Revolucionários tomam o poder para acabar com ' a ordem 'burguesa'. Não tem PT, PSDB, PSOL, nada. Só tem o Partido. Entendeu porque trocar Médici por Marighella não é bom negócio? Ouve a entrevista e tu ouvirás da boca do próprio Marighella o que ele pensa de 'democracia burguesa".
domingo, 6 de abril de 2014
De quem é a Igreja?
O jornalista Vittorio Messori perguntou a Bento XVI se ele dormia tranquilo (em face de tantas tribulações que a Igreja vivia). O Papa respondeu-lhe que sim, porque ele sabia que quem conduzia a Igreja era Nosso Senhor Jesus Cristo. A Igreja não era dele, Ratzinger, nem de nenhum outro.
E completou: Eu só posso dar conta de meu esforço, não dos seus resultados".
E completou: Eu só posso dar conta de meu esforço, não dos seus resultados".
Protesto na rua?!
Todo mundo em São Paulo tem uma causa nobre para ir para a rua. Recentemente, convocaram uma passeata na frente do Palácio dos Bandeirantes em protesto pelo trânsito engarrafado e frequentes assaltos no Morumbi.
Como o Palácio fica no próprio bairro, o trânsito piorou e os ladrões só não aproveitaram para fazer arrastão porque a a passeata, que contou com a participação de três pessoas, acabou rápido. Foram colocados cones numa pista dupla, afunilando o tráfego para um única pista.
Assim, a única coisa que a passeata conseguiu granjear for a fúria dos motoristas do Morumbi que tiveram de enfrentar um dia pior ainda no trânsito. Isto é São Paulo.
Como o Palácio fica no próprio bairro, o trânsito piorou e os ladrões só não aproveitaram para fazer arrastão porque a a passeata, que contou com a participação de três pessoas, acabou rápido. Foram colocados cones numa pista dupla, afunilando o tráfego para um única pista.
Assim, a única coisa que a passeata conseguiu granjear for a fúria dos motoristas do Morumbi que tiveram de enfrentar um dia pior ainda no trânsito. Isto é São Paulo.
Filho de lésbica é filho de Deus
Tornar-se filho de Deus pelo batismo é graça que a Igreja não pode negar a nenhum ser humano. Ao contrário: a missão dela é esta: “Ide por todo o mundo, pregai o Evangelho a toda criatura e batizai-a em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo".
Se os pais(sic) da criança são duas lésbicas que culpa ela tem? Argumentar que a criança não pode ser batizada pelo 'pecado' dos pais(sic) é o mesmo que defender o aborto porque o filho é fruto de estupro. Criminoso é o pai, não a criança.
Se os pais(sic) da criança são duas lésbicas que culpa ela tem? Argumentar que a criança não pode ser batizada pelo 'pecado' dos pais(sic) é o mesmo que defender o aborto porque o filho é fruto de estupro. Criminoso é o pai, não a criança.
segunda-feira, 10 de março de 2014
Refutando Olavo de Carvalho
“Argumento Ontológico” enquanto Construção Linguística
Mauro Bartolomeu
Chama-se argumento ontológico da existência de Deus aquele segundo o qual, sendo Deus, por definição, o ser perfeito, e sendo a inexistência uma imperfeição, deve-se forçosamente concluir que a inexistência não faz parte de sua natureza, e que, portanto, ele existe.
Tal argumento, elucubrado por Anselmo de Aosta, um dos fundadores do escolasticismo, foi rejeitado já pelo próprio Tomás de Aquino e mais tarde por Immanuel Kant, para quem a existência não pode ser deduzida a priori, mas apenas a posteriori, ou seja, por experiência. Em outras palavras, para o arcebispo de Cantuária a existência do seu deus podia ser provada pela intuição e pela razão, sem a necessidade de uma prova material, pois a própria “criação” seria a prova a posteriori desse deus que seria sua “causa primeira”.
Para Kant esse raciocínio é absurdo, já que da análise do conceito não se pode deduzir a existência do objeto (ou, em termos linguísticos, da existência de um signo não decorre a existência do seu referente). Isso nos parece tão óbvio que nos causou grande surpresa verificar que ainda haja quem disso discorde, como o respeitado filósofo Olavo de Carvalho, que pretende ter refutado a crítica kantiana com uma argumentação no mínimo abstrusa.
Num dos “comentários suplementares” que o Sr. Carvalho acresce ao final de sua tradução de Como Vencer um Debate sem Precisar Ter Razão, de Schopenhauer (2003), o filósofo brasileiro expõe em poucas linhas seu raciocínio. A causa de sua obscuridade pode ser atribuída à brevidade da exposição; seja como for, escusamo-nos de buscar sua fonte original (Carvalho, 1995), na suposição de que a síntese do seu pensamento, porque feita pelo próprio autor, deva ser suficiente para sua intelecção.
E é com esse objetivo que o transcrevemos ipsis litteris: “1º A evidência de uma proposição pode ser reconhecida não só pelo sentimento de certeza, isto é, subjetivamente, mas também por análise lógica: proposição autoevidente é aquela que só pode ser contraditada por uma proposição equívoca, isto é, de duplo sentido. 2º Logo, um juízo autoevidente não pode ser hipotético ou puramente formal: é sempre um juízo de alcance ontológico.
3º A proposição “um ser necessário existe necessariamente” é autoevidente, porque é impossível decidir se sua contraditória é “um ser necessário não existe de maneira necessária” (subentendendo-se que pode existir de maneira contingente) ou “um ser necessário necessariamente inexiste”. 4º Logo, o juízo “um ser necessário existe necessariamente” não pode ser hipotético, não se aplicando portanto, ao caso, a distinção entre “Deus” e “o conceito de Deus”. Fica assim derrubada a objeção kantiana.” (op. cit., p. 248).
A tese do Sr. Olavo de Carvalho se sustenta em confusões de caráter linguístico, em razão do que, ao expor sua refutação, repetidamente usaremos termos provenientes da Linguística. Intentemos, pois, destrinchar seu raciocínio.
Dizer que o valor de verdade de uma proposição pode ser reconhecido por pura análise lógica não significa que não tenhamos sempre que recorrer, em última instância, a proposições cujo valor de verdade só possa ser reconhecido empírica ou intuitivamente; mas apenas que, uma vez estabelecidas algumas certezas empíricas ou intuitivas, seja possível tirar conclusões puramente lógicas.
Sendo assim, não polemizaremos em relação a este ponto e admitiremos, em primeiro lugar, que isso seja possível. Porém imediatamente a isso o filósofo introduz, à guisa de conclusão ou de exemplo, a definição de “proposição auto-evidente”. Pretende que qualquer proposição que só possa ser contraditada por uma proposição ambígua é, ipso facto, “autoevidente”.
Poderíamos admitir provisoriamente esse conceito se considerássemos que sua definição, meramente formalista, não pudesse ter qualquer consequência no valor de verdade de uma tal proposição. No entanto, se o significado do adjetivo “autoevidente” for ele mesmo suficientemente autoexplicativo, a afirmação do filósofo é a de que uma proposição deve ser necessariamente verdadeira pelo simples fato de ser expressa numa determinada forma, o que é algo absolutamente inadmissível pela Lógica Formal. Como se não bastasse, afirma de enfiada que tal proposição deve, logicamente, ter um alcance ontológico, afrontando assim, sem nenhum argumento, a base da filosofia crítica.
Em seguida a essa prestidigitação, apresenta um exemplo de proposição “autoevidente”. O que faz da frase “um ser necessário existe necessariamente” uma proposição “autoevidente” é a impossibilidade de deduzir se sua negação é “um ser necessário não existe de maneira necessária” ou “um ser necessário necessariamente inexiste”.
Em outras palavras, o que a torna “autoevidente”, e portanto “verdadeira”, é justamente sua ambigüidade interna, uma vez que não é possível determinar com certeza se “necessariamente” é um advérbio de modo (“de maneira necessária”) ou de afirmação (equivalendo a um “certamente”).
Não cremos que o Sr. Olavo de Carvalho pretenda que todo enunciado ambíguo seja verdadeiro, e muito menos que ele tenha alcance ontológico; não obstante, por mais absurdo que seja, é isso o que se pode desentranhar do seu texto. Conclui o filósofo que, tendo demonstrado que o enunciado em questão “não pode ser hipotético”, não se aplica a ele a distinção entre o objeto a que se refere e o conceito desse objeto, que é o absurdo final dessa sequência de absurdos, pois equivale a confundir o significado(elemento constituinte do signo linguístico) com o referente (o objeto do mundo real para o qual o signo aponta).
O que faz dessa afronta à Lógica Formal uma afirmação escandalosa é o fato de ser o seu autor um estudioso de Aristóteles, a quem se atribui nada menos que a invenção daquela ciência (Olavo de Carvalho é autor de um ensaio polêmico mas instigante acerca de Aristóteles, intitulado Aristóteles em Nova Perspectiva).
Para Aristóteles, não caberia à Lógica (que ele, na verdade, chamava de Analítica) determinar o valor de verdade das proposições, mas tão somente a conclusão necessária dadas duas premissas (verdadeiras ou não). A primeira tese do Sr. Olavo de Carvalho vai de encontro, portanto, a um dos princípios mais elementares da Lógica, pois não pode haver qualquer proposição cujo valor de verdade se depreenda diretamente do seu aspecto formal.
Aparentemente, o filósofo confunde o discurso metalinguístico com um discurso que tem “alcance ontológico”. Se afirmamos que o “ser necessário” é aquele que “existe necessariamente” estamos apenas relacionando, na terminologia de Philippe Hamon (1993), uma condensação denominativa a uma expansão predicativa, entre as quais existe equivalência semântica. O fato de o conceito de “existência” compor a definição do termo não implica, de maneira alguma, que a este termo deva necessariamente corresponder um ser no mundo real.
Objetos que não existem no mundo físico, e mesmo objetos inimagináveis (como o “círculo quadrado” de Spinoza) podem ser nomeados e definidos sem que tais definições possam ter qualquer alcance ontológico. Da mesma forma, se eu afirmo que um “unicórnio” é um “animal semelhante a um cavalo com um único chifre no meio da testa” não quero com isso dizer que tal animal tenha existência fora da imaginação, ainda que, de maneira correlata ao pensamento cartesiano de que para pensar é preciso existir, também se possa afirmar que isso seja igualmente necessário para ser semelhante a um cavalo e para possuir um chifre…
É certo que no caso do unicórnio os dicionários normalmente anteponham a essa definição algum sintagma nominal como “animal fabuloso” ou “ser mitológico”, mas isso não invalida nossa comparação. Afinal, seria dar aos dicionaristas, em vez de aos filósofos, a primazia em determinar o que é e o que não é real; tanto mais quanto seria igualmente possível definir o tal “ser necessário” como “ser mitológico que, segundo a lenda, existe necessariamente”.
É preciso não se deixar levar por esse tipo de jogo de palavras quando o objetivo é atingir uma verdade unívoca. Seria preciso, pois, em primeiro lugar, eliminar a ambiguidade do enunciado afirmativo em questão, determinando se o advérbio necessariamente é de modo ou de afirmação; teríamos, assim, dois enunciados bastante distintos semanticamente, a partir dos quais os filósofos poderiam reaquecer seus debates.
Se, considerando o advérbio como sendo de afirmação, afirmarmos que o “ser necessário” é aquele que, por definição, certamente existe, seu referente poderá ser entendido como todo e qualquer ser cuja existência seja certa ou possa ser constatada de alguma maneira (e assistiríamos então à diluição do seu significado original).
Se, por outro lado, tomando o advérbio como sendo de modo, afirmarmos que o “ser necessário” é aquele que, por definição, existe de maneira necessária e nunca contingente, será preciso, primeiramente, explicar em que consistem essas duas diferentes modalidades de existência, e depois verificar se a definição corresponde à realidade empírica, pois ainda não teremos conhecido desse “ser” nada mais que sua definição, e ela ainda não será mais que a definição de uma hipótese.
Concluir aprioristicamente pela efetiva existência do “ser” em questão é perfeitamente similar ao que fazia Zenão de Eleia ao demonstrar, por meio de raciocínios inteiramente lógicos em sua forma, que o movimento não poderia existir.
É esse problema metalinguístico, o das definições, que leva o Sr. Olavo de Carvalho a confundir o termo “Deus” com o “conceito de Deus”, tal seja o de “ser que existe necessariamente”. Até porque o ser ao qual tal definição pode ser atribuída é o “ser necessário”, e não “Deus”, ao qual só se pode, com o mesmo rigor, atribuir a definição “ser divino”.É claro que a Teologia tem muito mais a dizer sobre seu objeto de estudo do que simplesmente que ele tem o dever de existir, por isso precisa ir além da tautologia metalinguística.
Pode-se ainda dizer que é um problema da mesma natureza o que leva os filósofos metafísicos (e com eles o Sr. Olavo de Carvalho) a pensar que haja mais que uma forma de existir, de tal maneira que tudo de cuja existência podemos tomar conhecimento empiricamente passa a ter apenas uma existência contingente, ao passo que o suposto “ser necessário” passa a ser a única existência necessária.
Trata-se, como afirmamos, de um problema metalinguístico, porque está indissociavelmente ligado à definição de “existir”. Os dicionários, via de regra, apenas enumeram uma série de verbos sinônimos. Assim o faz Aurélio: “1. Ter existência real; ser; haver. 2. Viver; estar. 3. Subsistir, durar. (…)”. Note-se que o único sintagma nominal presente leva também à tautologia, pois “existência” é para o mesmo dicionário sinônimo de “1. O fato de existir, de viver; vivência. 2. Vida. 3. Realidade”.
Ou seja: “existir” é ter uma “realidade real”, o que não nos acrescenta muito em termos cognitivos. De fato, embora a noção de existência nos pareça óbvia, é tarefa quase impossível defini-la. Ora, se já é problemática a associação dessa “condensação denominativa” a uma “expansão predicativa”, tanto mais sua associação a adjetivos nada óbvios como "contingente" e "necessário".
Seja como for, o pressuposto da concepção metafísica anteriormente exposta é o de que cada uma das coisas que existem poderia perfeitamente deixar de existir individualmente sem que as demais (ou pelo menos a maioria delas) tivessem, por causa disso, de deixar de existir também; apenas por essa razão é que se diz de tais coisas que são “contingentes”.
Quanto ao “ser necessário”, que é por definição aquilo que faz com que as coisas existam, não pode deixar de existir sem que o mesmo aconteça com todas as outras coisas ao mesmo tempo; logo, a única conclusão que se pode tirar desse raciocínio é a de que o “ser necessário” é “necessário” para a existência das coisas que sabemos serem existentes…
Mas essa tautologia não pode ter alcance ontológico, primeiro porque, uma vez que desconhecemos o mecanismo ou o funcionamento da “existência”, nada abona a interpretação de que ela necessite de uma “causa primeira” ou de um “ser necessário”, muito menos que haja maneiras distintas de existir; segundo porque esse “ser necessário”, se existe, está submetido à mesma existência, e, portanto, não pode ser a causa dela; se, por outro lado, é a causa de toda existência, tem de ser anterior a ela, e estar, por isso, fora dela, não podendo, portanto, existir.
Esperamos ter demonstrado que o raciocínio desenvolvido pelo Sr. Olavo de Carvalho fundamenta-se em puras relações de linguagem, as quais definem bem o que, depois de Sócrates, ficou conhecido como argumentação sofística. Não é nosso intento entrar na discussão da existência dos mais diversos deuses, mas apenas apontar um raciocínio falacioso muito específico, relativo ao argumento ontológico da existência de Deus, ressuscitado pelo Sr. Olavo de Carvalho, a quem esperamos não ter desrespeitado em nossa breve exposição, e de quem esperamos possa exercer seu direito de resposta.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CARVALHO, Olavo de. Breve Tratado de Metafísica Dogmática. Rio de Janeiro: Instituto de Artes Liberais, 1995 (apostila).
HAMON, Philippe. Du Descriptif. Paris: Hachette, 1993.
20/3/2007
PALAVRAS-CHAVE: Metafísica; Argumento Ontológico; Filosofia da Linguagem.
KEYWORDS: Metaphysics; Ontological Argument; Language Philosophy.
RESUMO: O filósofo Olavo de Carvalho reafirma o conhecido “argumento ontológico” da existência do “ser necessário” por meio de um hábil torneio linguístico que o presente artigo põe a nu e refuta.
ABSTRACT: The philosopher Olavo de Carvalho reaffirms the known “ontological argument” about the “necessary being” existence by means a subtle discourse, which this article unmasks and refutes.
http://www.usinadeletras.com.br/exibelotexto.php?cod=52023&cat=Artigos
Mauro Bartolomeu
Chama-se argumento ontológico da existência de Deus aquele segundo o qual, sendo Deus, por definição, o ser perfeito, e sendo a inexistência uma imperfeição, deve-se forçosamente concluir que a inexistência não faz parte de sua natureza, e que, portanto, ele existe.
Tal argumento, elucubrado por Anselmo de Aosta, um dos fundadores do escolasticismo, foi rejeitado já pelo próprio Tomás de Aquino e mais tarde por Immanuel Kant, para quem a existência não pode ser deduzida a priori, mas apenas a posteriori, ou seja, por experiência. Em outras palavras, para o arcebispo de Cantuária a existência do seu deus podia ser provada pela intuição e pela razão, sem a necessidade de uma prova material, pois a própria “criação” seria a prova a posteriori desse deus que seria sua “causa primeira”.
Para Kant esse raciocínio é absurdo, já que da análise do conceito não se pode deduzir a existência do objeto (ou, em termos linguísticos, da existência de um signo não decorre a existência do seu referente). Isso nos parece tão óbvio que nos causou grande surpresa verificar que ainda haja quem disso discorde, como o respeitado filósofo Olavo de Carvalho, que pretende ter refutado a crítica kantiana com uma argumentação no mínimo abstrusa.
Num dos “comentários suplementares” que o Sr. Carvalho acresce ao final de sua tradução de Como Vencer um Debate sem Precisar Ter Razão, de Schopenhauer (2003), o filósofo brasileiro expõe em poucas linhas seu raciocínio. A causa de sua obscuridade pode ser atribuída à brevidade da exposição; seja como for, escusamo-nos de buscar sua fonte original (Carvalho, 1995), na suposição de que a síntese do seu pensamento, porque feita pelo próprio autor, deva ser suficiente para sua intelecção.
E é com esse objetivo que o transcrevemos ipsis litteris: “1º A evidência de uma proposição pode ser reconhecida não só pelo sentimento de certeza, isto é, subjetivamente, mas também por análise lógica: proposição autoevidente é aquela que só pode ser contraditada por uma proposição equívoca, isto é, de duplo sentido. 2º Logo, um juízo autoevidente não pode ser hipotético ou puramente formal: é sempre um juízo de alcance ontológico.
3º A proposição “um ser necessário existe necessariamente” é autoevidente, porque é impossível decidir se sua contraditória é “um ser necessário não existe de maneira necessária” (subentendendo-se que pode existir de maneira contingente) ou “um ser necessário necessariamente inexiste”. 4º Logo, o juízo “um ser necessário existe necessariamente” não pode ser hipotético, não se aplicando portanto, ao caso, a distinção entre “Deus” e “o conceito de Deus”. Fica assim derrubada a objeção kantiana.” (op. cit., p. 248).
A tese do Sr. Olavo de Carvalho se sustenta em confusões de caráter linguístico, em razão do que, ao expor sua refutação, repetidamente usaremos termos provenientes da Linguística. Intentemos, pois, destrinchar seu raciocínio.
Dizer que o valor de verdade de uma proposição pode ser reconhecido por pura análise lógica não significa que não tenhamos sempre que recorrer, em última instância, a proposições cujo valor de verdade só possa ser reconhecido empírica ou intuitivamente; mas apenas que, uma vez estabelecidas algumas certezas empíricas ou intuitivas, seja possível tirar conclusões puramente lógicas.
Sendo assim, não polemizaremos em relação a este ponto e admitiremos, em primeiro lugar, que isso seja possível. Porém imediatamente a isso o filósofo introduz, à guisa de conclusão ou de exemplo, a definição de “proposição auto-evidente”. Pretende que qualquer proposição que só possa ser contraditada por uma proposição ambígua é, ipso facto, “autoevidente”.
Poderíamos admitir provisoriamente esse conceito se considerássemos que sua definição, meramente formalista, não pudesse ter qualquer consequência no valor de verdade de uma tal proposição. No entanto, se o significado do adjetivo “autoevidente” for ele mesmo suficientemente autoexplicativo, a afirmação do filósofo é a de que uma proposição deve ser necessariamente verdadeira pelo simples fato de ser expressa numa determinada forma, o que é algo absolutamente inadmissível pela Lógica Formal. Como se não bastasse, afirma de enfiada que tal proposição deve, logicamente, ter um alcance ontológico, afrontando assim, sem nenhum argumento, a base da filosofia crítica.
Em seguida a essa prestidigitação, apresenta um exemplo de proposição “autoevidente”. O que faz da frase “um ser necessário existe necessariamente” uma proposição “autoevidente” é a impossibilidade de deduzir se sua negação é “um ser necessário não existe de maneira necessária” ou “um ser necessário necessariamente inexiste”.
Em outras palavras, o que a torna “autoevidente”, e portanto “verdadeira”, é justamente sua ambigüidade interna, uma vez que não é possível determinar com certeza se “necessariamente” é um advérbio de modo (“de maneira necessária”) ou de afirmação (equivalendo a um “certamente”).
Não cremos que o Sr. Olavo de Carvalho pretenda que todo enunciado ambíguo seja verdadeiro, e muito menos que ele tenha alcance ontológico; não obstante, por mais absurdo que seja, é isso o que se pode desentranhar do seu texto. Conclui o filósofo que, tendo demonstrado que o enunciado em questão “não pode ser hipotético”, não se aplica a ele a distinção entre o objeto a que se refere e o conceito desse objeto, que é o absurdo final dessa sequência de absurdos, pois equivale a confundir o significado(elemento constituinte do signo linguístico) com o referente (o objeto do mundo real para o qual o signo aponta).
O que faz dessa afronta à Lógica Formal uma afirmação escandalosa é o fato de ser o seu autor um estudioso de Aristóteles, a quem se atribui nada menos que a invenção daquela ciência (Olavo de Carvalho é autor de um ensaio polêmico mas instigante acerca de Aristóteles, intitulado Aristóteles em Nova Perspectiva).
Para Aristóteles, não caberia à Lógica (que ele, na verdade, chamava de Analítica) determinar o valor de verdade das proposições, mas tão somente a conclusão necessária dadas duas premissas (verdadeiras ou não). A primeira tese do Sr. Olavo de Carvalho vai de encontro, portanto, a um dos princípios mais elementares da Lógica, pois não pode haver qualquer proposição cujo valor de verdade se depreenda diretamente do seu aspecto formal.
Aparentemente, o filósofo confunde o discurso metalinguístico com um discurso que tem “alcance ontológico”. Se afirmamos que o “ser necessário” é aquele que “existe necessariamente” estamos apenas relacionando, na terminologia de Philippe Hamon (1993), uma condensação denominativa a uma expansão predicativa, entre as quais existe equivalência semântica. O fato de o conceito de “existência” compor a definição do termo não implica, de maneira alguma, que a este termo deva necessariamente corresponder um ser no mundo real.
Objetos que não existem no mundo físico, e mesmo objetos inimagináveis (como o “círculo quadrado” de Spinoza) podem ser nomeados e definidos sem que tais definições possam ter qualquer alcance ontológico. Da mesma forma, se eu afirmo que um “unicórnio” é um “animal semelhante a um cavalo com um único chifre no meio da testa” não quero com isso dizer que tal animal tenha existência fora da imaginação, ainda que, de maneira correlata ao pensamento cartesiano de que para pensar é preciso existir, também se possa afirmar que isso seja igualmente necessário para ser semelhante a um cavalo e para possuir um chifre…
É certo que no caso do unicórnio os dicionários normalmente anteponham a essa definição algum sintagma nominal como “animal fabuloso” ou “ser mitológico”, mas isso não invalida nossa comparação. Afinal, seria dar aos dicionaristas, em vez de aos filósofos, a primazia em determinar o que é e o que não é real; tanto mais quanto seria igualmente possível definir o tal “ser necessário” como “ser mitológico que, segundo a lenda, existe necessariamente”.
É preciso não se deixar levar por esse tipo de jogo de palavras quando o objetivo é atingir uma verdade unívoca. Seria preciso, pois, em primeiro lugar, eliminar a ambiguidade do enunciado afirmativo em questão, determinando se o advérbio necessariamente é de modo ou de afirmação; teríamos, assim, dois enunciados bastante distintos semanticamente, a partir dos quais os filósofos poderiam reaquecer seus debates.
Se, considerando o advérbio como sendo de afirmação, afirmarmos que o “ser necessário” é aquele que, por definição, certamente existe, seu referente poderá ser entendido como todo e qualquer ser cuja existência seja certa ou possa ser constatada de alguma maneira (e assistiríamos então à diluição do seu significado original).
Se, por outro lado, tomando o advérbio como sendo de modo, afirmarmos que o “ser necessário” é aquele que, por definição, existe de maneira necessária e nunca contingente, será preciso, primeiramente, explicar em que consistem essas duas diferentes modalidades de existência, e depois verificar se a definição corresponde à realidade empírica, pois ainda não teremos conhecido desse “ser” nada mais que sua definição, e ela ainda não será mais que a definição de uma hipótese.
Concluir aprioristicamente pela efetiva existência do “ser” em questão é perfeitamente similar ao que fazia Zenão de Eleia ao demonstrar, por meio de raciocínios inteiramente lógicos em sua forma, que o movimento não poderia existir.
É esse problema metalinguístico, o das definições, que leva o Sr. Olavo de Carvalho a confundir o termo “Deus” com o “conceito de Deus”, tal seja o de “ser que existe necessariamente”. Até porque o ser ao qual tal definição pode ser atribuída é o “ser necessário”, e não “Deus”, ao qual só se pode, com o mesmo rigor, atribuir a definição “ser divino”.É claro que a Teologia tem muito mais a dizer sobre seu objeto de estudo do que simplesmente que ele tem o dever de existir, por isso precisa ir além da tautologia metalinguística.
Pode-se ainda dizer que é um problema da mesma natureza o que leva os filósofos metafísicos (e com eles o Sr. Olavo de Carvalho) a pensar que haja mais que uma forma de existir, de tal maneira que tudo de cuja existência podemos tomar conhecimento empiricamente passa a ter apenas uma existência contingente, ao passo que o suposto “ser necessário” passa a ser a única existência necessária.
Trata-se, como afirmamos, de um problema metalinguístico, porque está indissociavelmente ligado à definição de “existir”. Os dicionários, via de regra, apenas enumeram uma série de verbos sinônimos. Assim o faz Aurélio: “1. Ter existência real; ser; haver. 2. Viver; estar. 3. Subsistir, durar. (…)”. Note-se que o único sintagma nominal presente leva também à tautologia, pois “existência” é para o mesmo dicionário sinônimo de “1. O fato de existir, de viver; vivência. 2. Vida. 3. Realidade”.
Ou seja: “existir” é ter uma “realidade real”, o que não nos acrescenta muito em termos cognitivos. De fato, embora a noção de existência nos pareça óbvia, é tarefa quase impossível defini-la. Ora, se já é problemática a associação dessa “condensação denominativa” a uma “expansão predicativa”, tanto mais sua associação a adjetivos nada óbvios como "contingente" e "necessário".
Seja como for, o pressuposto da concepção metafísica anteriormente exposta é o de que cada uma das coisas que existem poderia perfeitamente deixar de existir individualmente sem que as demais (ou pelo menos a maioria delas) tivessem, por causa disso, de deixar de existir também; apenas por essa razão é que se diz de tais coisas que são “contingentes”.
Quanto ao “ser necessário”, que é por definição aquilo que faz com que as coisas existam, não pode deixar de existir sem que o mesmo aconteça com todas as outras coisas ao mesmo tempo; logo, a única conclusão que se pode tirar desse raciocínio é a de que o “ser necessário” é “necessário” para a existência das coisas que sabemos serem existentes…
Mas essa tautologia não pode ter alcance ontológico, primeiro porque, uma vez que desconhecemos o mecanismo ou o funcionamento da “existência”, nada abona a interpretação de que ela necessite de uma “causa primeira” ou de um “ser necessário”, muito menos que haja maneiras distintas de existir; segundo porque esse “ser necessário”, se existe, está submetido à mesma existência, e, portanto, não pode ser a causa dela; se, por outro lado, é a causa de toda existência, tem de ser anterior a ela, e estar, por isso, fora dela, não podendo, portanto, existir.
Esperamos ter demonstrado que o raciocínio desenvolvido pelo Sr. Olavo de Carvalho fundamenta-se em puras relações de linguagem, as quais definem bem o que, depois de Sócrates, ficou conhecido como argumentação sofística. Não é nosso intento entrar na discussão da existência dos mais diversos deuses, mas apenas apontar um raciocínio falacioso muito específico, relativo ao argumento ontológico da existência de Deus, ressuscitado pelo Sr. Olavo de Carvalho, a quem esperamos não ter desrespeitado em nossa breve exposição, e de quem esperamos possa exercer seu direito de resposta.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CARVALHO, Olavo de. Breve Tratado de Metafísica Dogmática. Rio de Janeiro: Instituto de Artes Liberais, 1995 (apostila).
HAMON, Philippe. Du Descriptif. Paris: Hachette, 1993.
20/3/2007
PALAVRAS-CHAVE: Metafísica; Argumento Ontológico; Filosofia da Linguagem.
KEYWORDS: Metaphysics; Ontological Argument; Language Philosophy.
RESUMO: O filósofo Olavo de Carvalho reafirma o conhecido “argumento ontológico” da existência do “ser necessário” por meio de um hábil torneio linguístico que o presente artigo põe a nu e refuta.
ABSTRACT: The philosopher Olavo de Carvalho reaffirms the known “ontological argument” about the “necessary being” existence by means a subtle discourse, which this article unmasks and refutes.
http://www.usinadeletras.com.br/exibelotexto.php?cod=52023&cat=Artigos
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