quarta-feira, 25 de julho de 2012

Por falar em anjos...

    
     Wilson Miranda, chamado Brother, era meu parceiro de dança nas noites animadas do Clube da Imprensa, em Brasília, naqueles tempos divertidos de repórter, na segunda metade da década de 70. O salão (quase) parava para nos ver dançar, ele e eu éramos um show. Eu soube agora (25 de julho) que ele morreu (não sei ainda de quê).

     Nós fomos colegas de faculdade na UnB e, já repórteres, Wilson e eu estávamos sempre nas mesmas coberturas de notícias, Brasília era pequena, todo mundo se encontrava o tempo todo. 

    O crioulo tinha um sorrisão devastador, que desencorajava qualquer oposição ou hostilidade. Brother só podia mesmo ser um dos fundadores do Pacotão, no tempo em que a (falta de) organização de um bloco de carnaval que debochava do poder exigia muita coragem e bom humor.
    
    Anos atrás, eu o reencontrei e ele, referindo-se à minha matéria sobre o velório de JK, em 76, na catedral de Brasília, lembrou-se do trecho em que eu falava dos anjos de Ceschiatti. 

    Wilson contou-me que aquela matéria era uma das lembranças mais marcantes que ele tinha do funeral e enterro de JK - a primeira grande manifestação popular em Brasília, no período da ditadura. Eu fiquei comovida com a lembrança. Foi a última vez que nós estivemos juntos. 

    Deus o receba em Sua casa.

Um comentário:

  1. .
    Que o negão tem cara de ter sido o maior "pé-de-valsa" é inegável!

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