quinta-feira, 7 de agosto de 2014

OdeC, 'bispo' Macedo e a salvação das malas

          Hoje, Olavo de Carvalho xinga Edir Macedo, mas nem sempre foi assim. O livro O Jardim das Aflições o prova. As pesadas malas embarcadas no heliporto do Templo de Salomão nos trazem à memória trechos daquele livro, publicado em 1995, em que Olavo de Carvalho empenha veementes palavras na defesa do 'bispo' Macedo. É bom lembrar que, já naquele tempo, ninguém em sã consciência podia achar que  Edir Macedo fosse verdadeiro pastor de almas. Ele era o que sempre foi: pastor de malas. 

        A propósito: ex-alunos e pessoas diversas que conviveram com OdeC na década de 90 revelam que, nesta época, ele era assíduo  frequentador de igrejas neopentecostais, em companhia da mulher e da sogra.  Os três 'devotos' iam à Igreja Universal do Reino de Deus e àquela de R.R. Soares, dono da Igreja da Graça e ex-cunhado de Edir Macedo.  

      Segundo alguns de seus ex-discípulos, era comum o Guru da Virginia elogiar e indicar o Curso de Fé de R.R. Soares, por ele considerado o melhor que já tinha visto. Alguns olavetes chegaram a fazer o curso por indicação do mestre. 

     Outra 'lojinha da fé' muito apreciada e frequentada por Olavo de Carvalho era a Igreja Renascer, do 'apóstolo' Estevão Rodrigues e da Bispa Sonia. Conta-se que OdeC teria mesmo se oferecido para dar um testemunho público, mas foi recusado, não se sabe porque. No tempo em que frequentava estas igrejas, o filósofo fazia durante seus cursos entusiasmada propaganda da 'teologia da prosperidade', ressaltando que os efeitos materiais das 'doações' ofertadas eram realmente magníficos e colhidos já nesta vida. Quem diria!  
    
    (Na verdade, não surpreende. Deve ter sido ali que o guru apurou as técnicas de ganhar dinheiro fácil, convencendo com sua lábia crédulos e incautos do custo-benefício de suas iniciativas. Basta conferir, agora o dindim é para formar dez 'lideranças' conservadoras, num curso de longo prazo, mínimo de 10 anos, a dois mil dólares per capita/mês. Cerca de duzentos e cinquenta mil dólares por ano, nada mal. Olavo já deu o sinal verde para que os devotos comecem a agir. Malandramente, ele diz ele que, de onde está, não dá para pedir a grana ele mesmo. Como se hoje distância física impedisse qualquer contato. Fosse assim, ele não teria mais de dois mil alunos num curso online de filosofia. PS: a trinta dólares a mensalidade, são sessenta mil dólares por mês só com o COF, fora os cursos avulsos, a vendagem de livros, as doações... Olavo de Carvalho fatura alto nos Estados Unidos).
     
     Voltando à esfera das 'oportunidades espirituais' experimentadas por Olavo décadas atrás, chama a atenção o depoimento de uma pessoa de integridade, sinceridade e seriedade inquestionáveis, que conheceu e conviveu com o guru durante anos. 
      
     Diz ela: "Quando eu o conheci ele se dizia protestante e ex-muçulmano. Olavo de Carvalho se definiu como protestante, justificando que o era porque a esposa o era, e que ele chegara à conclusão (guénoniana...) de que deveria seguir uma tradição (ou, antes, Tradição) da sua cultura, tendo assim abandonado o islamismo. Eu me lembro que respondi que protestantismo não é tradição, é inventado na hora. Ele ficou sem resposta." Ora, vejam, 'abandonado o islamismo'...

     Também em Curitiba, onde OdeC morou antes de ir para EUA, em 2005, era comum vê-lo em templos protestantes e não era por falta de igrejas católicas. São todos relatos confiáveis. 


 
(Não é interessante o fato de Olavo de Carvalho nunca frequentar igreja protestante tradicional, daquelas antigas? Por que? Será que ele é um sujeito que não pode receber a visita de pastores destas igrejas? Com aquele seu cigarro compulsivo, com seus linguajar chulo e conversas profanas, vai ver ele não seria bem visto por denominações mais sérias. Daí, sobra só igreja de picaretas, como a de Edir Macedo, Bispa Sonia e R.R. Soares. Um gambá cheira outro)

     O trecho d'O Jardim das Aflições é este: "Um sinal é a reportagem de "Veja" sobre o pastor protestante Caio Fabio, que abençoado por Betinho por suas ligações com a esquerda, mereceu ser rotulado, na capa, como "O Bom Pastor", para contrastá-lo, num esquematismo aterrador e insano, com o "Mau Pastor": o bispo Edir Macedo". 

    "Mau por quê? Pelo pecado de ter sido absolvido nos processos que adversários lhe moveram? Por suas convicções políticas e sua amizade com o pensador direitista Jorge Boaventura? Por recolher contribuições de seus fiéis em vez de pedir dinheiro ao governo? Porque os ritos espetaculosos de sua igreja -- tradicionais no protestantismo desde pelo menos John Wesley, e não muito diversos dos "shows" de pregadores católicos na Idade Média -- ofendem a delicada sensibilidade estética de seus críticos? Ou, enfim, porque suas campanhas beneficentes, sem o mínimo apoio oficial, vêm arriscando desbancar o improvisado monopólio esquerdista da caridade?"
(O. de CARVALHO, "O Jardim das Aflições", 1a ed., Rio de Janeiro, 1995. pp. 379-80, nota 243).