terça-feira, 26 de maio de 2015

Tudo contra o comunismo, nada a favor da fé?

                         Carlos Ramalhete alardeia com quase orgulho que não brigou, não briga, nem brigará com Olavo de Carvalho. E já deixou claro que o 'filósofo' continuará - pequenas discordâncias à parte entre os dois  - a ocupar lugar de destaque no seu altar de admirações. De Olavo de Carvalho, que o despreza e humilha, Ramalhete não se afastará, em que pese os xingamentos aviltantes e ofensivos do Guru de Varginia à hierarquia eclesiástica, o uso de linguajar obsceno para falar a seus alunos e seguidores no Facebook  e à defesa de  instituições anti-cristãs, como a maçonaria, além da insistente e eficiente sugestão de autores perenialistas, como René Guénon e Fritjof Schuon, no COFF (Curso Online de Filosofia Fajuta). 

         Ora, vê, tudo isto porque Olavo de Carvalho combate o comunismo. Em 2001, Ramalhete declarava que OdeC era 'gnóstico de quatro costados', mas defendia - como hoje - que era melhor tolerar a heresia em nome do empenho do 'herege' em lutar contra o comunismo ("O Olavo de Carvalho é, evidentemente, um gnóstico de quatro costados. Nos seus artigos públicos, porém, ele está fazendo um excelente trabalho solitário contra o comunismo").

         Pois é, a famigerada ditadura comunista, que OdeC garantia que já estava instalada e duraria para sempre, mais parece um rato que ruge Cadê? Não tem, ninguém sabe, ninguém viu. Mas no seu lugar, apareceu coisa pior. Hoje, cá pra nós, o perigo, a má influência, a ação deletéria, tem outro nome: Olavo de Carvalho. Que tem que ser combatido. Com todas as forças.
A dir bene, eu não acredito que Olavo de Carvalho tenha mesmo este poder que lhe atribuímos.
Olavo é um zé ninguém. Não tem contato com pessoas poderosas, mora na roça, não viaja. Tolo de quem acha que este toleimão é peça importante para os Donos do Mundo. Ma va. 
 A heresia de Olavo
Enviada em: Segunda-feira, 6 de Agosto de 2001 07:57
Local:
 São Paulo
Mais Comentários sobre o debate
Camila
________
Aproveito, mudando de assunto, para lamentar este debate. O Olavo de Carvalho é, evidentemente, um gnóstico de quatro costados. Nos seus artigos públicos, porém, ele está fazeno um excelente trabalho solitário contra o comunismo. Quando este debate chegou às páginas d'O Globo, ele fez infelizmente com que este trabalho possa ser solapado. Em minhas participações em debates na página dele, limitei-me sempre aos debates políticos. Vejo-o um pouco como vejo um protestante que esteja lutando contra o aborto ou o "casamento gay"; é preciso apoiar esta luta e - por caridade - ajudá-lo sim a sair da heresia, mas buscando fazê-lo de modo a não solapar o bem que faz a despeito de sua heresia.
O Prof. Orlando Fedeli tem toda razão em suas acusações, e evidentemente ganharia este debate com as mãos amarradas nas costas. Não sei, porém, se os frutos desta vitória serão uma conversão do Prof. Olavo de Carvalho ou um seu fechamento maior ainda para a Verdade. Ou, pior ainda, uma diversão de seus torpedos, por ora bem encaminhados contra o comunismo, em direção à ortodoxia católica.
[]s,
seu irmão em Cristo,
Prof. Carlos Ramalhete


http://www.montfort.org.br/old/perguntas/olavo12.html

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Louvar a fala ou lavar a língua?

  • "Olavo de Carvalho é um sujeito bastante virtuoso, muito mais virtuoso que certos pseudo-católicos, que só sabem vociferar chavões em vez de buscar a verdade. Professor Olavo é para nós um caminho extraordinário e eu não cesso de agradecer a Deus por ter encontrado este homem na minha vida" (Padre Paulo Ricardo).
    •        Só se fala assim quando se quer indicar um modelo de pessoa, quando se quer apontar um exemplo de modo de ser. E tem agora quem diz que Padre Paulo Ricardo está falando das idéias políticas e da filosofia de Olavo de Carvalho?! Claro que não (pensando bem, para OdeC, a filosofia é o homem e Olavo mente; logo, a sua filosofia é mentira. CQD).

           Como é posssível e aceitável que um sacerdote do Altíssimo não repreenda publicamente (já que elogia e indica publicamente) um católico que ofende, escracha, xinga e debocha da mais alta hierarquia da Igreja, a começar por Sua Santidade, o Papa, a pretexto de defender a própria instituição de maus pastores?

            Grave igual é o silêncio ensurdecedor de padre Paulo Ricardo em relação à defesa que Olavo de Carvalho faz da maçonaria e a insistência com que louva e indica autores perenialistas, como René Guénon e Fritjof Schuon, aos seus alunos do Curso de filosofia, a maioria deles despreparados para entender e refutar a sedução gnóstica dos dois autores.

Homem, endireita a coluna.


       "Olavette, tira as mãos do chão e endireita a coluna. Olavo de Carvalho, aceita o debate".

        Ali, em meados fevereiro de 2014, eu fiz este comentário depois de acompanhar uma longuíssima 'discussão' entre Hélio Pimentel (um estudante de filosofia da USP,
 que propunha um debate), Olavo de Carvalho e platéia. Deu nojo a submissão quadrúpede da 'fina flor intelectual do país' diante de uma proposta civilizada de debate.

        Esta fala marcou o início de meu rompimento com aquele que eu acreditei por longo tempo ser um professor. Não era, Olavo de Carvalho não passa(va) de um vigarista embusteiro. 


        Quem imaginaria que veríamos, hoje, não (só) olavetes fanatizados e imbecilizados, mas homens respeitados e respeitáveis se curvando, inermes, frouxos, covardes, diante da humilhação que se lhes impõe gente como este Iranlei (nome é destino)?

        Olavo de Carvalho tem razão quando diz que seu projeto pedagógico é vitorioso, Aí está a prova. Iranlei aprendeu com o mestre a desprezar, humilhar, escarnecer de quem Olavo de Carvalho e sua laia acham que socorreram e mesmo salvaram quando "enfermos, desacreditados, necessitados de algum amparo financeiro ou emocional".

        Segundo o homem pequeno Iranlei, "estes 'amigos de ocasião' agiram com infâmia (aquela que' jamais confraterniza com a caridade". Estes 'amigos de ocsião' têm nome e sobrenome, mas Iranlei não se dá ao trabalho de dizer. Nem precisa, todo sabe sabe quem é. 


        Fica aqui o pedido a quem de direito: "Homem, endireita a coluna".

sábado, 23 de maio de 2015

Olavo de Carvalho? Eu já não confiava faz tempo


  • No dia 6 novembro de 2013, eu tive esta conversa pelo chat do Facebook com um admirador e amigo próximo de Olavo de Carvalho. Reveladora.
    PS: eu não quis corrigir nem revisar a conversa. Deixei-a tal como foi.
    Um detalhe: meu interlocutor nunca diminui sua admiração por OdeC e até hoje crava likes e kkkk nos posts mais imundos e xingativos do embusteiro e impostor que se atribui, sem corar,  a condição de católico.

     Mírian Macedo                                                                                06/11/2013   16:35                                                                                           

    Xxxxxx, faz tempo que eu quero falar contigo, mas fiquei receosa de parecer íntima e inconveniente. Mesmo que eu já te conhecesse de leituras antes de sermos 'amigos' (espero sermos de verdade) aqui no Facebook, não posso exigir que tu me consideres alguém de tua confiança. Mas, vamos lá.
    Eu tenho ficado incomodada verdadeiramente com as 'pregações' do professor Olavo contra Papa Francisco e especialmente pela chancela (que ele diz ser 'compasso de espera") destas profecias 'do fim do mundo' ou da 'segunda vinda', como da tal Maria Divine Mercy.
    Que ele as estude, e leve em conta, vá lá, mas divulgar como coisa a que qualquer um, gente sem defesa ou preparo, possa se apegar, venha a acreditar, comece a divulgar? Alto lá, isto não diz respeito a política petista, nem à mente revolucionária, ou a Dugin ou assuntos deste mundo. Estamos falando das coisas de Deus. Quer dizer que podemos sair por aí berrando que Bento XVI é o último Papa? E Francisco, em vez de Vigário de Cristo, é o vigarista de Cristo? Eu já entrei neste site The Warning, eu sei lá o que é aquilo. Eu não gosto muito destes anúncios, podem dizer que Padre Pio levava Garabandal a sério, eu acho estranho (não vou dizer o que é porque eu não sei). É coisa demais, estas profecias - a maioria - me deixam com um pé atrás. Mas o que eu penso não vem ao caso. Estou falando sobre estes 'movimentos' do professor Olavo, que se intensificaram com a eleição de Papa Francisco. Olavo não gosta da Igreja, não é 'palpite'. Eu o acompanho, principalmente no True Out Speak, ele manda padre tomar no *, diz que é para chutar a bunda de sacerdote, diz que os cardeais no Vaticano são escola de samba (Boff diz o mesmo). Para mim, o mais crápula dos sacerdotes age in persona Christi, representa Cristo. Eu respeito qualquer padre. Eu não estou conseguindo confiar mais em Olavo de Carvalho. Leio tudo o que ele escreve com atenção, sei distinguir e reconhecer toda a seriedade e profundidade de seu trabalho, mas ficou uma coisinha incomodando. Tu és a segunda pessoa com quem eu comento isto; falei com Xxxxx Xxxxxxxxx, mas eu sinto que ela não gosta de aprofundar-se, nem se meter nestes assuntos, e tem uma amizade e fidelidade pessoal a Olavo que eu não ousaria arranhar, nem perturbar. Não estou te pedindo para tomar partido, eu precisava falar com quem soubesse do que eu estou falando. Será que Olavo está fazendo certo? Ou eu devo deixar isto prá lá, não prestar atenção, não misturar os assuntos? Ajuda-me, minha confiança (quase) irrestrita em meu professor, a quem eu devo gratidão eterna, está abalada. (Se eu tiver sido inconveniente, te peço sinceras desculpas. Não disse nem vou dizer a ninguém que falei contigo sobre isto. Peço que confies em mim). Deus te abençoe, ainda mais.

  • Xxxxxx Xxxxxx Xxxxxxxx
    Caríssima, nunca me incomodas.
    Bem, o Olavo andou derrapando, mas isso não abala o que nutro por ele. Penso que é possível estar na mesma trincheira e discordar. O Olavo não é teólogo e nem o levo em conta quando o assunto é doutrina da Igreja. E ele mesmo sabe disso. No tema religioso, estou mais com o Carlos Ramalhete, e acho que a influência de um ao outro será produtiva para ambos e para nós.

    Ele é um neoconvertido, e isso tem aquela ânsia de sair chutando a bunda dos hereges sem se importar que, quando sacerdotes, devemos vê-los como Cristo, apesar de seus erros.

    Aliás, o Olavo já deu uma parada nos comentários sobre o Papa. Talvez o Pe. Paulo Ricardo o tenha chamado no apito, e mesmo tenha lido as colaborações do Ramalhete em defesa do Santo Padre.

    Meu temor são os "alunos", que não sabem discernir as coisas, todavia, como ele está "mais calmo", penso que tomou uma atitude prudente, ao menos de suspensão de juízo nesses temas.

    A proximidade dele com o Grimaldo também ajuda.

    O problema de alguns, e não sei o Olavo se enquadra, mas muitos dos seus discípulos sim, é que não são anticomunistas por serem católicos, e sim se tornam católicos por conta de seu anticomunismo. E aí a ordo salutis se embanana toda hehehe

    Gracias pela confiança em te abrires assim.
  • Mírian Macedo
    Mírian Macedo
    Xxxxxx, tu acalmaste a minha alma, estava morrendo de medo de ti. Vou seguir teu conselho, continuar a rezar por Olavo, como sempre fiz, e por mim, para ver se melhora meu discernimento hehe. Deus te pague.

  • Xxxxxx Xxxxxx Xxxxxxxx
    Não se acue, que quem tem medo de mim é marginal hehehehe

  • Mírian Macedo
    Mírian Macedo
    Eu te quero bem. E a esta família bonita.


  • Xxxxxx Xxxxxx Xxxxxxxx
    gracias, minha cara Emoticon smile

terça-feira, 19 de maio de 2015

Ladrando a injúria

       Eu sempre acabo me surpreendendo com a repercusssão que ganham alguns textos que escrevo. Com este - Os "amigos" católicos de Olavo de Carvalho*- não foi diferente.

       Primeiro, não achei que Carlos Ramalhete fosse responder, e com 
um texto tão longo**. Segundo, não podia imaginar que ele fosse declarar tanta admiração e respeito reverente a um escroque fanfarrão que se dedica a atacar a Igreja e sua hierarquia com refinada virulência profanadora e nenhuma caridade. Falo particularmente deste aspecto porque Ramalhete é uma referência respeitada entre católicos, é um professor de doutrina católica, dá cursos, tem voz.

       Terceira surpresa diz respeito ao desprezo com que Olavo de Carvalho tratou aquele que tantas loas lhe teceu (é verdade que Ramalhete, que não é trouxa, criticou com diplomática severidade a filosofia e as 'prendas jurídicas' em direito canônico de OdeC hehe). 


       Olavo sentiu (e reagiu) a estocada, tanto é que ladrou lá do seu Facebook, sem citar nomes: "Já cheguei a uma conclusão: Todo sujeito que sai por aí usando a "Sã Doutrina" como porrete é um canalha, um usurpador, sanguessuga da autoridade da Igreja. Preciso citar nomes? Um deles afirma até que já fui protestante, o que é absolutamente falso". 

       Não, não é falso. Carlos Ramalhete confirma isto no texto da 'treta maligna' (eu,hem?) porque ouviu a confissão da boca do próprio Olavo de que ele era protestante. 

       E por último, surpreso deve ter ficado o próprio Carlos Ramalhete, que foi ofendido, achincalhado e desrespeitado de uma forma inacreditável pela horda de olavetes ensandecidos que, a modo de defender o Guru de Varginia, não pouparam epítetos e chacotas àquele que fez vista grossa às demências de Olavo.

*
http://blogdemirianmacedo.blogspot.com.br/2015/05/os-amigos-catolicos-de-olavo-de-carvalho.html

**https://www.facebook.com/carlosramalhete.brasil/posts/10152995505357239?pnref=story

Este post de Carlos Ramalhete também faz parte:
https://www.facebook.com/carlosramalhete.brasil/posts/10152997353267239?pnref=story

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Os 'amigos' católicos de Olavo de Carvalho

       Pois é, são tantos os católicos que precisam se explicar: Sidney Silveira e seu irmão, o historiador Ricardo da Costa; Rafael Vitola Brodbeck, Hermes Rodrigues Nery, Padre Paulo Ricardo ... é longa a lista de católicos (incluindo sacerdotes!) que se calam diante das investidas diabólicas do santarrão da Virginia à Igreja; e ela não pára de crescer.
       Olavo de Carvalho vai, assim, pouco a pouco, seduzindo e fisgando estes católicos submissos e servis. No fim, estes "homens da Igreja" acabam levando uma multidão de desavisados e pessoas de pouca formação ou ingênuos a seguir e acreditar no que OdeC diz sobre religião. O Guru de Varginia vai infiltrando, a cada dia que passa, seu caldeirão de idéias gnósticas, perenialistas, maçônicas e islâmicas na Igreja Católica. With a biglitlle help from his friends. 

       Até quando estes "amigos" de Olavo de Carvalho continuarão a se apresentar como católicos defensores da sã doutrina, fiéis ao Papa e dispostos a morrer pela Santa Madre Igreja? O que será que esta gente vai dizer em sua defesa quando estiver à frente de Nosso Senhor Jesus Cristo no Juízo Final?
       Outro que parece fazer vista grossa aos desvairados ataques intencionais e calculados de Olavo de Carvalho à Santa Madre Igreja e aos seus ministros é Carlos Ramalhete, que limitou-se a uma resposta burocrática, quando lhe perguntaram o que achava da posição de OdeC sobre a CNBB (no episódio Dom Odilo Scherer, por supuesto): "Não a conheço o suficiente para pensar algo a respeito". 

      Não a conhece? Como assim? Carlos Ramalhete é da lista de amigos de Olavo de Carvalho no Facebook e chegou mesmo a sugerir recentemente a Silvio Grimaldo, assessor e homem de absoluta confiança de Olavo, a possibilidade de traduzir um livro para a editora que o fiel escudeiro de Olavo dirige. Só se pede este tipo de coisa a um amigo.

       Na página de Ramalhete, pululam compartilhamento e comentários de olavetes de primeira linha, como Alex Brum, Taiguara Fernandes de Souza, Yuri Vieira, Meri Angelica Harakava, Luis Pereira, Carla Farinazzzi e outros tipos similares, fregueses contumazes de likes a qualquer vômito pornográfico do Guru.

sábado, 16 de maio de 2015

A loura de TVeja e o Guru de Varginia

       Joice Hasselmann é isto: fraquinha. A loura de TVeja amarelou e acabou fazendo jornalismo a favor na entrevista com Olavo de Carvalho. Quarenta e cinco minutos de conversa entre amigos, admiradores mútuos, papinho chapa-branca, jogo combinado, lero-lero e confete. (Joice prometeu matricular-se no COF, imagina). Jornalismo que é bom, nada.

      Epa, eu sou repórter. Cadê as perguntas sobre o bate-boca com o historiador Marco Antonio Villa quanto à natureza (comunista) do PT e a
o enquadramento por Villa da ação de Olavo como fascismo de extremíssima direita?

       E as perguntas sobre as ofensas graves e os palavrões imundos dirigidos ao cardeal Dom Odilo Scherer, a quem Olavo de Carvalho excomungou por causa do apoio da CNBB à reforma política? Onde ficaram as questões que não interessavam a Olavo de Carvalho? A sua linguagem de esgoto, de sarjeta e chiqueiro no Facebook virou falta de "papas na língua", é? Faz parte da estratégia do 'filósofo e escritor' para restaurar a alta cultura no país? 


       E a loura ficou caladinha quando o 'jornalista' Olavo de Carvalho debochou da imprensa ('no Brasil só tem amador, o pessoal se deixa guiar pela mídia'), fazendo crer que as informações que ela veicula não são sérias nem confiáveis? Ô, Joice, e Veja é o quê? 

       Pois é, Dona Moça Loura ficou só levantando a bola para o 'filósofo e professor'. E aquele kkkkkkk, era para combinar com a verve 'bem-humorada' do fanfarrão? E as patacoadas de OdeC? Quer dizer que agora o movimento comunista 'mundial' (sic) tem centro de comando e hierarquia? Mas não era descentralizado e pulverizado, funcionando a modo das células terroristas, com autonomia de ação, obedecendo ao um tipo de zeitgeist que é a mentalidade revolucionária? 

     E a ditadura do PT? Não estava tudo dominado? Agora, é 'ditadura branca'? Afinal, o PT acabou ou não acabou? Quer dizer que o PT quer, sim, implantar a economia estatal, só que "não a título imediato"?

      Joice Hasselmann, o que fizeste foi vergonhoso. Isto é anti-jornalismo, isto sim.
       PS 1: Sem citar meu nome, Olavo de Carvalho indica na entrevista que fui eu que lhe dei o epíteto de Guru de Varginha. Não foi, foi Soraia Malafaia Gomes. Eu, aproveitando a deixa, passei a chamá-lo de Guru da Virginia. Querendo ser engraçado, ele diz que a 'mulher que o odeia' (ô, coitado) tenta pronunciar Virginia e sai Varginha. Pensando bem, ele tem cara é de Guru de Varginia, como (sem querer querendo), Joice Hasselmann o nominou. E também, sem querer querendo, ele acabou fazendo-me um elogio. Olavo disse que eu sei tudo sobre a sua vida. É verdade: sou repórter.
       PS 2: 
falta de paciência para fazer um pente-fino de todas as 'contradições' e embromations de Olavo na entrevista. Alguém ajuda aí?

terça-feira, 21 de abril de 2015

Brasília, a outra

      Eu conheci Brasilia em 1960, quando não tinha sequer completado sete anos; fui morar lá no final de 64 e saí, para vir para São Paulo, em 1981. Eu não tenho 'impressão' sobre a vida lá, eu tenho uma vida lá. Descobertas, encantamentos, vivências de menina, adolescente e adulto, tudo muito intenso. 

      Eu não sei falar de Brasília como o 'outro', eu me confundo com a cidade. Eu cresci com ela. Hoje, eu não a reconheço muito, mas ela será sempre um lugar para onde tenho vontade voltar, e quando volto, reencontro-me. Aquele horizonte, o mais belo nascer e por-do-sol do planeta, o céu mais desafiante e majestoso que pode existir são parte de mim. E eu gosto.

Brasília: feio não é bonito

       Brasília era linda, só não podia envelhecer. Na década de 70, na flor de seus vinte anos, a cidade transpirava frescor: a tinta nova dos prédios e casas, o gramado estendendo-se como tapetes bem cuidados por quilômetros na cidade, as superquadras floridas e arborizadas, sem guaritas nem portarias, os (poucos) carros, o trânsito ameno, a imensidão da Esplanada, os edificíos e palácios que pareciam flutuar, tudo isto fazendo contraste com o mais belo céu e por-do-sol do planeta.

       Brasília foi construída na linha reta do horizonte, nada limitava nosso olhos. Cidade sem gente? Caminhos só por passagens subterrâneas?! Que bobagem. A idéia de prédios de seis andares, sobre pilotis, era para preservar a visão do céu e das estrelas e permitir que todo mundo - qualquer cidadão - andasse por dentro das quadras, sem necessidade de se desviar. Não havia cerca, muro, nada. Os prédios não tinham sequer porteiro. O acesso aos apartamentos era feito por uma porta de vidro e um hall de elevador. 

       Em Brasília, costumávamos andar pelos gramados do Plano-Piloto à noite, à luz da lua, sem perigo, sem sobressalto. Brasília era a única cidade onde não era proibido pisar na grama. Quem tinha nascido lá, ou viera muito jovem para Brasília, não se acostumava com as outras cidades, tão convencionais e velhas.

       Vivi em Brasília de 64 a 80, dos 11 aos 27 anos. Minha juventude. Como toda (c)idade, tinha suas dores e alegrias. Hoje, mais de 30 anos depois que eu saí de lá, não reconheço mais Brasília. Brasília pretendia ser uma coisa e, então, deu tudo errado e ela se transformou em algo inominável. Vendo no que a cidade se transformou, comentei no álbum de fotografias de Brasília, feitas por Clara Favilla, uma querida amiga que ainda mora lá. *(As fotos estão no link abaixo no Facebook):

       "Ao assistir ao documentário 'Why beauty matters'**, produzido pela BBC e apresentado pelo filósofo Roger Scruton, lembrei-me imediatamente de Brasília e sua arquitetura. Não resisti: a cidade parece destinada à implosão. Vendo tuas fotos sobre estas quadras brazilienses, constato um fato inescapável: " Nosso mundo virou as costas para a beleza. Não somente a arte fez um culto à feiúra, como a arquitetura tornou-se sem alma e estéril. Não foi somente nosso entorno que tornou-se feio. Nossa linguagem, música e maneiras se tornaram mais rudes, ofensivas, como se a beleza e o bom-gosto não tivessem lugar em nossas vidas." Roger Scruton diz tudo.

* https://www.facebook.com/clara.favilla.1/media_set?set=a.3169321949424.2156038.1156733543&type=3

** https://vimeo.com/55784152

Brasilianas -1

       
       Eu acho a Catedral de Brasília uma construção de rara beleza. Tenho uma relação afetiva com o lugar. Eu a visitei inúmeras vezes. JK foi velado lá. 

       Não é só o projeto em si de Oscar Niemeyer  Nenhuma obra arquitetônica é só o trabalho de engenheiros e pedreiros. Quando ela fica pronta, a construção vira 'o conjunto da obra'. Não há como desvincular os edifícios e construções projetadas por Oscar em Brasília dos nomes de Bruno Giorgio, Athos Bulcão, Ceschiatti, e tantos outros. 

      A Catedral é exemplo. Experimenta entrar nela e deparar-se com os anjos de Ceschiatti suspensos naquela luz azulada dos vitrais de Marianne Perreti, o imenso e solene Cristo Crucificado, os painéis de Athos Bulcão, a Via-Sacra de Di Cavalcante, a Pietá de Michelângelo. É beleza. 

Laudas por fraldas

       Eu percebo uma frustração aparente (e um júbilo misturado à inveja, no íntimo) quando conto que jamais, nem por um segundo, eu arrependi-me de ter trocado definitivamente as laudas pelas fraldas (sou jornalista) para cuidar de minha família, desde que meu primeiro filho nasceu, em 1984. 

       Algumas pessoas chegam a insistir para ver se, ao final, eu capitulo e acabe por confessar que, sim, às vezes, eu sinto que fiz uma troca infeliz e que ter deixado de lado aquela profisssão apaixonante, cheia de egotrip é, no fundo, no fundo, uma perda irreparável. Mas meu caso não é de ver pra crer, 'tá na cara.

sábado, 28 de março de 2015

Perolas sobre Aécio Neves

           Eu também não acredito em pesquisas, pura e simplesmente por serem pesquisas. Mas Aécio Neves foi eleito e reeleito governador no primeiro turno,sendo que a sua reeleição foi garantida por 73% dos votos. Anastasia era seu vice e foi tb eleito no primeiro turno. E nesta eleição Anastasia foi eleito senador. 

           Eu estou apenas apontando para o fato de que as pessoas tem um mínimo de discernimento para não confundir suas vidas com as propagandas da televisão. E mesmo nesta eleição os institutos de pesquisa, que influenciam, sim, jogaram lá embaixo os percentuais de intenção de voto de Pimenta da Veiga. As pesquisas mais otimistas lhe davam 31%, contra 61% para Pimentel. Ele teve 42% e Pimentel 53%.

Lucas (Arc)Anjo?

 Não é suspeito que este policial, Lucas Gomes Arcanjo, (sic) que faz estas acusações toscas, apareça em seu Facebook coberto da cabeça aos pés com adesivos de Dilma 13, apresentando-se como candidato a deputado? Não é engraçado que a atriz Tássia Camargo, que é petista, que não confia em Joaquim Barbosa e acha que o mensalão foi julgamento político, seja a pessoa a ligar 'espontaneamente' para a casa deste policial para saber detalhes da denúncia escabrosa que ele tem a fazer? C'mon. 

Este Lucas fala para quem não se dá ao trabalho de pesquisar ou não estranha o que ele diz. Este falastrão denuncia um 'homicídio' - uma execução com tiro na nuca" dentro de propriedade de Aécio Neves. E o documento que ele apresenta (mas ninguem lê) fala em 'ossada humana" encontrada 'proximo à Fazenda da Mata", que não é de Aécio Neves, é uma fazenda que era de seu tataravô, herança de família. 

Ossada não é corpo, e eu pergunto: onde está o laudo comprovando a sua tese de 'tiro na nuca'? Não tem. De uma ossada, ele chuta que foi homicídio, uma execução, um acerto de contas entre traficantes, e conclui dizendo que Aécio Neves é traficante (sic). 

Este primo de Aécio envolvido com o Detran e com a venda de habeas corpus para traficantes, já esteve preso, está sendo processado com o desembargador por formação de quadrilha, corrupção etc. Se Aécio Neves é o cara que corrompe todo mundo e manda no Legislativo, Executivo e Judiciário, por que e como estes processos estão correndo na Justiça? Gente poderosa manda parar os processos, eles não prosperam. 

E mais: este Tancredo Tolentino não é a pessoa que tem a chave do aeroporto. Foi a Folha que noticiou: a pessoa é seu irmão Fernando, o outro filho do tio-avô de Aécio, Múcio Tolentino, dono das terras que foram desapropriadas para a construção do aeroporto. (Parece que é necessário passar por suas terras para chegar ao aeroporto.) 

Aécio Neves pode até ser nosso Pablo Escobar, mas melhor procurar coisa melhorzinha para fazer a denúncia. Esta não. Poderia ficar aqui muito tempo apontando as deficiências, incoerências e lorotas do rapaz. E olha que eu só dei uma espiada rápida no assunto



Eu não sei detalhes, mas Lucas Gomes Arcanjo, o acusador, não parece ser flor que se cheire. Olha aqui:


WWW4.TJMG.JUS.BR

http://www.cartacapital.com.br/revista/810/oleo-na-pista-3933.html

http://www.mingote.com.br/historia.html#8756336683873087

http://www1.folha.uol.com.br/poder/2014/07/1488587-governo-de-minas-fez-aeroporto-em-terreno-de-tio-de-aecio.shtml

Maçom

     Eu sou analfabeta em maçonaria. Já li os documentos da Igreja que a proíbem e condenam, leio o que encontro sobre o assunto, mas estou longe de ser intenditore. 

     Não subestimo o seu poder, ao mesmo tempo que sou crítica desta visão que vê o dedo da maçonaria e da escrita simbólica maçônica em tudo: de reunião de condomínio até rótulo de xampu. Todo mundo é maçom. Papa e cardeal, então, às dúzias. 

    Afinal, todo mundo no mundo é maçom? Lula é maçom, Aécio é maçom, Papa Francisco é maçom? Ma va.

domingo, 22 de março de 2015

Essa aí sou eu?

         O impeachment não é minha bandeira, ainda que o veja no horizonte de possibilidades futuras. A renúncia é unilateral; mas eu acho possível (e até provável), se a credibilidade e (des)governabilidade de Dilma continuar nesta toada ladeira abaixo. Intervenção militar também é prevista na Constituição (ninguém está aqui defendendo ditadura), mas é para caso de iminência de guerra civil, grave perturbação da ordem, caos total. Tirando algumas ações do MST (declaradamente para ameaçar a ordem pública e gerar terror), não há situação no País que pudesse justificar interferência das Forças Armadas. Fiquem lá onde estão, nos quartéis. 

            As manifestações demonstram, acima de tudo, uma canseira com a falta de vergonha, a corrupção desmedida, o cinismo de Dilma fazer o que ela acusava Aécio Neves de fazer, caso eleito, a falta de humildade de ver o que o povo está gritando.

       Esta conversa de que quem foi para as ruas é branquinho burguês corrupto com conta na Suíça que não gosta de pobre e que quem bateu panela mora nos Jardins e Morumbi, eu pergunto: essa aí sou eu?


        Já sei: quem apoiou a manifestação do dia 13 são todos amantes dos pobres, revolucionários de alma nobre, altruístas incorruptíveis que dariam a sua casa para o Movimento dos Sem-Teto e seus terrenos e sítios - se tivessem um- para o MST ocupar.

sábado, 21 de março de 2015

FHC não viu?

        Eu queria entender: o PT, em 12 anos, não conseguiu detectar qualquer falcatrua na Petrobrás. Dilma dirigiu o Conselho Administrativo da empresa, de 2003 a 2010 (como Ministra das Minas e Energia e Chefe da Casa Civil), e não viu nada de estranho cheirando à corrupção. Sérgio Gabrielli foi diretor financeiro e de Relações com Investidores da Petrobras de 2003 a 2005 e presidiu a empresa de 2005 a 2012. Nestes dez anos, também disse que não viu nada. 

      E FHC é que devia saber dos malfeitos na empresa, numa época em que todo mundo sabe que (claro que tinha corrupção) a coisa era ainda de menor vulto e valor? E por que Lula não mandou investigar estes 'pequenos malfeitos', quando assumiu o governo em 2003, já que eles deviam saltar aos olhos a ponto de FHC saber (e nada fazer?)

quinta-feira, 12 de março de 2015

Chama o glorioso EB

       O MST não tem a antipatia apenas dos 'poderosos senhores do agronegócio ou ministros do STF a serviço da classe dominante'. Pergunte a um lavrador, homem rude da roça, o que ele pensa destes desocupados e arruaceiros sustentados com o dinheiro do povo. Ou a um homem da cidade que ganha seu dinheiro suado e trabalho honesto. 

      A ousadia destes bandidos foi alimentada muito antes dos rapa-pés de Lula e Dilma ao MST. FHC, que encheu as burras do MST de dinheiro, devia ter tratado
 como devia - ou seja, como bandidos - aquela corja que invadiu o seu (modesto) sítio, abriu a geladeira e pôs os pés em cima da mesa, quando ele era Presidente da República.

      Não (re)agiu, o monstro cresceu. Agora, acabou a aura de santificação e o nosso medo de apontar o dedo para estes arruaceiros e usar o adjetivo certo para o movimento: criminoso. É 'éxercito'? OK, chama o glorioso EB. Restabelecimento da ordem. Todo mundo vai aplaudir.

domingo, 8 de março de 2015

8 de Março: incêndio, operárias queimadas vivas, greve? Lorota, mentira, invenção

        "Era uma vez mulheres operárias, todas trabalho, fé socialista e sindicato; e havia um patrão malvado. Um dia, as operárias entraram em greve e entrincheiraram-se na fábrica. Alguém (o próprio patrão, diz-se) ateou fogo na fábrica e 129 mulheres encontraram a morte atroz. Foi em 8 de Março de 1908, em Nova York.

     Dois anos depois, a lendária feminista alemã, Clara Zetkin, propôs, no Congresso S
ocialista em Copenhague, que o dia 8 de março, em memória das mártires sociais, fosse proclamado "Dia Internacional da Mulher".

     História muito comovente, lida tantas vezes em livros e jornais, tema de discursos, de panfletos de propaganda, slogans de passeatas e manifestações: primeiro, do feminismo; depois em seguida, para tudo o mais. Sim, história comovente. Com apenas um defeito: é falsa.

     Pois sim, nenhuma greve épica de operárias nem qualquer incêndio ocorreram no 8 de março de 1908, em Nova York. Lá, em 1911 (quando já o "Dia da Mulher" tinha sido estabelecido), se alguém quer realmente vasculhar os jornais, pegou fogo, acidentalmente, uma fábrica; houve mortos, mas eram de ambos os sexos. Não teve nada a ver com greve ou sindicalismo Nem era o mês de março.

      É bastante embaraçoso descobrir agora (da parte de insuspeitas e decepcionadas feministas) que o mítico 08 de março é baseado sobre uma mentira que, aparentemente, foi criada pela imprensa comunista nos tempos da Guerra Fria, inventando-se até mesmo o número exato de mulheres mortas: 129.
      Também é extraordinário ver quanto é capaz de plágio logo aquela cultura que se diz tão 'crítica', que olha com indulgência e compaixão (por exemplo) quem acredita seriamente em 'antigas lendas orientais', como o Natal e a Páscoa ou outras celebrações cristãs.

     E, por isso, a quem usar de ironia com tuas festas e práticas religiosas (missas, procissões, peregrinações), lembra-lhe quantos creem seriamente no dia 8 de março, sem nunca se preocupar em verificar o quem estava por trás disso."
Vittorio Messori)

sexta-feira, 6 de março de 2015

Califado: o terror que veio para durar

              Ler um livro de Domenico Quirico é como procurar funghi porcini em uma floresta exuberante do Piemonte ou Trentino. O ambiente em volta é esplêndido, pinheiros e madeiras brincam com os raios do sol que atravessam a vegetação rasteira, brotos de plantas e troncos caídos se entrelaçam nas dobras do terreno irregular. Até que, sob o tapete de folhas mortas, desponta  o rei dos cogumelos, firme e vistoso, com seu caule e chapéu branco-marrom ou castanho.

             Nos livros do correspondente de La Stampa  'i porcini' são julgamentos, definições, conceitos que aparecem de surpresa, ao mesmo tempo em que nas páginas se desenvolve a história dos lugares, dos encontros e dos fatos.


             'O  Grande Califado' é um percurso através da geografia "sfuggente" dos lugares onde o ressurgimento do Califado foi pré-anunciado, anunciado e, finalmente, realizado nos últimos anos, começando naquele dia, quando, como prisioneiro na Síria do grupo al Qusayr, pela primeira vez o Quirico refém dos  jihadistas foi colocado a par do "segredo".

             Depois daquele dia, passaram a fazer sentido pessoas e palavras ouvidas na Nigéria, Mali, Argélia, Tunísia, Iraque, Líbia, Somália. Que integram "o coração de trevas de uma nova etapa histórica, um novo emaranhado envenenado do homem e do século que nasce: o totalitarismo islâmico global" («il cuore di tenebra di una nuova fase storica, di un nuovo groviglio avvelenato dell’uomo e del secolo che nasce: il totalitarismo islamico globale», como escreve Domenico Quirico.

             Antes que o califado fosse proclamado por Al Baghdadi, várias pessoas, que não estão ligadas umas às outras, nos tinham anunciado que a instituição histórica seria ressuscitada. O que isto significa?


              Significa que era um objetivo projetado há muito tempo.  A criação do Califado é a razão pela qual tantos estrangeiros passaram a lutar na Síria. Antes do Isis, a Frente Jabhat al Nusra, que é afiliada a Al Qaeda, já declarava que este era seu objetivo; e também aqueles das brigadas Faruk, que são considerados os islamistas moderados, falavam a mesma coisa.

              O senhor escreve que os militantes do Califado "são muitas vezes ignorantes e de de visão restrita, homens simples, posteriormente tornados ainda mais primitivos, com instintos aguçados pela força dos acontecimentos." Então, por que estamos com tanto medo?


              Porque entre eles há muitos que não são nem primitivos nem tolos. Há jovens licenciados na área da ciência, há um teólogo bem formado, como Baghdadi. O que nos assusta são suas biografias ocas, vazias: a vida começa quando eles vão para a batalha. Seja por lavagem cerebral ou por própria escolha. Eles começam a viver quando se tornam revolucionários profissionais.

             O senhor escreve também que "o massacre de pessoas pressupõe, de parte de quem o realiza, um esforço físico e, sobretudo, psicológico, muito forte." Mas nos vídeos eles parecem matar com entusiasmo e sem qualquer tipo de restrição moral.

             Porque nós os vemos quando eles já fizeram esse esforço, isto já foi deixado para trás. Chegar a matar é complicado para qualquer um. Há muito trabalho a fazer em si mesmo para ser convencido de que é necessário, que é certo, de que não há alternativas. Você pode matar num ato impulsivo, mas tornar-se assassino consciente é um processo complicado e longo. Ao fim de que matar torna-se fácil e automático.

            O que podemos esperar dos muçulmanos 'do bem' nesta guerra contra os muçulmanos fanáticos?

            Na minha opinião, muito pouco. Não porque eu não aprecie a sua inclinação para a prática de uma religião não-violenta. Mas simplesmente porque constantemente, na história,  maiorias mornas e normais acabam por se deixar arrastar pelas minorias despóticas e ferozes. Por várias razões: medo, interesse  ou por comodismo. Os muçulmanos não se opõem, realmente, mas não podemos crucificá-los: fazer uma manifestação contra o Isis é perigosíssimo, não só em Mosul, mas em Tunis. Existem bairros de Tunis onde isto é muito perigoso!

           O senhor diz que há um sentido muçulmano de tempo que é diferente do nosso e que isto explica muitas das coisas que estão acontecendo. Qual é este sentido?

           É a explicação principal do que está acontecendo. Nós, ocidentais, vivemos no presente e no futuro, e nós temos uma relação do tipo arquivístico com o passado. Em vez disso, para os árabes, o passado é presente, é uma crônica de hoje. Dá-lhes a sensação de um fato contemporâneo. A humilhação pelo colonialismo e pela derrota dos impérios muçulmanos é vivida com a raiva de uma humilhação infligida hoje. É daí que nasce a admiração por aqueles que agora procuram inverter as relações de força,   que mostram que o Ocidente não é necessariamente o vencedor.

             Al Baghdadi é um produto genuíno ou é um fantoche nas mão dos norte-americanos, como escrevem alguns?

            Não é importante. A biografia de Baghdadi pode ser falha, mas ele é apenas um nome emprestado a uma instituição. Os obcecados pelas  teorias da conspiração são ridículos: se os americanos fossem tão diabólicos e previssem o futuro, como alguns imaginam,  como entender que eles acumulem tantos fracassos e enganos como nos últimos 50 anos, do Vietnã ao Irã, do Afeganistão ao Iraque? Certamente, o Califado não é um projeto americano. Al Qaeda eles pulverizaram  eliminando Osama Bin Laden, mas com Baghdadi não funciona assim: podem matá-lo, outra califa irá sucedê-lo. 

            Na verdade, há um fato que surpreende: o Califado produz vídeos em abundância, propaganda de horror e propaganda de vida idílica sob a sharia integral. Mas de al Baghdadi divulgou-se um vídeo só, e há aqueles que duvidam de que era realmente ele.


            Pela razão do que eu disse, é a instituição que atrai e seduz, não o seu representante. O culto à personalidade de al Baghdadi é irrelevante para a promoção do Califado.


            O senhor conhece bem a Líbia. Por que também lá o Isis e outros jihadistas têm crescido tão assustadoramente?


             Pelo grande achado de  reunir em torno de uma idéia central revoltas locais que têm razões locais, mas  que se conectam espontaneamente  com a sigla central porque  dela recebem força nova. É o princípio do Comintern, da revolução mundial que tinha Moscou como centro e se nutria da insurgências locais, manobradas por agentes do Comintern para fazê-las convergir com a estratégia de Moscou. O teórico do Comintern "verde"é Abdullah Azzam, o homem que está na origem da Al Qaeda, e que foi assassinado de repente em 1989. Mas a sua visão foi cumprida.


            Sobre os muçulmanos de países europeus que partem para combater pelo Isis, o senhor escreve: "Nós nos iludíamos de que os seduzíamos e, em vez disso, é como se numa manhã eles acordassem e, 
de repente, de dois mundos possíveis restasse apenas um: o retorno à terra amada ou  amaldiçoada". Por que a sedução falhou? 

             Sim, os dois modelos de integração - o francês e o britânico - estão falidos, mas dizer isso não é suficiente: a falência poderia empurrar os imigrantes muçulmanos para os braços do submundo ou das drogas. Em vez disto, eles partem como voluntários para a jihad. É um facto que tem relação com a opacidade da nossa civilização, com a mudança de todos os valores. De nossa parte, a cada dia, o homem se encontra diante da tarefa cansativa de escolher entre valores que estão todos no mesmo plano. O Islam, na versão sem floreios do salafismo, oferece à geração que cresceu no mundo dos valores intercambiáveis ​​a possibilidade de adentrar pelo caminho de algo simples e preciso: o caminho do bem contra o mal. Simplificação que enaltece e que funciona.


             O senhor escreveu também que eles vão usar contra nós os aspirantes a imigrantes, aqueles que agora sobem nos barcos para vir até nós. O Governo italiano nega que os terroristas estejam chegando.


             Eu não disse isso. O que eu percebi é que, pela primeira vez, o Islã radical tem em mãos uma massa de centenas de milhares de pessoas cuja condição humana é reduzida ao instinto de sobrevivência, esvaziados de sua identidade. É uma gigantesca massa de potenciais recrutados. E como eu tinha me referido à velocidade com que os jihadistas transformam seres humanos, eu me pergunto se esses milhares de homens esvaziados de seu passado não vão se tornar um perigo.


            No final, o Califado conquistará a hegemonia política e cultural sobre as massas muçulmanas ou não?


            Talvez lá onde ele está instalado, não; a Mesopotâmia é difícil de dominar militarmente. Mas a realidade do Califado, não naquele lugar, mas em muitos outros lugares do mundo, é um problema que nós teremos de enfrentar por várias décadas. Vamos viver uma era de guerras permanentes relacionadas entre si, onde o tema subjacente será o confronto entre o Islã radical e o Ocidente com seus aliados muçulmanos. Esgotar-se-á a fase sírio-iraquiana e emergirá a fase saheliano-africana, magrebina, líbica, egípcia, e assim por diante. Mas dentro de uma continuidade, porque o projeto totalitário do Califado é um projeto que se move no tempo. É uma tentativa de criar uma administração islâmica, que já existe atualmente: a cada dia que passa é um sucesso para o Califado, porque ele entra na cabeça dos muçulmanos que vivem lá e daqueles que observam de fora.


          Em certos momentos, o senhor investe contra islamólogos ao estilo de Gilles Kepel, que anunciavam a secularização iminente do Islã: "Estes "otimistas" (candide)  apegados a suas cátedras universitárias, seus simpósios em hotéis cinco estrelas, aos cheques de seus editores: acrobatas do otimismo politicamente correto, que nós pagamos para que eles nos digam o que queremos ouvir."


          O seu crime foi que eles inventaram um Islã que não existia, ou que existia muito parcialmente. Queríamos ouvir que no mundo islâmico havia uma grande disposição de dialogar conosco, e estes islamólogos deram um status acadêmico a este nosso desejo. Escolhas políticas erradas foram inspirados por essas leituras acadêmicas.


           Em tudo isto, onde está Deus? Um Deus que não peça sacrifício humano como o dos jihadistas? O senhor diz que O tem visto nas ruínas da catedral católica de Mogadíscio.


           E em muitos outros lugares onde achamos que não deveria estar. Hoje, não há lugar no mundo onde Deus é tão constantemente invocado por palavras e negado por ações como nos lugares onde se desenrola o drama do Califado. A obsessão por Deus e sua negação. Os jihadistas realmente se sentem santos, quando eles não passam de assassinos. Mas Deus está presente na única coisa que conta para mim: no sofrimento, na dor das vítimas. A presença real de Deus está naquele sofrimento. Deus está presente em toda a superfície da enorme dor que há nesses locais. Lá onde Ele é invocado não existe Deus; mas onde aparentemente está ausente, é onde Deus está. Na vítimas.

http://www.tempi.it/il-califfato-e-un-progetto-totalitario-dove-dio-e-invocato-costantemente-a-parole-e-negato-nelle-azioni#.VPe3q_nF_74


domingo, 28 de dezembro de 2014

Trotski e o Exercito Vermelho

      Trotsky é o pai da 'revolução permanente', idéia que seduz e encanta revolucionários até hoje. Mas 'revolução permanente' é tudo que não se permite, não se faz e não funciona quando a missão é criar um exército, baseado em disciplina, hierarquia e obediência cega. Pois bem: foi Trotsky que criou o Exército Vermelho.