domingo, 7 de abril de 2013

A transformação de Karl Marx


ARNALDO ARNOLDE
sábado, 19 de setembro de 2009


A transformação de Karl Marx - judeu, cristão, descrente.

Neste texto vamos mostrar a trajetória de Marx, de cristão praticante em Trier, ao findar o ensino básico em meados de 1835, com 17 anos, e dai indo para a universidade de Bonn estudar Direito no final deste mesmo ano.
Em 1836, em Bonn, a vida de Marx desvirtuou, e no final deste ano ele já tinha ficado descrente, surgiu nele uma revolta contra deus.
E mais ainda, sua cabeça tinha sido ocupada por enorme ódio contra judeus ricos e contra os bem sucedidos em geral.

O que aconteceu exatamente não se pode afirmar com total segurança, mas, vamos tentar relatar os acontecimentos e principalmente mostrar e analisar textos de Marx desta fase, para tentar chegar a uma conclusão das causas dessa transformação, que foram decisivas na sua formação e posterior conversão ao comunismo.

Obs. Este texto não tem a intenção de condenar o comportamento do jovem Marx em Bonn, isto era uma opção apenas dele.
Este texto tem a intenção de mostrar a verdade e desmentir mais uma "interpretação" mentirosa de marxistas a respeito de Marx.

.

Karl Marx foi educado em casa até 13 anos, com essa idade ele entrou no Trier Gymnasium de sua cidade natal.


Casa onde Marx nasceu em Trier



Trier Gymnasium

Um pouco antes de ele sair do ginásio ele escreveu um ensaio com o seguinte título:

"The Union of Believers With Christ According to John 15: 1-14, Showing its Basis and Essence, its Absolute Necessity, and its Effects"

"Antes de analisar a base e essência e os efeitos da união de Cristo com os crentes, vamos ver se essa união é necessária, se é determinado pela natureza do homem, se o homem não pode por si mesmo atingir a finalidade para a qual Deus o colocou em liberdade.
.....
E os povos antigos, os selvagens, que ainda não ouviram o ensinamento de Cristo, revelam uma inquietação interior, um medo da ira de seus deuses, uma convicção interior de sua própria iniqüidade, fazendo sacrifícios a seus deuses, imaginando que podem expiar os seus pecados por sacrifícios.
Na verdade, o maior sábio da antiguidade, o divino Platão, expressa em mais de uma passagem de um desejo profundo de um ser superior, cuja aparência poderia cumprir o insatisfeito procura da verdade e da luz.

Assim, a história dos povos nos ensina a necessidade da união com Cristo.

Quando consideramos também a história dos indivíduos, quando se considera a natureza do homem, é verdade que vemos sempre uma centelha de divindade em seu peito, uma paixão por aquilo que é bom, um esforço para o conhecimento, a nostalgia da verdade. 
Mas as faíscas do eterno são extintas com o fogo do desejo; entusiasmo pela virtude é abafado pela voz tentadora do pecado, é desprezado, logo que a vida nos fez sentir a sua potência máxima; a busca pelo conhecimento é suplantada por uma base lutar por bens materiais, o anseio pela verdade é extinto pelo poder docemente lisonjeiro de mentiras, e assim lá está o homem, o único ser na natureza que não cumpre a sua finalidade, o único membro da totalidade da criação, que não é digno do Deus que o criou. 
Criador benigno, e que não podia odiar seu trabalho, ele queria levá-lo para ele e ele enviou o Seu Filho, através de quem Ele proclamou a nós:

"Vós já estais limpos pela palavra que vos tenho falado" (João 15:3).
"Permanecei em mim e eu em vós" (João 15:4).

Assim vemos como a história dos povos e uma consideração dos indivíduos provam a necessidade da união com Cristo, vamos examinar o última e a mais segura prova, a palavra de Cristo.

Em nenhum lugar Ele expressa mais claramente a necessidade de união com ele do que a bela parábola da videira e dos ramos, no qual Ele se chama a videira e nós os ramos. O ramo não pode dar fruto por si mesmo, e por isso, Cristo diz: sem mim nada podeis fazer. Ele expressa isto ainda mais fortemente, dizendo:
"Se um homem não permanecer em mim", etc (João 15: 4, 5, 6).
.....

Quem não iria suportar o sofrimento com alegria, sabendo que, por sua permanência em Cristo, por suas obras, o próprio Deus é glorificado, que por sua perfeição o Senhor da criação é exaltado ? (João 15: 8.)

Portanto da união com Cristo dá exaltação interior, consolo no sofrimento, a garantia de calma, e um coração que está aberto para o amor da humanidade, tudo o que é nobre, tudo o que é grande, não por ambição, não por um desejo de fama, mas só por causa de Cristo. 
Portanto a união com Cristo dá uma alegria que o epicurista se esforça em vão para derivar de sua filosofia frívola ou o mais profundo pensador das profundezas mais recônditas do conhecimento, uma alegria que só pela mente, ingênua criança que está ligado com Cristo e por meio dele com Deus, uma alegria que faz a vida mais elevado e mais belo. (João 15: 11)."
Karl Marx, Agosto de 1835.


Depois que Marx saiu do ginásio ele se matriculou, com a idade de 17 anos, na Universidade de Bonn, que se situa perto de Trier, para estudar Direito.
Marx queria mesmo era estudar filosofia e literatura, mas seu pai desaprovou.

Pouco depois de seu décimo oitavo aniversário Marx foi dispensado do serviço militar por causa de seu "peito fraco", mas, ele pode ter exagerado a sua condição - a maior pista dessa suspeita é reforçada por uma carta de seu pai, aconselhando-o sobre a forma de esquivar-se do serviço militar: "Querido Karl, se for possível, você deve providenciar atestados médicos de médicos bons e competentes, você pode fazer isso de forma consciente ... Mas, para que você seja coerente com sua consciência, não fume muito.".

Certamente sua deficiência não iria prejudicar as suas diversões estudantis desvairadas.
O seu "Certificado de Aptidão" emitido após um ano na Universidade de Bonn, ao elogiar suas realizações acadêmicas (diligência excelente e atenção), observou que "ele sofreu a punição de detenção de um dia por perturbar a paz devido a violência e embriaguez a noite".


Certificado da Universidade de Bonn

Porém, as autoridades universitárias não sabiam da missa a metade...
Na verdade, o "Clube dos Poetas" - onde Marx entrou no seu primeiro trimestre da universidade - não era uma associação "proibida", mas também não era tão inocente como o nome sugere: a discussão da poesia e da retórica era uma cobertura para muita conversa sediciosa.
Sobre isso, seu pai lhe escreveu - "Seu pequeno círculo de amigos, mais do que você quer me fazer crer, me parece muito mais do que simples encontros de cervejaria", Heinrich Marx talvez imaginasse que tivesse a sorte de que seu filho aproveitasse melhor seu tempo com um debate literário sério...

Marx também foi co-presidente do "Taverna Trier Club" (Landsmannschaft der Treveraner), uma sociedade composta por cerca de trinta estudantes de Trier matriculados na universidade de Bonn, cuja principal ambição era chegarem bêbados e desvairados com a maior freqüência possível, foi depois de uma de suas orgias que o jovem Karl foi detido por vinte e quatro horas, apesar da prisão não ter impedido seus amigos de levarem a ele na cadeia ainda mais bebida e baralho para facilitar a sua sentença.


Membros do "Taverna Trier Club"

Durante 1836 houve uma série de brigas em bares entre a gangue de Trier e um grupo de jovens chamados de "Korps Borussia", cuja intenção era forçar os alunos bagunceiors a se ajoelharem e jurarem fidelidade à aristocracia prussiana.
Marx comprou uma pistola para se defender contra essas humilhações, e quando ele visitou Colônia em Abril de 1836, a "arma proibida" foi descoberta durante uma busca policial.
Apenas uma carta de seu pai ao juiz de Colônia pedindo humildemente a sua absolvição evitou um processo contra Marx.
Dois meses depois, em uma outra briga com os Borussia Korps, Marx aceitou o desafio para um duelo.
O resultado dessa disputa entre um míope e um soldado treinado era muito previsível, Marx teve a sorte de sair do duelo apenas com uma pequena ferida acima do olho esquerdo.
Desesperado seu pai lhe escreveu perguntando - "Duelos estão intimamente entrelaçados com a filosofia ?" 
"Não se deixe levar por essa inclinação, ou mais ainda, essa loucura, lhe tomar raiz. Você poderá ao final, causar danos a você mesmo e a seus pais e privar-se das melhores esperanças que a vida oferece.".

A verdade é que Marx tinha deixado sua família de lado.
A distância (no modo de pensar) entre eles pode ser avaliada por uma carta de seu pai de março 1837, sugerindo a Karl fazer seu nome escrevendo uma ode heróica:
"Deve redundar em honra para a Prússia e oferecer a oportunidade de atribuição de um papel para o gênio da monarquia ... 
Se feito com um espírito alemão patriótico e com profundidade de sentimento, como uma ode seria por si só suficiente para estabelecer as bases para uma reputação ".

Será que o velho pai realmente achava que seu filho gostaria de glorificar a Alemanha ou a monarquia?
Talvez não. "Só posso propor, aconselhar", ele admitiu com tristeza. 
`Você se desvencilhou de mim, nesta matéria você é em geral superior a mim, então eu devo deixá-lo decidir como você será.", ele escreveu em outra oportunidade.

Heinrich Marx morreu com idade de 57 anos, em 10 de Maio de 1838. Marx não compareceu ao funeral.
A viagem até Ttier seria demasiado longa, explicou ele, e ele tinha coisas mais importantes a fazer.

.

Marx, embora não tivesse talento para a poesia, escreveu muitos poemas na sua juventude.

Dedicatória no "Book of love"

Estão quase todos no site do marxist.org.
A fonte dos textos aqui apresentados vem, em sua maioria, dessa organização, originalmente em inglês.

Em tais escritos, podemos ver a mudança de adolescente cristão praticante para um adulto raivoso contra deus e contra a "obra de deus" - a humanidade.

Nos títulos e nos textos, onde quase sempre estão as palavras "deus" e "demônio", já podemos notar uma mente perturbada, que ao sair da casa paterna e se defrontar com a realidade do mundo "lá fora", entrou em desespero, ficou doente.

Só que essa mente não era qualquer uma, era uma mente com excelente memória, povoada de artifícios retóricos e que tinha enorme habilidade de convencimento com a palavra escrita e falada, e esta mente, agora doente, seria usada para destruir a sociedade que a magoou.

A família de Marx foi até quando ele tinha 6 anos de idade, da religião judaica, por motivos profissionais, seu pai precisou se converter a religião cristã protestante, e Marx foi batizado como cristão e recebeu os ensinamentos cristãos.
Vamos ver essa trajetória de Marx.
1835 em Trier.

Em Agosto 1835, ainda em Trier, Marx escreveu para seu pai.

“Pensamentos de um jovem diante da escolha de uma profissão”:
(Reflections of a Young Man on the Choice of a Profession)


manuscrito

História chama tais homens de os melhores e que se enobreceram por trabalhar para o bem comum; a experiência aclama como o homem mais feliz aquele que faz o maior número de pessoas felizes, a própria religião nos ensina que o ideal é que todos se esforçam e se sacrifiquem para o bem da humanidade, e quem se atreveria a pôr em dúvida esses julgamentos ?
Se tivermos escolhido uma posição na vida em que podemos fazer a maioria dos trabalhos para a humanidade, sem dúvida nada pode nos deixar tristes, porque são sacrifícios para o benefício de todos, então não teremos nenhuma experiência mesquinha, sem alegria, egoísta, mas a nossa felicidade pertencerá a milhões de pessoas, nossas ações vão viver em silêncio, mas perpetuamente no trabalho, e sobre as nossas cinzas serão vertidas as lágrimas quentes de pessoas nobres.

Ao sair da escola secundária, com 17 anos, Marx tinha grandes conhecimentos sobre religião.
Estava também calmo, tranquilo, suas palavras eram normais, eram palavras de uma pessoa religiosa e em paz.

Também em Agosto de 1835, Marx escreveu um texto sobre o imperador romano Augusto.

"Será que o reinado de Augusto deve ser avaliada entre os períodos mais felizes do Império Romano ?"

"Aquele que procura saber o que a época de Augusto foi tem muitas coisas pelas quais ele pode julgá-la: em primeiro lugar, a comparação com outros períodos da história romana, pois se for demonstrado que a época de Augusto, foi semelhante aos períodos anteriores, que são denominadas felizes, ao contrário daqueles em que, segundo julgamentos contemporâneos e recentes, a moral tinha mudado e se tornado pior, o estado foi dividido em facções, e até mesmo derrotas foram sofridas na guerra, a partir delas uma conclusão pode ser tirada sobre a época de Augusto, então deve-se perguntar o que diziam os antigos sobre o assunto, ver o que foi realizado pelos povos estrangeiros sobre o império, se eles o respeitaram ou desprezaram, e, finalmente, qual era o estado das artes e das ciências.
......

Chegamos agora ao julgamento dos antigos sobre a época de Augusto. 
Ele se chamou a si próprio de divino, e considerado não como um homem, mas sim como um deus. Isso não poderia ser dito, se um se invocarmos o testemunho de Horácio, mas o ilustre historiador Tácito também fala de Augusto e de sua época com o maior respeito, a maior admiração e até mesmo com amor. 

Em nenhum outro momento as artes e as letras floresceram mais, pois naquela época vivia um grande número de escritores de quem, a partir dos quais todos os povos tiveram como origem seus conhecimentos.

Desde que, portanto, o Estado parece ter sido bem dirigido, por governante desejosos de felicidade para o povo e por suas posições de autoridade pública ocupada pelos melhores homens, uma vez que, além disso, a época de Augusto parece não ser inferior ao dos melhores períodos de história romana, 

mas diferente dos piores, e mesmo que os grupos divergentes tenham cessado, enquanto que as artes e as letras floresceram, a época de Augusto, merece ser cotada entre os melhores épocas e o homem tido em grande estima, apesar de tudo ser permitido para ele, no entanto, após sua ascensão ao poder, ele teve apenas um objetivo, garantir a segurança do Estado."

Até então, Agosto de 1835, temos um Marx calmo, religioso, que escrevia com tranquilidade e usava um discurso amigável e cultural.


1836 em Bonn.


Universidade de Bonn

No final de 1835 Marx entrou na Universidade de Bonn matriculado no curso de Direito - longe de casa - Marx caiu na gandaia...
Muitas festas, muita bebida, muitas brigas, muitas orgias, muito tabaco e ... muitas dívidas.
Marx a partir dai, por toda a sua vida, bebeu muito vinho e fumou excessivamente, e também, por toda a vida, viveu fugindo dos cobradores.

A falta de dinheiro para satisfazer suas orgias festivas, comprar bebidas e charutos, e a humilhação das dívidas para agiotas judeus, fez surgir em Marx o ódio contra os judeus religiosos e ao deus judeu, e por deferência ao deus cristão.


Vejamos dois escritos de Marx subsequentes - já descrente e com muito ódio na cabeça:


Meu mundo (Setembro de 1836)

A humanidade minha nostalgia não poderá nunca tranqüilizar,
Nem tão pouco os Deuses com suas magias abençoadas,
Maior que eles é a minha própria Força,
De forma vigilante em meu peito.

Eu bebi todo o brilho de radiantes estrelas,
Todas as luzes solares eu expeli,
Mas minhas penas ainda querem recompensa,
E que meus sonhos sejam realizados.

Portanto !
Me preparo para uma enorme batalha
Como um Encantado a vagar
Sábio demônio andando por lugares nebulosos
Rumo a um objetivo que não está próximo.

Mas apenas pedras mortas e ruínas
Dominam todos os meus anseios,
Onde em um brilho celeste radiante
Todas as minhas esperanças atuais, sempre queimam.

Eles são nada mais do que estreitos locais
Envolvidos e rodeados por pessoas tímidas,
Onde está a fronteira dos meus sonhos,
Onde minhas esperanças chegam ao fim da jornada.

Jenny, você pode perguntar o que as minhas palavras dizem,
O que se esconde dentro delas ?
Ah! Não tem utilidade falar delas,
Fútil mesmo de começar.

Olhe para estes olhos teus tão brilhantes,
Mais profundos do que o fundo do Céu,
Mais claros do que própria luz do sol
E a resposta será dada.

Ousar ter alegria na vida e ser leal,
Apenas aperte sua própria doce mão;
Você mesmo deverá encontrar a resposta,
As longínquas terras do meu Paraíso.

Ah !
Quando teus lábios apenas suspiravam por mim,
Apenas uma palavra calorosa pode ser dita,
Então eu entrei em um louco êxtase,
Sem saídas eu fui levado.

Ha!
Em corpo e alma eu estava doente,
No fundo da minha alma,
Como um Demônio, quando o Supremo Mágico,
Golpeia com brilhantes flechas encantadas

Assim, porque as palavras devem tentar forçar, em vão,
Existência profunda e nebuloso caixão,
Que é infinito, como a dor da nostalgia,
Solitário como o Todo.
Transformação (Novembro de 1836)

Os meus olhos estão tão confusos,
Meu rosto está tão pálido,
Minha cabeça está tão confusa,
Um reino imaginário.

Eu queria, com coragem desafiar,
Seguir por caminhos mares afora
Onde centenas de penhascos se levantam,
E uma vazia e gelada inundação flui.

Agarrei-me a pensamentos elevados,
Em suas duas asas eu viajei,
E embora os ventos da tempestade tugissem,
Todos os perigos eu desafiei.

Eu não vacilei lá,
Mas nunca fiz sobre pressão
Com selvagens olhos de águia eu encarei
Em viagens ilimitadas.

E embora as sereias tocassem
Sua música tão carinhosa
Que aos corações ela conquista--
Eu não dei atenção ao seu som.

Eu virei meus ouvidos para longe
Destes doces sons que ouvi,
Meu íntimo não aspira
A uma recompensa mais elevada.

Infelizmente, as ondas se moveram rápido,
Em repouso, elas não estiveram;
Varreram para lá de muitas formas
Demasiadas rápidas para eu ver.

Com mágicos poderes e palavras
Eu lancei os feitiços que eu sabia,
Mas diante das ondas ainda rugindo,
Eles desapareceram da minha visão.

E pelo dilúvio fui pressionado,
E tonto com a visão,
Eu cai diante daquele anfitrião
Na noite escura.

E quando eu me levantei novamente
De inútil labuta, finalmente,
Meus poderes todos tinham ido embora,
E todo o brilho do coração perdi.

E trêmulo, pálido, eu espero
Ver o meu próprio coração,
Por nenhuma canção qualquer
Seja minha aflição abençoado.

Minhas músicas ficaram ausentes, carentes;
A mais doce arte tinha ido embora --
Nenhum Deus a vai trazer de volta
Nem graças do Imortal virão.

O Fortaleza caiu, afundou,
A ousadia não subsistirá;
O brilho ardente foi afogado,
Esvaiu-se no seio da terra.

Em seguida, brilhou o seu esplendor,
A mais pura luz da alma,
Quando, em uma dança de mudança
Em volta da Terra os céus giram.

Eu estava em cativeiro amarrado,
Então, tive a minha visão clara,
Por que eu tinha realmente encontrado
O que os meus negros esforços são.

Minha alma ficou mais forte, mais livre,
Longe dos braços de minha mãe
Em triunfo celeste,
E de felicidade pura.

Meus espíritos aqui e lá
Levantaram-se jubilosos e alegres,
E, como um feiticeiro,
Os destinos eu mudei.

Eu deixei as ondas que se precipitam,
As tormentas que mudam o fluxo,
No alto do penhasco se quebrar,
Mas salvei o brilho interno.

E o que minha alma, decidiu,
Nunca fugir do alcance
Do que para meu coração foi dado,
Foi concedido pelo seu semblante.


....

Vejamos ainda o que Marx escreveu, em 1844, a respeito disso e que nos faz acreditar, com boa lógica, nessa possibilidade:

"O dinheiro é o Deus zeloso de Israel, ao lado do qual nenhum outro deus pode existir. 
O dinheiro rebaixa todos os deuses da humanidade e os transformam em mercadorias. 
O dinheiro é a auto-suficiente valor de todas as coisas. 
Tem, portanto, privado não só o mundo dos humanos como também o mundo da Natureza, do seu valor próprio. 
O dinheiro é a essência alienada do trabalho e da existência humana: esta essência o domina e ele adora isso. 
O Deus dos judeus (o dinheiro) foi secularizado (deixou de ser divino) e se tornou o deus do mundo ".
Karl Marx, Sobre as questões judaicas, 1844.

De qualquer forma, fica evidente, que a transformação de Marx em um ser com raiva de deus e da humanidade (religiosa), em especial dos judeus, a transformação de um jovem religioso em um descrente angustiado e perturbado, aconteceu no primeiro semestre de 1836 em Bonn,quando ele estava com 17-18 anos.

Temos então:

1 - A mudança radical na sua vida pessoal, que em Trier era ordeira e calma, e em Bonn, de uma hora para outra, virou um forte turbilhão de emoções desenfreadas;
2 - A raiva contra aqueles que tinham dinheiro e podiam desfrutar da vida como quisessem;
3 - A raiva contra aqueles que tanto falavam em religião, em deus, mas que, eram apegados ao dinheiro que lhe emprestavam, lhe cobravam juros, eram irredutíveis quando se tratava de dinheiro;
4 - A humilhação de um jovem orgulhoso, mas, endividado sendo cobrado diante de amigos por agiotas judeus religiosos;
Estas foram as causas da transformação de Marx !

Uma motivação, diga-se, corriqueira entre humanos, milhões de humanos sentem essa mesma raiva que Marx sentiu contra os bem sucedidos !
Aos quais eventualmente precisam pedir empréstimos...
Aos quais culpam pelas desventuras que sofrem.
Essa é uma das principais desgraças da espécie humana - a inveja.

A diferença é que Marx, devido ao seu exacerbado orgulho pessoal, formou tamanho ódio que com total ausência de escrúpulos o levou a criar uma ideologia cega com a finalidade de destruir a sociedade, uma sociedade para ele má, que não lhe dava o que ele queria, que o humilhava.
Passou a odiar também a deus, que ele até então amava e respeitava, mas que, quando ele precisou dele, não o socorreu diante da maldade da sociedade que se dizia religiosa e bondosa.

Temos que fazer uma observação importante, em 1836 Marx ficou descrente e adquiriu raiva contra a sociedade religiosa, mas, ele ainda não era comunista.
Ele ainda nada dizia contra o "capitalismo", até então.

O fato mais importante.

O mais importante destes fatos, é que eles desmentem os "estudiosos" do marxismo que atribuem o início do ateismo de Marx ao seu contato com os "jovens hegelianos" em Berlin.
Isto não é verdade.
A transformação do caráter de Marx aconteceu muito antes disso, aconteceu no primeiro semestre de 1836 em Bonn.
A partir dai Marx passou a odiar os judeus, se distanciou do próprio pai, passou a odiar os que tinham dinheiro, e passou a odiar ao deus que ele acredita, mas que, o abandonou.
Isso é muito importante porque todo o ódio marxista contra a sociedade, que o moveu a imaginar uma doutrina cega, que premeditava uma mudança revolucionária na humanidade, surgiu a partir desta mudança de personalidade - humana - que aconteceu em Bonn quando Marx tinha 17-18 anos, em 1836.

Fica claro diante dos fatos, diante dos textos que Marx escreveu que veremos a seguir, que - não foi nenhuma filosofia hegeliana - que moldou o caráter "revolucionário" de Marx, Marx foi mudado pelos turbulentos acontecimentos pessoais entre o final de 1835 e o início de 1836 em Bonn.


Outro texto de Marx escrito em 1836, descrente em deus e tomado pelo ódio.

Sentimentos (Dezembro de 1836)

Eu nunca posso estar em paz
Com isso que minha alma está obcecada,
Nunca consigo levar as coisas de acordo com a minha vontade;
Devo expulsar isso de mim sem descanso.

Os outros só tem elevação,
Quando as coisas vão bem,
Libertos com auto-congratulação,
E agradecem a cada vez que rezam.

Estou preso em disputas intermináveis,
Uma infinidade de sonhos e pensamentos
Eu não consigo me adaptar a vida.
Não caminharei nesta correnteza.

O céu eu desejo compreender,
Eu desejo atrair o mundo para mim;
Eu pretendo fazer isso amando, odiando;
Que a minha estrela seja muito brilhante.

Eu farei tudo o possível para vencer,
Conto para isso com a benção dos deuses,
Agarro todos os conhecimentos interiores,
Para entrar nas profundezas do mundo.

Mundos que eu desejo destruir para sempre,
Já que eu não posso criar mundo,
Já que minha convocação nunca é noticiada,
Vou fluir mudo no turbilhão de magia.

Mortos e mudos, olham de longe
Com desprezo as nossas ações
A nós e as nossas obras decadentes.
E vagueiam por caminhos insensatos.

Seus destinos eu nunca dividirei,
Varridos pela enchente das marés,
Dentro do nada precipitam-se sempre,
Nervosos e com suas glórias e vaidades.


1837 em Berlim

Seu pai, assustado com a transformação de Marx, aceitou que ele parasse o curso de Direito e fosse para Berlim fazer Filosofia, mas, isso não adiantaria de nada, o filho que ele havia tido em Trier, havia se perdido para o mundo.


Universidade de Berlim

Em 1837 Marx escreveu vários poemas.

"Oração de alguém em desespero"
(Invocation of One in Despair)

Então, um deus arrancou tudo de mim
Numa tortuosa maldição do destino
Todos os teus mundos são apenas lembrança !
Apenas a vingança resta para mim !

Em mim se expressará orgulhosamente a vingança 
Sobre este ser conclamado como Senhor,
Que minha força faça do que é fraco uma colcha de retalhos.
E deixe o melhor de mim sem recompensa !

Vou construir o meu trono lá no alto,
Frio, enorme deve ser seu cume.
Por seu baluarte - temor supersticioso,
Pra sua orientação - sombria agonia.

Quem olhar para ele com um olhar saudável,
Cairá para trás, atingido mortalmente pálido e mudo;
Tomado por mortal cegueira e calafrios
Tomara que tua alegria prepare teu túmulo.

E relâmpagos poderosos resplandecerão,
A partir desse gigante de ferro maciço.
Se ele quiser destruir minha fortaleza.
A Eternidade os levantará desafiadora.


....


Marx escreveu também o drama chamado “Oulanem” em 1837:

Vapores infernais sobem e preenchem o meu cérebro,
Até eu enlouquecer e o meu coração se transformar dramaticamente.
Vê esta espada?
Foi o Rei da escuridão
Quem me vendeu.
........

Pois ele está marcando o tempo e dando sinais.
Cada vez mais agitado executo a dança da morte.
E eles também: Oulanem, Oulanem.
Este nome soa como a morte,
Soa até não se reter em formas miseráveis.
Alto! Agora o tenho. Ele se ergue da minha alma,
Claro como o ar, duro como os meus ossos.
E, ainda, personifica a humanidade,
Eu poderia tomá-lo pela força das minhas mãos poderosas e esmagar com força feroz.
No entanto, enquanto o abismo se abre diante de mim e tu na escuridão,
Tu cairás e eu te seguirei.
Rindo e sussurrando em teu ouvido: “Desça comigo, amigo!”
.........

Arruinei-me, arruinei-me. 
O meu tempo se esgotou.
O relógio parou, a pequena construção ruiu.
Logo abraçarei a eternidade, e com um bramido
Ganirei gigantesca maldição para toda a humanidade.

Hah, eternidade, nossa dor eterna,
Morte indescritível, imensurável!
Odioso, concebido artificialmente,
Para nos desprezar
Nós, que nós mesmos, como mecanismo do relógio
Cegamente mecânico, criado para ser
Calendários tolos de tempo e espaço,
Sem qualquer finalidade,
Além de manifestação acidental para a destruição.

No final do drama “Oulanem” Marx escreve:

Hah! Torturado sobre a roda de fogo,
Devo dançar alegremente no círculo da eternidade:
Se houvesse algo além disso,
Eu me jogaria, mesmo que tivesse que destruir o mundo para consegui-lo.

Construído entre ele e eu !
Deve ser destruído com maldições.
Eliminarei a existência teimosa pelas minhas mãos.
Abraçando-me, ele calmamente desapareceria.
E então – descer ao lugar nenhum.
Desaparecer completamente, e não ser – isto seria – a vida.

Na tragédia Oulanem, Marx amaldiçoa toda a humanidade.
Todos os participantes do drama sabem da sua perversidade e se divertem nela como numa festa.

Outros poemas de Marx de 1837:

Epigrama



Em sua poltrona, confortavelmente estúpido, 
está sentado, mudo, o povo alemão. 
Brama a tempestade para cá, para lá, 
fica nublado o céu, escuro e ainda mais coberto.

Sibilam os raios, serpenteando, 
e nada importa ao seu espírito. 
Porém, quando o sol desponta, 
os ventos sussurram, a tempestade acalma-se.
O povo então se levanta, grita 
e escreve um livro: "o barulho passou". 
Começa a fantasiar sobre isso, 
quer sentir o elemento da coisa, 
pensa que não é a maneira certa, 
diz que o céu também brincava bastante esquisito, 
que deve fazer tudo mais sistematicamente, 
esfregar primeiro a cabeça, depois os pés. 
Porta-se até como criança, 
procura coisas, que apodreceram, 
teria, ao mesmo tempo, de compreender a atualidade, 
deixar o correrem céu e a terra, 
que apenas seguiam seu curso normal, 
enquanto a onda estoura tranqüilamente sobre as pedras. 

II. 
Em Hegel

1

Porque descobri o mais alto e encontrei a profundeza, refletindo, 
sou rude, como um deus, cubro-me de escuro, como deus. 
Por muito tempo investiguei e boiei nas ondas do pensamento, 
e então achei a palavra, e não a solto. 

2

Ensino palavras, misturadas em movimento diabolicamente perturbado,
Então que todos pensem o que quiserem pensar. 
Pelo menos, o poeta não é mais limitado pelas barreiras, que o encadeiam.
Inventa as palavras e pensamentos das pessoas amadas, 
como se fossem águas bramindo, caindo da rocha, 
e o que pensa e reconhece, e o que sente, cria. 
Toda pessoa pode sugar o refrescante néctar da sabedoria;
Agora você sabe de tudo, porque antes eu não havia dito nada para você "

3

Kant e Fichte vão com prazer ao espaço, 
procuraram lá um país distante, 
porém, eu só tentei entender bem, 
o que achei – na rua! 

4

Perdoai a nós, que fazemos epigramas, 
quando cantamos fatais melodias. 
Temos estudado Hegel, 
e ainda não purgamos sua estética. 

III 

Os alemães uma vez partiram, 
até alcançaram a vitória sobre os povos. 
E, quando isso aconteceu, 
podia-se ler em todos os cantos: 
“Aconteceram coisas estranhas, 
ir-se-á logo em três pernas.” 
Todos então enormemente se afligiram, 
começaram a ter vergonha deles próprios, 
“É que coisas demais aconteceram de uma vez, 
tem-se que andar bem calmo outra vez 
e o resto poderia ser encadernado em livros. 
Fregueses decerto seriam facilmente achados.” 

IV 

Tirai deles as estrelas por vós próprios, 
logo palidamente ardem, depois vivamente demais; 
o sol logo queima os olhos, 
e logo está por demais longe. 



Assim criticaram Schiller, 
que não pode deleitar bastante humanamente, 
que também leva as coisas alto demais, 
e não trabalha como devido nos dias úteis. 
Diz-se que decerto brinca com relâmpago e trovão, 
mas a ele falta completamente a graça das ruas. 

VI 

Porém, Goethe é excessivamente belo, 
prefere ver Vênus a ver farrapos, 
e, apesar de que comece em nível baixo 
tem-se obrigatoriamente que se elevar à altura; 
dá às coisas uma forma sublime, 
e por isso falta toda a consistência da alma. 
Pois Schiller fora melhor, 
o público podia ler as idéia em letras 
e dizer que foram impressas, 
mesmo que não encontrasse a profundeza. 

VII 

Sobre uma certa careca

Pallas Athene, sublime no impulso da vitória, 
saltou da testa de Zeus, cheia de pensamentos, 
como um raio nascido do relâmpago, 
e faísca, da distante sede das estrelas. 
E ela, penetrada de desejo, 
pulou em sua cabeça, 
E se Zeus, não venceu na profundeza, 
sabe com certeza, que por cima dele se encontra Pallas Athene. 

VIII
Pustkuchen
(Falsos anos de peregrinação) 



Schiller, pensa ele, foram menos de um furo 
Se só ele ler mais a Bíblia. 
Poderíamos ter nada além de elogios para o sino 
Se ele contou com a ressurreição, bem como, 
Ou como disse, em um burrico, 
Cristo na cidade não passam; 
Embora a derrota dos filisteus para Davi
Teria acrescentado algo de Wallenstein. 



Goethe é um horror para mulheres, 
pois não combina direito com as velhas; 
ele só agarrou a natureza 
e não a poliu com a moral. 
Deveria ter estudado o catecismo de Lutero, 
e daí então fabricar versos. 
Embora tenha às vezes percebido o belo 
esqueceu de dizer: “Deus o fez.” 



Estranho o interesse 
de estimar tanto Goethe. 
Ignóbil foi mesmo sua grande aspiração. 
Já deu ele sentido aos sermões? 
Apresentam-se nele firmes núcleos, 
com os quais o camponês e o sapateiro podem aprender, 
mas Goethe não tem o cunho divino dos gênios, 
nem resolveu um problema de aritmética. 



Ouvi agora como tudo do Fausto se evadiu 
e o poeta erroneamente o cantou. 
Fausto tinha demais dividas, 
foi desmazelado, dedicava-se ao jogo de azar, 
e quando não viu qualquer ajuda dos céus, 
quis vergonhosamente perecer, 
e por isso ficou com medo 
do inferno e da tristeza do desespero. 
Então pensou sobre a vida e a morte, 
A sabedoria, a ação e a perdição, 
e até falou muito 
no sentido obscuro e místico. 
Se o poeta não o podia ornar, 
não podia contar como dividas levam ao diabo, 
e como aquele, que perde o crédito, 
vende facilmente sua salvação! 



Fausto ousa pensar, no dia de Páscoa. 
Assim, não necessita ele se dar como dádiva ao diabo! 
Quem ousa pensar em dias como esse 
é pelo próprio inferno recusado. 



Também a probabilidade foi golpeada. 
Poderia a policia senão o tolerar? 
Não o teria posto na prisão? 
Ele viajou e não paga as dividas! 



Só o vício pode elevar Fausto, 
porque ele só quer viver para si mesmo. 
Ousou duvidar de Deus e do mundo 
e esqueceu que Moisés bem o segura. 
A estúpida Grete tinha de amá-lo, 
ao invés de apelar diretamente para a sua consciência, 
quando ele caiu à mercê do diabo 
e o dia do Juízo logo chegasse. 



Ainda poderia ser usada a “bonita alma”, 
mas ainda tem de ser apoiada com óculos e barrete de freira. 
“O que deus faz, faz bem!” 
Assim começa o verdadeiro poeta. 
Concluindo o Epigrama na fumaça da padaria.

Então, amasse o bolo da forma que você puder,
Você nunca será mais do que um padeiro.
E, afinal, quem lhe pediu 
Para emular Goethe a maneira que você faz ? 
Como se ele não soubesse nada de sua profissão, 
De onde veio o seu gênio e sua percepção? 


O Violinista

I

O Violinista toca as cordas, 
Seu cabelo castanho-claro ele joga e balança. 
Ele carrega uma espada ao seu lado, 
Ele veste um hábito de pregas largas. 

"Violinista, por que o som frenético ? 
Por que você olha tão loucamente ao redor ? 
Por que pula seu sangue como um mar agitado ? 
O que o leva a uma reverência tão desesperada ?

"Por que você toca ? 
Ou (por que) o barulho de ondas selvagens ? 
Para que possam martelar a costa rochosa, 
Aquele olho está cego, aquele seio inchado, 
Esse grito da alma a leva para o Inferno." 

"Violinista, com desprezo você rasga seu coração. 
Um Deus radiante lhe emprestou sua arte,
Para deslumbrar com ondas de melodia,
Para elevar ao céu sua dança luminosa."

"Como assim! Eu enfio, enfio sem falha
Minha espada negra-sangue em sua alma.
Que a arte de Deus nem quer obscurecer,
Ela salta da cabeça para as névoas negras do Inferno."

"Cultiva corações enfeitiçados, cultiva sentidos reais:
Com Satanás eu descobri meus ideais,
Ele dá os sinais, dá o compasso para mim,
Eu toco a marcha da morte livre e rápida."


"Eu devo tocar escuridão, eu devo tocar luz,
Até que ascordas quebrem meu coração sem dó"
O Violinista toca as cordas, 
Seu cabelo castanho-claro ele joga e balança. 
Ele carrega uma espada ao seu lado, 
Ele veste um hábito de pregas largas.


Parte de uma carta para o pai desse período.



Berlim, 10 de novembro de 1837.

......

E, no entanto nestes últimos poemas, são os únicos em que, de repente, como que por um toque de mágica - oh, foi acima de tudo uma ruptura - avistei o reino resplandecente da verdadeira poesia como um palácio de fadas longínquo, e todas as minhas criações desmoronaram em nada.

Ocupado com estas várias tarefas, durante meu primeiro trimestre escolar eu passei muitas noites sem dormir, travei muitas batalhas, e sofri com muita excitação interna e externa. 
No entanto, no final, não saí muito enriquecido, e além disso eu tinha negligenciado a natureza, a arte e o mundo, e fechei as portas a meus amigos.

As observações acima parecem ter sido feitas pelo meu corpo. 
Fui aconselhado por um médico a ir para o campo, e foi assim que, pela primeira vez eu percorri toda a extensão da cidade até o portão e fui para Stralow. 
Eu não tinha idéia de que eu encontraria maturidade por lá a partir de um homem fraco e anêmico em um homem de força física robusta.

Uma cortina caiu, meu santo dos santos foi de mim arrancado, e novos deuses tiveram de ser instalados.

A partir do idealismo que, por sinal, eu tive relação e alimentei com o idealismo de Kant e Fichte, cheguei ao ponto de tentar a idéia no mundo real. 
Se antes os deuses habitavam sobre a terra, agora eles se tornaram seu centro.

Durante alguns dias minha aflição fez-me completamente incapaz de pensar, eu corri loucamente no jardim, na água suja do Rio Spree, que "lava a alma e dilui o chá". 
Eu me juntei ao meu senhorio em uma excursão de caça, fomos para Berlim e queriamos abraçar todas as desocupados da rua.
.....

...desculpa minha caligrafia ilegível e estilo ruim, são quase 4 horas, a vela já derreteu-se para fora, e meus olhos estão fracos, uma inquietação real tomou posse de mim, não vou ser capaz de acalmar os espectros de turbulência até que eu esteja com vocês que são queridas para mim.


Marx conheceu Engels pessoalmente em Setembro de 1844 em Paris, Engels já era socialista-comunista desde Outubro de 1842 quando Moses Hess o converteu ao comunismo.


Moses Hess, o doutrinador de Engels

É interessante que só foram se conhecer em 1844, pois já em 1842 ambos escreviam para o jornal Rheinische Zeitung.
Nos artigos ja se via o socialismo-comunismo em Engels, Marx porém, centrava seus artigos em críticas aos acontecimentos da política alemã.

Neste mesmo mês (09/1844) Marx se encontrou também, pessoalmente pela primeira vez, com Proudhon, nos meses subsequentes Marx iria ter longas conversas com Proudhon.
Depois, ficaria inimigo dele até depois de sua morte.


Proudhon, de quem Marx pegou o conceito de propriedade privada como fonte da exploração.

Marx até o início de 1844, apesar de estar ligado aos "jovens hegelianos" de esquerda (Feuerbach, Bruno Bauer, dos quais também ficou amigo, mas, em seguida se tornou inimigo pelo resto da vida) desde a universidade, tinha apenas ficado descrente e adquirido aversão a sociedade religiosa (desde 1836), mas, não tinha ainda aderido ao socialismo-comunismo.
Podemos constatar isso a partir dos artigos/livros que escreveu até então, que foram:

On Freedom of the Press (escrito em Março de 1842)

Critique of Hegel's Philosophy of Right (escrito entre 1843-44)

Comment on James Mill (escrito no início de 1844)

A partir de Abril de 1844, já nos Manuscritos Econômico Filosóficos, Marx iniciou a sua crítica a sociedade capitalista, e a partir do início da sua amizade com Engels e Proudhon em Setembro de 1844, Marx se tornou, definitivamente, um socialista-comunista.


Vejamos o que Marx diz sobre essa fase:

"Entre 1842-1843, na qualidade de redator da Rheinische Zeitung, encontrei-me pela primeira vez na obrigação embaraçosa de dar a minha opinião sobre o que é costume chamar-se de interesses materiais. 
As deliberações do Landtag renano sobre os roubos de lenha e a divisão da propriedade imobiliária, a polêmica oficial que o Sr. Von Schaper, então primeiro presidente da província renana, sustentou com a Rheinische Zeitunh sobre a situação dos camponeses de Mosela e, finalmente, os debates sobre o livre-câmbio e o proteccionismo, forneceram-me as primeiras razões para me ocupar das questões económicas.

Por outro lado, nesta época em que o desejo de "ir para a frente" substituía frequentemente a competência, fez-se ouvir na Rheinische Zeitung um eco do socialismo e do comunismo francês, ligeiramente eivado de filosofia. 
Pronunciei-me contra este trabalho de aprendiz, mas ao mesmo tempo confessei abertamente, numa controvérsia com a Allgemeine Augsburger Zeitung, que os estudos que tinha feito até então não me permitiam arriscar qualquer juízo sobre o teor das tendências francesas. 
....
O primeiro trabalho que empreendi para esclarecer as duvidas que me assaltavam foi uma revisão crítica da Filosofia do Direito de Hegel, trabalho cuja introdução apareceu nos Deutsch-Französische Jahrbücher, publicados em Paris em 1844. 
...
Friedrich Engels, com quem, desde a publicação do seu genial esboço de uma contribuição para a crítica das categorias econômicas (Outlines of a Critique of Political Economy) no Deutsch-Französische Jahrbücher (publicado no início de 1844), tenho mantido por escrito uma constante troca de ideias, chegou por outras vias (confrontar a situação das classes trabalhadoras na Inglaterra) ao mesmo resultado, e quando, na primavera de 1845, ele veio se estabelecer também em Bruxelas, resolvemos trabalhar em conjunto, a fim de esclarecer o antagonismo existente entre a nossa maneira de ver e a concepção ideológica da filosofia alemã; tratava-se de fato, de um ajuste de contas com a nossa consciência filosófica anterior. 
....
Os pontos decisivos das nossas concepções foram esboçados pela primeira vez, ainda que de forma polemica, no meu texto contra Proudhon publicado em 1847 - Miséria da Filosofia."
Marx e Engels


***

Temos ai as origens do marxismo...
Não na filosofia, mas sim, no choque pessoal de Marx com a vida, na reação atormentada de um adolescente ao sair pela primeira vez da casa dos país e se ver no meio de uma tempestade emocional em Bonn - desgringolou, caiu na gandaia, em brigas, em orgias, na bebida, em dívidas...

É muito estranho, e muito prejudicial para a sociedade humana, que aqueles que estudaram o marxismo jamais tenham se dado conta desse fato...

***

Fontes de parte das pesquisas do texto acima:

http://www.marxists.org/archive/marx/works/1837-pre/marx/1835chris.htm

http://www.newworldencyclopedia.org/entry/Karl_Marx

http://pubs.socialistreviewindex.org.uk/sr241/flett.htm

http://www.nytimes.com/books/first/w/wheen-marx.html

http://www.marxists.org/archive/



***

Comunidade no Orkut

Outros blogs
http://shameusblogs.blogspot.com/


Obrigado pela visita !
***



Palavras chaves:
Karl Heinrich Marx Londres biografia economista filósofo sociólogo escritor jornalista burguês proletário revolucionário historiador socialista comunista alemão Friedrich Engels vida e obra Capital capitalismo Ideologia Alemã Manifesto Comunista Liga dos Comunistas revolução França Paris Prússia Alemanha Bruxelas frases pensamentos teórico mais-valia dialética alienação materialismo histórico trabalho exploração história filosofia sociologia superestrutura econômica ideologia doutrina marxismo.

.http://www.blogger.com/profile/02343530433642459582

terça-feira, 2 de abril de 2013

Adotado por gay e abusado.


Adotado por dois homossexuais conta: "Denunciei  os abusos, mas os serviços sociais esconderam os fatos.

Benedetta Frigerio


Andy Cannon, 23 anos, inglês, quis contar a sua história à imprensa, renunciando ao anonimato. O calvário começou aos oito anos, os silêncios e uma sentença que só chegou 10 anos depois.
adozioni gay



           Apesar de suas denúncias de abusos, os serviços sociais o mandaram de volta para a casa do casal que o tinha adotado,  expressando até mesmo admiração pelos dois pais gays. Andy Cannon tinha, então, somente 9 anos. Agora, que tem 23 anos, quis contar sua história, renunciando ao anonimato.


          Politicamente correto - O rapaz inglês explicou que não tem nada contra os homossexuais, mas levantou algumas questões, sem meias palavras: "Os serviços sociais deveriam estar lá para evitar que isto acontecesse; ao invés disto, preferiram manter  silêncio." Por que? A culpa, para ele, é do "pensamento politicamente correto pelo qual teriam preferido deixar os dois livres e assim evitar qualquer repercussão. Creio que se meu pai adotivo fosse heterossexual as minhas denúncias teriam sido ouvidas na mesma hora."


          O sofrimento - O rapaz, adotado com 8 anos, depois de um ano de convivência, começou a ser abusado: "Por causa disto, tentei suicidar-me pelo menos seis vezes. Tive um esgotamento há cerca de 4 anos e, ainda hoje, há dias em que penso que minha namorada teria uma vida melhor sem mim".

         Na época dos abusos, os serviços sociais diagnosticaram uma doença mental e lhe prescreveram psicofármacos. Inutilmente, seria bom dizer, visto que o garoto fugiu de novo de casa e voltou a repetir as denúncias contra o pai adotivo.


           Desculpas inúteis - Somente após dez anos, quando surgiram novas provas, o casal homossexual foi condenado a dois anos e meio de prisão. Naturalmente - continuou o rapaz - " eu fiquei feliz quando finalmente me escutaram e papai e John foram mandados para a prisão".

        O erro de avaliação dos serviços sociais foi definido pelo juiz como 'insano e grosseiro" e o jovem foi ressarcido em 25 mil libras esterlinas, mas - disse ele , "a condenação deles foi um passeio comparado ao que aconteceu comigo"


          Do dossier de 160 páginas escrito por um advogado pelo direito das crianças, Patrick Ayre, ficou claro que os documentos dos serviços sociais relatavam os fatos de maneira incompleta, censurando aqueles que poderiam revelar o comportamento do casal de pedófilos. 

         Ayre escreveu:" Toda a argumentação sobre a restituição do requerente aos cuidados do pai deve ser considerada absurda, levando-se em conta a matéria preocupante, que deveria levar à imediata verificação dos fatos". 


           Os serviços sociais apenas  se desculparam, afirmando que "desta experiência aprendemos a melhorar os nossos serviços", mas reafirmaram que os procedimentos para a adoção "são robustas: baseadas no princípio de igualdade que trata todos do mesmo modo, seja qual for a sua condição social".


Leggi di Più: Adottato da gay e abusato: «I servizi nascosero i fatti» | Tempi.it 
Follow us: @Tempi_it on Twitter | tempi.it on Facebook

domingo, 31 de março de 2013

Casal del Marmo: um carinho de Jesus

Antonio Socci

"
     
         Como se sabe, o Papa quis celebrar a Quinta-feira Santa no presídio para menores de Roma. Ali, relembrando o gesto de Jesus com os apóstolos, lavou e beijou o pé de doze adolescentes, entre rapazes e moças, que estão presos por vários delitos. Jovens com grande problemas e que já cometeram seus erros. 

       Àqueles jovens, surpresos e comovidos, Papa Francisco, fitando-os com ternura, fez questão de dizer que Jesus ama apaixonadamente cada um deles e, para explicar o rito (do lava-pés), pronunciou textualmente estas palavras:


      "Pensem que este gesto é um carinho de Jesus, porque Jesus veio exatamente para isto, para servir, para ajudar-nos."


      Um carinho do Nazareno... O estado de ânimo daqueles jovens, destinatários de tal predileção, foi expresso por um dos doze, um rapaz croata de dezessete anos, que, ao ver o Vigário de Cristo que se ajoelhava com dificuldade diante dele para lavar-lhe e beijar-lhe os pés, chorou. Depois, disse:"Pela primeira vez, eu senti-me amado, a minha fé fraca tornou mais forte".


https://www.facebook.com/photo.php?fbid=353247938129423&set=a.210315405756011.46173.197268327060719&type=1

terça-feira, 26 de março de 2013

Magdi Allam: procura-se igreja

Annalena Benin
     
i 

      
          Magdi Allam renunciou. Num longuíssimo artigo publicado ontem em Il Giornale, ele explicou o sentido  de um final, as razões do adeus. Os motivos pelos quais, depois de cinco anos, ele não pode ficar um minuto a mais, não num jornal, não num movimento político, não num cargo profissional, não num matrimônio, mas na Igreja católica, onde tinha entrado com grande solenidade faz pouco tempo. 
          Allam foi batizado em 2008, durante a Vigília Pascal, por Joseph Ratzinger. Na época, acrescentou a Magdi o nome Cristiano (cristão, em português), e escreveu um livro intitulado "Obrigado, Jesus". Agora, como nas histórias de amor, disse basta, com  'sofrimento interior', mas com decisão irrevogável e a lembrança daquilo que foi: "Foram cinco anos de paixão".
         O desamor de Magdi Allam parece nascer do fato de que ele não conseguiu converter a Igreja Católica ao magdicatolicismo, fazê-la à sua imagem, e  tornar-se seu único porta-voz, como se fosse "Eu amo a Itália" (que ele criou em 2009),  como se fosse um movimento  político "que se fundamenta sobre o primado dos valores não-negociáveis". 
         Vítima talvez de um surto de narcisismo um pouco megalômano e de um sentido profético da existência, Magdi Allam julga que este novo Papa não se lhe adapta. Está  indignado porque acredita que Bento XVI tenha sido lançado muito depressa ao esquecedouro da história e acha que a igreja tornou-se demasiada  buonista (saco de bondades) e relativista. 
         Apesar de Allam-mão estendida, Allam-coluna reta, Allam-invectivas,  a Igreja não declara guerra ao Islam, mas ao contrário, o legitima como religião verdadeira e julga que a humanidade inteira deve conceber-se como  união de irmãos e irmãs.
       Para Magdi Allam,  deve-se ser bom, sim, mas somente com os compatriotas que tenham todos os documentos em ordem, um trabalho, um patrimônio. Todo o resto é buonismo inaceitável, que se encontra fora do alcance do "ama o teu próximo" (próximo, no magdicatolicismo,  deve ser entendido como 'italiano'; de todos os outros, se encarregará a seleção natural);  e Allam  tem certeza que Jesus desaprovaria todo este globalismo condescendente. 
        Mas a ofensa maior, e a verdadeira falta de respeito a Magdi Allam, foi a renúncia de Joseph Ratzinger, que ele tinha eleito o seu papa pessoal, chegando a perdoar-lhe até  a vez, antes de seu batismo, em que Bento XVI pôs a mão sobre o Corão, rezando em direção a Meca, em Istambul.

          Magdi Allam conseguiu superar aquele gesto (próximo à 'loucura suicida' que levou João Paulo II a beijar o Corão em 1999). E como  lhe paga de volta Ratzinger, agora? Indo embora para Castelgandolfo e abraçando o novo Papa, ambos vestidos de branco.
         Ele sentiu-se traído, posto de lado:" É é justo no momento em que à minha volta há sempre menos a presença de testemunhos autênticos e de credibilidade,  em paralelo com o conhecimento profundo do contexto católico de referência, que a minha fé na Igreja vacilou".
          Magdi Allam estava pronto para um papado de nicho (papato de nicchia) fundado sobre a convicção de que é necessário ser gentil só com os vizinhos de casa. É por isto que ele escolheu o cisma? Agora, ele procura casa, "como homem íntegro na integralidade da minha humanidade," que aspira a uma igreja sob medida, um papa preferido com um programa político preciso. O risco é que Magdi Allam funde também um novo movimento religioso.

domingo, 24 de março de 2013

Bento e Francisco: irmãos na fé


      Nosso amado para sempre Papa Ratzinger (que passou a usar o seu anel de bispo) está tão fraquinho, comoveu-me sua aparência cansada, arrastando os passos e, ainda assim, fazendo gestos de humildade para que Papa Francisco ocupasse o genuflexório de honra, em frente ao altar. 

      Este recusou a deferência e ajoelhou-se ao lado de Bento XVI, para rezar como 'irmãos'. No encontro com Papa Francisco, dá para ver que Bento XVI usou suas forças até o limite antes de renunciar. 

      Quando todos esperavam que ele reaparecesse mais revigorado, descansado e rejuvenescido, depois de um mês de descanso, ele se apresenta ainda mais frágil e envelhecido. Deus é que deu-lhe forças para levar o seu pontificado por tanto tempo.

      Bento XVI afirmou, depois de sua viagem ao México, onde chegou a bater a cabeça numa queda, que ele estava cumprindo uma verdadeira penitência, porque não tinha mais forças para continuar. Deus recompensará Bento XVI, Ele lhe dará um lugar bem perto de Si, na eternidade.

quinta-feira, 21 de março de 2013

Down e cinismo



     Pode apostar: muitos dos bondosos seres que pedem respeito ao portadores de Síndrome de Down defendem o aborto de fetos diagnosticados com a doença. 

    Há, hoje, verdadeira carnificina silenciosa: depois do diagnóstico oficial exigido pela lei, nove entre dez fetos com Down são abortados. 

    O cientista que descobriu a causa da síndrome, o católico e antiabortista, Jérôme Lejeune, morto em 94, é odiado até hoje por denunciar o cinismo desta gente. 
    Amado pela Igreja, Lejeune é objeto de um processo de beatificação, aberto em 2007.

 
http://www.tempi.it/oggi-e-la-giornata-mondiale-dei-down-ma-nessuno-parla-di-lejeune-e-della-strage-silenziosa#.UUtaSBw3tDU

quarta-feira, 20 de março de 2013

Cristianismo e pobreza

O problema é a riqueza da fé, não só a da carteira
ALDO VITALE

       Alguns sofrem porque a Igreja adequou-se demais aos parâmetros do mundo de hoje; outros ficam incomodados porque a Igreja ainda continua muito alheia ao mundo: assim escreve Papa Bento XVI num trabalho célebre sobre a Igreja. 

     O teólogo Ratzinger coloca em evidência, com sua habitual acuidade e a velada ironia de sempre, o paradoxo da contestação à Igreja que se dissolve na citada contradição 

     Analogamente,  o mesmo se dá com a questão relativa à mensagem cristã e a pobreza. De um lado,  reina soberana a bem-aventurança dos pobres proclamada por Cristo; do outro lado, vigora imperioso o mandamento moral de socorrer os pobres que representam o próprio Cristo. O que fazer, então?

     Se os pobres são bem-aventurados,  como subtrair deles a causa de sua própria bem-aventurança, ou seja, a pobreza, prestando-lhes o socorro de que necessitam?

     O paradoxo etico-teológico não é trivial. Não obstante,  existem duas  chaves hermenêuticas que podem ajudar, se bem que com a adoção de uma o problema resultará substancialmente insolúvel, enquanto que com a adoção da segunda se poderá chegar a um solução concreta.

     Compreender a pobreza, como acontece hoje cada vez mais, exclusivamente como a falta dos meios de subsistência vital que fazem o individuo precipitar na total indigência sócio-econômica, significa não compreender de fato a pobreza, exprimindo-a segundo uma concepção econômica, quantitativa, material que, por mais que seja seja real e atraente, não consegue todavia  dar conta da totalidade da questão.

     A santidade que, através de sua crística bem-aventurança é referida aos pobres, não é de fato o resultado de um balancete, de um puro cálculo contábil de entrada e saída, de ter e haver,  de assuntos de caixa ou de exercício, mas é algo bem mais profundo, mais autêntico e, talvez por isto mesmo, mais dificilmente compreensível. É seguramente mais humano, e decisivamente mais divino, do que uma mera operação de raciocínio calculista.

     Se assim não fosse, as Escrituras (Velho e Novo testamento), os Padres da Igreja, os Doutores da Igreja, os Santos, o Catecismo e os documentos do Magistério católico de cada época não falariam de confissão, de perdão dos pecados, de misericórdia, de caridade, mas sim de prestação de contas e declaração de renda, anistia fiscal, quitação pecuniárias e abertura de contas pessoais.

     Não será santo quem tiver mostrado menos, mas quem tiver mostrado mais. Obviamente, não em termos monetários. Cristo não é um CEO, il capo azienda, e o Juízo Final não será  o advento  de uma agência cósmica de acerto de contas.

     Se a pobreza evangélica fosse entendida materialisticamente, para sermos bons cristãos seria necessário antes fazer um levantamento global de todos os rendimentos pessoais; depois, todos aqueles que tivessem a mais deveriam dar, não para aqueles que têm menos, mas àqueles que não tem nada, já que, à luz desta lógica perversa, mesmo quem tem pouco teria, de todo modo, mais do que aquele  que não tem nada.

     Mas, logo isto feito, os antigos pobres seriam os novos ricos, e os antigos ricos seriam os novos pobres, o que tornaria necessário executar a mesma  operação, só que em sentido inverso.

     Fica claro a completa ingenuidade de tal mecanismo. Quem pensa a pobreza evangélica em sentido estritamente material deveria se dar conta de tamanho absurdo.

     Logo, é preciso adotar uma perspectiva diversa e oposta.

     A pobreza evangélica deve ser compreendida por aquilo que ela é efetivamente, de resto, como o próprio publicano, coletor de impostos por oficio - ou seja, técnico em dinheiro e noção de contabilidade, São Mateus, se refere no seu Evangelho, ou seja, a pobreza de espírito: "Bem-aventurados os pobres de espírito". 

     É preciso admitir, contudo, que a pobreza de espírito pode ser entendida em dois sentidos opostos,  se bem que com um centro comum de atração, isto é, como distância de Cristo e proximidade a Cristo.

     No primeiro caso, o pobre de espírito é aquele que ainda não encontrou ou experimentou a mensagem do Evangelho, a riqueza da graça, para usar as palavras de São Paulo aos Efésios.  No segundo caso, ao contrário, o pobre é aquele que é despido de toda vaidade e toda soberba, entregando-se completamente ao Cristo dos Evangelhos.

     A exatidão desta interpretação, de resto, é confirmada por Santo Agostinho que, em seu discurso n. 36, esclarece que não é a riqueza em si a impedir a própria salvação, mas a doença que pode resultar da riqueza, isto, o aumento da soberba.

     A riqueza e a pobreza, portanto, referem-se não às  condições materiais, mas àquelas espirituais, ou seja, em palavras claras, à fé. Por isto, rico é quem tiver fé, pobre quem não tiver fé.

     De fato, Santo Agostinho recorda que a mensagem de  salvação do cristianismo não é voltado só aos pobres, mas também aos ricos, testemunhando de modo direto e inequívoco que a pobreza e a riqueza de que se fala nos textos sagrados não são aquelas  materiais.

     Assim escreve Santo Agostinho: "E de se pensar que os ricos deste mundo têm sido negligenciados. Também eles, Cristo os conquistou com Sua pobreza. Ele, que sendo rico, se fez pobre por nós. Se, de fato, Cristo os tivesse negligenciado e recusado admiti-los entre os Seus, o Apóstolo não teria ordenado a Timóteo que lhes ensinasse os preceitos, dizendo: " Ordena aos ricos deste mundo. Entre estes, aqueles que são ricos na fé não são mais que uma parte dos  assim chamados ricos deste mundo" (Sermão 36,5)

     Isto não exclui, obviamente, que o rico em sentido material deva  e possa cuidar do pobre em sentido material. Santo Agostinho explica, interpretando os ensinamentos de Cristo e as palavras de Paulo, que os bens materiais não devem ser jogados fora, mas transferidos de lugar.

     Segundo o Bispo de Hipona, de uma coisa a riqueza deve deve tirar proveito: a de não ter dificuldade em doar com abundância. O pobre quer mais não pode, o rico quer e pode. Que os ricos repartam sem dificuldades, sejam generosos, que acumulem um tesouro para si mesmos, com um firme fundamento e assim alcançarão a verdadeira vida."

     Em última análise, os ricos são ricos mas somente em sentido mais alto, isto é - citando sempre Santo Agostinho - "ricos no coração, cheios de força moral, nutridos na piedade e generosos na caridade"

     A pobreza e a riqueza dos Evangelhos tem uma outra natureza diferente da que resulta de sua  difusa leitura reducionista e pobre, que  por sua vez,  torna miserável, a um só tempo, tanto a mensagem evangélica quanto aqueles que a pregam de forma errada.

     Numa época em que mesmo a clareza do óbvio se torna remota e obscura,  é preciso enfatizar neste caso que a expressão 'economia da salvação' não deve ser tomada infantilmente ao pé da letra, mas compreendida à luz de seu espírito, isto é, em seu sentido etimológico, em seu horizonte escatológico.

      Também neste caso, parece indispensável ter presente o que ensinou São Paulo, que, em uma das suas  mais célebres passagens, lembra que a letra mata, mas que, ao contrário, é o espírito que dá vida (2Cor. 3,6)


Leggi di Più: Cristianesimo e povertà | Tempi.it 
Follow us: @Tempi_it on Twitter | 
tempi.it on Facebook

segunda-feira, 18 de março de 2013

Francisco e Bento: a mesma Igreja, o mesmo Senhor

      
      Bobagem achar que Francisco quer varrer da Igreja todos os símbolos da autoridade majestática do Papa. Ele ofenderia, não Bento XVI, mas a Nosso Senhor Jesus Cristo, a quem ele representa e ama e por quem ele daria a própria vida. É um Soldado de Cristo, todo jesuíta é. 

      Francisco só está mostrando que a Igreja dele, que é a mesma de Bento XVI e de todos os seus predecessores, também pode ser assim, mais despojada e menos protocolar. Bento XVI restituiu a solenidade e a beleza da tradição litúrgica, e revelou os tesouros teológicos da Igreja. Nada disto se perderá, a Igreja se enriqueceu.

      Joseph Ratzinger foi o papa da humanidade e da razão. Foi amado pelo povo de Deus, como o será o Papa Francisco. Este, contudo, quer falar com gestos mais simples, que o povo compreende sem dificuldade. Gente humilde nem sempre entende que toda a pompa da Igreja não é para o papa, mas para o Rei do Universo. 

      Não há ruptura. Convém não esquecer que o povo que lotou a Praça São Pedro para saudar Papa Francisco estava lá porque Bento XVI os atraiu, com seu pontificado abençoado por Deus.

sexta-feira, 15 de março de 2013

A isca do Espírito Santo


      Papa Francisco fez a sua primeira homília de improviso. Em perfeito italiano, que não é a sua língua, ele nem vai muito a Roma. Francisco falou como se estivesse numa paróquia no interior da Argentina, pregando para gente simples. Não gaguejou, não ficou nervoso, não procurou palavras.

     Quando transcrita, a homília é um texto que não precisa de qualquer arranjo, ou reparo. Sete minutos. O mundo ouvindo. Falou perante o colégio de cardeais. Não faltou nada, não sobraram palavras. 

     Pregação magnífica, essencial, profunda, acessível a cardeal e a carroceiro. Bento XVI assinaria. Quanto mais se a lê ou se a ouve, mais o seu sentido se desdobra, mais ela esclarece, orienta, converte. 

     Há quem esteja em suspenso, temeroso de que Francisco nos faça passar vergonha, com uma das suas 'espontaneidades', caipiragens ou 'pobrismo", como já se leu por aqui nestas plagas (ou pragas?) facebookianas. 

     Mas Deus não nos mandou um papa Francisco só por capricho. Nós é que sentiremos vergonha de nós mesmos, por nossa empáfia, falsa caridade e soberba.

     Como escreveu Camillo Langone, escritor e jornalista italiano, "nós temos um Papa que ama a Madonna Povertà à maneira de seu grande homônimo, ou seja, misticamente, não sociologicamente". Para Langone, Papa Francisco é "a isca que o Espírito Santo deu aos cristão para que se façam de novo pescadores de homens."

SANTA MISSA COM OS CARDEAIS
HOMILIA DO PAPA FRANCISCO
Capela Sistina
Quinta-feira, 14 de Março de 2013

Vejo que estas três Leituras têm algo em comum: é o movimento. Na primeira Leitura, o movimento no caminho; na segunda Leitura, o movimento na edificação da Igreja; na terceira, no Evangelho, o movimento na confissão. Caminhar, edificar, confessar.
Caminhar. «Vinde, Casa de Jacob! Caminhemos à luz do Senhor» (Is 2, 5). Trata-se da primeira coisa que Deus disse a Abraão: caminha na minha presença e sê irrepreensível. Caminhar: a nossa vida é um caminho e, quando nos detemos, está errado. Caminhar sempre, na presença do Senhor, à luz do Senhor, procurando viver com aquela irrepreensibilidade que Deus pedia a Abraão, na sua promessa.
Edificar. Edificar a Igreja. Fala-se de pedras: as pedras têm consistência; mas pedras vivas, pedras ungidas pelo Espírito Santo. Edificar a Igreja, a Esposa de Cristo, sobre aquela pedra angular que é o próprio Senhor. Aqui temos outro movimento da nossa vida: edificar.
Terceiro, confessar. Podemos caminhar o que quisermos, podemos edificar um monte de coisas, mas se não confessarmos Jesus Cristo, está errado. Tornar-nos-emos uma ONG sócio-caritativa, mas não a Igreja, Esposa do Senhor. Quando não se caminha, ficamos parados. Quando não se edifica sobre as pedras, que acontece? Acontece o mesmo que às crianças na praia quando fazem castelos de areia: tudo se desmorona, não tem consistência. Quando não se confessa Jesus Cristo, faz-me pensar nesta frase de Léon Bloy: «Quem não reza ao Senhor, reza ao diabo». Quando não confessa Jesus Cristo, confessa o mundanismo do diabo, o mundanismo do demónio.
Caminhar, edificar-construir, confessar. Mas a realidade não é tão fácil, porque às vezes, quando se caminha, constrói ou confessa, sentem-se abalos, há movimentos que não são os movimentos próprios do caminho, mas movimentos que nos puxam para trás.
Este Evangelho continua com uma situação especial. O próprio Pedro que confessou Jesus Cristo com estas palavras: Tu és Cristo, o Filho de Deus vivo, diz-lhe: Eu sigo-Te, mas de Cruz não se fala. Isso não vem a propósito. Sigo-Te com outras possibilidades, sem a Cruz. Quando caminhamos sem a Cruz, edificamos sem a Cruz ou confessamos um Cristo sem Cruz, não somos discípulos do Senhor: somos mundanos, somos bispos, padres, cardeais, papas, mas não discípulos do Senhor.
Eu queria que, depois destes dias de graça, todos nós tivéssemos a coragem, sim a coragem, de caminhar na presença do Senhor, com a Cruz do Senhor; de edificar a Igreja sobre o sangue do Senhor, que é derramado na Cruz; e de confessar como nossa única glória Cristo Crucificado. E assim a Igreja vai para diante.
Faço votos de que, pela intercessão de Maria, nossa Mãe, o Espírito Santo conceda a todos nós esta graça: caminhar, edificar, confessar Jesus Cristo Crucificado. Assim seja.
 

O SONHO DE FRANCISCO (Sandro Magister)



      "A eleição de um papa que escolheu o nome Francisco reconduz irresistivelmente ao santo de Assis e a um afresco de Giotto.É o afresco que mostra um sonho de Papa Inocêncio III, em que ele vê São Francisco sustentando com suas costas a Igreja, em perigo de desabar.
"Francisco, vai e reconstrói a minha a casa". 
Segundo fontes franciscanas, foram estas as palavras que o crucifixo da igreja em ruínas de San Damiano dirigiu ao santo.

      Francisco obedeceu. E com ele a cristandade viveu um reflorescimento de purificação, de obediência total ao papado, de fidelidade cristalina à doutrina, de humildade, fraternidade, castidade, as virtudes que também hoje a Igreja é chamada a por em prática com renovada dedicação.


      Com a escolha do nome Francisco, o novo papa Jorge Mario Bergoglio já anunciou o seu programa. Um programa que era também o sonho de seu amado predecessor de nome Bento."

quarta-feira, 13 de março de 2013

O primeiro papa de nome Francisco


           

É Jorge Mario Bergoglio. É argentino e jesuíta. Deixa Buenos Aires por Roma. Sua eleição subverteu todos os prognósticos. Mas ele vem de longe.


di Sandro Magister
         

           Ao eleger papa,  na quinta votação, o arcebispo de Buenos Aires, Jorge Mario Bergoglio, o conclave fez uma jogada tão surpreendente quanto genial.
.
          Surpreendente para quem - quase todos - não percebeu nos dias anteriores que seu nome efetivamente adquiria vulto nas conversas entre os cardeais. A sua idade avançada - 76 anos e três meses - induzia a classificá-lo mais entre os grandes eleitores do que entre os possíveis eleitos.

           No conclave de 2005, aconteceu o contrário, em relação a ele. Bergoglio era um dos mais decididos defensores da nomeação de Joseph Ratzinger como papa. Em vez disto, ele  recebeu, contra a sua vontade, os votos exatamente daqueles que queriam barrar a escolha de Bento XVI.

          O fato é que tanto um quanto outro tornaram-se papa. Bergoglio com o nome inédito de Francisco. 
Um nome que reflete a sua vida simples.  Nomeado arcebispo de Buenos Aires em 1998, ele abandonou vazia  a rica casa episcopal  adjacente à catedral. Foi morar num apartamento não muito distante, junto com um outro bispo ancião. À noite, ele próprio cozinhava. De carro, pouco andava, circulava de ônibus com uma batina simples de padre.

          Mas é um homem que sabe governar. Com firmeza e contra a corrente. É jesuíta - o primeiro a tornar-se papa - e, nos terríveis anos Setenta, quando a ditadura era violenta e alguns de seus confrades estavam prontos a empunhar o fuzil para aplicar as lições de Marx, ele enfrentou energicamente este desvio, como provincial da Companhia de Jesus na Argentina
          Da Cúria romana sempre esteve cuidadosamente longe. Por certo, vai querê-la enxuta, limpa e leal.
É pastor de doutrina sólida e de concreto realismo. Aos argentinos famintos ele quis dar muito mais do que pão. Exortou-os a ter de novo nas mãos o catecismo. Aquele dos dez mandamentos e das bem-aventuranças

          "O caminho de Jesus é este", dizia. E quem segue Jesus compreende que "pisar  na dignidade de uma mulher, de um homem, de uma criança, de um velho é um pecado grave que grita ao céu" . E, então, decide de não fazê-lo mais.

          A simplicidade de sua visão se faz notar em sua santidade de vida. Com as poucas e simples primeiras palavras como papa, ele imediatamente conquistou a multidão que lotava a Praça São Pedro.


          A fez rezar em silêncio. E a fez rezar por seu predecessor Bento XVI, a quem não chamou 'papa', mas 'bispo'. A surpresa está apenas no início.

http://chiesa.espresso.repubblica.it/articolo/1350465

Deus acertou.

      
      Deus fez certo: manteve o cardeal Angelo Scola à frente da arquidiocese de Milano, capital da Lombardia, que, segundo Bento XVI, deve ser o coração religioso ('il cuore credente') da Europa. 

      Até mesmo geograficamente, a Lombardia está no centro do continente, que precisa ser recristianizado, tanto para retornar às suas raízes civilizacionais, quanto para deter a islamização da Europa, que seria a sua própria desfiguração.

      Angelo Scola é um grande pastor que tem produzido frutos santificantes, com o retorno de muitos ex-católicos à Igreja. A reconversão da Europa a Cristo e aos Seus ensinamentos tem reflexos muito fortes na América Latina, porque o Velho Continente continua sendo nosso modelo de civilização.

      A facilidade com que a cultura de morte (aborto, eutanásia) e o credo libertino da modernidade (gayzismo, drogas, sexo livre) são adotados no Terceiro Mundo vem do fato de que eles são vistos por aqui como coisa do 'mundo civilizado'. O grande argumento em sua defesa é de que 'os países mais civilizados mundo mundo', ou seja, os da Europa, já os adotaram. 

     Com pastores empenhados na recristianização da Europa, como o italiano Scola, o canadense Ouellet e o húngaro Erdo, sob a guia de um Papa que, pela procedência geográfica, acabará por ter muita influência sobre as populações dos países latino-americanos, a Igreja terá instrumentos poderosos para cumprir o mandato que recebeu de Seu Senhor:

     "Ide, pois, e fazei discípulos de todas as nações, batizando-as em o nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo; instruindo-as a observar todas as coisas que vos tenho mandado. Eis que eu estou convosco todos os dias até o fim do mundo."

terça-feira, 12 de março de 2013

Para quê papa?

     Eu quero protestar. O mundo é laico, Deus não existe, religião é para fracos e gente sem cultura, este 1,1 bilhão de católicos ainda não evoluiu , isto sim, Jesus Cristo não passa de um 'iluminado', não é Deus, não ressuscitou, nem fundou a Igreja. 

     Por que, então, este auê todo em torno da eleição do papa? Onde já se viu? Quase seis mil jornalistas credenciados, todas as televisões do mundo ao vivo, um monte de cardeais reunidos numa capela repleta de obras de arte, que deviam ser vendidas e o dinheiro arrecadado distribuído aos pobres. Enfim, tudo errado. 

     Quando é que o mundo vai chegar ao estágio de inteligência e esclarecimento dos ateus, estes sim, os gênios da raça. Geniais e justos. No mundo ateu, há igualdade. O homem vale tanto quanto uma lesma. Para que lesma quer papa?