sexta-feira, 20 de junho de 2014

Recordar é viver: e a maçonaria, Olavo de Carvalho?

     Mírian Macedo: "Citando René Guénon, o senhor defendeu a união da maçonaria com o cristianismo. E pode?!"
            Olavo de Carvalho: "Parece que houve aí uma divisão de trabalho: a maçonaria ficou com os Pequenos Mistérios e a Igreja com os Grandes Mistérios. Não é preciso dizer que este simples fato é causa de inumeráveis desequilíbrios. Enquanto estas duas ordens de conhecimento não forem de novo articuladas, a unidade espiritual do Ocidente não será reconquistada."

          Íntegra da resposta de Olavo de Carvalho*: "Este problema que você coloca é dos mais cabeludos. Eu dificilmente poderia explicá-lo aqui. Mas é preciso considerar que a maçonaria tal como a conhecemos hoje se origina no século XVIII, a partir da unificação de antigas iniciações de ofícios, sobretudo dos construtores medievais que, durante mil anos, tinha funcionado perfeitamente bem dentro do contexto cristão sem nenhum problema.

     A encrenca começa a partir do momento em que, dentro da própria maçonaria, começam a surgir outras sociedades, estas sim verdadeiramente secretas, que se apossam de áreas inteiras com o objetivo de transformar a maçonaria em instrumento da revolução.
     
     Isto é muito bem explicado num livro já clássico, de um mestre maçom chamado John Robinson, intitulado Proof of Conspiracy. O livro saiu no começo da história republicana aqui nos Estados Unidos.
     
     Evidentemente, foi bastante lido pelos maçons da época, inclusive o presidente George Washington, que, vendo a penetração destas idéias revolucionárias na maçonaria, confirmou que aquilo existia e disse: "Eu espero que isto não se propague aqui nos Estados Unidos (pois isto estava acontecendo na Europa, principalmente na França).
      
      Quando se fala de maçonaria, não se pode falar  de um negócio assim em  bloco, porque existem camadas e camadas de complexidade aí. Mas, em todo caso, o fato da maçonaria originar-se nestas comunidades de ofício mostra que ela não tem originariamente uma inspiração anti-cristã.
      
      Por outro lado, estas comunidades legaram à maçonaria inumeráveis conhecimentos, sobretudo sobre a constituição da ordem política, da ordem do Estado. E estes conhecimentos são realmente  importantes para a administração do mundo. 

      Como havia aquela distinção dos Pequenos Mistérios e Grandes Mistérios (Pequenos Mistérios são aqueles que se referem aos conhecimentos de ordem cosmológica, ordem do mundo, constituição do mundo, inclusive do mundo histórico, social, político; e por outro lado, os Grandes Mistérios, que se referem à ordem puramente espiritual, da imortalidade da alma, Deus  etc), parece que houve aí uma divisão de trabalho: a maçonaria ficou com os Pequenos Mistérios e a Igreja com os Grandes Mistérios. 

      Não é preciso dizer que este simples fato é causa de inumeráveis desequilíbrios. Enquanto estas duas ordens de conhecimento não forem de novo articuladas, a unidade espiritual do Ocidente não será reconquistada. 

      Pior ainda: à medida que o tempo passa, aparecem sociedades secretas dentro de sociedades secretas, conspirações dentro de conspirações, tornando tudo uma bagunça monumental. 


     É evidente que as conspirações existem, mas também é tolo imaginar, como faz este senhor Armindo Abreu, que certas sociedades secretas são controladoras do mundo.
Ninguém controla o mundo, o pessoal disputa poder e faz confusão.

     
      Pior ainda, quando os elementos causadores de uma situação contêm um forte elemento secreto, é muito difícil entender até historicamente o que aconteceu. A história do mundo, além de tornar-se extremamente violenta, ainda tem a questão de que ninguém sabe quem fez o quê. A prevalência do segredo como elemento histórico importante é um dado do século XX."

*PS: . Olavo de Carvalho respondeu às minhas perguntas no dia 12/02/2007  (a resposta está no link, a partir de 13 min20seg até 20min36seg. O email (abaixo) foi enviado ao programa True Outspeak. http://www.olavodecarvalho.org/midia/070212true.html



 "Professor Olavo, como vai?
     
     Sou Mírian Macedo, de São Paulo. Tenho acompanhado a sua participação no podcast de Yuri Vieira e ouvido seu programa de rádio True Outspeak. Brilhantes, parabéns. Eles têm sido muito esclarecedores para mim, mas, por outro lado, também me confundiram, principalmente no que se refere à união da maçonaria com o cristianismo. E pode?!

      A propósito: não entendo de profundidades filosóficas, sou só uma esforçada e curiosa ex-jornalista e rainha do lar que tem o vício de gostar de assuntos de que nada entende e que são, em geral, difíceis e complicados. Fazer o quê?

     Na conversa com Yuri, o senhor, citando René Guenón, defendeu a união da maçonaria com o cristianismo como única saída para o furdunço em que está transformado o mundo. O professor falou em maçonaria anti-cristã e maçonaria pró-cristã. O que seria uma e outra? 

     E esta última é um clube de bondades e bons propósitos, uma entidade de princípios éticos, dedicada ao culto da fraternidade, respeitosa de todas as religiões e do Deus de cada uma? E como fica a encíclica Humanus Genus e o documento que a ratifica, escrita pelo cardeal Ratzinger em 83?

     Outra coisa: falar em mistérios, mesmo que sejam pequenos mistérios, não é contrariar o próprio Senhor Jesus Cristo, que mandou gritar sobre os telhados o que se ouvisse na surdina, garantindo que nada havia para ser ocultado?

     A tese de que todas as religiões (inclusive o cristianismo) têm sua gnose é cara a muitos estudiosos do assunto, como é o caso do romeno Mircea Eliade. Ele cita, em defesa de sua idéia, o Evangelho de Mateus, as obras de Orígenes e Clemente de Alexandria e a carta aos Efésios, de São Paulo. 

      Segundo ele, a hierarquia eclesiástica da Igreja dos primeiros tempos combateu a gnose e o esoterismo pelo temor de que certos gnósticos pudessem introduzir no cristianimso doutrinas e práticas radicalmente opostas ao éthos do Evangelho. Eliade afirma:

      - Não era o " esoterismo" e a "gnose" como tais que se revelaram perigosos, mas as "heresias" que se infiltravam sob o manto do "segredo iniciatório".

       Vale lembrar: Eliade faz a ressalva de que, no caso do cristianismo, a existência de um ensinamento esotérico praticado por Jesus e continuado pelos seus discípulos é negada pelos Padres da Igreja e historiadores antigos e modernos.

       E, de volta à questão: não é heresia negar as próprias palavras de Jesus Cristo de que não existe nada secreto?

        Um abraço.

        Mírian Macedo




São Paulo,capital

VTNC é coisa de Olavo

        "Não, isto não é coisa de Olavo de Carvalho, minha gente!". Foi a explicação de um amigo para o xingamento a Dilma Rousseff no Itaquerão.

        Antes não fosse, digo eu. OdeC conseguiu divulgar para todo o Brasil, através de Gentillis, Lobões, Felipes Moura Brasil e milhares de olavetes quadrúpedes, o padrão VTNC de responder, discutir, debater e protestar. 

        Fosse isto apenas uma reação legítima à imoralidade de método petista e eu não seria alvo de 'convite' como aquele dirigido a Dilma Rousseff, nas páginas de Olavo, pela única razão de ter enfrentado o mestre e exposto de maneira transparente os motivos que levaram-me a não querer mais ser sua aluna. 

        Sabendo que eu sou uma mulher casada, o escroque Olavo de Carvalho indicou uma 'especialidade' de aula (que eu não ouso repetir) que eu daria na Velasco University, referência a dois irmãos, um deles seu ex-aluno, que publicam denúncias e fazem perguntas que Olavo não responde.

Olavo e o Facebook

          O Facebook não estragou Olavo de Carvalho, o Facebook revelou Olavo de Carvalho. Ele é o que aparenta ser: um falso intelectual, um pseudo-filósofo, um homem vaidoso, um debatedor truculento, um guru ególatra. É um homem de língua bífida. 

        O bem que fez, criticando a esquerda e revelando referências conservadoras, parece até que foi calculado, serviu apenas para potencializar o mal que faz e ainda fará ao Brasil, atraindo os ingênuos, crédulos e incautos, e levando milhares de jovens ao fanatismo, ao rebaixamento cultural (o linguajar usual de Olavo e olavetes falam por si),  à escuridão reinante. 

        Gratidão? O que Olavo de Carvalho fez de bom, de coração sincero, Deus o recompense. Se ele foi instrumento de salvação e conversão, Deus sabe. Eu também sei que Deus pode usar até o diabo para salvar almas. Esta é uma frase do próprio Olavo. Isto não significa que devemos continuar a ser gratos ao diabo por ele existir. É dever cristão admoestar, corrigir, denunciar o erro

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Pena de Dilma não

         Pena de Dilma? Não. A questão é que hoje, no Brasil, VTNC é o refrão que identifica a fina flor do conservadorismo, os refinados intelectuais da direita e a resistência ao desgoverno delinquente do PT. 

     Ou seja, a escuridão reinante encarnada pelo olavismo. Este é o Brasil que quer substituir o PT no poder? Deus nos livre.

Curtidores de merda

       Xingar a Presidente da República com refrão de baixo calão é só a amostra do que vem por aí. Foi com esta conversa de que não se pode respeitar o desrespeito que Olavo de Carvalho começou a justificar os palavrões e xingamentos chulos a desafetos e críticos em seu programa de rádio, o True Outspeak. 

      Para quem ouvia o programa, aquilo era tão chocante que devia conter um sentido pedagógico superior que alminhas ingênuas e simples não conseguiam alcançar. Um dia, entenderíamos. 

      E o padrão do discurso foi rebaixando, rebaixando, rebaixando, até que o 'mestre' chegou ao ápice da sua atividade pedagógica: dedicou um post inteiro no Facebook à descrição da aparência, consistência e diâmetro de suas fezes quando saiam do próprio ânus. Teve centenas de likes. Curtidores de merda.

Copa: comprar para quê?

* Copa do Mundo movimenta a maior paixão do planeta, envolve cifras milionárias, potencializa egos oceânicos, atende interesses diversos, expõe falhas humanas e prodigaliza genialidades incomparáveis. Para quê comprar resultado? Não precisa.

* O juiz japonês foi absolutamente honesto: roubou um pênalti do Brasil (sobre Kaká aos 3mim13seg) na partida contra a Holanda, na Copa do Mundo da África do Sul, em 2010, e devolveu hoje sobre a Croácia. O meret(r)íssimo juiz foi o mesmo nos dois jogos. A Holanda perdeu para a Fúria espanhola, e o Brasil voltou para casa, culpando Dunga.

* A Copa de 2002 também estava comprada? No jogo contra a Turquia, placar 1 X 1, Luizão se jogou, merecia cartão amarelo e, em vez de disto, o juiz (outro 'japa') deu pênalti a favor do Brasil. A Turquia caiu fora, naquele ano o Brasil ganhou a Copa.

* A Inglaterra também foi descaradamente roubada na Copa da África do Sul. Futebol é bom por causa disto.

* Remember 1978. O Brasil foi o terceiro colocado, invicto! A Argentina foi para a final por saldo de gols: o Peru deixou entrar seis gols inacreditáveis (e bem pagos?). E a Argentina levou o caneco. Adivinha contra quem los hermanos jogaram a final? Contra o Carrossel Holandês, que nos eliminou em 2010, possivelmente por conta daquele pênalti roubado pelo juiz japonês que hoje roubou um pênalti a nosso favor, contra a Croácia.

* Delenda FIFA? Podemos tentar.

* Alguém acha que Pelé jogava bonito todo dia? Pepe, seu companheiro do Santos, ri ao contar que tinha dia que o crioulo jogava bola quadrada.

* (eu acho que Pelé jogava como um deus todo dia. Antes de ser santista, eu era Rei Pelé Futebol Clube. Eu me lembro da Copa de 58, ainda tenho o som das narrações de rádio na memória).

* Se fôssemos gostar ou desgostar de nossos mitos e ídolos pelo que fazem fora da profissão, não ouviríamos Wagner.

* "Essa copa tem muito pouco a ver com futebol." Não tem maracutaia da Fifa que faça um gol como os de Neymar e Oscar neste jogo.

* Faz parte, é condenável, mas só maracutaia não produz o espetáculo que é uma Copa do Mundo Ou um campeonato europeu, ou um campeonato brasileiro. Tem coisas feias de ver? O Santos perdeu para o Ituano, fazer o quê?

* O jogo acaba quando termina. O Brasil ganhou cinco copas, já foi a várias finais. Maracutaia?

* Tem sempre um time africano que surpreende a alegra. Pode ganhar. No Mundial de Clubes de 2013, um tal Raja Casablança, do Marrocos, eliminou o Galo de Ronaldinho Gaúcho e disputou o título com o Bayern (e perdeu hehe).

* Em Portugal, quando dizem Ronaldo, referem-se a Cristiano. Aqui no Brasil Ronaldo é o Fenômeno. Como tem outro fenomenal, nós o chamamos Ronaldinho. Temos muitos, manja?

domingo, 8 de junho de 2014

Non mi piace. Estou fora.

      A quem serve esta pergunta aberrante e tosca 'VOCÊ TERIA CORAGEM DE SE SUBMETER AOS CUIDADOS DE UM MÉDICO JUDEU?'. 
Não venham sacar Talmud/Tenach (non sono intenditore), é inaceitável e insensata em si mesma a formulação da pergunta. Ou estamos a discutir uma abstração, só para passar o tempo? 


      Quem cuida de minha família (meu marido tem sangue árabe, é neto de sírios cristãos) são os médicos do Hospital Israelita Albert Einstein. O oncologista Sergio Simon e o neuropediatra Saul Cypel são alguns dos médicos judeus que trataram de nós. Dois anjos.
     O Einstein mantém há muitos anos, na favela de Paraisópolis, aqui no Morumbi, uma unidade que atende à população local, gratuitamente, com os mesmos médicos que trabalham no hospital-sede. O atendimento é de excelência. Coisa de judeu.
       Assim, como se pode dizer de meu marido que é 'árabe', eu posso dizer de vários amigos meus que são 'judeus'. São 'judeus' não porque pratiquem o judaísmo (alguns o fazem), mas porque tem ascendência judia, hábitos e práticas culturais associadas ao povo judeu, comidas, nomes e sobrenomes, biotipo de judeu. A sua história conta-se sempre em referência aos 'judeus'. Ninguém os confunde com 'japoneses'.
      Querem falar de máfia sionista? Nenhum problema. Mas tem de falar como se fala da Yakuza. A Yakuza é a máfia japonesa, não é o Japão, nem os japoneses.
      Esta artimanha de misturar, sem esclarecer muito, o judaísmo talmúdico com o judeu (etnia) beira à má-fé. Non mi piace.

sábado, 7 de junho de 2014

Olavo de Carvalho: é assim

       Eu tive a coragem de confessar a realidade que estava diante do meu próprio nariz e dizer, com sinceridade: "É assim". Olavo de Carvalho virou uma seita. À sua volta, a cada dia surgem mais e mais pelotões de fanáticos empunhando armargumentos com o objetivos exclusivo de incensar o mestre e dar um block naqueles que, por várias razões, sempre sórdidas, claro, ousam afrontar o intocável guru. 

       Qualquer um que o faça, está carimbado: quer parasitar a fama de Olavo de Carvalho, sente inveja dele ou faz parte de um complô para destruí-lo (o do dia é o duguinista. Vai ver eu faço parte). 

      A coisa não começou exatamente agora, já vem de algum tempo. Aos poucos, aquela linguagem grosseira e truculenta do programa True Outspeak - onde ali tinha a função (discutível) de dar ao desrespeito o tratamento que ele merecia - passou a contaminar a voz de Olavo de Carvalho no Facebook.

      O discurso cortês e ameno do professor nas aulas do Seminário de Filosofia (escolhido de propósito para emprenhar suavemente a audiência com idéias gnósticas temperadas por guénons e schuons) acabou dando lugar no Facebook à linguagem de intimidação e desqualificação de qualquer pessoa que ousasse até mesmo relembrar-lhe suas próprias palavras. E tome pedagogia do palavrão, porque "Padre Pio, porque santo tal... Qual o quê!

      É mais que só palavrão. Como um amigo confidenciou: "Antes, Olavo era 'polêmico'. Hoje, ele parece ser um homem de uma vaidade atroz, que não admite divergência alguma, mesmo a mais polida. É uma mistura estranhíssima de agressividade e vitimismo." 

      No Facebook, Olavo de Carvalho vive cercado por milhares de pessoas que não leram meia dúzia de seus artigos e juram saber que ele é o maior filósofo do mundo. Logo ele, que faz crer que dedicou a vida inteira ao exercício  rigoroso e exigente do sacerdócio intelectual, uma vida em meio aos livros (não é exatamente bem assim).

      Olavo de Carvalho pode servir a muita gente. Não mais para mim. Durante anos, a despeito dos engulhos provocados pelo palavreado pantanoso, eu não economizei palavras para expressar-lhe minha gratidão e admiração.  

      Nesta época, o véu de (falsa) respeitabilidade que recobria a sua reputação intelectual ainda não tinha sido retirado. Por isto, mesmo quando eu já tinha chegado ao meu limite, disposta a dizer a mim mesma 'basta', ainda assim, eu recuei, engoli o sapo e declarei que continuava cerrando fileiras em torno do 'líder conservador de que o Brasil precisava" (porque 'a hora não é de desunir", eu pensava).

     Mas uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Para mim, já tinha chegado ao fim. Não quis mais ser aluna Olavo de Carvalho. A hora era de peneirar tudo, apurar o (pouco) que restava de verdade em tudo o que falou e escreveu nos quase dez anos em que eu o acompanhei. Devota? Eu não.

    Hoje, 
a imagem de Olavo de Carvalho é a de um homem perdido sobre um trem que precipitaSua máscara caiu, suas mentiras apareceram, seu passado acusador voltou. Mas ele não quer ir - e não está indo - sozinho para o abismo. Um passeio por sua páginas o confirma. Ele vai, mas leva consigo uma manada grande.

     Afinal, como se deve imitar tudo o que o mestre fizer e fazer tudo o que o mestre  mandar - e o mais polido que o mestre faz e manda é tomar lá, chupar cá, enfiar ali - a descarga de palavras chulas e imagens grotescas nas páginas de Olavo escorrem pelos can(t)os. Hoje é assim.

O medo do farsante

     Estes bocós que acham que eu quero 'superar o Mestre' por inveja ou qualquer outra vibe inferior não devem perceber que Olavo de Carvalho não é trouxa de pensar assim. Ele sabe quem eu sou, ele sabe do que eu estou falando. Palavras dele no hangout com o menino Kim: 

    "Todo farsante vive no temor permanente de ser desmascarado. E é por isto mesmo que tem um comportamento histriônico, assim muito demonstrativo. Que mostra que não são pessoas sinceras. Pessoa sincera fala a verdade de maneira simples e, quando ela está errada, ela volta atrás, sem problema nenhum".

terça-feira, 3 de junho de 2014

Sexo, Sufismo e Mentiras: Quando Olavo é Traído por Sidi

quarta-feira, 4 de Junho de 2014


Nesta publicação, o Prometheo Liberto traz ao público aquela carta dentre toda a correspondência trocada entre Olavo de Carvalho/Sidi Muhammad e Martins Lings que é a mais comprometedora. Nelas pode-se ver Lings dando as solicitadas instruções a Sidi de como pagar o zakat (esmola), um preceito exotérico do Islã. Ora, se Sidi Muhammad fosse apenas sufi, como ele alega, estaria desobrigado de pagar o zakat, pois tal preceito só deve ser seguido pelos muçulmanos. Assim, a submissão de Sidi Muhammad ao preceito exotérico de pagamento do zakat é uma prova de sua conversão. Lings menciona ainda que Sidi era o líder da comunidade dele. Logo, cabia a ele decidir como usar o dinheiro arrecadado com o zakat. Dito isso, não há mais como sofismar sobre a conversão de Olavo ao Islã.

Outro fato desabonador sobre o passado do embusteiro consiste na afirmação de Lings de que as mulheres da tariqa eram iniciadas mediante intercurso carnal com pessoa do sexo oposto. Logo, os rituais da tariqa envolviam relações sexuais. Numa discussão travada com  Caio Rossi pelo Orkut, Sidi Muhammad disse que a tariqa do Schuon era uma esculhambação e havia troca de casais. Acrescentou que, mais cedo ou mais tarde, iria revelar os nomes do tariqueiros que faziam swing. Como Sidi é mitômano, essa informação isoladamente soaria pouco crível, mas após ler-se a carta de Lings, vê-se que é verossímil.  Desse modo, ficam as perguntas:

1) Sidi Muhammad só assistia à iniciação das mulheres ou também participava desse ritual? Sua esposa foi iniciada com o marido ou com algum outro homem?

2) 
Havia mulheres solteiras na tariqa. Quem as iniciava?  A Sharia não permite que uma muçulmana solteira tenha relações sexuais. Schuon permitia a violação da Sharia em sua tariqa ?

3) O que foi feito das crianças eventualmente geradas nesses bacanais sufi?

4) Qual o interesse honesto haveria em esconder uma supostamente abandonada conversão ao Islã?


Eis a transcrição dos originais da réplica de Martin Lings a consulta prévia do Olavo:

"Dear S. Muhammad.

Thank you for your recent letter. Here are the answers to your questions, and to those of Sa. Sahlah, during our telephone conversation.

1. The zakat is not an easy matter. In a general way it is 2,5 % of one's income after taxes, or if one has an independent fortune, one can tax the revenues derived from the interest or income that is drawn from it yearly. In cases of need, where the income barely covers the expenses of life, then one need pay no zakat, obsviously. The zakat can be collected and kept for emergencies, for fuqara who are ill or helpless, for travel to Bloomington, for fuqara who do not have enough to live on, etc. The leader of the community can decide how to use it -- in this case, you. Zakat is normally paid once a year, after Ramadan, but it is enough to pay once a year. Those who cannot pay money, can offer zakat in other ways: basically by helping others, in an informal manner. Those who feed others a great deal can also be considered to be paying a zakat.

2. Since there are only three of you who are initiated, you cannot chant the Name aloud. You may lead a chant of the Shahadah ( first Shahadah ) instead: 100, 300, 500 ... 1000 times. Then you may keep a long silence to invoke silently. The women do not have to be in a different room, simply in back of the men, as in Bloomington.

3. The woman is initiated by man during the sexual act - assuming no interference by birth-control devices. There is no initiation apart from this contact.

4. For the French editions of Understanding Islam and The Transcendent Unity, you must contact "Edition du Seuil" 27 rue Jacob 75261 Paris. As you know, one should use the 1979 edition ( the newest ) of Transcendent Unity, since the Shaykh revised the older edition.

5. S. 'Abd al Aziz = Hernan Cadavid - 208 S. Jefferson St.
    S. 'Abd al Latif = Michael Pollack 3280 Inverness Farm Rd.
Both are in Bloomington, IN 47401.

6. We do not yet know when exactly S. Abu Bakr is coming. But he usually comes the last week in August through the first week in September. And yes, it is all right if all five of you come.

One small correction, Sidi: one should not say, "Je prie Dieu qu'il soit toujours satisfait de vous" to the Shaykh. No doubt your intention was to follow the Arabic "radiya 'Lláhu anhu", which is normally said or written after the names of saints. But it is only done after the saints has died. It is best left in such cases in the Arabic, rather than translated, as it sounds peculiar in a European context, and really makes sense only in Arabic, owing to its Koranic connotations. For the Shaykh it is enough to say, "may God bless you always", or something of the kind.

We often think and speak of you, and we all hope you will be able to visit us again soon. Please algo give my best greetings to S. Abd Allah and the other Friends.

With all my best wishes.

Abu Bakr Siraj Ad-Din  (Martin Lings)"

http://libertoprometheo.blogspot.com.br/2014/06/sexo-sufismo-e-mentiras-quando-olavo-e.html?spref=fb

Olavo e sua filosofia

Olha o nível da "filosofia peniana"...
[Imagem: 357j9zq.jpg]

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Tem avó que faz bolo, outras fazem chá

O caso de chá
Carlos Drummond de Andrade

A casa da velha senhora fica na encosta do morro, tão bem situada que ali se aprecia o bairro inteiro, e o mar é uma de suas riquezas visuais. Mas o terreno em volta da casa vive ao abandono. O jardineiro despediu-se há tempos; hortelão, não se encontra nem por milagre. A velha moradora resigna-se a ver crescer a tiririca na propriedade que antes era um brinco. Até cobra começou a passear entre a folhagem, com indolência; é uma cobrinha de nada, mas sempre assusta.

O verdureiro que faz ponto na rua lá embaixo ofereceu-se para matá-la. A boa senhora reluta, mas não pode viver com uma cobra tomando banho de sol junto ao portão, e a bicha é liquidada a pau. Bom rapaz, o verdureiro, cheio de atenções para com os fregueses. Na ocasião, um problema o preocupa: não tem onde guardar à noite a carrocinha de verduras.

– Ora, o senhor pode guardar aqui em casa. Lugar não falta. – Muito agradecido, mas vai incomodar a madame.
– Incomoda não, meu filho.


A carrocinha passa a ser recolhida nos fundos do terreno. Todas as manhãs o dono vem retirá-la, trazendo legumes frescos para a gentil senhora. Cobra-lhe menos e até não cobra nada. Bons amigos.


– Madame gosta de chá?
– Não posso tomar, me dá dispepsia, me põe nervosa.
– Pois eu sou doido por chá. Mas está tão caro que nem tenho coragem de comprar. Posso fazer um pedido? Quem sabe se a madame, com esse terreno todo sem aproveitar, não me deixa plantar uns pés, pouquinha coisa, só para o meu consumo?

Claro que deixa. Em poucas horas o quintal é capinado, tudo ganha outro aspecto. Mão boa é a desse moço: o que ele planta é viço imediato. A pequenina cultura de chá torna alegre outra vez a terra abandonada. Não faz mal que a plantação se vá estendendo por toda a área. A velha senhora sente prazer em ajudar o bom lavrador. Alegando que precisa fazer exercício, caminhando com cautela pois enxerga mal, ela rega as plantinhas, que lhe agradecem a atenção prosperando rapidamente.

– Madame sabe: minha intenção era colher só uma pequena quantidade. Mas o chá saiu tão bom que os parentes vivem me pedindo um pouco e eu não vou negar a eles. É pena madame não experimentar. Mas não aconselho: se faz mal, não deve mesmo tocar neste chá. 

O filho da velha senhora chegou da Europa esta noite. Lá ficou anos estudando. Achou a mãe lépida, bem disposta.

– E eu trabalho, sabe, meu querido? Todos os dias rego a plantação de chá que um moço me pediu licença para fazer no quintal. Amanhã de manhã você vai ver a beleza que está.


O verdureiro já havia saído com a carrocinha. A senhora estende o braço, mostra com orgulho a lavoura que, pelo esforço em comum, é também um pouco sua. O filho quase caiu duro:

– A senhora está maluca? Isso nunca foi chá, nem aqui nem na Índia. Isso é maconha, mamãe!

Treze anos, Olavo?

    Como sempre, a linha do tempo de Olavo de Carvalho não fecha. Que idade tinha, afinal, OdeC quando ele morou na Casa do Estudante, junto a Ruy Falcão e José Dirceu? Pelas informações do próprio, ele tinha treze anos (sic). José Dirceu teria quatorze e Ruy Falcão dezessete.

    Façamos as contas: Olavo nasceu em 1947 (Dirceu em 1946 e Ruy em 1943). Se ele diz que morou com Ruy Falcão e José Dirceu, na Casa do Estudante, vinte anos antes da fundação do PT, em 1980, então, isto aconteceu em 1960. 



    "Morei com os srs. Rui Falcão e José Dirceu num apartamento da Casa do Estudante. (Que isso acontecesse duas décadas antes da fundação do PT parece não significar grande coisa para o sr. Pedroso."*
    

   Em outra ocasião, Olavo de Carvalho, disse que ele foi do Partidão entre 1965/1966, quando tinha de 18 a 20 anos, por aí.
E aí?!

Claro, ele vai dizer que errou de novo. Ô, filósofo distraído.



*http://www.olavodecarvalho.org/avisos/091213-almas.html


Olavo de Carvalho  (a área de comentário fala por si)
Momentos inesquecíveis:
Quando eu morava na Casa do Estudante do XI de Agosto, ali todo mundo era militante de esquerda, mas havia dois tipos: os revolucionários sérios, de vocação, que sonhavam com carreira política (como Rui Falcão), e os que eles chamavam de Lumpenproletários, a escória da revolução, os desclassificados como eu e o Rocco Buonfiglio, que só pensavam em revolução quando não estavam pensando em mulher, o que acontecia, digamos, uns trinta minutos por semana. Eu e esse simpático companheiro de farras freqüentávamos nas noites de sexta uma gafieira então muito famosa, o Som de Cristal, na Rua Rego Freitas. Não havia prostitutas naquele estabelecimento, cujo público feminino constituía-se eminentemente de empregadinhas domésticas em busca de compensações eróticas para a rotina deprimente da semana. Cada namoradinha que ali arrumávamos tinha sempre algumas amigas que, sabendo que íamos para um prédio de população exclusivamente masculina, logo se assanhavam e queriam ir junto. Essa era a nossa principal contribuição à causa revolucionária, como guias da massa feminina em direção à Casa do Estudante. Quando cruzávamos a Avenida São João, o pessoal nos via dos andares superiores e comentava:
-- Lá vêm o Rocco e o Olavo com a massinha deles.
As garotas permaneciam ali o fim de semana inteiro, passando de apartamento em apartamento até que na manhã de segunda-feira saíam tontinhas e felizes, de volta ao trabalho.