O impeachment não é minha bandeira, ainda que o veja no horizonte de possibilidades futuras. A renúncia é unilateral; mas eu acho possível (e até provável), se a credibilidade e (des)governabilidade de Dilma continuar nesta toada ladeira abaixo. Intervenção militar também é prevista na Constituição (ninguém está aqui defendendo ditadura), mas é para caso de iminência de guerra civil, grave perturbação da ordem, caos total. Tirando algumas ações do MST (declaradamente para ameaçar a ordem pública e gerar terror), não há situação no País que pudesse justificar interferência das Forças Armadas. Fiquem lá onde estão, nos quartéis.
As manifestações demonstram, acima de tudo, uma canseira com a falta de vergonha, a corrupção desmedida, o cinismo de Dilma fazer o que ela acusava Aécio Neves de fazer, caso eleito, a falta de humildade de ver o que o povo está gritando.
Esta conversa de que quem foi para as ruas é branquinho burguês corrupto com conta na Suíça que não gosta de pobre e que quem bateu panela mora nos Jardins e Morumbi, eu pergunto: essa aí sou eu?
Já sei: quem apoiou a manifestação do dia 13 são todos amantes dos pobres, revolucionários de alma nobre, altruístas incorruptíveis que dariam a sua casa para o Movimento dos Sem-Teto e seus terrenos e sítios - se tivessem um- para o MST ocupar.
domingo, 22 de março de 2015
sábado, 21 de março de 2015
FHC não viu?
Eu queria entender: o PT, em 12 anos, não conseguiu detectar qualquer falcatrua na Petrobrás. Dilma dirigiu o Conselho Administrativo da empresa, de 2003 a 2010 (como Ministra das Minas e Energia e Chefe da Casa Civil), e não viu nada de estranho cheirando à corrupção. Sérgio Gabrielli foi diretor financeiro e de Relações com Investidores da Petrobras de 2003 a 2005 e presidiu a empresa de 2005 a 2012. Nestes dez anos, também disse que não viu nada.
E FHC é que devia saber dos malfeitos na empresa, numa época em que todo mundo sabe que (claro que tinha corrupção) a coisa era ainda de menor vulto e valor? E por que Lula não mandou investigar estes 'pequenos malfeitos', quando assumiu o governo em 2003, já que eles deviam saltar aos olhos a ponto de FHC saber (e nada fazer?)
E FHC é que devia saber dos malfeitos na empresa, numa época em que todo mundo sabe que (claro que tinha corrupção) a coisa era ainda de menor vulto e valor? E por que Lula não mandou investigar estes 'pequenos malfeitos', quando assumiu o governo em 2003, já que eles deviam saltar aos olhos a ponto de FHC saber (e nada fazer?)
quinta-feira, 12 de março de 2015
Chama o glorioso EB
O MST não tem a antipatia apenas dos 'poderosos senhores do agronegócio ou ministros do STF a serviço da classe dominante'. Pergunte a um lavrador, homem rude da roça, o que ele pensa destes desocupados e arruaceiros sustentados com o dinheiro do povo. Ou a um homem da cidade que ganha seu dinheiro suado e trabalho honesto.
A ousadia destes bandidos foi alimentada muito antes dos rapa-pés de Lula e Dilma ao MST. FHC, que encheu as burras do MST de dinheiro, devia ter tratado como devia - ou seja, como bandidos - aquela corja que invadiu o seu (modesto) sítio, abriu a geladeira e pôs os pés em cima da mesa, quando ele era Presidente da República.
Não (re)agiu, o monstro cresceu. Agora, acabou a aura de santificação e o nosso medo de apontar o dedo para estes arruaceiros e usar o adjetivo certo para o movimento: criminoso. É 'éxercito'? OK, chama o glorioso EB. Restabelecimento da ordem. Todo mundo vai aplaudir.
A ousadia destes bandidos foi alimentada muito antes dos rapa-pés de Lula e Dilma ao MST. FHC, que encheu as burras do MST de dinheiro, devia ter tratado como devia - ou seja, como bandidos - aquela corja que invadiu o seu (modesto) sítio, abriu a geladeira e pôs os pés em cima da mesa, quando ele era Presidente da República.
Não (re)agiu, o monstro cresceu. Agora, acabou a aura de santificação e o nosso medo de apontar o dedo para estes arruaceiros e usar o adjetivo certo para o movimento: criminoso. É 'éxercito'? OK, chama o glorioso EB. Restabelecimento da ordem. Todo mundo vai aplaudir.
domingo, 8 de março de 2015
8 de Março: incêndio, operárias queimadas vivas, greve? Lorota, mentira, invenção
"Era uma vez mulheres operárias, todas trabalho, fé socialista e sindicato; e havia um patrão malvado. Um dia, as operárias entraram em greve e entrincheiraram-se na fábrica. Alguém (o próprio patrão, diz-se) ateou fogo na fábrica e 129 mulheres encontraram a morte atroz. Foi em 8 de Março de 1908, em Nova York.
Dois anos depois, a lendária feminista alemã, Clara Zetkin, propôs, no Congresso Socialista em Copenhague, que o dia 8 de março, em memória das mártires sociais, fosse proclamado "Dia Internacional da Mulher".
Dois anos depois, a lendária feminista alemã, Clara Zetkin, propôs, no Congresso Socialista em Copenhague, que o dia 8 de março, em memória das mártires sociais, fosse proclamado "Dia Internacional da Mulher".
História muito comovente, lida tantas vezes em livros e jornais, tema de discursos, de panfletos de propaganda, slogans de passeatas e manifestações: primeiro, do feminismo; depois em seguida, para tudo o mais. Sim, história comovente. Com apenas um defeito: é falsa.
Pois sim, nenhuma greve épica de operárias nem qualquer incêndio ocorreram no 8 de março de 1908, em Nova York. Lá, em 1911 (quando já o "Dia da Mulher" tinha sido estabelecido), se alguém quer realmente vasculhar os jornais, pegou fogo, acidentalmente, uma fábrica; houve mortos, mas eram de ambos os sexos. Não teve nada a ver com greve ou sindicalismo Nem era o mês de março.
É bastante embaraçoso descobrir agora (da parte de insuspeitas e decepcionadas feministas) que o mítico 08 de março é baseado sobre uma mentira que, aparentemente, foi criada pela imprensa comunista nos tempos da Guerra Fria, inventando-se até mesmo o número exato de mulheres mortas: 129.
Também é extraordinário ver quanto é capaz de plágio logo aquela cultura que se diz tão 'crítica', que olha com indulgência e compaixão (por exemplo) quem acredita seriamente em 'antigas lendas orientais', como o Natal e a Páscoa ou outras celebrações cristãs.
E, por isso, a quem usar de ironia com tuas festas e práticas religiosas (missas, procissões, peregrinações), lembra-lhe quantos creem seriamente no dia 8 de março, sem nunca se preocupar em verificar o quem estava por trás disso."
( Vittorio Messori)
FORCESITALY.ORG
sexta-feira, 6 de março de 2015
Califado: o terror que veio para durar
Ler um livro de Domenico Quirico é como procurar funghi porcini em uma floresta exuberante do Piemonte ou Trentino. O ambiente em volta é esplêndido, pinheiros e madeiras brincam com os raios do sol que atravessam a vegetação rasteira, brotos de plantas e troncos caídos se entrelaçam nas dobras do terreno irregular. Até que, sob o tapete de folhas mortas, desponta o rei dos cogumelos, firme e vistoso, com seu caule e chapéu branco-marrom ou castanho.
Nos livros do correspondente de La Stampa 'i porcini' são julgamentos, definições, conceitos que aparecem de surpresa, ao mesmo tempo em que nas páginas se desenvolve a história dos lugares, dos encontros e dos fatos.
'O Grande Califado' é um percurso através da geografia "sfuggente" dos lugares onde o ressurgimento do Califado foi pré-anunciado, anunciado e, finalmente, realizado nos últimos anos, começando naquele dia, quando, como prisioneiro na Síria do grupo al Qusayr, pela primeira vez o Quirico refém dos jihadistas foi colocado a par do "segredo".
Depois daquele dia, passaram a fazer sentido pessoas e palavras ouvidas na Nigéria, Mali, Argélia, Tunísia, Iraque, Líbia, Somália. Que integram "o coração de trevas de uma nova etapa histórica, um novo emaranhado envenenado do homem e do século que nasce: o totalitarismo islâmico global" («il cuore di tenebra di una nuova fase storica, di un nuovo groviglio avvelenato dell’uomo e del secolo che nasce: il totalitarismo islamico globale», como escreve Domenico Quirico.
Antes que o califado fosse proclamado por Al Baghdadi, várias pessoas, que não estão ligadas umas às outras, nos tinham anunciado que a instituição histórica seria ressuscitada. O que isto significa?
Significa que era um objetivo projetado há muito tempo. A criação do Califado é a razão pela qual tantos estrangeiros passaram a lutar na Síria. Antes do Isis, a Frente Jabhat al Nusra, que é afiliada a Al Qaeda, já declarava que este era seu objetivo; e também aqueles das brigadas Faruk, que são considerados os islamistas moderados, falavam a mesma coisa.
O senhor escreve que os militantes do Califado "são muitas vezes ignorantes e de de visão restrita, homens simples, posteriormente tornados ainda mais primitivos, com instintos aguçados pela força dos acontecimentos." Então, por que estamos com tanto medo?
Porque entre eles há muitos que não são nem primitivos nem tolos. Há jovens licenciados na área da ciência, há um teólogo bem formado, como Baghdadi. O que nos assusta são suas biografias ocas, vazias: a vida começa quando eles vão para a batalha. Seja por lavagem cerebral ou por própria escolha. Eles começam a viver quando se tornam revolucionários profissionais.
O senhor escreve também que "o massacre de pessoas pressupõe, de parte de quem o realiza, um esforço físico e, sobretudo, psicológico, muito forte." Mas nos vídeos eles parecem matar com entusiasmo e sem qualquer tipo de restrição moral.
Porque nós os vemos quando eles já fizeram esse esforço, isto já foi deixado para trás. Chegar a matar é complicado para qualquer um. Há muito trabalho a fazer em si mesmo para ser convencido de que é necessário, que é certo, de que não há alternativas. Você pode matar num ato impulsivo, mas tornar-se assassino consciente é um processo complicado e longo. Ao fim de que matar torna-se fácil e automático.
O que podemos esperar dos muçulmanos 'do bem' nesta guerra contra os muçulmanos fanáticos?
Na minha opinião, muito pouco. Não porque eu não aprecie a sua inclinação para a prática de uma religião não-violenta. Mas simplesmente porque constantemente, na história, maiorias mornas e normais acabam por se deixar arrastar pelas minorias despóticas e ferozes. Por várias razões: medo, interesse ou por comodismo. Os muçulmanos não se opõem, realmente, mas não podemos crucificá-los: fazer uma manifestação contra o Isis é perigosíssimo, não só em Mosul, mas em Tunis. Existem bairros de Tunis onde isto é muito perigoso!
O senhor diz que há um sentido muçulmano de tempo que é diferente do nosso e que isto explica muitas das coisas que estão acontecendo. Qual é este sentido?
É a explicação principal do que está acontecendo. Nós, ocidentais, vivemos no presente e no futuro, e nós temos uma relação do tipo arquivístico com o passado. Em vez disso, para os árabes, o passado é presente, é uma crônica de hoje. Dá-lhes a sensação de um fato contemporâneo. A humilhação pelo colonialismo e pela derrota dos impérios muçulmanos é vivida com a raiva de uma humilhação infligida hoje. É daí que nasce a admiração por aqueles que agora procuram inverter as relações de força, que mostram que o Ocidente não é necessariamente o vencedor.
Al Baghdadi é um produto genuíno ou é um fantoche nas mão dos norte-americanos, como escrevem alguns?
Não é importante. A biografia de Baghdadi pode ser falha, mas ele é apenas um nome emprestado a uma instituição. Os obcecados pelas teorias da conspiração são ridículos: se os americanos fossem tão diabólicos e previssem o futuro, como alguns imaginam, como entender que eles acumulem tantos fracassos e enganos como nos últimos 50 anos, do Vietnã ao Irã, do Afeganistão ao Iraque? Certamente, o Califado não é um projeto americano. Al Qaeda eles pulverizaram eliminando Osama Bin Laden, mas com Baghdadi não funciona assim: podem matá-lo, outra califa irá sucedê-lo.
Na verdade, há um fato que surpreende: o Califado produz vídeos em abundância, propaganda de horror e propaganda de vida idílica sob a sharia integral. Mas de al Baghdadi divulgou-se um vídeo só, e há aqueles que duvidam de que era realmente ele.
Pela razão do que eu disse, é a instituição que atrai e seduz, não o seu representante. O culto à personalidade de al Baghdadi é irrelevante para a promoção do Califado.
O senhor conhece bem a Líbia. Por que também lá o Isis e outros jihadistas têm crescido tão assustadoramente?
Pelo grande achado de reunir em torno de uma idéia central revoltas locais que têm razões locais, mas que se conectam espontaneamente com a sigla central porque dela recebem força nova. É o princípio do Comintern, da revolução mundial que tinha Moscou como centro e se nutria da insurgências locais, manobradas por agentes do Comintern para fazê-las convergir com a estratégia de Moscou. O teórico do Comintern "verde"é Abdullah Azzam, o homem que está na origem da Al Qaeda, e que foi assassinado de repente em 1989. Mas a sua visão foi cumprida.
Sobre os muçulmanos de países europeus que partem para combater pelo Isis, o senhor escreve: "Nós nos iludíamos de que os seduzíamos e, em vez disso, é como se numa manhã eles acordassem e, de repente, de dois mundos possíveis restasse apenas um: o retorno à terra amada ou amaldiçoada". Por que a sedução falhou?
Sim, os dois modelos de integração - o francês e o britânico - estão falidos, mas dizer isso não é suficiente: a falência poderia empurrar os imigrantes muçulmanos para os braços do submundo ou das drogas. Em vez disto, eles partem como voluntários para a jihad. É um facto que tem relação com a opacidade da nossa civilização, com a mudança de todos os valores. De nossa parte, a cada dia, o homem se encontra diante da tarefa cansativa de escolher entre valores que estão todos no mesmo plano. O Islam, na versão sem floreios do salafismo, oferece à geração que cresceu no mundo dos valores intercambiáveis a possibilidade de adentrar pelo caminho de algo simples e preciso: o caminho do bem contra o mal. Simplificação que enaltece e que funciona.
O senhor escreveu também que eles vão usar contra nós os aspirantes a imigrantes, aqueles que agora sobem nos barcos para vir até nós. O Governo italiano nega que os terroristas estejam chegando.
Eu não disse isso. O que eu percebi é que, pela primeira vez, o Islã radical tem em mãos uma massa de centenas de milhares de pessoas cuja condição humana é reduzida ao instinto de sobrevivência, esvaziados de sua identidade. É uma gigantesca massa de potenciais recrutados. E como eu tinha me referido à velocidade com que os jihadistas transformam seres humanos, eu me pergunto se esses milhares de homens esvaziados de seu passado não vão se tornar um perigo.
No final, o Califado conquistará a hegemonia política e cultural sobre as massas muçulmanas ou não?
Talvez lá onde ele está instalado, não; a Mesopotâmia é difícil de dominar militarmente. Mas a realidade do Califado, não naquele lugar, mas em muitos outros lugares do mundo, é um problema que nós teremos de enfrentar por várias décadas. Vamos viver uma era de guerras permanentes relacionadas entre si, onde o tema subjacente será o confronto entre o Islã radical e o Ocidente com seus aliados muçulmanos. Esgotar-se-á a fase sírio-iraquiana e emergirá a fase saheliano-africana, magrebina, líbica, egípcia, e assim por diante. Mas dentro de uma continuidade, porque o projeto totalitário do Califado é um projeto que se move no tempo. É uma tentativa de criar uma administração islâmica, que já existe atualmente: a cada dia que passa é um sucesso para o Califado, porque ele entra na cabeça dos muçulmanos que vivem lá e daqueles que observam de fora.
Em certos momentos, o senhor investe contra islamólogos ao estilo de Gilles Kepel, que anunciavam a secularização iminente do Islã: "Estes "otimistas" (candide) apegados a suas cátedras universitárias, seus simpósios em hotéis cinco estrelas, aos cheques de seus editores: acrobatas do otimismo politicamente correto, que nós pagamos para que eles nos digam o que queremos ouvir."
O seu crime foi que eles inventaram um Islã que não existia, ou que existia muito parcialmente. Queríamos ouvir que no mundo islâmico havia uma grande disposição de dialogar conosco, e estes islamólogos deram um status acadêmico a este nosso desejo. Escolhas políticas erradas foram inspirados por essas leituras acadêmicas.
Em tudo isto, onde está Deus? Um Deus que não peça sacrifício humano como o dos jihadistas? O senhor diz que O tem visto nas ruínas da catedral católica de Mogadíscio.
E em muitos outros lugares onde achamos que não deveria estar. Hoje, não há lugar no mundo onde Deus é tão constantemente invocado por palavras e negado por ações como nos lugares onde se desenrola o drama do Califado. A obsessão por Deus e sua negação. Os jihadistas realmente se sentem santos, quando eles não passam de assassinos. Mas Deus está presente na única coisa que conta para mim: no sofrimento, na dor das vítimas. A presença real de Deus está naquele sofrimento. Deus está presente em toda a superfície da enorme dor que há nesses locais. Lá onde Ele é invocado não existe Deus; mas onde aparentemente está ausente, é onde Deus está. Na vítimas.
http://www.tempi.it/il-califfato-e-un-progetto-totalitario-dove-dio-e-invocato-costantemente-a-parole-e-negato-nelle-azioni#.VPe3q_nF_74
Nos livros do correspondente de La Stampa 'i porcini' são julgamentos, definições, conceitos que aparecem de surpresa, ao mesmo tempo em que nas páginas se desenvolve a história dos lugares, dos encontros e dos fatos.
'O Grande Califado' é um percurso através da geografia "sfuggente" dos lugares onde o ressurgimento do Califado foi pré-anunciado, anunciado e, finalmente, realizado nos últimos anos, começando naquele dia, quando, como prisioneiro na Síria do grupo al Qusayr, pela primeira vez o Quirico refém dos jihadistas foi colocado a par do "segredo".
Depois daquele dia, passaram a fazer sentido pessoas e palavras ouvidas na Nigéria, Mali, Argélia, Tunísia, Iraque, Líbia, Somália. Que integram "o coração de trevas de uma nova etapa histórica, um novo emaranhado envenenado do homem e do século que nasce: o totalitarismo islâmico global" («il cuore di tenebra di una nuova fase storica, di un nuovo groviglio avvelenato dell’uomo e del secolo che nasce: il totalitarismo islamico globale», como escreve Domenico Quirico.
Antes que o califado fosse proclamado por Al Baghdadi, várias pessoas, que não estão ligadas umas às outras, nos tinham anunciado que a instituição histórica seria ressuscitada. O que isto significa?
Significa que era um objetivo projetado há muito tempo. A criação do Califado é a razão pela qual tantos estrangeiros passaram a lutar na Síria. Antes do Isis, a Frente Jabhat al Nusra, que é afiliada a Al Qaeda, já declarava que este era seu objetivo; e também aqueles das brigadas Faruk, que são considerados os islamistas moderados, falavam a mesma coisa.
O senhor escreve que os militantes do Califado "são muitas vezes ignorantes e de de visão restrita, homens simples, posteriormente tornados ainda mais primitivos, com instintos aguçados pela força dos acontecimentos." Então, por que estamos com tanto medo?
Porque entre eles há muitos que não são nem primitivos nem tolos. Há jovens licenciados na área da ciência, há um teólogo bem formado, como Baghdadi. O que nos assusta são suas biografias ocas, vazias: a vida começa quando eles vão para a batalha. Seja por lavagem cerebral ou por própria escolha. Eles começam a viver quando se tornam revolucionários profissionais.
O senhor escreve também que "o massacre de pessoas pressupõe, de parte de quem o realiza, um esforço físico e, sobretudo, psicológico, muito forte." Mas nos vídeos eles parecem matar com entusiasmo e sem qualquer tipo de restrição moral.
Porque nós os vemos quando eles já fizeram esse esforço, isto já foi deixado para trás. Chegar a matar é complicado para qualquer um. Há muito trabalho a fazer em si mesmo para ser convencido de que é necessário, que é certo, de que não há alternativas. Você pode matar num ato impulsivo, mas tornar-se assassino consciente é um processo complicado e longo. Ao fim de que matar torna-se fácil e automático.
O que podemos esperar dos muçulmanos 'do bem' nesta guerra contra os muçulmanos fanáticos?
Na minha opinião, muito pouco. Não porque eu não aprecie a sua inclinação para a prática de uma religião não-violenta. Mas simplesmente porque constantemente, na história, maiorias mornas e normais acabam por se deixar arrastar pelas minorias despóticas e ferozes. Por várias razões: medo, interesse ou por comodismo. Os muçulmanos não se opõem, realmente, mas não podemos crucificá-los: fazer uma manifestação contra o Isis é perigosíssimo, não só em Mosul, mas em Tunis. Existem bairros de Tunis onde isto é muito perigoso!
O senhor diz que há um sentido muçulmano de tempo que é diferente do nosso e que isto explica muitas das coisas que estão acontecendo. Qual é este sentido?
É a explicação principal do que está acontecendo. Nós, ocidentais, vivemos no presente e no futuro, e nós temos uma relação do tipo arquivístico com o passado. Em vez disso, para os árabes, o passado é presente, é uma crônica de hoje. Dá-lhes a sensação de um fato contemporâneo. A humilhação pelo colonialismo e pela derrota dos impérios muçulmanos é vivida com a raiva de uma humilhação infligida hoje. É daí que nasce a admiração por aqueles que agora procuram inverter as relações de força, que mostram que o Ocidente não é necessariamente o vencedor.
Al Baghdadi é um produto genuíno ou é um fantoche nas mão dos norte-americanos, como escrevem alguns?
Não é importante. A biografia de Baghdadi pode ser falha, mas ele é apenas um nome emprestado a uma instituição. Os obcecados pelas teorias da conspiração são ridículos: se os americanos fossem tão diabólicos e previssem o futuro, como alguns imaginam, como entender que eles acumulem tantos fracassos e enganos como nos últimos 50 anos, do Vietnã ao Irã, do Afeganistão ao Iraque? Certamente, o Califado não é um projeto americano. Al Qaeda eles pulverizaram eliminando Osama Bin Laden, mas com Baghdadi não funciona assim: podem matá-lo, outra califa irá sucedê-lo.
Na verdade, há um fato que surpreende: o Califado produz vídeos em abundância, propaganda de horror e propaganda de vida idílica sob a sharia integral. Mas de al Baghdadi divulgou-se um vídeo só, e há aqueles que duvidam de que era realmente ele.
Pela razão do que eu disse, é a instituição que atrai e seduz, não o seu representante. O culto à personalidade de al Baghdadi é irrelevante para a promoção do Califado.
O senhor conhece bem a Líbia. Por que também lá o Isis e outros jihadistas têm crescido tão assustadoramente?
Pelo grande achado de reunir em torno de uma idéia central revoltas locais que têm razões locais, mas que se conectam espontaneamente com a sigla central porque dela recebem força nova. É o princípio do Comintern, da revolução mundial que tinha Moscou como centro e se nutria da insurgências locais, manobradas por agentes do Comintern para fazê-las convergir com a estratégia de Moscou. O teórico do Comintern "verde"é Abdullah Azzam, o homem que está na origem da Al Qaeda, e que foi assassinado de repente em 1989. Mas a sua visão foi cumprida.
Sobre os muçulmanos de países europeus que partem para combater pelo Isis, o senhor escreve: "Nós nos iludíamos de que os seduzíamos e, em vez disso, é como se numa manhã eles acordassem e, de repente, de dois mundos possíveis restasse apenas um: o retorno à terra amada ou amaldiçoada". Por que a sedução falhou?
Sim, os dois modelos de integração - o francês e o britânico - estão falidos, mas dizer isso não é suficiente: a falência poderia empurrar os imigrantes muçulmanos para os braços do submundo ou das drogas. Em vez disto, eles partem como voluntários para a jihad. É um facto que tem relação com a opacidade da nossa civilização, com a mudança de todos os valores. De nossa parte, a cada dia, o homem se encontra diante da tarefa cansativa de escolher entre valores que estão todos no mesmo plano. O Islam, na versão sem floreios do salafismo, oferece à geração que cresceu no mundo dos valores intercambiáveis a possibilidade de adentrar pelo caminho de algo simples e preciso: o caminho do bem contra o mal. Simplificação que enaltece e que funciona.
O senhor escreveu também que eles vão usar contra nós os aspirantes a imigrantes, aqueles que agora sobem nos barcos para vir até nós. O Governo italiano nega que os terroristas estejam chegando.
Eu não disse isso. O que eu percebi é que, pela primeira vez, o Islã radical tem em mãos uma massa de centenas de milhares de pessoas cuja condição humana é reduzida ao instinto de sobrevivência, esvaziados de sua identidade. É uma gigantesca massa de potenciais recrutados. E como eu tinha me referido à velocidade com que os jihadistas transformam seres humanos, eu me pergunto se esses milhares de homens esvaziados de seu passado não vão se tornar um perigo.
No final, o Califado conquistará a hegemonia política e cultural sobre as massas muçulmanas ou não?
Talvez lá onde ele está instalado, não; a Mesopotâmia é difícil de dominar militarmente. Mas a realidade do Califado, não naquele lugar, mas em muitos outros lugares do mundo, é um problema que nós teremos de enfrentar por várias décadas. Vamos viver uma era de guerras permanentes relacionadas entre si, onde o tema subjacente será o confronto entre o Islã radical e o Ocidente com seus aliados muçulmanos. Esgotar-se-á a fase sírio-iraquiana e emergirá a fase saheliano-africana, magrebina, líbica, egípcia, e assim por diante. Mas dentro de uma continuidade, porque o projeto totalitário do Califado é um projeto que se move no tempo. É uma tentativa de criar uma administração islâmica, que já existe atualmente: a cada dia que passa é um sucesso para o Califado, porque ele entra na cabeça dos muçulmanos que vivem lá e daqueles que observam de fora.
Em certos momentos, o senhor investe contra islamólogos ao estilo de Gilles Kepel, que anunciavam a secularização iminente do Islã: "Estes "otimistas" (candide) apegados a suas cátedras universitárias, seus simpósios em hotéis cinco estrelas, aos cheques de seus editores: acrobatas do otimismo politicamente correto, que nós pagamos para que eles nos digam o que queremos ouvir."
O seu crime foi que eles inventaram um Islã que não existia, ou que existia muito parcialmente. Queríamos ouvir que no mundo islâmico havia uma grande disposição de dialogar conosco, e estes islamólogos deram um status acadêmico a este nosso desejo. Escolhas políticas erradas foram inspirados por essas leituras acadêmicas.
Em tudo isto, onde está Deus? Um Deus que não peça sacrifício humano como o dos jihadistas? O senhor diz que O tem visto nas ruínas da catedral católica de Mogadíscio.
E em muitos outros lugares onde achamos que não deveria estar. Hoje, não há lugar no mundo onde Deus é tão constantemente invocado por palavras e negado por ações como nos lugares onde se desenrola o drama do Califado. A obsessão por Deus e sua negação. Os jihadistas realmente se sentem santos, quando eles não passam de assassinos. Mas Deus está presente na única coisa que conta para mim: no sofrimento, na dor das vítimas. A presença real de Deus está naquele sofrimento. Deus está presente em toda a superfície da enorme dor que há nesses locais. Lá onde Ele é invocado não existe Deus; mas onde aparentemente está ausente, é onde Deus está. Na vítimas.
http://www.tempi.it/il-califfato-e-un-progetto-totalitario-dove-dio-e-invocato-costantemente-a-parole-e-negato-nelle-azioni#.VPe3q_nF_74
domingo, 28 de dezembro de 2014
Trotski e o Exercito Vermelho
Trotsky é o pai da 'revolução permanente', idéia que seduz e encanta revolucionários até hoje. Mas 'revolução permanente' é tudo que não se permite, não se faz e não funciona quando a missão é criar um exército, baseado em disciplina, hierarquia e obediência cega. Pois bem: foi Trotsky que criou o Exército Vermelho.
sábado, 27 de dezembro de 2014
Outra teoria?!
Há várias camadas em que podemos ler a realidade. Todos sabemos que Mamon reina no mundo, mas também é modo de dizer, figura de linguagem e metáfora o poder absoluto que atribuímos aos Donos do Mundo. Isto não é bem assim.
A se levar a sério a tese de que o mundo é controlado por um poder judeu-maçônico-bolchevique-globalista-gn óstico-satanista, nós teremos de render nossa homenagem a Olavo de Carvalho e à sua tese sobre a mentalidade revolucionária, o movimento comunista internacional e seus 20 milhões de agentes espalhados pelo mundo.
Para que o esquema acima referido existisse do modo como se diz que existe e controlasse absolutamente todos os fatos - da pedra no rim à derrubada das Torres Gêmeas, da desestabilização da Ucrânia à derrubada do avião de Eduardo Campos, passando pela eleição de Papa Francisco (que é maçom sic! ), à mudança do Guru para a Virginia - , o poder judeu-maçônico-bolchevique-globalista-gn óstico-satanista teria que contar com outros 20 milhões de agentes agindo coordenadamente 24 horas por dia no mundo. Seria Deus!
Eu tenho 61 anos, respeitem meus cabelos brancos. Volto a repetir: mais divertido é reler Il Pendolo de Foucault, escrito por Umberto Eco, e publicado em 1988. No final, a conclusão é que toda teoria que não pode ser compreendida pela massa ignara por sua sofisticação e complexidade acaba se tornando inviável e inacreditável pelo parodoxo de ser simplória.
O facilitário de que tudo se encaixa e de que nada escapa à teoria acaba condenando o todo, ainda que parcelas relevantes da verdade tenham sido expostas e correspondam à realidade.
La vita è tutta un'altra cosa
A se levar a sério a tese de que o mundo é controlado por um poder judeu-maçônico-bolchevique-globalista-gn
Para que o esquema acima referido existisse do modo como se diz que existe e controlasse absolutamente todos os fatos - da pedra no rim à derrubada das Torres Gêmeas, da desestabilização da Ucrânia à derrubada do avião de Eduardo Campos, passando pela eleição de Papa Francisco (que é maçom sic! ), à mudança do Guru para a Virginia - , o poder judeu-maçônico-bolchevique-globalista-gn
Eu tenho 61 anos, respeitem meus cabelos brancos. Volto a repetir: mais divertido é reler Il Pendolo de Foucault, escrito por Umberto Eco, e publicado em 1988. No final, a conclusão é que toda teoria que não pode ser compreendida pela massa ignara por sua sofisticação e complexidade acaba se tornando inviável e inacreditável pelo parodoxo de ser simplória.
O facilitário de que tudo se encaixa e de que nada escapa à teoria acaba condenando o todo, ainda que parcelas relevantes da verdade tenham sido expostas e correspondam à realidade.
La vita è tutta un'altra cosa
domingo, 16 de novembro de 2014
Povo (ds)organizado. Ô, trem bom.
As manifestações são a suprema maravilha. Quem está minimizando a quantidade de gente na rua age de má-fé ou tem algum interesse por trás, ignorância não há de ser.
É povo na rua (des)organizado, indignado, de olho na vigarice, na falcatrua, na roubalheira, na imoralidade, na cara de pau, na delinquência contumaz do quadrilheiro Luis Inácio Lula da Silva. Enquanto o STF julgava o mensalão, o bandido continuava operando e dirigindo os malfeitos criminosos do petrolão, debochando e rindo da cara do brasileiro.
E não adianta chiar e protestar e achar explicação sociológica: foram os cafetões dos miseráveis que garantiram, sim, a vitória de Dilma Rousseff, atráves da chantagem com o Bolsa-Família.
É povo na rua (des)organizado, indignado, de olho na vigarice, na falcatrua, na roubalheira, na imoralidade, na cara de pau, na delinquência contumaz do quadrilheiro Luis Inácio Lula da Silva. Enquanto o STF julgava o mensalão, o bandido continuava operando e dirigindo os malfeitos criminosos do petrolão, debochando e rindo da cara do brasileiro.
E não adianta chiar e protestar e achar explicação sociológica: foram os cafetões dos miseráveis que garantiram, sim, a vitória de Dilma Rousseff, atráves da chantagem com o Bolsa-Família.
domingo, 9 de novembro de 2014
Crianças torturadas? Calma lá.
Epa, que conversa é esta? Nenhuma destas crianças foi torturada. Isto está provado. Não chega a ser consistente nem mesmo a denúncia de que Ernestinho (sic) - embaixo à direita na foto - foi levado ao DOI -CODI onde seus pais, Manuel e Jovelina Nascimento, militantes da VPR, estariam sendo torturados. (Posso analisar e apontar os furos e incoerências, num texto à parte).
Quem tem que dar explicação são os pais e responsáveis por estas crianças, incluindo Dona Tercina, também militante da VPR , mãe de Manuel e avó de todas elas. Conhecida como Tia, Tercina, de 55 anos, era responsável por cozinhar e costurar fardas para o grupo guerrilheiro de Carlos Lamarca, no Vale da Ribeira.
Vários militantes deram depoimentos admitindo que usavam as crianças para despistar o que faziam e quem eles eram na realidade. Ernestinho, por exemplo, foi usado pela própria mãe, Jovelina Tonello Nascimento, para dar fachada de família e passar por um cerco policial quando acompanhava num automóvel o homem mais procurado do Brasil: Carlos Lamarca.
É ela que conta, no final do vídeo*(aos 10 min 45 seg). No carro, além de Lamarca, estava Jovelina, o filho e outros integrantes da VPR. Detalhe: todos os militantes da guerrilha só circulavam fortemente armados. Neste caso, se a polícia reconhecesse e tentasse prender Lamarca e os outros militantes que o acompanhavam, estes abririam fogo. A polícia reagiria e morreriam todos, com certeza.
Outra informação: a avó dos meninos, Tercina, que foi trocada por um embaixador sequestrado e levou as crianças para a Argélia, era militante da VPR e vivia com os filhos no sítio no Vale da Ribeira onde ficava o acampamento de Lamarca. A presença de uma senhora de 55 anos cercada de crianças, seus netos, dava aparência de normalidade ao local.
É assim que comunista protege e ama seus filhos. Quando os órgãos de segurança souberam que Lamarca tinha um campo de treinamento no Vale da Ribeira, foram deslocados para a região cerca de 1800 homens, integrantes de guarnições do Exército, Brigada Aeroterrestre da FAB, soldados da Força Pública, além de cães amestrados.
A ordem era invadir o sítio e prender todos os terroristas. Lamarca percebeu a movimentação, abandonou o sitio e conseguiu escapar do cerco. Foi por pouco. Os militares poderiam ter invadido o campo, com as crianças lá dentro. Como os guerrilheiros sempre atiravam antes de perguntar, o resultado era prevísivel: um morticínio.
*https://www.youtube.com/watch?v=X5EQxNS8VbI
quinta-feira, 30 de outubro de 2014
Aécio não é Maduro
O Brasil não melhorou porque Aécio Neves "quase" ganhou. Mas não piorou. Alguma coisa mudou. Aécio Neves ainda não deve ter entendido o que aconteceu, aqueles 51 milhões de votos não foram só para ele, foi muito mais.
Aécio Neves que trate de virar gente grande, assumir a maturidade e encarar o papel que o Brasil lhe atribuiu nestas eleições. Ele tem tradição e preparo para tanto. Há quem diga que o candidato do PSDB não é paradigma de estadista, e que está enganado quem pensa que Aécio peitou o esquemão, como se não fosse apenas sua outra face.
Pode ser, deve ser, tanta gente diz tanta coisa. Mas o homem muda, é preciso seguir em frente, achar o caminho. Eu tenho filhos, não posso cruzar os braços.
Aécio Neves que trate de virar gente grande, assumir a maturidade e encarar o papel que o Brasil lhe atribuiu nestas eleições. Ele tem tradição e preparo para tanto. Há quem diga que o candidato do PSDB não é paradigma de estadista, e que está enganado quem pensa que Aécio peitou o esquemão, como se não fosse apenas sua outra face.
Pode ser, deve ser, tanta gente diz tanta coisa. Mas o homem muda, é preciso seguir em frente, achar o caminho. Eu tenho filhos, não posso cruzar os braços.
Voto fortalece
Eu queria entender: era preciso votar maciçamente no PT e reeleger Dilma porque um governo fraco teria muito menos margem para reformas profundas ou medidas danosas e entreguistas, lesivas à soberania nacional e aos interesses do povo.
Uai, um candidato com votação esmagadora não sai fortalecido e poderoso de uma eleição? Já imaginou Dona Redonda derrotar Aécio Neves com 80% dos votos? Que força teria uma oposição que tivesse sido esmagada nas urnas por decisão e vontade do eleitor?
Agora que Dilma começa a sentir os efeitos de sua vitória de Pirro, diante dos 51 milhões de votos de quem não quer o PT, e já enfrenta pressão e contestação de todo lado, vem neguinho dizer: 'viu como eu disse que um governo fraco era melhor?". Então, tá.
Uai, um candidato com votação esmagadora não sai fortalecido e poderoso de uma eleição? Já imaginou Dona Redonda derrotar Aécio Neves com 80% dos votos? Que força teria uma oposição que tivesse sido esmagada nas urnas por decisão e vontade do eleitor?
Agora que Dilma começa a sentir os efeitos de sua vitória de Pirro, diante dos 51 milhões de votos de quem não quer o PT, e já enfrenta pressão e contestação de todo lado, vem neguinho dizer: 'viu como eu disse que um governo fraco era melhor?". Então, tá.
terça-feira, 28 de outubro de 2014
São Paulo e o Bolsa-Família
Dizer que São Paulo é o segundo estado do País em número de beneficiários do Bolsa-família é verdade. Só perde para a Bahia Os baianos são 6,5 milhões e em São Paulo são 4,3 milhões.
Mais de dois milhões de pessoas já não é uma diferença assim tão desprezível, convenhamos. A diferença é brutal quando se compara a proporção em relação à população. Na Bahia, 43% da população recebem Bolsa-Família. Em São Paulo, pouco mais de 10% da população.
Não por coincidência, dos cinco Estados que mais recebem Bolsa Família, Bahia, Pernambuco e Ceará garantiram ao PT votação superior à 70% do eleitorado. Minas, em certas regiões acompanhou este patamar.
(Este é o Top Five do Bolsa-Família:
- Bahia, 1,8 milhão;
- São Paulo, 1,2 milhão;
- Pernambuco, 1,1;
- Minas, 1,1;
- Ceará, 1,1)
Vale- tudo?
Eu não sou do PSDB (jornalista não tem partido. Se Aécio fosse eleito, no dia seguinte, eu estaria de olho nele, não existe jornalismo a favor). Mas o resultado desta eleição revela de forma inequívoca muito mais um voto anti-PT do que um voto pró-PSDB ou contra o PSDB.
PT/Lula/Dilma estão no poder há 12 anos, PT/Lula fazem parte da história (nacional) desde 1980. O conhecimento sobre o Partido dos Trabalhadores é inquestionável. Lula é um fenômeno em termos de liderança e carisma, talvez até maior que Getúlio Vargas.
O PSDB é notoriamente um partido (ainda) da região sul, gravita em torno de São Paulo. (Quase) Não tem estrutura partidária montada no Nordeste/Norte do Pais. É precário na região. A penetração é pequena.
Constatar e admitir que há um sentimento contra o PT no País é imperioso e necessário. É só olha com olhos de cientista: milhões de pessoas foram às ruas em 2013, pedindo mudanças? Dilma de novo?! Há algo errado. A campanha que Lula fez é asquerosa. Por que os petistas não falam disto? Ou vale tudo?
PT/Lula/Dilma estão no poder há 12 anos, PT/Lula fazem parte da história (nacional) desde 1980. O conhecimento sobre o Partido dos Trabalhadores é inquestionável. Lula é um fenômeno em termos de liderança e carisma, talvez até maior que Getúlio Vargas.
O PSDB é notoriamente um partido (ainda) da região sul, gravita em torno de São Paulo. (Quase) Não tem estrutura partidária montada no Nordeste/Norte do Pais. É precário na região. A penetração é pequena.
Constatar e admitir que há um sentimento contra o PT no País é imperioso e necessário. É só olha com olhos de cientista: milhões de pessoas foram às ruas em 2013, pedindo mudanças? Dilma de novo?! Há algo errado. A campanha que Lula fez é asquerosa. Por que os petistas não falam disto? Ou vale tudo?
segunda-feira, 27 de outubro de 2014
PT: seu bem, meu mal
O País falou, o PT precisa ouvir. O partido jogou sujo, muito sujo. Melhor admitir. Aécio playboy, por quê? Porque era festeiro e namorava mulher bonita? É defeito de caráter? Usuário de cocaína, bate em mulher? Nenhuma prova, ao contrário, há evidências de que é invenção e boato maldoso.
Político com vida pública de 30 anos, não há suspeita de enriquecimento ilícito (como Dilma, quem a xingou de ladra? ninguém), elegeu-se, reelegeu-se, era um candidato legítimo.
Marta Suplicy (cadê ela?)tem mais de 400 anos de sobrenome, é uma peruona, quatrocentona paulista. Por que ela não poderia ser prefeita de São Paulo, Ministra ou senadora? Só porque é peruona, quatrocentona e da elite paulista? Pode e foi. Aécio não?
Quem o PT acha que engana? Eu me lembro da primeira eleição para governador em 1982. Eu votei em Lula, contra Franco Montoro, que foi eleito. Era o voto contra a milicada, a ditadura. Votei PT para todos os cargos.
Viajei pra a Itália, voltei e fui morar em São José dos Campos, não transferi título e só votei em 89. Primeiro turno, votei Leonel Brizola; no segundo turno, votei contra Collor; dei meu voto, portanto, a Lula.
Nunca mais votei, apesar de ter torcido por FHC na primeira vez em que ele foi eleito. Gostei do primeiro mandato e passei o segundo falando mal dele.
Mas desde esta época, eu já tinha começado a desconfiar do PT, não confiava. Só voltei a votar em 2006, aí, sim, contra o PT. Mensalão já tinha estourado, era a constatação irrecusável de quem eram os cumpanheros.
E agora, Dilma fecha seu primeiro mandato com o Petrolão. O povo sabe e está dizendo que não quer mais. Não tem nada de 'a ódio a PT', 'ódio a pobre' na faculdade, no aeroporto. Isto é vigarice de Lula no palanque. Todo mundo sabe.
Todos que não votávamos no PT sempre torcemos para que o partido fosse de fato diferente, e que 'ética na política' não fosse só um apelo de palanque. Pior que foi.
PS: Antes de sair o resultado da eleição para Presidente da República, eu rezei pedindo a Deus que nos desse o que fosse o melhor para o Brasil. Ele sabe o que faz, sabe tirar o bem do mal.
domingo, 12 de outubro de 2014
Fraga, o bom menino mau
Fernando Collor era um playboy e paraquedista que seduziu o país como 'caçador de marajás'. Eleito em 89, contra Lula, foi impichado menos de dois depois de ser empossado, todo mundo conhece a história. Hoje, é aliado de Dilma Rousseff contra Aécio Neves.
Armínio Fraga, possível futuro Ministro da Fazenda do candidato do PSBD - e que nos faz tremer (justamente), por trabalhar com o megaespeculador, George Soros, em nome de quem pilotou pessoalmente a quebra da Tailândia em 1997 - , é o mesmo homem que modernizou os mecanismos legais para que o Brasil pudesse comprar e vender seus produtos, num tempo em que não se achava nem azeite importado nas prateleiras do supermercado. Ele ocupou um das diretorias do BC, no Governo Collor, a que cuidava de políticas internacionais.
Nos anos 80, voltar do Estados Unidos ou da Europa e fazer compras no Brasil era caminho certo para querer se atirar pela janela, dada a indigência da oferta de produtos no Brasil. Tudo era reserva de mercado. Para comprar um computador, precisava marcar encontro com um contrabandista paraguaio, numa quebrada, à meia-noite, numa rua escura, falando baixo, em código, e olha lá!
Pois é, foi Collor, o cangaceiro playboy, que começou a abrir o Brasil para o mundo e dar ao brasileiro o acesso a produtos importados. Ao mesmo tempo, a indústria brasileira, acostumada com o mercado cativo, teve de se virar e se modernizar para enfrentar a concorrência de fora. Quem não se lembra dos panos de chão que éramos obrigados a comprar para vestir?
A memória é curta e sempre seleciona o que interessa. Mas, gente mais velha sabe que nada é preto no branco, nem tudo pode ser analisado e enquadrado em categorias de 'bom' e 'mau'. Lula ser eleito Presidente da República foi bom, era um (ex) operário, muita gente torceu o nariz mas mostrou que democracia é assim, operário também pode e sabe dirigir o Pais.
Agora, querer enfiar goela abaixo, por duas vezes, a menininha do Sion, Dilma Rousseff, com a conversa mole de que ela é o 'povo' e que ser contra sua candidatura é arrogância das 'zelites', isto é desonestidade, vigarice e picaretagem. Hoje, no Brasil, PT é mensalão e petrolão. O resto, é lorota.
PS: Sion é um tradicional colégio católico onde estuda(va)m as filhas da alta classe média de Belo Horizonte.
Armínio Fraga, possível futuro Ministro da Fazenda do candidato do PSBD - e que nos faz tremer (justamente), por trabalhar com o megaespeculador, George Soros, em nome de quem pilotou pessoalmente a quebra da Tailândia em 1997 - , é o mesmo homem que modernizou os mecanismos legais para que o Brasil pudesse comprar e vender seus produtos, num tempo em que não se achava nem azeite importado nas prateleiras do supermercado. Ele ocupou um das diretorias do BC, no Governo Collor, a que cuidava de políticas internacionais.
Nos anos 80, voltar do Estados Unidos ou da Europa e fazer compras no Brasil era caminho certo para querer se atirar pela janela, dada a indigência da oferta de produtos no Brasil. Tudo era reserva de mercado. Para comprar um computador, precisava marcar encontro com um contrabandista paraguaio, numa quebrada, à meia-noite, numa rua escura, falando baixo, em código, e olha lá!
Pois é, foi Collor, o cangaceiro playboy, que começou a abrir o Brasil para o mundo e dar ao brasileiro o acesso a produtos importados. Ao mesmo tempo, a indústria brasileira, acostumada com o mercado cativo, teve de se virar e se modernizar para enfrentar a concorrência de fora. Quem não se lembra dos panos de chão que éramos obrigados a comprar para vestir?
A memória é curta e sempre seleciona o que interessa. Mas, gente mais velha sabe que nada é preto no branco, nem tudo pode ser analisado e enquadrado em categorias de 'bom' e 'mau'. Lula ser eleito Presidente da República foi bom, era um (ex) operário, muita gente torceu o nariz mas mostrou que democracia é assim, operário também pode e sabe dirigir o Pais.
Agora, querer enfiar goela abaixo, por duas vezes, a menininha do Sion, Dilma Rousseff, com a conversa mole de que ela é o 'povo' e que ser contra sua candidatura é arrogância das 'zelites', isto é desonestidade, vigarice e picaretagem. Hoje, no Brasil, PT é mensalão e petrolão. O resto, é lorota.
PS: Sion é um tradicional colégio católico onde estuda(va)m as filhas da alta classe média de Belo Horizonte.
sábado, 11 de outubro de 2014
Nem virtude nem fundo do poço
Ser encontrado 'alto' numa madrugada, mesmo em ocasião não-oficial, em companhia de amigos, pode não ser o topo da virtude, e nem o poço da degradação. Isto é farisaísmo tosco e hipocrisia nefasta.
Aécio Neves tem uma carreira pública de 30 anos, o Brasil o conheceu ao lado do avô e Presidente da República, Tancredo Neves, num calvário que o país inteiro acompanhou. Fez carreira política, começando de baixo, como deputado federal. Reelegeu-se por quatro vezes, foi presidente da Câmara, eleito governador duas vezes e senador. Não é exatamente um paraquedista. Cadê o seu grande escândalo? Não tem.
Aécio Neves tem uma carreira pública de 30 anos, o Brasil o conheceu ao lado do avô e Presidente da República, Tancredo Neves, num calvário que o país inteiro acompanhou. Fez carreira política, começando de baixo, como deputado federal. Reelegeu-se por quatro vezes, foi presidente da Câmara, eleito governador duas vezes e senador. Não é exatamente um paraquedista. Cadê o seu grande escândalo? Não tem.
Aécio não é sacristão
Não entendeu nada quem acha que estou querendo provar que Aécio Neves é um sacristão. Ele não é. Nem por isto vou engrossar a fila dos santarrões e alminhas puras que torcem seus narizinhos até para o fato de que Aécio Neves só namorou mulher bonita.
Quando penso que Dilma Rousseff indicou Eleonora Menecucci - uma feminista que ensinava a fazer aborto - para a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, eu tenho certeza de Aécio Neves não pode ser a pior opção para o Brasil.
É claro que a conduta pessoal diz muito, mas é preciso ver a vida política de Aécio Neves, contra o que se manifestou, que projetos defendeu ou rejeitou no Congresso, que diretrizes imprimiu à sua administração como governador, quais os escândalos, maracutaias e denúncias de corrupção em que esteve envolvido, por aí.
Que eu saiba, Aécio Neves nunca protagonizou vexames e escândalos morais que enxovalhassem os cargos públicos que ocupou. Eu acompanho sua carreira política (não digo com lupa e telescópio), mas nunca tive minha atenção atraída por um cena ou episódio que manchasse sua reputação política indelevelmente e fosse inadmissível moralmente. Belas mulheres? É defeito?
Basta prestar atenção ao que eu disse. Eu comecei declarando não saber se Aécio usa cocaína ou não (e usar para mim não é virtude). Daí, a ser ''cocainômano' com suspeitas de overdose, isto pode cheirar (sic) à mesma história que aconteceu com Mário Gomes. Sou repórter, vivo de apuração de fatos. Quanto a não ter virtudes 'porque vive no Rio de Janeiro, aquele antro de perdição', o argumento é fraco.
Quando penso que Dilma Rousseff indicou Eleonora Menecucci - uma feminista que ensinava a fazer aborto - para a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, eu tenho certeza de Aécio Neves não pode ser a pior opção para o Brasil.
É claro que a conduta pessoal diz muito, mas é preciso ver a vida política de Aécio Neves, contra o que se manifestou, que projetos defendeu ou rejeitou no Congresso, que diretrizes imprimiu à sua administração como governador, quais os escândalos, maracutaias e denúncias de corrupção em que esteve envolvido, por aí.
Que eu saiba, Aécio Neves nunca protagonizou vexames e escândalos morais que enxovalhassem os cargos públicos que ocupou. Eu acompanho sua carreira política (não digo com lupa e telescópio), mas nunca tive minha atenção atraída por um cena ou episódio que manchasse sua reputação política indelevelmente e fosse inadmissível moralmente. Belas mulheres? É defeito?
Basta prestar atenção ao que eu disse. Eu comecei declarando não saber se Aécio usa cocaína ou não (e usar para mim não é virtude). Daí, a ser ''cocainômano' com suspeitas de overdose, isto pode cheirar (sic) à mesma história que aconteceu com Mário Gomes. Sou repórter, vivo de apuração de fatos. Quanto a não ter virtudes 'porque vive no Rio de Janeiro, aquele antro de perdição', o argumento é fraco.
quinta-feira, 9 de outubro de 2014
Tudo igual
Mais um texto retirado do fundo do baú. Este também foi escrito durante a campanha eleitoral de 2002, quando Lula foi eleito, pela primeira vez, Presidente da República.
O PT e o PSDB são exatamente a mesma coisa. FHC vivia nos palanques ao lado de Lula e só não entrou para o PT, quando ele foi fundado em 80, porque, ambicioso, viu que era melhor entrar no PMDB, que ajudou a fundar, e ficar como suplente de Montoro no Senado. Ele sabia que Montoro deixaria o cargo de senador para concorrer ao governo de São Paulo, em 82. FHC, assim, assumiria seu lugar no Congresso.
Em 88, o grupo de FHC, Covas e Tasso saiu do PMDB e fundou o PSDB por 'motivos éticos', sob alegação que não podia conviver com a 'banda podre' do PMDB liderada por Quércia. Na verdade, a causa pode ser bem outra. É que não cabiam lá as turmas do Quércia e de Mário Covas juntas. Os dois queriam ser presidentes da República. FHC era da turma do Covas naquele tempo; quando morreu, Covas não permitiu que FHC sequer entrasse em seu quarto no hospital. Nesta eleição (de 2002), Lula e Quércia estavam juntos, pedindo votos um para o outro.
Não adianta esconder, mais isto muda mais isto é a mesma coisa. Basta ver que um dos ideólogos do PT é Francisco Weffort, que era orientando de FHC na USP, assim como Guido Mantega, ora, ora. Se o PT não fosse aliado, FHC ia dar o Ministério da Cultura para um dos fundadores/idealizadores do partido? Ora, Weffort não é somente do PT, ele é o PT!
O Partido dos Trabalhadores nunca foi contra o golpe de 64, nunca contestou o modelo econômico implantado pela ditadura. O negócio do PT eram as liberdades democráticas. Assim que elas foram restabelecidas (anistia, fim da censura, habeas corpus, organização de partidos etc etc), o PT deixou de ser do contra. Estes governos 'revolucionários' no Rio Grande do Sul se limitaram a deixar o povo repartir as migalhas que lhe eram destinadas no tal do orçamento participativo, dentro da perspectiva histórica de que "é melhor lamber do que cuspir".
Não é coincidência que o melhor do PT tenha surgido no Rio Grande do Sul, onde a tradição trabalhista era mais forte. É só olhar o PT paulista: Lulas, Martas, Paloccis, Dirceus, Genoinos. É bom lembrar: Lurian, a filha de Lula, viveu em Paris na casa do então casal Luis Favre e Marília Andrade, filha de ninguém menos que o empreiteiro Sérgio Andrade, da Andrade Gutierrez. (Favre depois, virou 'marido' de Marta Suplicy).Uai, só se confia a própria filha a gente muito amiga, não é não?
Quando surgiu em 78, Lula falava como se não tivesse existido movimento trabalhista no Brasil antes dele. Para o PT, Jango, Brizola e Trabalhismo rimavam com peleguismo, não com nacionalismo. Tinha coisa melhor para Golbery que um Lula no lugar de Brizola? Ora!
A teoria da dependência de FHC/Falleto é a mesma de Weffort/PT. Eles tem a mesmíssima visão sobre a relação do Brasil com os países desenvolvidos e hegemônicos do capitalismo mundial. É a teoria da (inter)dependência de Falleto e Cardoso. Serra também defende a mesma teoria que, em resumo, diz que o capitalismo dependente não é uma condição necessária do capitalismo mundial mas sim um fator acidental no desenvolvimento deste.
FHC apontava a interdependência como solução para a crise de acumulação, minimizando ou mesmo apagando as diferenças entre o capitalismo nos países avançados e o capitalismo dependente.
O sociólogo Fernando Henrique Cardoso, nos seus tempos de Cepal e Cebrap (este último, é bom lembrar, foi criado por FHC e era financiado pelos ricos dólares das fundações Ford e Rockfeller), achava que os problemas e contradições no capitalismo brasileiro não tinham outra particularidade senão a de dar-se em um país da periferia, ou seja, uma nação capitalista jovem . ("Os Estados têm dificuldades. Sempre temos alguma dificuldade").
FHC preferia apontar a interdependência como a solução para a crise de acumulação. Ele entendia que numa economia dependente se dá um processo simultâneo de desenvolvimento. ("A despeito disso, pode-se levar adiante o processo integrador").
Para FHC, o capitalismo, à medida que se aproxima de seu modelo puro, se converte em um sistema cada vez menos explorador e consegue reunir as condições para solucionar indefinidamente suas contradições internas. "É um problema de ajuste do sistema mundial, que está sem controle. Estamos longe de ter uma situação ideal, muito longe, mas estamos trabalhando nessa direção" (as frases em negrito são de uma entrevista de Fernando Henrique, à Folha, em agosto deste ano).
O PT e o PSDB são exatamente a mesma coisa. FHC vivia nos palanques ao lado de Lula e só não entrou para o PT, quando ele foi fundado em 80, porque, ambicioso, viu que era melhor entrar no PMDB, que ajudou a fundar, e ficar como suplente de Montoro no Senado. Ele sabia que Montoro deixaria o cargo de senador para concorrer ao governo de São Paulo, em 82. FHC, assim, assumiria seu lugar no Congresso.
Em 88, o grupo de FHC, Covas e Tasso saiu do PMDB e fundou o PSDB por 'motivos éticos', sob alegação que não podia conviver com a 'banda podre' do PMDB liderada por Quércia. Na verdade, a causa pode ser bem outra. É que não cabiam lá as turmas do Quércia e de Mário Covas juntas. Os dois queriam ser presidentes da República. FHC era da turma do Covas naquele tempo; quando morreu, Covas não permitiu que FHC sequer entrasse em seu quarto no hospital. Nesta eleição (de 2002), Lula e Quércia estavam juntos, pedindo votos um para o outro.
Não adianta esconder, mais isto muda mais isto é a mesma coisa. Basta ver que um dos ideólogos do PT é Francisco Weffort, que era orientando de FHC na USP, assim como Guido Mantega, ora, ora. Se o PT não fosse aliado, FHC ia dar o Ministério da Cultura para um dos fundadores/idealizadores do partido? Ora, Weffort não é somente do PT, ele é o PT!
O Partido dos Trabalhadores nunca foi contra o golpe de 64, nunca contestou o modelo econômico implantado pela ditadura. O negócio do PT eram as liberdades democráticas. Assim que elas foram restabelecidas (anistia, fim da censura, habeas corpus, organização de partidos etc etc), o PT deixou de ser do contra. Estes governos 'revolucionários' no Rio Grande do Sul se limitaram a deixar o povo repartir as migalhas que lhe eram destinadas no tal do orçamento participativo, dentro da perspectiva histórica de que "é melhor lamber do que cuspir".
Não é coincidência que o melhor do PT tenha surgido no Rio Grande do Sul, onde a tradição trabalhista era mais forte. É só olhar o PT paulista: Lulas, Martas, Paloccis, Dirceus, Genoinos. É bom lembrar: Lurian, a filha de Lula, viveu em Paris na casa do então casal Luis Favre e Marília Andrade, filha de ninguém menos que o empreiteiro Sérgio Andrade, da Andrade Gutierrez. (Favre depois, virou 'marido' de Marta Suplicy).Uai, só se confia a própria filha a gente muito amiga, não é não?
Quando surgiu em 78, Lula falava como se não tivesse existido movimento trabalhista no Brasil antes dele. Para o PT, Jango, Brizola e Trabalhismo rimavam com peleguismo, não com nacionalismo. Tinha coisa melhor para Golbery que um Lula no lugar de Brizola? Ora!
A teoria da dependência de FHC/Falleto é a mesma de Weffort/PT. Eles tem a mesmíssima visão sobre a relação do Brasil com os países desenvolvidos e hegemônicos do capitalismo mundial. É a teoria da (inter)dependência de Falleto e Cardoso. Serra também defende a mesma teoria que, em resumo, diz que o capitalismo dependente não é uma condição necessária do capitalismo mundial mas sim um fator acidental no desenvolvimento deste.
FHC apontava a interdependência como solução para a crise de acumulação, minimizando ou mesmo apagando as diferenças entre o capitalismo nos países avançados e o capitalismo dependente.
O sociólogo Fernando Henrique Cardoso, nos seus tempos de Cepal e Cebrap (este último, é bom lembrar, foi criado por FHC e era financiado pelos ricos dólares das fundações Ford e Rockfeller), achava que os problemas e contradições no capitalismo brasileiro não tinham outra particularidade senão a de dar-se em um país da periferia, ou seja, uma nação capitalista jovem . ("Os Estados têm dificuldades. Sempre temos alguma dificuldade").
FHC preferia apontar a interdependência como a solução para a crise de acumulação. Ele entendia que numa economia dependente se dá um processo simultâneo de desenvolvimento. ("A despeito disso, pode-se levar adiante o processo integrador").
Para FHC, o capitalismo, à medida que se aproxima de seu modelo puro, se converte em um sistema cada vez menos explorador e consegue reunir as condições para solucionar indefinidamente suas contradições internas. "É um problema de ajuste do sistema mundial, que está sem controle. Estamos longe de ter uma situação ideal, muito longe, mas estamos trabalhando nessa direção" (as frases em negrito são de uma entrevista de Fernando Henrique, à Folha, em agosto deste ano).
Tanto faz
Eu escrevi este texto, a que dei o título de Tanto Faz, em 2002, antes da eleição de Lula à Presidência da República. Parece que nada mudou, basta substituir os nomes.
"Agora que somos penta, podemos falar sem rodeios: estamos fritos. Entre os candidatos à Presidência da República, não tem o menos ruim, o melhorzinho, nada. Não se trata disso. Ciro Gomes diz em entrevista a Carta Capital que um banqueiro nacional mandou-lhe o seguinte recado: "o Ciro pode fazer a demagogia que quiser, mas, eleito, vem aqui se entender conosco senão ele cai". E cai.
Ciro, como todos os outros, faz é demagogia mesmo. Para valer, todos assumiram o compromisso de "honrar" os contratos e "respeitar" o mercado. Ou seja, de qualquer lugar vamos tirar dinheiro para dar para os bancos, donos de nossa dívida interna e externa. Lênin disse: "Os bancos nasceram perfeitos". Ponto final.
Não se trata de escolher o candidato com o melhor discurso. Tanto faz quem promete o emprego ou defende a moralização. O resultado será sempre favorável ao capital. Um candidato que vai gastar entre 30 e 60 milhões de dinheiros ( este é o valor declarado!) tem obrigatoriamente de assumir compromissos com quem o financia ( banqueiros e empresários, empreiteiros e milionários).
Para o capital, financiamento de campanha é um investimento como outro qualquer (na verdade, mais lucrativo; dá 5, recebe 300). Logo, quem se apresenta como candidato já passou por uma seleção e escolha prévias do capital.
Não vale dizer que tem o tal José Maria do PSTU, que sua plataforma é revolucionária e frontalmente contrária ao capitalismo! Primeiro, quem é José Maria? O processo eleitoral na democracia capitalista não é mesmo para ser levado à serio. Imaginem discutirmos as 'propostas de governo' de um tal José Maria que apareceu na televisão durante dois minutos, se tanto! Além disto, com 200 mil para gastar na campanha ele mal vai comprar uns ternos na Ducal.
Que diferença faz se Lula/Ciro/Serra ganhar? Seria bom se fosse só uma questão subjetiva, cuja solução se limitasse à troca de "sujeito". Mas não é. Basta ver o que diz o suiço Jean Ziegler, responsável pelo relatório da ONU sobre a fome e autor do livro " A Suiça lava mais branco":
"Os Estados nacionais estão perdendo força, não são mais sujeitos da história. (Na França), seja qual for o governo, ele obedece à Bolsa, aos movimentos do capital financeiro. Se você não faz a política fiscal que o capital quer, o capital vai embora. As oligarquias mundiais do capital financeiro dominam totalmente as políticas dos Estados nacionais. Se você aumenta os salários (na França), os custos de produção aumentam e as multinacionais partem para a Tailândia, Canadá..."
Todos os candidatos vivem repetindo que defendem a economia de mercado e as regras do jogo capitalista; logo, não há o que discutir. Eles terão de adotar o mesmo receituário de Malan e Fraga. É bom lembrar que os economistas neoliberais têm toda a razão em suas assertivas quanto ao 'caráter desestabilizador' de uma ampliação do crédito, da queda da taxa de juros e outros quetais. Partindo da premissa errada, eles fazem tudo certinho.
O sociólogo marxista alemão Robert Kurz, do Grupo Krisis, indica a saída, ao afirmar: " se a teoria monetária e de crédito neoliberal é essencialmente correta, então o próprio sistema de referência do sistema monetário e de crédito precisa ser criticado como tal ". E diz mais.
"Já não é mais possível uma crítica imanente do neoliberalismo e de seus efeitos bárbaros tal como é ruminada por keynesianos, social-democratas e socialistas de esquerda. Pode-se virar e desvirar a coisa do jeito que se quiser: a limitação objetiva da acumulação de capital não pode ser evitada por truque nenhum. É o que deverão sentir também os economistas de esquerda que rezam pela economia de mercado e atualmente preocupados com as 'chances de um bem sucedido processo de transformação'. Mas não haverá transformação alguma na economia de mercado. O que se requer é uma transformação do conceito de transformação, isto é, uma crítica que supere a modernidade produtora de mercadorias como um todo. É preciso levantar a questão de como se pode, na situação histórica de crise sistêmica, se organizar uma vida social, além das instâncias fetichistas anômimas, cegas, do mercado e da máquina estatal."
"Agora que somos penta, podemos falar sem rodeios: estamos fritos. Entre os candidatos à Presidência da República, não tem o menos ruim, o melhorzinho, nada. Não se trata disso. Ciro Gomes diz em entrevista a Carta Capital que um banqueiro nacional mandou-lhe o seguinte recado: "o Ciro pode fazer a demagogia que quiser, mas, eleito, vem aqui se entender conosco senão ele cai". E cai.
Ciro, como todos os outros, faz é demagogia mesmo. Para valer, todos assumiram o compromisso de "honrar" os contratos e "respeitar" o mercado. Ou seja, de qualquer lugar vamos tirar dinheiro para dar para os bancos, donos de nossa dívida interna e externa. Lênin disse: "Os bancos nasceram perfeitos". Ponto final.
Não se trata de escolher o candidato com o melhor discurso. Tanto faz quem promete o emprego ou defende a moralização. O resultado será sempre favorável ao capital. Um candidato que vai gastar entre 30 e 60 milhões de dinheiros ( este é o valor declarado!) tem obrigatoriamente de assumir compromissos com quem o financia ( banqueiros e empresários, empreiteiros e milionários).
Para o capital, financiamento de campanha é um investimento como outro qualquer (na verdade, mais lucrativo; dá 5, recebe 300). Logo, quem se apresenta como candidato já passou por uma seleção e escolha prévias do capital.
Não vale dizer que tem o tal José Maria do PSTU, que sua plataforma é revolucionária e frontalmente contrária ao capitalismo! Primeiro, quem é José Maria? O processo eleitoral na democracia capitalista não é mesmo para ser levado à serio. Imaginem discutirmos as 'propostas de governo' de um tal José Maria que apareceu na televisão durante dois minutos, se tanto! Além disto, com 200 mil para gastar na campanha ele mal vai comprar uns ternos na Ducal.
Que diferença faz se Lula/Ciro/Serra ganhar? Seria bom se fosse só uma questão subjetiva, cuja solução se limitasse à troca de "sujeito". Mas não é. Basta ver o que diz o suiço Jean Ziegler, responsável pelo relatório da ONU sobre a fome e autor do livro " A Suiça lava mais branco":
"Os Estados nacionais estão perdendo força, não são mais sujeitos da história. (Na França), seja qual for o governo, ele obedece à Bolsa, aos movimentos do capital financeiro. Se você não faz a política fiscal que o capital quer, o capital vai embora. As oligarquias mundiais do capital financeiro dominam totalmente as políticas dos Estados nacionais. Se você aumenta os salários (na França), os custos de produção aumentam e as multinacionais partem para a Tailândia, Canadá..."
Todos os candidatos vivem repetindo que defendem a economia de mercado e as regras do jogo capitalista; logo, não há o que discutir. Eles terão de adotar o mesmo receituário de Malan e Fraga. É bom lembrar que os economistas neoliberais têm toda a razão em suas assertivas quanto ao 'caráter desestabilizador' de uma ampliação do crédito, da queda da taxa de juros e outros quetais. Partindo da premissa errada, eles fazem tudo certinho.
O sociólogo marxista alemão Robert Kurz, do Grupo Krisis, indica a saída, ao afirmar: " se a teoria monetária e de crédito neoliberal é essencialmente correta, então o próprio sistema de referência do sistema monetário e de crédito precisa ser criticado como tal ". E diz mais.
"Já não é mais possível uma crítica imanente do neoliberalismo e de seus efeitos bárbaros tal como é ruminada por keynesianos, social-democratas e socialistas de esquerda. Pode-se virar e desvirar a coisa do jeito que se quiser: a limitação objetiva da acumulação de capital não pode ser evitada por truque nenhum. É o que deverão sentir também os economistas de esquerda que rezam pela economia de mercado e atualmente preocupados com as 'chances de um bem sucedido processo de transformação'. Mas não haverá transformação alguma na economia de mercado. O que se requer é uma transformação do conceito de transformação, isto é, uma crítica que supere a modernidade produtora de mercadorias como um todo. É preciso levantar a questão de como se pode, na situação histórica de crise sistêmica, se organizar uma vida social, além das instâncias fetichistas anômimas, cegas, do mercado e da máquina estatal."
sábado, 20 de setembro de 2014
Caça ao urso e tiro pela culatra
Caçada? Esquece: abate à distância, isto sim. Este faroleiro não se emenda. Olavo de Carvalho criou um teatro de aventuras e valentias em torno de uma fabulosa caçada ao urso e presenteou a platéia com um maçante, covarde e ridículo espetáculo de abate de animal indefeso à distância.
Quando Olavo de Carvalho anunciou que ia caçar ursos pretos ferozes, predadores assassinos perigosos de tamanho descomunal, ele estava contando lorota para enganar idiotas, pois ele sabia o que ia encontrar: ursos novos, pequenos, de pouco peso, e que só se aproximam da área onde estão os caçadores - aboletados em cima de árvores, com arma de mira telescópica, a safo de qualquer perigo - porque são atraídos por comida (iscas).
"Mike with his bear 88 lbs"
Basta olhar as fotos dos ursos abatidos, publicadas no site da Cedar Ridge, onde os valentões Olavo, Silvio Grimaldo e Pedro de Carvalho estavam. O urso da foto, abatido no dia 25 de agosto passado, pesava 40 QUILOS (88 lbs). O urso de Silvio pesava 63 QUILOS (140 pounds), e o do filho Pedro, que Olavo chamou de Big Bear (sic), pesava 127 QUILOS (280 pounds), peso de um homem apenas corpulento.
Sílvio não mentiu quando informou que sua vítima "está dentro da média para a idade e a região". Os 'três patetas" sabiam disto. São uns nojentinhos, este Olavo, filho e amigo.
O valente, corajoso, destemido e muy macho Silvio Grimaldo descreveu assim o monstro que ele abateu do alto de uma cadeirinha, em cima de uma árvore, com uma arma de repetição de mira telescópica, sem correr qualquer risco ou perigo:
"um urso maduro de quase 3 anos e meio. Ele está dentro da média para a idade e a região, 140 pounds. Há ursos maiores, que chegam até 200kg, mas sao mais difíceis de aparecer. O Pedro pegou hoje um realmente grande, mas tem gente que pega bem pequeno, com menos de 100 pounds e até filhotes, o que não é ilegal, apesar de não ser nem um pouco recomendável."
PS 1: eu peso 50 quilos. O urso de Sílvio Grimaldo é mais pesado do que eu, pesa cerca de 60 quilos (140 pounds/libras). O urso de Pedro, que é 'realmente grande', pesa menos de 150 quilos (280 lbs). Como se vê, bichos descomunais, ameaçadores, perigosíssimos.
PS 2: repara que ele evita referir-se ao peso do bicho em 'quilos'. Em 'pounds' (brasileiro nem sabe o que é), o bicho dobra de tamanho. Espertinho.
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