quinta-feira, 12 de maio de 2016

Achando é bom

        Brasileiro encara uma baita crise - política, econômica, moral, civilizacional - e vai em frente. A democracia (esta mesma, com todas as dificuldades e contradições) está funcionando, as instituições estão fazendo o que tem que fazer (quem leva a sério aqueles que não confiam de jeito nenhum no STF? Só é bom quando é a favor de nossos interesses? 

        Concordo, às vezes, é pequeno, mas é o STF com que podemos contar ). Mas eu tenho orgulho do que estamos fazendo. E como estamos fazendo. Se o mundo é um lixo eu não sou.

No temp(l)o da Globo

          E a Globo golpista? Paulo Henrique Amorim trabalhou na Rede Globo desde meados dos anos 70 até 1996. Ou seja, todo o período brabo da ditadura e parte do governo FHC. Da Globo, PHA foi para a Bandeirantes, onde descia a lenha em Luis Inácio da Silva, como apresentador do Jornal da Band. 



       É um mimo que o valentinho acuse hoje a Globo de liderar o PIG (Partido da Mídia Golpista), de que faz parte também a Veja, onde o falastrão trabalhou no início de sua carreira, antes de ir para a Globo.



         Vale nada este rapaz. Encheu as burras de dinheiro, isto sim. Basta ver a grana que seu blog recebe de estatais. Agora, está vendo secar a fonte de mamatas e esperneia.

A pinga do PT

            Quem poderia imaginar que, num dia como este, do impeachment de um Presidente da República do PT, o que Lula fala ou deixa de falar tem nenhuma importância? Lula acabou. 

          Os esbirros que fazem barulho pelas redes sociais, arrostando que não vai ter golpe, vão invadir, ocupar, que o povo unido jamais será vencido, estas lorotas, vão é tomar uma pinga e continuar arrostando nas mesas dos botecos que não vai ter golpe, vão invadir, ocupar, que o povo unido jamais será vencido, estas lorotas, até, de cara cheia, voltar para casa e dormir.

Bolsa-Bahia

         A senadora do PSB, Lídice da Mata, disse que o PT de Lula e Dilma libertou a Bahia do atraso e do coronelismo político. Pois bem: metade - eu disse metade - da população da Bahia está no Bolsa-Família. 

        De um total de 3.899.523 famílias em todo o estado, segundo o último Censo do IBGE, feito em 2010, quase 50% , ou seja, 1.783,728 recebem os recursos do Bolsa Família.

Dilma Rousseff é passado

        Dilma Rousseff ganhou de mão beijada seu primeiro mandato. Não precisou fazer nada, não lhe custou mérito algum. Lula a elegeu. Como não é do ramo, começou a afundar o país, escolheu a escória para cercar-se - ou era gente envolvida em maracutaias ou irrelevantes incompetências. 

        O segundo mandato foi à custa de mais Lula e marquetagem. Mentiu descaradamente. Tem um caráter truculento, autoritário, trata mal até camareiras e motoristas, gente simples a quem o PT diz amar. 

        Dilma é passado. Melhor que vá cuidar do neto. Lula não pode mais salvá-la. Ele é que precisa se salvar. Saiu da política, virou caso de polícia. A presidenta vai fazer o quê? Palestras em dilmês?

Mãos à (c)obra

       Que importância tem se petê e petistas não reconhecem o governo Temer? Vão fazer o quê? Juntar meia dúzia de delinquentes para queimar pneus - e infernizar a vida de quem precisa trabalhar? Isto não vai dar mais, agora tem quem cuide desta laia. 

       O mais é só garganta: 'porque vai ter luta, porque vamos ocupar as ruas, porque vamos que vamos'. Vão nada. O PT não mobiliza mais que uns gatos-pingados e só fica anunciando demonstração de força para o dia seguinte. Chega o dia seguinte e não aparece (quase) ninguém. Ui, que medo. 

       Trabalhar, rapaziada, que a faxina vai ser pesada. O juiz Sérgio Moro vai ter muito o que fazer. 



       Alô, República de Curitiba, mãos à (c)obra.

quinta-feira, 28 de abril de 2016

(Os)Marina Silva é(ra) do PT

      Osmarina Silva, quando era do PT, achou que Lula ia escolhê-la para sua sucessão na Presidência da República. Era a carta perfeita: petista, mulher, defensora da natureza, pobre que superou todas as dificuldades blá blá blá.

      Seria a versão feminina e ecológica do operário que chegou ao topo do poder. Lula passou-lhe a rasteira e indicou Dilma. Ressentida e injuriada, foi para o PV. E quer porque quer ser presidente da República. Mas não vai. É fraca demais.

Lula pede ajuda à Globo.


             Olha aqui o que Aloísio Mercadante escreveu depois do encontro de Lula com Roberto Marinho, em setembro de 92, para pedido de apoio ao impeachment de Collor. Quem te viu quem te vê:
"Até onde teríamos chegado sem a contribuição de Veja e Isto É, desta Folha de São Paulo, do Estado de São Paulo, do Jornal do Brasil? Avalie-se a importância do humor firme de Jô Soares e dos editorais indignados de Boris Casoy. O jornal O Globo, do sr. Roberto Marinho, cumpriu também um papel de inegável importância na divulgação dos fatos relativos à CPI de PC Farias.

(...) Um muro diante dos próprios olhos tem, isto sim, aqueles que são ainda incapazes de compreender a rápida e inexorável evolução nas relações dos múltiplos eixos de poder com os meios de comunicação. Nós, da esquerda, que sempre denunciamos a grande imprensa, temos agora o dever de reconhecer o papel fundamental que ela tem desempenhado no desenrolar da crise".

buff.ly/1quRcUw

Não tem lado bom nem mau, uma ova.

        Chega de lorota de que tudo não passa de pontos de vista a favor de PT ou de PSDB e que, portanto, cada um defende seu lado e, fraternalmente, nos damos a mão acima de escolhas partidárias, que não tem lado bom nem mau, cada um tem o seu. Uma ova! 

       Trata-se de vergonha na cara, de não aceitar flacidez moral, de combater o crime, dar nome a bandido, querer a punição a delinquentes. Não, Lula não é apenas do PT, ele é o PT e é criminoso. Ou falta a alguém decente, honesto, minimamente inteligente, a certeza absoluta de que Lula (e tantos mais) só tem um lugar a ele destinado na história, a lata do lixo? 

       Enquanto isto, serve a cadeia.

'Tá na cara

        Teori Zavaski tentou, mas está difícil convencer que Sérgio Moro não deveria ter divulgado as conversas sórdidas entre Lula e Dilma. Aquele conchavo para Lula escapar da cadeia é tramóia das trevas, ponto final. O povo tinha o direito de saber, o Juiz Moro tinha o dever de tornar público. 

        Nós, leigos, temos um desconfiômetro que prescinde de artigo, alínea e parágrafo para detectar um malfeito. "Seu caso não é de ver pra crer, 'tá na cara".

Pagando o pato e a conta

         No fundo, no fundo, quem paga o pato, sempre, é o lado fraco da corda; os mais pobres. E se o PT não sair, o inferno que já é a vida do pobre vai ficar ainda pior. 

         Pior que vai.

Não há o que temer (espero)

         Tenho para mim que é sorte nossa ter Michel Temer para assumir o governo. Não é um salafrário tosco, ignorante, nem homem de vida pública porca e imunda. Não pesa sobre Michel Temer uma mancha execrável de indignidade, vigarice, corrupção e alta periculosidade (alto lá, ele não é Eduardo Cunha). Temer tem currículo acadêmico respeitável, formação intelectual sólida, exerceu cargos na administração estadual, foi Secretário de Justiça, Procurador, Presidente da Câmara três vezes e por fim vice-presidente. 

       O fato de ter ali estado como mero bibelô e artefato decorativo conta a seu favor, pois não saiu, nem às escâncaras nem nas sombras, a barganhar, convencer, negociar e doutrinar corações e mentes em favor do projeto criminoso do PT. Ele sabe que ou passa à história como cúmplice de bandidos ou como homem decente que esteve à altura do que o povo merece e espera. O brasileiro está querendo, precisando e pedindo um mínimo de paz, de alguém que faça alguma coisa que não piore sua vida, além do que já está difícil viver.  

         Quando Temer assumir e vier este bando de delinquentes do MST ou MTST a atravancar a vida e o trânsito, o povo vai apoiar - e tem que apoiar - qualquer medida legal de quem tem o direito - e o dever - de enquadrar esta gente sem-o-que-fazer. O povo que apóia o PT - salvo honrosas exceções - sabe que vai perder a boca-boa das prebendas nos sindicatos e órgãos da administração federal e o espaço a que tinha direito só pelo fato de ser petista. 

       E Michel Temer não vai ser louco de querer passar a perna em Sérgio Moro. Se bestar, Moro manda prender. Non sono intenditore, nem analista, nem cientista, sou (só) jornalista. Mas também não vivo no mundo da ciranda, cirandinha, vamos todos cirandar, tenho quase 63 anos, sou uma mulher madura. logo...

Dilma não é mulher de Cesar

           (não vou nem falar dos crimes de pedalada fiscal) Este povo que enche o peito para vociferar "Dilma é honesta' esqueceu o telefonema, desmascarando a tramóia para blindar Lula? Esqueceu a delação premiada de Delcídio do Amaral, com as confissões da nomeação de ministros no STJ para tirar empresários da cadeia? Esqueceu as lambanças de Pasadena? Esqueceu do estelionato eleitoral? Erenice Guerra? 

           Ah, me poupem.

Dilma é luz

        Depois da votação do impeachment, os petistas passaram a esculhambar os eleitores que não souberam eleger gente que presta para a Câmara dos Deputados. Só quem votou em Dilma é iluminado, consciente e lúcido. 

        Ô, beleza.

Lula, o valentinho

        Minha matemática deu tilt: o poderoso, imbatível, temível e irresistível Luizinácio virou quantos votos, afinal, a favor de La Rousseff, na votação do impeachment, na Câmara dos Deputados? Mas não é ele o homem que ia incendiar o país e arrastar multidões de eleitores que o levariam à Presidência da República em 2018? 

       Lula, o valentinho, morre é de medo de Sérgio Moro, isto sim.

Câmara dos Horrores

       Que gentinha sem-vergonha. Quer dizer que agora 'nóis pega os peixe' é circo de horrores? Está todo mundo indignado com o nível da Câmara dos Deputados que aprovou o impeachment? Mas não era preconceito lingüístico da elite dizer que 'nós pega os peixe' era um modo errado de falar? Não era esnobismo e banca de superioridade dizer que o domínio da norma culta é o que possibilita ao pobre o acesso aos clássicos da literatura e à alta cultura? 

       No fundo, e falando claro, esquerdinhas desprezam e desrespeitam aqueles que arrotam defender. Se os 'analfabetos' (gramaticais e políticos) tivessem votado a favor de Dilma, hoje a conversa era que que os legítimos representantes do povo, aquela gente simples que fala 'nóis pega os peixe' tinha demonstrado consciência de classe e prontidão para a luta revolucionária.

        Este povo presta não.

Aí, é fácil ser contra

         Pelos cálculos da PF, o PT teria 20 bilhões em caixa, pilhados da Petrobrás. Com esta grana, o partido pode dispensar financiamento empresarial até 2038. 

     Por que será que o PT saiu com a idéia de ser contra o financiamento privado e a favor do financiamento público de campanha? (Raciocínio do ministro Gilmar Mendes no Roda Viva)

Lula e Cunha: junto e misturado

               Não entendo esta pressa de petistas em mandar Eduardo Cunha para a cadeia. A quadrilha a que ele pertence é a mesma chefiada por Lula. É só ver as delações. É uma coisa só. A de Nestor Cerveró é um bom exemplo.

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

OdeC, 'bispo' Macedo e a salvação das malas

          Hoje, Olavo de Carvalho xinga Edir Macedo, mas nem sempre foi assim. O livro O Jardim das Aflições o prova. As pesadas malas embarcadas no heliporto do Templo de Salomão nos trazem à memória trechos daquele livro, publicado em 1995, em que Olavo de Carvalho empenha veementes palavras na defesa do 'bispo' Macedo. É bom lembrar que, já naquele tempo, ninguém em sã consciência podia achar que  Edir Macedo fosse verdadeiro pastor de almas. Ele era o que sempre foi: pastor de malas. 

        A propósito: ex-alunos e pessoas diversas que conviveram com OdeC na década de 90 revelam que, nesta época, ele era assíduo  frequentador de igrejas neopentecostais, em companhia da mulher e da sogra.  Os três 'devotos' iam à Igreja Universal do Reino de Deus e àquela de R.R. Soares, dono da Igreja da Graça e ex-cunhado de Edir Macedo.  

      Segundo alguns de seus ex-discípulos, era comum o Guru da Virginia elogiar e indicar o Curso de Fé de R.R. Soares, por ele considerado o melhor que já tinha visto. Alguns olavetes chegaram a fazer o curso por indicação do mestre. 

     Outra 'lojinha da fé' muito apreciada e frequentada por Olavo de Carvalho era a Igreja Renascer, do 'apóstolo' Estevão Rodrigues e da Bispa Sonia. Conta-se que OdeC teria mesmo se oferecido para dar um testemunho público, mas foi recusado, não se sabe porque. No tempo em que frequentava estas igrejas, o filósofo fazia durante seus cursos entusiasmada propaganda da 'teologia da prosperidade', ressaltando que os efeitos materiais das 'doações' ofertadas eram realmente magníficos e colhidos já nesta vida. Quem diria!  
    
    (Na verdade, não surpreende. Deve ter sido ali que o guru apurou as técnicas de ganhar dinheiro fácil, convencendo com sua lábia crédulos e incautos do custo-benefício de suas iniciativas. Basta conferir, agora o dindim é para formar dez 'lideranças' conservadoras, num curso de longo prazo, mínimo de 10 anos, a dois mil dólares per capita/mês. Cerca de duzentos e cinquenta mil dólares por ano, nada mal. Olavo já deu o sinal verde para que os devotos comecem a agir. Malandramente, ele diz ele que, de onde está, não dá para pedir a grana ele mesmo. Como se hoje distância física impedisse qualquer contato. Fosse assim, ele não teria mais de dois mil alunos num curso online de filosofia. PS: a trinta dólares a mensalidade, são sessenta mil dólares por mês só com o COF, fora os cursos avulsos, a vendagem de livros, as doações... Olavo de Carvalho fatura alto nos Estados Unidos).
     
     Voltando à esfera das 'oportunidades espirituais' experimentadas por Olavo décadas atrás, chama a atenção o depoimento de uma pessoa de integridade, sinceridade e seriedade inquestionáveis, que conheceu e conviveu com o guru durante anos. 
      
     Diz ela: "Quando eu o conheci ele se dizia protestante e ex-muçulmano. Olavo de Carvalho se definiu como protestante, justificando que o era porque a esposa o era, e que ele chegara à conclusão (guénoniana...) de que deveria seguir uma tradição (ou, antes, Tradição) da sua cultura, tendo assim abandonado o islamismo. Eu me lembro que respondi que protestantismo não é tradição, é inventado na hora. Ele ficou sem resposta." Ora, vejam, 'abandonado o islamismo'...

     Também em Curitiba, onde OdeC morou antes de ir para EUA, em 2005, era comum vê-lo em templos protestantes e não era por falta de igrejas católicas. São todos relatos confiáveis. 


 
(Não é interessante o fato de Olavo de Carvalho nunca frequentar igreja protestante tradicional, daquelas antigas? Por que? Será que ele é um sujeito que não pode receber a visita de pastores destas igrejas? Com aquele seu cigarro compulsivo, com seus linguajar chulo e conversas profanas, vai ver ele não seria bem visto por denominações mais sérias. Daí, sobra só igreja de picaretas, como a de Edir Macedo, Bispa Sonia e R.R. Soares. Um gambá cheira outro)

     O trecho d'O Jardim das Aflições é este: "Um sinal é a reportagem de "Veja" sobre o pastor protestante Caio Fabio, que abençoado por Betinho por suas ligações com a esquerda, mereceu ser rotulado, na capa, como "O Bom Pastor", para contrastá-lo, num esquematismo aterrador e insano, com o "Mau Pastor": o bispo Edir Macedo". 

    "Mau por quê? Pelo pecado de ter sido absolvido nos processos que adversários lhe moveram? Por suas convicções políticas e sua amizade com o pensador direitista Jorge Boaventura? Por recolher contribuições de seus fiéis em vez de pedir dinheiro ao governo? Porque os ritos espetaculosos de sua igreja -- tradicionais no protestantismo desde pelo menos John Wesley, e não muito diversos dos "shows" de pregadores católicos na Idade Média -- ofendem a delicada sensibilidade estética de seus críticos? Ou, enfim, porque suas campanhas beneficentes, sem o mínimo apoio oficial, vêm arriscando desbancar o improvisado monopólio esquerdista da caridade?"
(O. de CARVALHO, "O Jardim das Aflições", 1a ed., Rio de Janeiro, 1995. pp. 379-80, nota 243).

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Recordar é viver: e a maçonaria, Olavo de Carvalho?

     Mírian Macedo: "Citando René Guénon, o senhor defendeu a união da maçonaria com o cristianismo. E pode?!"
            Olavo de Carvalho: "Parece que houve aí uma divisão de trabalho: a maçonaria ficou com os Pequenos Mistérios e a Igreja com os Grandes Mistérios. Não é preciso dizer que este simples fato é causa de inumeráveis desequilíbrios. Enquanto estas duas ordens de conhecimento não forem de novo articuladas, a unidade espiritual do Ocidente não será reconquistada."

          Íntegra da resposta de Olavo de Carvalho*: "Este problema que você coloca é dos mais cabeludos. Eu dificilmente poderia explicá-lo aqui. Mas é preciso considerar que a maçonaria tal como a conhecemos hoje se origina no século XVIII, a partir da unificação de antigas iniciações de ofícios, sobretudo dos construtores medievais que, durante mil anos, tinha funcionado perfeitamente bem dentro do contexto cristão sem nenhum problema.

     A encrenca começa a partir do momento em que, dentro da própria maçonaria, começam a surgir outras sociedades, estas sim verdadeiramente secretas, que se apossam de áreas inteiras com o objetivo de transformar a maçonaria em instrumento da revolução.
     
     Isto é muito bem explicado num livro já clássico, de um mestre maçom chamado John Robinson, intitulado Proof of Conspiracy. O livro saiu no começo da história republicana aqui nos Estados Unidos.
     
     Evidentemente, foi bastante lido pelos maçons da época, inclusive o presidente George Washington, que, vendo a penetração destas idéias revolucionárias na maçonaria, confirmou que aquilo existia e disse: "Eu espero que isto não se propague aqui nos Estados Unidos (pois isto estava acontecendo na Europa, principalmente na França).
      
      Quando se fala de maçonaria, não se pode falar  de um negócio assim em  bloco, porque existem camadas e camadas de complexidade aí. Mas, em todo caso, o fato da maçonaria originar-se nestas comunidades de ofício mostra que ela não tem originariamente uma inspiração anti-cristã.
      
      Por outro lado, estas comunidades legaram à maçonaria inumeráveis conhecimentos, sobretudo sobre a constituição da ordem política, da ordem do Estado. E estes conhecimentos são realmente  importantes para a administração do mundo. 

      Como havia aquela distinção dos Pequenos Mistérios e Grandes Mistérios (Pequenos Mistérios são aqueles que se referem aos conhecimentos de ordem cosmológica, ordem do mundo, constituição do mundo, inclusive do mundo histórico, social, político; e por outro lado, os Grandes Mistérios, que se referem à ordem puramente espiritual, da imortalidade da alma, Deus  etc), parece que houve aí uma divisão de trabalho: a maçonaria ficou com os Pequenos Mistérios e a Igreja com os Grandes Mistérios. 

      Não é preciso dizer que este simples fato é causa de inumeráveis desequilíbrios. Enquanto estas duas ordens de conhecimento não forem de novo articuladas, a unidade espiritual do Ocidente não será reconquistada. 

      Pior ainda: à medida que o tempo passa, aparecem sociedades secretas dentro de sociedades secretas, conspirações dentro de conspirações, tornando tudo uma bagunça monumental. 


     É evidente que as conspirações existem, mas também é tolo imaginar, como faz este senhor Armindo Abreu, que certas sociedades secretas são controladoras do mundo.
Ninguém controla o mundo, o pessoal disputa poder e faz confusão.

     
      Pior ainda, quando os elementos causadores de uma situação contêm um forte elemento secreto, é muito difícil entender até historicamente o que aconteceu. A história do mundo, além de tornar-se extremamente violenta, ainda tem a questão de que ninguém sabe quem fez o quê. A prevalência do segredo como elemento histórico importante é um dado do século XX."

*PS: . Olavo de Carvalho respondeu às minhas perguntas no dia 12/02/2007  (a resposta está no link, a partir de 13 min20seg até 20min36seg. O email (abaixo) foi enviado ao programa True Outspeak. http://www.olavodecarvalho.org/midia/070212true.html



 "Professor Olavo, como vai?
     
     Sou Mírian Macedo, de São Paulo. Tenho acompanhado a sua participação no podcast de Yuri Vieira e ouvido seu programa de rádio True Outspeak. Brilhantes, parabéns. Eles têm sido muito esclarecedores para mim, mas, por outro lado, também me confundiram, principalmente no que se refere à união da maçonaria com o cristianismo. E pode?!

      A propósito: não entendo de profundidades filosóficas, sou só uma esforçada e curiosa ex-jornalista e rainha do lar que tem o vício de gostar de assuntos de que nada entende e que são, em geral, difíceis e complicados. Fazer o quê?

     Na conversa com Yuri, o senhor, citando René Guenón, defendeu a união da maçonaria com o cristianismo como única saída para o furdunço em que está transformado o mundo. O professor falou em maçonaria anti-cristã e maçonaria pró-cristã. O que seria uma e outra? 

     E esta última é um clube de bondades e bons propósitos, uma entidade de princípios éticos, dedicada ao culto da fraternidade, respeitosa de todas as religiões e do Deus de cada uma? E como fica a encíclica Humanus Genus e o documento que a ratifica, escrita pelo cardeal Ratzinger em 83?

     Outra coisa: falar em mistérios, mesmo que sejam pequenos mistérios, não é contrariar o próprio Senhor Jesus Cristo, que mandou gritar sobre os telhados o que se ouvisse na surdina, garantindo que nada havia para ser ocultado?

     A tese de que todas as religiões (inclusive o cristianismo) têm sua gnose é cara a muitos estudiosos do assunto, como é o caso do romeno Mircea Eliade. Ele cita, em defesa de sua idéia, o Evangelho de Mateus, as obras de Orígenes e Clemente de Alexandria e a carta aos Efésios, de São Paulo. 

      Segundo ele, a hierarquia eclesiástica da Igreja dos primeiros tempos combateu a gnose e o esoterismo pelo temor de que certos gnósticos pudessem introduzir no cristianimso doutrinas e práticas radicalmente opostas ao éthos do Evangelho. Eliade afirma:

      - Não era o " esoterismo" e a "gnose" como tais que se revelaram perigosos, mas as "heresias" que se infiltravam sob o manto do "segredo iniciatório".

       Vale lembrar: Eliade faz a ressalva de que, no caso do cristianismo, a existência de um ensinamento esotérico praticado por Jesus e continuado pelos seus discípulos é negada pelos Padres da Igreja e historiadores antigos e modernos.

       E, de volta à questão: não é heresia negar as próprias palavras de Jesus Cristo de que não existe nada secreto?

        Um abraço.

        Mírian Macedo




São Paulo,capital