sexta-feira, 30 de maio de 2014

Treze anos, Olavo?

    Como sempre, a linha do tempo de Olavo de Carvalho não fecha. Que idade tinha, afinal, OdeC quando ele morou na Casa do Estudante, junto a Ruy Falcão e José Dirceu? Pelas informações do próprio, ele tinha treze anos (sic). José Dirceu teria quatorze e Ruy Falcão dezessete.

    Façamos as contas: Olavo nasceu em 1947 (Dirceu em 1946 e Ruy em 1943). Se ele diz que morou com Ruy Falcão e José Dirceu, na Casa do Estudante, vinte anos antes da fundação do PT, em 1980, então, isto aconteceu em 1960. 



    "Morei com os srs. Rui Falcão e José Dirceu num apartamento da Casa do Estudante. (Que isso acontecesse duas décadas antes da fundação do PT parece não significar grande coisa para o sr. Pedroso."*
    

   Em outra ocasião, Olavo de Carvalho, disse que ele foi do Partidão entre 1965/1966, quando tinha de 18 a 20 anos, por aí.
E aí?!

Claro, ele vai dizer que errou de novo. Ô, filósofo distraído.



*http://www.olavodecarvalho.org/avisos/091213-almas.html


Olavo de Carvalho  (a área de comentário fala por si)
Momentos inesquecíveis:
Quando eu morava na Casa do Estudante do XI de Agosto, ali todo mundo era militante de esquerda, mas havia dois tipos: os revolucionários sérios, de vocação, que sonhavam com carreira política (como Rui Falcão), e os que eles chamavam de Lumpenproletários, a escória da revolução, os desclassificados como eu e o Rocco Buonfiglio, que só pensavam em revolução quando não estavam pensando em mulher, o que acontecia, digamos, uns trinta minutos por semana. Eu e esse simpático companheiro de farras freqüentávamos nas noites de sexta uma gafieira então muito famosa, o Som de Cristal, na Rua Rego Freitas. Não havia prostitutas naquele estabelecimento, cujo público feminino constituía-se eminentemente de empregadinhas domésticas em busca de compensações eróticas para a rotina deprimente da semana. Cada namoradinha que ali arrumávamos tinha sempre algumas amigas que, sabendo que íamos para um prédio de população exclusivamente masculina, logo se assanhavam e queriam ir junto. Essa era a nossa principal contribuição à causa revolucionária, como guias da massa feminina em direção à Casa do Estudante. Quando cruzávamos a Avenida São João, o pessoal nos via dos andares superiores e comentava:
-- Lá vêm o Rocco e o Olavo com a massinha deles.
As garotas permaneciam ali o fim de semana inteiro, passando de apartamento em apartamento até que na manhã de segunda-feira saíam tontinhas e felizes, de volta ao trabalho.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

OlavOsho ou OshOlavo?

        Olavo de Carvalho desenvolveu um estilo que faz crer aos menos atentos, aos desavisados, aos incautos e, principalmente, aos hipnotizados, que ele fala e escreve com profundidade aristotélica sobre absolutamente tudo. 

        Quando a gente vai ver,  em grande parte dos casos, é só platitude.  Tipo Osho. Os devotos lêem as suas 'reflexões' como se fossem pérolas de sabedoria, mas são só lorota e lero-lero.

Santa orgia

     Olavo de Carvalho mal começou a mostrar a que veio. É questão de tempo. Se ele ensina - e os devotos aceitam e aplaudem  - que o rebaixamento da linguagem ao nível do esgoto é a pedagogia apropriada para elevar o povo 'chulo' à alta cultura, não demora e, quem sabe,  a degeneração moral há de ser por ele apontada como o caminho de santidade. 

     Pelo andar da carruagem, ninguém se espante se, em breve, uma horda de devotos (católicos e cristãos, mães e pais de família, jovens de boa estirpe, estudantes e adolescentes) - sair por aí pregando que orgias são práticas santificadoras para o aperfeiçoamento da alma. O sexo como o caminho da iluminação e divinização. Da iniciação.

     Para um (ex?)tariqueiro, isto não é novidade. No texto 'René Girard e a coletividade homicida', Olavo explica que

     "Na religião islâmica, há uma série de práticas interiores das ordens místicas, que têm pouco a ver com as obrigações legais e rituais da religião coletiva, mas se destinam a utilizar a substância das paixões mais inferiores, mais violentas, como matéria-prima que, queimada no forno, no altar da prática mística, se converterá em virtude, em conhecimento espiritual, naquele sentido em que é possível dizer, com Sto. Agostinho, que as virtudes são feitas da mesma matéria dos vícios: partindo dos vícios, tomando-se como matéria-prima e queimando-os no forno da meditação e da concentração, o pecado se substitui pela graça." (O negrito é meu)
  

PS 1:"práticas interiores das ordens místicas"
ordens místicas = tariqas
PS 2: Notar a malandragem de vincular Agostinho de Hipona a um contexto completamente  diferente daquele a que o santo se refere. As usual.

http://www.olavodecarvalho.org/textos/girard.htm

sábado, 24 de maio de 2014

Velha sim. Velhaca não.*

     O devoto Daniel Pires postou foto minha com 22 anos, sugerindo que 'aquela' Mírian Macedo, jovem, tinha atributos para ser Musa Olavette. Eu, hoje, com 60 anos, nem pensar. Segundo ele, Cronos foi implacável comigo (eu também acho, mas fazer o quê?). 

     Pensando bem, Musa Olavette não tem nada a ver com vida intelectual. Pelo menos é o que se depreende da explicação de uma das Musas preferidas de Olavo de Carvalho:
"A página tem o intuito de expor a beleza física das olavettes. Não as virtudes morais"(...) "O nome da página é Musas Olavettes, se alguém está procurando dicas de modéstia, piedade e puritanismo não deveria fazê-lo numa pagina onde o apelo é o desfile da beleza feminina". (...) "Penso que alguma menina ali pode não ter religião nenhuma ou simplesmente estar cagando pra modéstia e decência. Paciência." (Palavra da musa Ana Caroline Campagnolo).

     Sorte de Olavo de Carvalho que tem mulher bonita. Já pensou excluir a pri
madonna Roxane do panteão das musas olavettes?

* O título do post é referência à resposta de Ulisses Guimarães ao playboy cangaceiro, Fernando Collor, que o chamou de 'velho gagá'. Convencido do envolvimento do então presidente em atos de corrupção, Ulisses apoiou as investigações e passou a trabalhar pelo impeachment. Irritado com a movimentação do Senhor Diretas, Collor o chamou de 'velho gagá' em uma reunião com aliados. Ulysses respondeu: "Sou velho, mas não sou velhaco".o havia chamado de velho gag
Fernando Collor de Mello, que á)  

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Se(m) oriente

     A desorientação e estimulação contraditória são artifícios típicos de gurus (Gurdjieff?) de quem Olavo de Carvalho parece copiar os passos. 

     Neste caso, o intento anunciado pelo 'filósofo' de criar uma elite de alta cultura vem acompanhado da adoção de linguagem própria da ralé iletrada, marginalizada, violenta, sem refinamento comportamental algum.

     Quem usa o palavreado de sarjeta oficializado por Olavo é o lumpen proletariado, a classe a quem o próprio guru da Virginia acusa a esquerda de endeusar.

Semana insana

         Eu vi muito católico, 'guerreiro da fé', ligado a sites de defesa da sã doutrina e da correta liturgia, dar like e risadas com estes comentários de Olavo de Carvalho, na Semana Santa, quando Nosso Senhor Jesus Cristo estava a caminho da cruz. 


         Abaixo, uma pequena amostra da piedade cristã de Olavo de Carvalho naquele que é tempo de 'contrição e de temor':


       "E, em matéria de bu&*$as, jamais fiz questão de inaugurá-las (...) Uma vez, por falta de local apropriado, c#@i uma neguinha chamada Raquel na escadaria da Casa do Estudante.(...) Eu, ao contrário, sempre tive o maior respeito pelas mulheres experientes. Co*#r virgens é para pedófilos. "
       
É claro que o 'católico' Olavo de Carvalho escreveu estas coisas de propósito, para escarnecer do Crucificado e levar o maior número de pessoas a fazer o mesmo.
 

        O que será que Padre Paulo Ricardo achou disto? Afinal, ele afirmou que confiaria a educação de seus sobrinhos a Olavo, e não a confiaria a muito catolicões seus conhecidos.
       
        Eu também tenho curiosidade em conhecer a opinião de Padre Paulo Ricardo sobre a revelação de Olavo de que René Guénon influenciou os seis últimos papas e que João Paulo II rasgou a fantasia e confessou que os sacramentos cristão são 'iniciáticos' (sic).


terça-feira, 20 de maio de 2014

COF: o outro Marx

        Parodiando Groucho Marx  ("Eu nunca faria parte de um clube que me aceitasse como sócio"), eu diria que o COF (Curso Online de Filosofia, de Olavo de Carvalho) não pode ser um curso sério, porque eu estava matriculada lá. E era uma aluna que fazia perguntas que Olavo respondia! 

        Como é possível ver seriedade num curso de filosofia em que alunos como eu, sem base ou conhecimento filosófico algum, fiquem a acompanhar aulas e a enviar perguntas, algumas sem qualquer relação com o assunto tratado, para serem respondidas ao vivo, em dois ou três minutos? 

        Pior: hoje, cinco anos depois do início do COF, qualquer pessoa, sem cumprir qualquer exigência mínima além do pagamento da inscrição, pode matricular-se, acompanhar as aulas e participar com perguntas e dúvidas, sem nenhum problema. 

        O conselho de Olavo: a pessoa entra e vai vendo as primeiras aulas, ao mesmo tempo em que assiste às atuais. Resultado: chegando quase já à aula de número 300 (em cinco anos de curso, iniciado em 2009), é comum aparecer aluno perguntando sobre questões da aula número 3! 

        Este mesmo aluno, recém-ingressado no COF e ainda às voltas com os primeiros rudimentos da técnica filosófica, no momento seguinte, está acompanhando pensações de Olavo às Meditações sobre a Filosofia Primeira, de René Descartes ou o Tratactus Logico-Philosophicus de Wittgenstein! Pode?!

      
         Nos últimos tempos, de certa forma, o estilo vulgar facebuquiano de Olavo de Carvalho já começava a contaminar o curso, que, no início, tinha aulas muito interessantes, tudo era novidade. Ele nunca usou aquele linguajar de sarjeta no COF, mas os assuntos das discussões do Facebook estavam, aos poucos, entrando na pauta do curso. 

         Adesso che ci ripenso, acho que o jeito ameno, educado, simpático e bem-humorado de OdeC nas aulas do curso de filosofia é ainda mais perigoso que seu histrionismo pornográfico do TrueOutpeak e do Facebook.

         É com esta fala mansa que ele encanta a audiência para as idéias de gente como René Guénon e Frithjof Schuon (com críticas, claro! que ele não é trouxa), enquanto desanca a hierarquia católica e dá sempre um jeito de expor o seu modo particular de interpretar a doutrina da Igreja, com a ressalva enfática de que não é teólogo. Ele é, em suas próprias palavras, um filósofo católico, não um católico filósofo. Então, tá.

        Quem já o ouviu afirmar (sem provar) que René Guénon influenciou os seis últimos papas, e que João Paulo II rasgou a fantasia e confessou que os sacramentos cristão são iniciáticos (sic), sabe que Olavo de Carvalho até pode levar alguns alunos de volta à Igreja. O problema é que religião é para levar para o céu.


        Enquanto isto,  o mantra de que brasileiro é lixo é martelado do início ao fim do curso(ele é sempre o bambambam, mas modesto e humilde, que estudou tudo durante 40 anos - quem quiser abrir a boca tem que estudar as mesmas quatro décadas sobre qualquer assunto).

        Ou seja, aquela fachada de 'eu sou simples e acessível' é isto: fachada. Ouvindo Olavo falar, temos a certeza de que seu interlocutor não pode ser menos que um Aristóteles, que - é bom não esquecer - ele deu uma melhoradinha.



Olavo de Carvalho deveria fazer o que ele sabe fazer: uma boa crítica cultural. Tem faro afiado, escreve bem e tem humor ácido e leggero, na medida certa. Também se lhe deve reconhecer mérito em orientar bibliografia e revelar bons autores desconhecidos ou relegados ao esquecimento, é gente que sabe muito mais que eu que o diz.
Mas, para prejuízo geral, Olavo de Carvalho derrapa para o delírio de onipotência, quer abarcar tudo. É tigre de papel, bufão, fraco intelectualmente. Ele monta um edifício de palavras, arruma o discurso direitinho, mas este não fecha, não se sustenta, no final. 

A ditadura comunista debaixo de cada cama, o poder divino onipresente do Foro de São Paulo, a ida para os Estados Unidos como única alternativa para os brasileiros, a invasão duguinista e (é bom não esquecer) análises do tipo da que fala de 500 mil agentes da KGB na Ucrânia - dão uma palhinha do aparato intelectual do 'maior analista, filósofo, gênio, mestre e salvador do Brasil". E é mentiroso.